A Princesa Prometida (The Princess Bride/ 1987)

Assistido em 22/03/2003

A Princesa Prometida, dirigido por Rob Reiner, é um daqueles filmes que passaram dezenas de vezes na Sessão da Tarde e confesso: eu não gostava, achava chato. Eis que veio a ser minha sessão descompromissada de sexta à noite e fiquei verdadeiramente encantada. A história começa com um menino doente jogando videogame em casa, interpretado por Fred Savage (O Kevin do seriado Anos Incríveis). O seu Avô vem lhe visitar e traz um presente: o livro que costumava ler a seu pai quando este estava doente. O Neto a princípio reluta, mas aceita que o leia para ele. Trata-se da história de Buttercup, uma jovem prometida em casamento ao Príncipe Humperdinck. Ela é sequestrada por um trio de bandidos, sendo um deles a cabeça do grupo; outro um espadachim talentoso, Inigo Montoya e o terceiro um gigante grandalhão e forte, Fizzik. Um pirata, chamado Robert (e com figurino do Zorro), aparece para salvá-la. Mas Robert na verdade é seu amor de adolescência, Westley. À partir de certo ponto ele se alia a Inigo e Fizzik para impedir o casamento de Buttercup.

Que fique claro que embora tenha todos os elementos de um filme de fantasia da época e o romance também esteja lá, na verdade trata-se de uma comédia satírica e percebe-se fortemente a influência de As Aventuras de Robin Wood nele. A começar pela escolha do ator que interpreta o protagonista, Cary Elwes, que com seu bigode, é bastante parecido com Errol Flynn. (Não deve ser à toa que alguns anos depois ele interpretou o próprio Robin Wood em outra sátira). As cores fortes dos figurinos também parecem referenciar aquele filme e nas cenas externas, os céus são tingidos com cores fantásticas, remetendo ao technicolor. O vestido de Buttercup quando sequestrada é vermelho e sempre gera um contraste interessante com o céu da cena. 

Aliás, ela parece estar o tempo todo se comportando como uma donzela em perigo, esperando ser salva. Mesmo quando Westley é atacado, ela só assiste o desenrolar da luta. Mas acredito que isso se encaixe no tom satírico da narrativa.

Os efeitos práticos são bem executados e há, por exemplo, uma floresta com ratos gigantes que são visivelmente homens utilizando fantasias. A maquiagem é um pouco precária e não resiste à alta resolução, mas ainda assim (ou talvez por isso) não reconheci Billy Crystal na ponta que ele fez. As cenas de luta de espada são muito boas e uma delas em especial, é icônica e fantástica. Já havia visto ela no documentário Reclaiming the Blade, sobre espadas na cultura ocidental e que também fala sobre a espada no cinema. Ela foi coreografada pelo mítico Bob Anderson, responsável por muitas das lutas de espada memoráveis do cinema, de Star Wars a Senhor dos Anéis.

Acho que eu não gostava desse filme quando pequena por que o ritmo dele é um pouco devagar para uma aventura de fantasia para crianças. Além disso o romance não é dos mais inspirados. Mas da forma como vi ele agora, é difícil não gostar ao perceber tanto pequenos cuidados na produção. Levando-se em conta comédia é feita para rir do ridículo ou do absurdo, ele consegue fazer isso muito bem,  especialmente no último ato, onde o nível de absurdidade é imenso e o humor torna-se mais efetivo.

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