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Filmes assistidos em março

Que mês foi esse, minha gente? Teve muita gravação de podcast, vídeo pra youtube (em breve deve ser divulgado), participei de debate no Rio de Janeiro sobre o cinema da Von Trotta e trabalhei muito com coisas do doutorado. Abril nem começou e já tem outros projetos nos planos. Infelizmente não rola descanso. Bem, seguem abaixo os filmes assistidos no mês com minha nota pessoal.

52 Films by Women

Um Dia (One Day, 2011) ★★★

Versões de um Crime (The Whole Truth, 2016) ★★★

 

Agnès Varda para Feito por Elas

As Duas Faces da Felicidade (Le Bonheur, 1965) ★★★★★

Os Catadores e Eu (Le glaneurs et la glaneuse, 2000) ★★★★

Os Catadores e Eu: Dois Anos Depois (Les glaneurs et la glaneuse… deux ans après, 2002) ★★★★

Visages Villages (2017) ★★★★★

 

Laís Bodanzky para Feito por Elas

Bicho de Sete Cabeças (2001) ★★★½

Chega de Saudade (2007) ★★★

Como Nossos Pais (2017) ★★★★

 

Julie Delpy para Feito por Elas

Dois Dias em Paris (2 Days in Paris, 2007) ★★★½

A Condessa (The Countess, 2009), ★★½

O Verão do Skylab (Le Skylab, 2011) ★★★½

Dois Dias em Nova York (2 Days in New York, 2012) ★★★

Lolo: o Filho da Minha Namorada (Lolo, 2015) ★½

 

Kelly Reichardt para Feito por Elas

Antiga Alegria (Old Joy, 2006) ★★★½

Wendy and Lucy (2008) ★★★★½

O Atalho (Meek’s Cutoff, 2010) ★★★★½

 

Margaret von Trotta

A Honra Perdida de Katharina Blum (Die verlorene Ehre der Katharina Blum, 1975) ★★★½

Das zweite Erwachen der Christa Klages (1978) ★★★★

Os Anos de Chumbo (DIer bleierne Zeit, 1981) ★★★★

Rosa Luxemburgo (1985) ★★★★

Rosenstrasse (2003) ★★★★

Ich Bin die Andre (2006) ★★

 

Oscar

Trama Fantasma (Phantom Thread, 2017) ★★★★

 

Lançamentos

A Livraria (The Bookshop, 2017), ★★

Aniquilação (Annihilation, 2018) ★★★★

Arábia (2017) ★★★★½

Jogador nº1 (Ready Player One, 2018) ★★½

 

Demais

Quiz Show (1994) ★★★½

Quatro Casamentos e um Funeral (1994) ★★★

Um Sonho de Liberdade (The Shawshank Redemption, 1994) ★★★★

Pulp Fiction: Tempo de Violência ★★★

A Teoria de Tudo (The Theory of Everything, 2014) ★★½

 

33 filmes assistidos

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Category: Cinema | Tags:

Jogador Nº 1 (Ready Player One 2018)

Poster do filme Jogador Nº 1 em que o protagonista, Wade, aparece subindo uma escada vertical, olhando para o horizonte. Ao fundo, numa favela de formas geométrica retangulares empilhadase, é possível ver relas e antenas. Uma espécie de círculo luminoso ilumina o céu noturno e toda a imagem é azulada.

Na década de 1980 o sobrenome Spielberg era sinônimo de inventividade e qualidade. Filmes eram anunciados exaustivamente usando-o como selo de validação, mesmo quando sua função era a de produtor. Até as pessoas que mantinham um interesse apenas superficial por cinema eram atraídas por ele. Por isso parece óbvia a escolha de seu nome para dirigir Jogador Nº 1, filme adaptado do livro homônimo de Ernest Cline e que é largamente inspirado por elementos da década. É uma pena que o conteúdo não esteja à altura da expectativa criada.

