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Filmes assistidos em Maio

Mais um mês que se foi e estamos quase na metade do ano. Socorro! Continuo conseguindo ver poucos filmes, mas pelo menos ainda vejo alguns. Em maio eu fiz um curso sobre musicais que foi bem divertido, até porque eu amo o gênero. A lista de filmes abordados pode ser conferida aqui. Também escrevi sobre a relação entre gênero e grandes orçamentos no cinema, em virtude de alguns comentários sendo feitos sobre Mulher Maravilha. O filme, aliás, me surpreendeu positivamente e devo escrever sobre ele em breve. Sobre seriados, além de The Handmais’s Tale tenho assistido American Gods, sem grandes expectativas porque não sou fã do livro. Segue abaixo a lista de filmes vistos esse mês:

52 Filmes por Mulheres:

Weiner (2016) ★★★★

Raw (Grave, 2016) ★★★★★

 

Juliana Rojas para Feito por Elas (em continuação ao mês de abril):

O Lençol Brando (2004) ★★★★

Um Ramo (2007) ★★★★

Duplo (2012) ★★★★

 

Ida Lupino para Feito por Elas:

Not Wanted (1949) ★★★½

O Mundo é Culpado (Outrage, 1950) ★★★½

Anjos Rebeldes (The Trouble With Angels, 1966) ★★★★

 

Musicais:

A Viúva Alegre (The Merry Widow, 1934) ★★★★

Rua 42 (42nd Street, 1933) ★★★★

 

Lançamentos:

Alien: Covenant (2017) ★★★½

Punhos de Sangue (Chuck, 2016) ★★★½

Muito Romântico (2016) ★★

Z: A Cidade Perdida (The Lost City of Z, 2016) ★★★★

Corra! (Get Out, 2017) ★★★½

Paris Pode Esperar (Paris Can Wait, 2017) ★★★

Mulher Maravilha (Wonder Woman, 2017) ★★★★½

 

Demais:

Prometheus (2012) ★★★

Eu Não Sou Seu Negro (I’m Not Your Negro, 2016) ★★★½

Hitchcock/ Truffaut (2015) ★★★

O Casamento do Meu Melhor Amigo (My Best Friend’s Wedding, 1997) ★★

Alien, o Oitavo Passageiro (Alien, 1979)  ★★★★★

Aliens, o Resgate (Aliens, 1986) ★★★★

Alien³ (1992) ★★★½

Alien- A Ressurreição (Alien: Ressurrection, 1997) ★★

 

25 filmes assistidos

 

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Sobre cineastas e grandes orçamentos

Tem certas coisas que, quando vemos, só dá pra dizer, como se fala na minha terra, que é de cair o c* da bunda. Perdoem-me a finesse. É o caso do tuíte abaixo, do Hollywood Reporter.


#acessível:
Twitter do Hollywood Reporter onde se lê “#MulherMaravilha Warner Bros. está apostando 150 milhões de dólares em uma cineasta cujo único crédito anterior no cinema foi um filme indie de 8 milhões”.
Twitter de Scott Beggs respondendo: “Contexto: mulher faz um sucesso de crítica e e de bilheteria que ganha um Oscar… Tem que esperar fodidos 14 anos para ser contratada para um longa de novo”.

Galera do Hollywood Reporter acha que a Warner fez caridade? Isso aí é investimento! Quantas diretoras conseguem filmes com altos orçamentos? Acima dos 100 milhões, até hoje, só Kathryn Bigelow, com K-19 (2002), Lana e Lilly Wachowski comA Viagem (2012) e O Destino de Júpiter (2015) e recentemente Ava DuVernay com Uma Dobra no Tempo (ainda em produção). Enquanto isso garotos branco de 20 e poucos anos que dirigiram filmes indies bem avaliados são convidados a dirigir outros com orçamentos milionários em grandes franquias.

E quanto tempo diretoras com filmes de pequeno orçamento mas grande impacto, levam para conseguir outro trabalho? A própria Patty Jenkins, cujo Monster (2002) garantiu o Oscar de melhor atriz para Charlize Theron, voltou apenas agora com Mulher Maravilha, depois de alguns anos em seriados como The Killing e Arrested Development. Onde está Lisa Cholodenko, que garantiu 4 indicações ao Oscar (melhor filme, melhor atriz, melhor ator coadjuvante e melhor roteiro original) com o filme Minhas Mães e Meu Pai (2010), com orçamento de apenas 3 milhões? Na televisão, em seriados. Lynne Ramsay, que em 2011 lançou seu elogiado Precisamos Falar Sobre o Kevin, orçado em 7 milhões, indicado ao BAFTA de melhor filme, melhor filme britânico e melhor direção, reapareceu só esse ano com You Were Never Really Here (e ganhou com ele o prêmio de melhor roteiro e melhor ator em Cannes). E já faz 6 anos que Dee Rees lançou Pariah e desde lá está na televisão. Esses são apenas alguns exemplos notórios, mas são muitas e é fácil perceber esse padrão de dificuldade.

