Scarface – A Vergonha de uma Nação (Scarface/ 1932)

Assistido em 15/02/2013


(Obs: para o curso The Language of Hollywood: Storytelling, Sound, and Color; da Wesleyan University, disponível em coursera.org)
Aqui sim começamos a falar de um filme com som muito bem executado! Com um visual bonito, boas atuações e um som bem editado, com os ruídos de ambiente e tudo que tem direito, acho que pode ser dito que é uma das obras-primas dos filmes de gângster. Relata a ascensão e queda de Tony, um jovem ítalo-americano que se envolve com a máfia. A violência do filme, embora seja bem fraca comparada com a dos filmes atuais, impressiona. Não é a toa que depois dele, a censura aumentou, impossibilitando outros filmes no estilo. E mesmo assim o filme consegue ter umas pitadas de humor, com os personagens secundários. Gostei muito.

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Os Quatro Batutas (Monkey Business/ 1931)

Assistido em 13/02/2013


(Obs: para o curso The Language of Hollywood: Storytelling, Sound, and Color; da Wesleyan University, disponível em coursera.org)
Antes de tudo devo dizer que não sou uma pessoa muito fácil com filmes de comédia. Geralmente acho os filmes bobos e só vou rir se estiver com a guarda abaixada. Dito isso, achei Os Quatro Batutas muito ruim. A roteiro na verdade é composto sequencias de esquetes que os irmãos Marx já realizavam no Vaudeville, usando um navio e posteriormente uma festa como pano de fundo para amarrá-las. Não sei é um humor datado ou algo muito regional, específico para americanos, mas o nível das piadas, especialmente do Groucho (que é o responsável pelo humor com texto) é estilo “tio do pavê”. Diálogos como “Um dos clandestinos anda por aí com um bigode preto” “Bem, você não esperava que o bigode andasse sozinho, não é?”. Nem posso falar do final porque dormi nos últimos dez minutos.

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O Impossível (Lo Imposible/ 2012)

Assistido em 11/02/2013

Adiei esse momento ao máximo, pois confesso que fiquei com uma certa preguiça de escrever sobre esse filme. Na verdade a preguiça já começou antes de assisti-lo: adiei ao máximo por estar com o pé atrás. Explico-me: a narrativa é baseada na história real de uma família espanhola (pai, mãe e três meninos) que estava na época de Natal em 2004 na Tailândia, quando esta foi atingida pelo tsunami que devastou a região, matando 240 mil pessoas em 14 países. Para a adaptação cinematográfica, embora a produção seja espanhola, optou-se por atores britânicos e um “aloiramento” de todos os protagonistas. Isso me incomodou de antemão. Além do mais acho interessante o fato de em uma tragédia em que milhares de pessoas morreram dessa forma, a empatia precisa ser criada sob o ponto de vista do turista europeu, e não do habitante local que realmente teve sua vida afetada (isso para quem sobreviveu). Não é que a tal família não tenha passado por maus bocados, mas nem se compara com os demais.

Enfim, superada essa preguiça inicial, fui ao filme. Confesso que achei a cena do tsunami, que acontece logo ao início do filme, impressionante. À partir daí passamos a acompanhar Maria, a mãe, juntamente com Lucas, seu filho mais velho, a procura do seu marido Henry e seus dois filhos mais novos, Simon e Thomas. Ao ficar submersa após a chegada da onda, seu corpo bateu contra muitos objetos e ela sofreu ferimentos graves. Naomi Watts recebeu uma indicação para o prêmio de Melhor Atriz no Oscar pelo papel, mas sinceramente não me pareceu tão bem assim. Tudo bem que as filmagens parecem ter sido fisicamente exaustivas, mas em termos emocionais tudo no filme (e não só ela) me parecem ao mesmo tempo rasos e artificiais.
O diretor, Juan Antonio Bayona, vindo do cena de terror, conseguiu usar as imagens de maneira eficiente para mostrar a dor de forma perturbadora. Mas, talvez pelo seu passado, não soube dosar o açúcar. O melodrama saiu de controle do meio para o fim, de forma que eu já estava impaciente e revirando os olhos. E ao final todos as minhas impressões preconceituosas se mostraram verdadeiras. Nada do sofrimento dos habitantes é mostrado. Só o que importa são os pobres turistas europeus.