A história começa em 2045. Wade (Tye Sheridan) é um adolescente órfão que mora com a tia. A Terra parece estar devastada: a realidade é de tal deterioração que as pessoas passam a maior parte de seu tempo em um universo de MMORPG, onde podem ser quem quiser, criar outra imagem para si e viver vidas melhores. Com a tela preta ao som de Jump, do Van Halen, somos transportados com o clima exato para o mundo que vai nos ser apresentado: Wade, descendo as escadas da favela onde mora, circula em meio às casas empilhadas, de maneira a nos apresentar visualmente às tecnologias em uso por seus moradores. Nesse momento, a narração em off não esconde o esforço de adaptar o texto para a tela. Ele se dirige a um container abandonado, onde, com seu óculos de realidade virtual, se torna Parzival, o cavaleiro solitário em busca do seu Santo Graal. Nesse caso, o prêmio do jogo em que todos interagem é entregue depois da obtenção de três chaves secretas que dariam a quem as coletasse o direito de propriedade de todo o sistema.

Parzival se vê desafiado por uma famosa caçadora de tesouros, Art3mis (Olivia Cooke). Olivia é habilidosa e admirada por isso, mas logo vai firmar uma parceira com ele. Na época do lançamento da animação Uma Aventura Lego (2014), muito se escreveu sobre a Síndrome de Trinityquando mulheres badass com experiência no que fazem são criadas como um desafio para o personagem principal masculino, novato ou representante do Homem Comum, criando uma espécie de linha de chegada para ele, de forma que no final, ele, sendo “o escolhido”, é capaz de superá-la. É claro que é exatamente isso que ocorre aqui. Mas tem mais: Art3mis, ao ouvir uma declaração apaixonada de Wade, lhe diz que ele sequer sabe quem ela é, que aquele corpo não é seu corpo real e sua imagem é muito diferente, criando a expectativa da possibilidade de uma heroína que fugisse dos padrões. Quando Wade encontra com Samantha, a pessoal real por trás do avatar, trata-se de uma menina magra, branca, ruiva, completamente dentro dos padrões de beleza esperados, apenas com um detalhe: uma marca de nascença cobrindo parte de seu rosto, sobre um olho. Dessa forma, em uma construção de roteiro preguiçosa, o nobre herói pode dizer que está apaixonado para além das aparências e é capaz de aceitá-la como ela é.

Nessa busca pelo prêmio principal do jogo, o Homem Comum desafia a Grande Corporação. A mítica da criação do jogo diz que ele foi feito anos antes por Halliday (Mark Rylance) um nerd solitário, apaixonado por tudo que envolve videogames e cultura popular. Embora ele não soubesse se relacionar com mulheres e tenha tirado seu sócio e melhor amigo da empresa, é apresentado como um bom moço. Em oposição a ele, existe Sorrento (Ben Mendelsohn), um dono de corporação que contrata os melhores jogadores para conseguir a posse das chaves e assim, controlando o jogo, poder finalmente… colocar publicidade nele? Enfim, a separação entre empresa boazinha porque seu responsável está fazendo por amor e a empresa malvada, cujo dono nem gosta de cultura popular de verdade e só quer dinheiro é bastante rasa. Vimos, na vida real, o que essa narrativa Gates X Jobs acarretou e a mudança de discursos refletida em filmes como Piratas da Informática: Piratas do Vale do Silício (1999) e, posteriormente Steve Jobs (2015).

Mas Parzival não está só na sua luta do Homem Comum. Ele tem tem um grupo simpático de amigos que o acompanha, composto por Aech (Lena Waitch), Sho (Philip Zhao) e Saito (Win Morisaki). Além disso, de punhos erguidos e com discurso motivacional, o herói angaria milhares de seguidores para ajudá-lo. Art3mis, que até então era uma jogadora que se destacava, ressalta que ele conhece Halliday como ninguém e por isso só ele pode conseguir vencer o jogo. Dessa forma criando todo um grupo diverso de amigos (ainda que marcados por estereótipos, como o da mulher negra durona e do menino asiático ás no que faz) para que no final, sem nenhum motivo aparente, o garoto branco seja o “especial” e O Escolhido: todos unidos se sacrificando por sua vitória. Dessa, forma, repetindo o erro de outros filmes que homenageiam a década de 80, o roteiro repete tropos da época, sem que haja preocupação em atualizar esse tipo de narrativa.

