A Árvore da Vida (The Tree of Life/2011)

Assistido em: 11/08/2013

Resolvi assistir esse filme com certo receio, pois de Malick só havia visto Além da Linha Vermelha e não havia gostado muito. De alguma forma a dinâmica dos soldados filosofando na guerra não me fisgou. Ciente de seu estilo próprio e pronta para o que viesse, esse acabou sendo uma grande e agradável surpresa. Com o mesmo estilo poético, lento e recheado de cenas que agradam os olhos, aqui a trama parece funcionar melhor por se tratar de um drama familiar.

Na história temos um casal, sr. O’Brien (Brad Pitt) e Sra. O’Brien (Jessica Chastain), que têm três filhos. Eles recebem um telegrama informando que o filho do meio morreu, aos 19 anos. Desesperada, Sra. O’Brien questiona Deus e o sentido da vida durante esse momento de dor. É então que começa a parte do filme que deve ter gerado mais estranhamento. Malick, para nos colocar como criaturas insignificantes no universo, nos presenteia com o começo de tudo no Big Bang, as primeiras reproduções celulares, os peixes, até os animais de grande porte. Um dinossauro predador, diante de outro ferido, tem o primeiro momento de compaixão, deixando a possível presa para trás. A vida segue. Nossos problemas e sofrimentos podem parecer enormes diante de nós, mas somos apenas um centésimo de segundo na história. Não significamos nada. Voltando à narrativa dos protagonistas, vemos vislumbres da convivência dos cinco em casa pela visão do filho mais velho, Jack. A sra. O’Brien tem uma visão de mundo recheada de religiosidade, carinho e compaixão: o caminho da graça. Já o Sr. O’Brien é rígido, espera o melhor de seus filhos e os quer preparados para a vida: o caminho da natureza. Atrás de sua dureza e falta de jeito que às vezes se torna comportamento abusivo, os ama sem saber demonstrar direito. Os três meninos têm uma infância plena de brincadeiras e uma relação edipiana com os pais. Jack adulto (Sean Penn) se questiona como a mãe conseguiu aguentar a morte de seu irmão. Ao final, encontra um desfecho emocional para suas perguntas.

As imagens combinadas com narração em off aqui funcionam, criando a ambientação da família que demonstra suas rachaduras internas. Todos humanos, demasiado humanos. Com seu ritmo peculiar, o filme toca nas feridas e suscita emoções. Sei que não é uma película que vai agradar a todos, mas não façam como eu: não adiem essa experiência por receio do que pode vir dela.

arvoredavida

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Isabel Wittmann

Catarinense, 33 anos, louca por bichos, feminista. Hoje mora em São Paulo, mas já passou uns anos no Amazonas. Crítica de cinema, doutoranda em Antropologia Social, podcaster e pesquisadora de gênero.