Amor (Amour/ 2012)

Assistido em 09/02/2013


É difícil falar sobre Amor. Acredito que para quem já conviveu com pessoas idosas como os protagonistas, ele desperte todo tipo de lembranças e para quem não o fez, ainda assim provoca reflexões. É o tipo de filme complicado de racionalizar e comentar. É um filme para sentir.
A trama segue um casal de velhinhos, que eram professores de música e moram em Paris, em um apartamento que é quase outro personagem do filme. Anne começa a ficar distraída, ter dificuldades motoras e aí vem seu primeiro derrame. Georges passa a tomar conta da esposa e ajudá-la em todas as atividades cotidianas. Por esse breve comentário pode parece que é um filme entediante, mas acredite-me, está longe disso.
As atuações são fortíssimas e Emmanuelle Riva (que interpreta Anne) está indicada ao Oscar de melhor atriz. O filme ainda conta com as indicações de roteiro original, direção (Michael Haneke), filme estrangeiro e filme.

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Magic Mike (2012)

Assistido em 09/02/2013


Como já diria Cyndi Lauper, “girls just wanna have fun“. Então lá fui eu conferir o tão falado filme sobre homens strippers, baseado na experiência de Channing Tatum (que interpreta o Mike do título) antes de virar ator. E que dizer? A história não é das mais elaboradas. Mike é um stripper que junta dinheiro para começar seu negócio de móveis artesanais. Um dia conhece Adam, um rapaz que veio do interior para trabalhar, e o convida para justar-se ao clube. Mas Adam mostra não ter maturidade para lidar com as pressões do serviço. A história ainda tem um romance sem sal. (Obs: Senhores roteiristas: nem todo filme precisa ter romance. É sério. Tenho assistido cada coisa jogada na história de maneira sem sentido e sem profundidade, que fica difícil). Como entretenimento, não chega a ser um filme ruim. É até divertido.
Vou comentar algo que me incomodou bastante. Mulheres constantemente tiram roupas em filmes. Em comédias, em dramas, em romances, em filmes que passam na Sessão da Tarde (ou especialmente nos que passavam no Cinema em Casa), sempre é possível ver peitos e bundas desfilando na tela. Nenhum problema com a nudez, desde que ela tenha um contexto na narrativa. Mas muitas (a maior parte?) das mulheres que aparecem nuas não possuem desenvolvimento de personagem nenhum. Em comédias, especialmente, às vezes sequer possuem nome. Agora quando um filme se propõe escancaradamente a objetificar homens, isso chama a atenção e gera comentários. Mas os tais homens têm nomes, histórias, personalidades, interesses e desejos. E as próprias cenas de striptease têm sempre um quê de rídiculo. As únicas cenas de nudez não justificadas e de personagens sem nome no filme são de mulheres.

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O Vôo (Flight/ 2012)

Assistido em 08/02/2013


Antes de tudo, devo dizer que fico feliz pelo diretor Robert Zemeckis parar de fazer seus filmes de motion capture (Expresso Polar, Bewulf) e retornar ao live action, onde possui filmes já marcantes como a trilogia De Volta Para o Futuro, Forrest Gump, Contato e O Náufrago. Dito isso, O Voo é um filme que está longe de ser bom. Assisti o trailer e achei que ele vendeu a história. Um avião sofre algum tipo de pane mecânica e o piloto, com destreza sobre-humana consegue pousá-lo intacto. Mas acontece que ele estava alcoolizado durante o voo e começa uma investigação sobre sua parcela de culpa no ocorrido. As cenas dentro do avião, aliás, são fantásticas, com uma ótima tensão. Até aí tudo bem, já se sabe que o filme não será apenas um filme-desastre, mas também um drama de tribunal. O problema é que ele se torna esquizofrênico, adquire uma segunda (ou terceira) personalidade e se torna também um drama sobre um alcoólatra e dependente químico que não quer admitir o vício, com um romance deslocado e sem química no meio. Com tantos problemas de narrativa, não consegui nem achar a interpretação indicada ao Oscar de Denzel Washington essa coisa toda…

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Os Miseráveis (Les Misérables/ 2012)