Há que se dizer que a estética do filme é bastante interessante e ele tem bons momentos de diversão. A criação dos personagens dentro do jogo é visualmente bonita e trabalha bem o excesso de computação gráfica, já que faz parte do contexto de irrealidade do universo criado, compartilhado pelos jogadores. As referências, que vão de um DeLorean a tiranossauro de Jurassic Park, passando pelo Hotel Overlook, funcionam como uma cutucada no espectador, lembrando-o de se empolgar com o que lhe é familiar.

O saudosismo que envolve há década de 80 começou há bem mais de dez anos e perpassa a música, a moda e, claro, a produção audiovisual. É de se questionar se ainda há fôlego para homenagens como a apresentada aqui, pautada em referências e não na complexidade dos personagens criados. Se a construção de universo tem potencial e é interessante, topo o resto se assemelha a uma grande fanfic que mescla elementos diversos da cultura popular. Funcionando como uma mistura de filme com atores de Detona Ralph (2014) com Uma Aventura Lego, Jogador Nº 1 se perde justamente ao não conseguir superar, mas apenas repetir, os erros cometidos em narrativas da década que tenta homenagear.

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Zama (2017)

Publicado originalmente em 1º de novembro como parte da cobertura da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Diego de Zama (Daniel Giménez Cacho) é um funcionário da coroa espanhola na Argentina, a quem foram prometidas riqueza e honrarias que jamais se concretizaram. Morando em um local ermo, tenta manter a aparência europeia com uma peruca desgrenhada, utilizada apenas quando necessária, e uma casaca mal cortada. A solidão e o ridículo são suas companheiras, enquanto constantemente solicita poder voltar para casa. Os planos de Lucrecia Martel são trabalhados com academicismo e o desenrolar da história é lento.

O personagem-título é retratado como uma figura sem grandes méritos e o empreendimento “civilizatório” da colonização aparece fracassado, perdido na inutilidade da função burocrática de seus responsáveis. Curiosamente, apesar desse posicionamento marcado, pouca voz é dada aos povos de outras etnias retratados: pessoas negras e indígenas perpassam a trama sem agência real ou como a confirmação dos medos e preconceitos trazidos da Europa.

Filmes recentes, como O Abraço da Serpente Z: A Cidade Perdida, apesar de também terem seus problemas, especialmente no que tange à exotização, abordam de maneira mais interessante o contato entre homens brancos e populações ameríndias. O filme ganha fôlego no terceiro ato, com a materialização da ameaça que ronda à boca pequena sob o nome de Vicuña Porto (Matheus Nachtergaele), mas, como um todo, o resultado final é árido e até mesmo enfadonho.

Nota: 3 de 5 estrelas

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A Livraria (The Bookshop, 2017)

Em uma pequena cidade no interior da Inglaterra em 1959, uma viúva decide comprar uma casa antiga e abrir uma livraria. Florence Green (Emily Mortimer) é alertada para o fato de que as pessoas do local não tem o hábito de ler, mas insiste na ideia. O imóvel está caindo aos pedaços mas ela se muda para ele, começando os reparos e encomendando os primeiros volumes. E assim conhecemos A Livraria, adaptado de um romance de Penelope Fitzgerald, com roteiro e direção da cineasta espanhola Isabel Coixet.

Florence é convidada para uma festa que conta com a mais alta sociedade local, organizada pelo General Gamart (Reg Wilson) e por Violet Gamar (Patricia Clarkson). Opta por um vestido que insiste em dizer, repetindo as palavras da costureira, que não é vermelho, mas bordô profundo. E assim conhece a acidez de Milo North (James Lance), celebridade local mordaz que lhe diz que vermelho é para empregadas domésticas em dia de folga. E, por fim, é avisada por Violet que ela tinha outros planos para a velha casa: queria construir um centro público de artes para a região.

O filme parece se propor a ser uma fábula de superação da viúva perseguida, mas a qualidade do texto é tão sofrível que nem Mortimer consegue dar conta. Além disso, em termos de discurso, é no mínimo questionável Florence não se importa que as pessoas não se interessem por livros. Com aquele apego de superioridade que costuma acometer amantes de determinadas artes, sua crença na conversão dos demais é inabalável. “Para que a população dessa vila precisaria de um centro de artes?”, ela se indaga, ao mesmo tempo em que enxerga seu próprio negócio particular como um alento para eles.