Dizer que um estúdio está apostando caro ao contratar qualquer uma dessas diretoras é um malabarismo argumentativo, já que diretores homens com o mesmo tipo de currículo são constantemente premiados com orçamentos milionários em seu próximo trabalho (Gareth Edwards, Rian Johnson, Colin Trevorrow e mesmo Josh Trank com o desastroso Quarteto Fantástico são exemplos recentes). O que existe é uma constante dificuldade de mulheres que dirigem conseguirem financiamento ou contrato para seu filme seguinte. Existe uma exclusão sistemática de todo um nicho de trabalhadores, especificamente em virtude de seu gênero.

E por isso também que um filme como Mulher Maravilha, um blockbuster de heroína, é tão importante politicamente. Ele já é um sucesso absoluto de crítica (é o melhor desempenho de filme de super herói da Marvel ou da DC já feito) e agora precisa garantir no fim de semana de estreia uma bilheteria considerável, para mostrar que as cineastas fazem valer a qualidade de seu trabalho no orçamento investido, sem apostas incertas.

 

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Alien: Covenant (2017)

“Meu nome é Ozymandias, rei dos reis:
Contemplem minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!”
Nada resta: junto à decadência
Das ruínas colossais, ilimitadas e nuas
As areias solitárias e inacabáveis estendem-se à distância.

Percy Shelley- Ozymandias

Dirigido novamente por Ridley Scott, Alien: Covenant se apresenta como uma continuação direta de Prometheus, ainda que aquele não se assumisse como um filme Alien. Dessa vez o terror é deslocado do alien em um cenário hermético para o anseio por criar, que nos definiria humanos, fazendo uso de um design de produção interessante (incluindo a criação de um planeta e suas edificações, além de protótipos falhos de seres vivos) é uma edição de som competente.

Ao final daquele filme, a doutora Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e o androide David (Michael Fassbender), únicos sobreviventes da nave Prometheus, decidem se deslocar para o planeta dos Engenheiros em busca de respostas a respeito da origem da humanidade. Passados dez anos anos, a tripulação de uma nave de colonização está a caminho de um planeta localizado ainda há cerca de sete anos de viagem. Levam com eles mais de dois mil colonos, para ocupar aquela atmosfera parecida com a da Terra. No meio do caminho detectam um planeta com sinais de vida que parecem humanos e ambiente apto para viver. Vem a decisão de explorar o local pela possibilidade de encurtar o tempo de viagem. Em uma manobra um tanto quanto preguiçosa de roteiro, esse local coincidentemente é o mesmo planeta dos Engenheiros e o grupo novo se encontra com David. Aliás, não só a coincidência é forçada, como o filme aqui repete a mesma estrutura utilizada no filme anterior: a equipe de exploração que vai ao solo, os problemas de comunicação, os dois que se separam dos demais e aí tudo se complica.

O David encontrado pelos humanos é literalmente um reflexo distorcido no espelho, alterado pelo tempo de solidão. Em contato com os colonos, volta a se humanizar, como que se adequando àquilo que lhes é aceitável. Em um flashback o vemos despertando para a vida e conversando com Weyland (Guy Pierce), seu criador. Pergunta quem criou o humano e esse não sabe responder. O androide fica perplexo com essa falta de resposta. Quando conhece Walter (também Michael Fassbender), o androide que acompanha Daniels (Katherine Waterson) e que é que uma versão sua mais atualizada, ele afirma que Weyland era humano, indigno de sua criação. É nesse ponto que seu posicionamento fica claro: uma intensa vontade de conhecer a real origem da humanidade e o desprezo pelo conhecimento incompleto de seu criador. Nesse momento o filme chega, mesmo, a dialogar com Blade Runner.

Em Prometheus fica claro que David age com uma consciência própria, buscando responder suas próprias perguntas. Aqui isso se desdobra: David não só segue uma vontade própria de se alimentar de conhecimento: ele quer se diferenciar dos demais androides através da criação. A beleza de compor uma música, de escrever um poema, de fazer algo com suas mãos atendendo a um ímpeto que parte da noção de si é o que lhe fascina. Então quando David explora essas ações de criação ele age como sujeito pleno, que se aproxima dos humanos. Walter foi atualizado para não criar: a criação demonstra uma abstração e é um impulso que perturba os humanos ao testemunharem-na em um não-humano.

A visão criacionista de mundo da doutora Shaw é substituída pela criação enquanto domínio da técnica, expressão da arte e expressão de terror. Não por isso o filme deixa de ter alegorias religiosas: aparecem o beijo de Judas antes da traição, o retrato da Santa Ceia reproduzindo aquele de Leonardo da Vinci, culminando nos embriões de Adão e Eva sendo transportados para o Paraíso.

Por fim, ao destruir quem criou seu criador, David se torna muito mais: ele se coloca acima de uma humanidade indigna daquilo que cria. David questiona Walter, perguntando se ele preferia reinar no Inferno ou servir no Paraíso. Ele encontra sua resposta na possibilidade de reinar no Paraíso. A criatura se torna deus por meio da engenharia genética e justamente adentra o Paraíso ao som da música dos deuses que marcham para Valhalla.