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Aplauso (Applause/ 1929)

Assistido em 11/02/2013


(Obs: para o curso The Language of Hollywood: Storytelling, Sound, and Color; da Wesleyan University, disponível em coursera.org)
Apenas um ano após Anjo das Ruas e Docas de Nova York, Aplauso já é um filme totalmente falado. A história, muito simples, fala de Kitty Darling, uma artista de burlesco que se torna mãe solteira. Quando sua filha está chegando à idade escolar, envia-a para um internato católico. Aos 17 anos, April deixa a escola e após todo esse tempo sem ver a mãe, envergonha-se de sua profissão mas aprende o quão custosa foi sua educação. A carreira de Kitty está decadente e seu marido quer aproveitar a beleza e juventude de April para que ela vá aos palcos também. Basicamente é um melodrama, mas não é uma história ruim. O problema são as limitações técnicas da época. Ainda não existia edição nem mixagem de som, de maneira que as cenas tinham que ser filmadas inteiras, sem cortes, com a câmera seguindo os atores. É visível que o diretor se esforça para fazer o possível, afastando e aproximando a câmera do foco em certos momentos e brincando com as músicas ambientes, mas o resultado final é bastante precário, engessado e visualmente sem atrativos. Toda a beleza plástica de composição de cena do cinema mudo fica pra trás. É muito fácil entender, por resultados como esse, porque os atores de cinema mudo desgastaram tanto dessa passagem para o cinema falado.

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Crepúsculo dos Deuses (Sunset Blvd/ 1950)

Assistido em: 10/02/2013
Sem querer esse é o terceiro filme do diretor-roteirista Billy Wilder em um mês. E que filme! Até me faltam palavras. Com uma fotografia impressionante, na sequência inicial, quando vemos carros de polícia andando nas ruas e chegamos a um corpo numa piscina (numa tomada belíssima), já estou presa à trama. Nela, a protagonista é Norma Desmond, uma ex- estrela do cinema mudo (interpretada fantasticamente por Gloria Swanson) que está afastada das câmeras e aparece em misto de desespero e loucura, mergulhada em suntuosidade do passado. Ela conhece um roteirista, Joe (William Holden) e o contrata para refinar um roteiro que escreveu ao longo da vida e que planeja ser seu retorno triunfal às telonas. Aos poucos Norma enreda Joe em sua vida, de maneira que ele se vê morando com ela, sendo sustentado em uma vida de luxos, deixando de lado a própria carreira.
Uma das coisas mais interessantes do filme é como ele referencia o próprio cinema. A começar pela própria Gloria Swanson, que também foi estrela do cinema mudo. Um personagem que interpreta um antigo diretor dos primeiros sucessos de Norma, dirigiu Swanson naquela era. Atores famosos da época interpretam eles mesmos em algumas cenas, além do diretor Cecil B. DeMille. Além disso algumas cenas se passam nos estúdios da Paramount, que produziu o filme. Dessa forma as referências se conectam e criam uma relação entre a ficção e a realidade. É até espantoso, pois a indústria cinematográfica é retratada como cruel, com memória curta e com facilidade para descartar pessoas.
Apesar das onze indicações ao Oscar no seu ano, Crepúsculo dos Deuses levou apenas três estatuetas, em categorias técnicas (Direção de Arte, Música e Roteiro). Isso porque no mesmo ano A Malvada, comentado aqui há pouco tempo, foi o grande filme. É complicado comparar ambos, mas é interessante a coincidência de ambos abordarem a história de uma estrela do passado, uma no cinema e outra no teatro (embora Margo de A Malvada ainda atuasse). E embora seja injusto analisá-los tantos anos depois, acredito que Crepúsculo dos Deuses é um filme mais forte, especialmente em termos de roteiro e fotografia. Mas sempre há aqueles anos em que a competição acirrada entre grandes filmes dificulta a escolha. As demais indicações foram para melhor Ator (William Holden), Ator Coadjuvante (Erich von Stroheim ), atriz (Gloria Swanson ), Atriz Coadjuvante (Nancy Olson), Fotografia em Preto e Branco, Direção, Montagem e Filme.

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