Os personagens são incomodamente unidimensionais. Os patronos Gamar parecem agir apenas com intuito de prejudica-la e North é tão afetadamente caricato que em certo momento parece ter havido a decisão de inserir uma namorada inócua na história apenas para que não se apontasse a sua criação como a de um capanga gay estereotipado de um filme noir dos anos 40.

O conservadorismo prevalece e mesmo Florence, a protagonista, como boa moça que é, guarda a viuvez e a memória do marido há anos, se privando de qualquer prazer carnal e dedicando-se às letras. Quando se relaciona com alguém, é Edmund Brundish (Bill Nighy), o velho viúvo da cidade, que vive isolado, e tem idade para ser seu pai; ou as crianças. Aliás, quando arruma sua loja, ela chama um grupo de meninos escoteiros para montar seus móveis. Crianças montariam móveis melhor que uma mulher adulta apenas por serem meninos?

Mas o pior é a forma como é retratada sua relação com Christine (Honor Kneafsey). A menina, extremamente madura, uma entre muitos irmãos de uma família desprivilegiada, é contratada como assistente de sua loja, do jeito que aqueles bons e velhos tempos permitiam. Avisa que não vai ler os livros, mas ajuda a carregá-los e a atender os clientes. Nos intervalos Florence brinca com ela e se oferece para ajudar com sua lição de casa. Quando descobre a péssima qualidade das atividades oferecidas e do ensino como um todo, não faz nada a respeito. E quando é notificada por contratar ilegalmente a mão de obra de uma criança, mostra-se ofendida, afinal, são amigas.

Com um figurino caprichoso que delega a Florence cores em tons de mostarda, verde e marrom, o filme tem uma estética extravagante bastante planejada compondo a trajetória da personagem. A Livraria consegue defender, com cores bonitas e muito açúcar, a proprietária e empreendedora de um pequeno negócio que se recusa a abrir mão dele para uso público que poderia beneficiar a população e que trata como brincadeira a exploração de trabalho infantil. É a améliezação do feminismo liberal.

Selo "Approved Bechdel Wallace Test"

Nota: 2 de 5 estrelas

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Resultado Bolão Oscar 2018

Eis a divulgação do resultado oficial do Bolão Estante da Sala 2018, que esse ano contou com 67 pessoas interessadas em participar. Já utilizo o site Gold Derby para fazer os votos há uns seis anos, mas esse ano, não sei por qual motivo, ele computou meus próprios votos deixando-os de fora do bolão específico, colocando-o apenas no geral, aberto ao publico (onde me posicionei em 1508/6993 participantes. Usei meus dados que apareceram no geral para me posicionar no ranking do bolão fechado. Peço desculpas pela estranheza do método. A porcentagem de acertos e a pontuação leva em conta que os palpites foram ranqueados, então se a pessoa errou quem ganhou mas colocou na segunda posição, teve um acerto maior que alguém que colocou como palpite a terceira posição, por exemplo.

O terceiro colocado, com 19/24 categorias corretas e taxa de acerto de 79,17% (3616 pontos) foi Pedro Tobias.

A segunda colocada, com 19/24 categorias e taxa de acerto de 79,17% (3951 pontos) fui eu (Isabel Wittmann)

O primeiro colocado, que cravo 21/24  categorias e teve uma taxa de acertos de 87,50% (3989 pontos) foi Delson Darque.

Completando o top 10 temos ainda: 4º Richardson Eduardo, 5º Emily Monteiro, 6º Tassiana Chagas, 7º Luís Henrique Ribeiro de Morais, 8º Alex Schmitt, 9º Ivan Filho e 10º Gabriella Tomasi.

Abixo seguem os prints do ranking da forma como aparece na página do bolão e da minha pontuação que ficou de fora.

Obrigada a todos que participaram dessa brincadeira. Esperam que tenham gostado! 🙂

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