Apesar da preguiça com que as decisões-chave dos humanos são tratadas no roteiro, do plot twist previsível e das cenas de ação confusas e enfadonhas, mas ainda com um suspense que funciona, o filme trata de questões importantes. Nesse sentido, chega mesmo a ampliar e qualificar Prometheus, ao dar um sentido a alguns temas presentes lá, conectando-os ao filme original.  É possível que ninguém ou pouca gente tenha se perguntado sobre eles em 1979, mas agora que as perguntas estão lançadas, são satisfatórias. Alien: Covenant não é, portanto, uma prequela necessária. Mas desestabilizando os sentidos de divindade, humanidade e criação, o filme desloca o terror da morte para o surgimento, e do desconhecido para a busca por respostas, mostrando-se pelo menos interessante em suas discussões.

 

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Dicas Netflix Maio

Gente, esqueci completamente de fazer as dicas para o mês de abril! Pior: essa lista era para ter ido ao ar no dia 5, ou seja, estou com a cabeça nas nuvens em relação ao blog. Vou tentar me redimir dando algumas indicações extras.  Os links levam diretamente aos filmes no serviço de streaming.

Drácula de Bram Stocker, uma obra prima de baixo orçamento dirigida por Francis Ford Coppola e com um visual incrível.

Era Uma Vez no Oeste (C’era una volta il West, 1968)

Drácula de Bram Stoker (Dracula, 1992)- Escrevi sobre o filme aqui e aqui.

Os Doze Macacos (12 Monkeys, 1995)- Escrevi sobre o filme aqui.

De Olhos Bem Fechados, o último (e subestimado) filme do Kubrick

Fargo- Uma Comédia de Erros (Fargo, 1996)

Regras da Vida (The Cider House Rules, 1999)

De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut, 1999)- Escrevi sobre o filme aqui.

Dirigido por David Fincher, Zodíaco é tem uma trama interessante e ótimas atuações.

Sobre Meninos e Lobos (Mystic River, 2003)

Meninas Malvadas (Mean Girls, 2004)

Zodíaco (Zodiac, 2007)

Amantes (Two Lovers, 2008)

Tilda Swinton e Tom Hiddleston vivem um amor que ultrapassa as fronteiras do tempo em Amantes Eternos, de Jim Jarmusch

O Lutador (The Wrestler, 2008)

O Duplo (The Double, 2013)- Escrevi sobre o filme aqui.

Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive, 2013)- Escrevi sobre o filme aqui e aqui.

Ela (Her, 2013)- Escrevi sobre o filme aqui.

Alicia Vikander estrela, juntamente com Oscar Isaac e Domhnall Gleeson a ficção científica Ex Machina, vencedora do Oscar de Efeitos Especiais.

O Abutre (Nightcrawler, 2014)

Ex_Machina: Instinto Artificial (Ex Machina, 2014)

Five Came Back (2017)

Bons filmes e até o mês que vem!

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Filmes assistidos em Abril

 

Não me recordo de ter tido um mês com tão poucos filmes vistos, pelo menos desde quando comecei esse espaço no blog. A questão é que o doutorado está me exigindo muito tempo (o que era de se esperar) e ainda há diversas séries pedindo por atenção. Assisti à última temporada inteira de Girls e à maravilhosidade que é Feud: Joan and Betty; comecei The Handmaid’s Tale e Five Came Back e Big Little Lies e retomei Fargo. A televisão roubou o tempo do cinema (e os livros o tempo dos dois). De qualquer maneira, quero muito férias. Emendar o mestrado com o doutorado sem nenhum intervalo, mais a mudança pro outro lado lado do país, já está cobrando seu preço. Vamos ver como chego ao final do ano.

 

Norah Ephron para Feito por Elas:

Julie & Julia (2009) ★★★½

Silkwood- O retrato de uma coragem (Silkwood, 1983) ★★★½

Everything is Copy (2015) ★★★½

 

Juliana Rojas para Feito por Elas: 

Trabalhar Cansa (2011) ★★★★

Sinfonia da Necrópole (2014) ★★★★

 

Lançamentos:

Paterson (2016) ★★★★½

Fragmentado (Split, 2016) ★★★★

Guardiões da Galáxia vol. 2 (Guardians of the Galaxy vol.2, 2017) ★★★½

 

Demais:
Os Desajustados (The Misfits, 1961) ★★★★

O Nome da Rosa (In the Name of the Rose, 1986) ★★★

Eu, Daniel Blake (I, Daniel Blake, 2016) ★★★★

Sete Minutos Depois da Meia-Noite (A Monster Calls, 2016) ★★★★

A Loja da Esquina (The Shop Around the Corner, 1940) ★★★★

O Ornitólogo (2016) ★★★★

Tomates Verdes Fritos (Fried Green Tomatoes, 1991) ★★★½

Rastros de Ódio (The Searchers, 1956) ★★★

Nossa Hospitalidade (Our Hospitality, 1923)

 

17 filmes assistidos

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