Assistido em 06/02/2013


Nunca li Os Miseráveis. Tentei em algum momento, lá pelos meus 12 anos mas desisti. O único nome gravei na época foi de Jean Valjean, um homem que roubou um pão porque o filho de sua irmã tinha fome naquela miserável Paris do início do século XIX. O que conheci da história posteriormente veio do filme de 1998, dirigido por Bille August e estrelado por Liam Neeson, Geoffrey Rush e Uma Thurman. No caso desse filme de 2012, dirigido por Tom Hooper, a adaptação não é feita diretamente do livro, e sim do musical homônimo. E eu achei que o fato de o filme ser musical fosse amplamente divulgado, mas na sessão em que o assisti, ouvi murmúrios de desconforto quando a primeira cena começou com Valjean (Hugh Jackman) cantando. Algumas pessoas saíram antes da metade.
Valjean cumpre a sua pena e é libertado, sendo alertado pelo rigoroso inspetor Javert (Russel Crowe) para viver na lei daí em diante. Mas Valjean decide fugir da condicional e obter um outro nome, começando, assim, uma nova vida. Após essa introdução, temos uma passagem de tempo e Valjean é agora um homem respeitado que se tornou prefeito. Esse arco da história diz respeito a Fantine (Anne Hathaway), a jovem que ao ficar sem emprego precisa vender seus cabelos e se prostituir para conseguir dinheiro e mandá-lo ao casal Thénardier, que cuida de sua filha. A atuação de Anne Hathaway está absolutamente pungente, numa entrega absurda. Impossível não se emocionar quando canta I Dreamed a Dream, mesmo depois de a música já ter sido exaustivamente utilizada nos trailers. Valjean salva Fantine das ruas e promete buscar sua filha, Cosette e cuidar dela daí em diante.
Em mais um passagem de tempo, temos Valjean já mais velho e Cosette (Amanda Seyfried) como uma jovem que se apaixona pelo estudante revolucionário Marius (Eddie Redmayne), enquanto Javert ainda está obstinado em prender novamente o fugitivo.
Muito se falou sobre o fato de Russel Crowe não ter se saído bem cantando em cena. Pelos comentários, pensei que iria ouvir interpretações sofríveis, mas o que vi foi ele fazendo o possível com a voz que tem. Quem estava muito fraca em cena, quase constrangedora, era Amanda Seyfried. Hugh Jackman, que tem uma bagagem em musicais desde a Austrália, se saiu muito bem. Uma personagem que gostei muito foi Eponine (Samantha Barks), que não conhecia direito por ter sido praticamente cortada da adaptação de 1998. Já havia lido muitas reclamações sobre isso e entendo porque: ela é uma das mais multifacetadas do último arco e a atuação de Samantha Barks (que já a interpretou nos palcos) estava fantástica e garantiu uma das melhores canções do filme.
Sobre o fato de as músicas serem gravadas no momento da filmagem, e não em estúdio, tive sentimentos mistos. Em várias cenas isso funcionou, especialmente quando havia algo de grandiosidade, mas muitas vezes os atores quase nem cantaram as letras, apenas falando-as de forma compassada. O resultado, nesses casos, não foi dos melhores.
Se eu fosse da equipe de design de produção do filme eu ficaria extremamente desapontada com o resultado final. A obsessão de Tom Hooper por closes me deixou incomodada. Na maior pate das cenas a câmera se grudou aos rostos dos atores (possivelmente para captar a emoção ao cantar) e mal se consegue ver os cenários e mesmo os figurinos. Em cenas como na pousada dos Thénardier, seria muito bom ter visto um plano mais geral, de tudo que está acontecendo. Mas não só nessa, em muitos momentos tentei perceber os cenários e o que obtive foi uma mancha borrada ao lado da cabeça da pessoa cantando. Fora isso, há alguma câmera na mão, tremida e muitas cenas filmadas com os personagens inclinados, na diagonal. Parece-me uma mistura de preguiça com vícios visuais. Mas é como foi dito em vários veículo: Les Mis é um bom filme APESAR do diretor, já que os pontos fortes estão na forte história de Vitor Hugo, nas músicas e nos atores, que estão fantásticos.

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As Docas de Nova York (The Docks of New York/ 1928)

Assistido em 05/02/2013 


(Obs: para o curso The Language of Hollywood: Storytelling, Sound, and Color; da Wesleyan University, disponível em coursera.org)
Praticamente um contraponto a Anjo das Ruas, Docas de Nova York é um filme cínico e cru, embora tenha a sua redenção. Já começa com os sujos trabalhadores de uma caldeira em navio que está aportando na cidade. Com a trilha sonora composta de forma sincronizada à imagem, praticamente podemos ouvir o barulho do navio aportando. Bill Roberts, um dos trabalhadores, salva uma moça que havia se lançado à água em uma tentativa de suicídio. Ele leva ela ao bar frequentado pelo pessoal do porto, que tem um hotel anexo. Com ajuda das mulheres dos bar, a moça é reanimada. Uma das mulheres era a esposa de outro homem do navio, que não o via há três anos. Os frequentadores são sujos, barulhentos (embora não possamos ouvi-los), briguentos, vulgares e beberrões. Bill e a mocinha resolvem se casar naquela mesma noite, mas com motivos diferentes. Ela quer se tornar uma boa esposa e aparenta não aguentar mais essa vida das docas e ele quer aproveitar a única noite em terra firme antes de retornar ao navio. O quarto da lua-de-mel tem paredes que não são paralelas e uma janela caindo para um lado, que abre para o mar cheio de gaivotas. Tudo é torto e ainda assim bonito, até os personagens, seres humanos falhos. Não é uma experiência de poesia transcendental como Anjo das Ruas, nem o uso do som integrado é tão perceptível, mas ainda assim, não deixa de ser um bom filme.

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