Poder sem Limites (Chronicle/ 2012)

Assistido em: 04/01/2013


Com um orçamento enxuto estimado em 12 milhões, Poder Sem Limites relata a história de 3 adolescentes que que adquirem poderes de telecinese e sua jornada ao lidar com eles. Os efeitos, obviamente, não são de primeira qualidade, mas paramos de prestar atenção nisso porque servem muito bem à história. A narrativa do meio por fim escala rápido demais, mas de uma maneira geral é um filme satisfatório.

Share

Across the Universe (2007)

across-the-universe

Eu vou ser obrigada a interromper a seqüência de filmes do Oscar 2009 que estava preparando e postar sobre esse filme, que assisti com meu irmão, sob recomendação dele, no domingo.
Para começar eu devo dizer que esse filme é um musical. Mas com um diferencial: todas as canções são dos Beatles (são cerca de 30) e inúmeras outras referências a eles, como nomes de personagens, locais, entre outros. A diretora, Julie Taymor, é a mesma de Frida, onde ela já mostrou apuro visual no resultado final.
Os protagonistas são Jude e Lucy, um jovem operário de Liverpool que vai aos Estados Unidos em busca do pai e uma menina de classe média alta que resolve ir pra Nova York ficar um ano com o irmão, por causa da morte do namorado no Vietnã, respectivamente. A história de ambos se entrelaça porque Jude descobre que seu pai não é um professor universitário, como acreditava, e sim um faxineiro. E na universidade onde seu pai trabalha conhece e torna-se amigo de Max, irmão de Lucy. Os dois resolvem morar em Nova York e depois Lucy junta-se a eles. O filme retrata o período de maneira efervescente, abordando temas como hippies, o movimento anti-guerra, black power, beatniks, esquerdistas, contra-cultura e uma boa dose psicodelia. Mais tarde, Max também é convocado para a guerra. Ao mesmo tempo que os personagens se unem na cidade grande, se fastam por seus diferentes interesses. Jude descobre a arte como forma de expressão e Lucy, as manifestações políticas. Um dos pontos altos, para mim, foi a música Strawberry Fields Forever, quando Jude, irritado com o engajamento de Lucy, entra em uma “catarse artística” pollockiana e faz uma série de obras envolvendo morangos, enquanto Max luta no Vietnã. Essa passagem ainda é uma referência ao “quinto Beatle”, Stuart Sutcliffe, que desistiu da banda quando eles ainda não faziam sucesso e se apresentavam na Alemanha, para seguir carreira como pintor expressionista abstrato.Abaixo a cena:



Os figurinos são competentes a as coregrafias, nas partes em que existem, são muito bem feitas. Todo o visual é apurado e as músicas se encaixam na história perfeitamente, não sendo um mero adorno ao roteiro. As partes mais surrealistas enchem os olhos. As participações especiais foram interessantes: Joe Cocker interpretando um mendigo, um cafetão e um hippie (detalhe pras mãos dele que ainda tremem 40 anos depois do Woodstock!), Bono Vox, como Dr. Robert, um hippie que viaja num ônibus cheio de gente estranha pelo país, e Salma Hayek como enfermeira. A música que Joe Cocker canta, aliás, foi uma das melhores interpretações do filme, na minha opinião. Abaixo Come Together na voz de Joe Cocker:



Confesso que uma parte do meio do filme ficou um tanto quanto enfadonha: a parte do Bono. Psicodolia desnecessária e que nada acrescentou à história. E uma personagem, Prudence, também não acrescentou nada à história, sendo visivelmente uma desculpa para tocar Dear Prudence. Mas fora esses dois detalhes, o filme manteve o ritmo e se mostrou muito bom. Se a espectador não conhece as músicas dos Beatles, pode ficar um pouco desconfortável. E se for Beatlemaníaco, vai amar sem ressalvas. É uma belíssima homenagem ao quarteto de Liverpool.

Sir Paul McCartney assistiu o filme em sessão fechada e aprovou. Quem sou eu pra discordar dele?

Minha nota: 8,0
Nota do IMDB: 7,6

Share

Milk- A Voz da Igualdade (2008)

milk_movie_poster

Milk é um filme impressionante. Não é um blockbuster, não tem história conhecida a ser contada. Mas ele se sustenta, surpreende e por fim, cativa.
Sean Penn, como protagonista, como sempre foi um show à parte. Atuação realmente impecável.
Um pouco sobre a história (provável zona de spoilers): Harvey Milk (Sean Penn) tinha 40 anos e trabalhava em Wall Street quando conheceu um jovem, Scott e resolve fugir com ele para São Francisco, assumindo sua homossexualidade. Ele abre uma loja de artigos fotográficos e acaba por se tornar referência entre os gays da cidade. O filme retrata sua trajetória ao longo de 6 anos, culminando com sua eleição para o cargo de Supervisor (seria como um prefeito de sub-prefeituras, distritos da cidade) e sua participação ativa em campanhas pelos direitos do homossexuais.
A reconstituição dos acontecimentos da época, o figurino e mesmo inserção de filmagens reais ou envelhecimento de filmagens feitas para o filme, tudo isso compõe um conjunto harmônico. Ele se infiltra em várias questões do panorama político da época, sem com isso, ficar chato. Além disso, mostra como Milk, como ninguém, conseguiu unir interesses (gays, idosos, mulheres…) e colocá-los a seu favor, além de perceber como os homossexuais, organizados, poderiam ter representatividade tanto como consumidores quanto como cidadãos.
Mas no final das contas acho que o que mais me fez gostar do filme, é que se trata de uma mensagem de esperança. Podemos ficar indignados com muita coisa que vemos contecer ali, mas percebemos que nem tudo mudou, ainda mais no interior do interior desse nosso atrasado Brasil. Essa semana ainda eu li, em um fórum, um artigo sobre “gaymers” e jogos com conteúdo homossexual. O artigo era ilustrado com cenas de beijos e nada mais. Mesmo assim na página de comentários havia quem pedisse que o artigo fosse taxado com sendo “conteúdo inapropriado para menores de 16 anos”. (Mas um beijo hétero é classificação livre, não é?). Obviamento o site não alterou a classificação e pipocaram comentários de pessoas falando “eu odeio gays, mas respeito”. Que tipo de “respeito” é esse que se mistura com ódio? No filme, Milk encoraja os gay a “saírem do armário”(sic), afinal naquela época tentavam aprovar leis em que professores gays poderiam ser demitidos de seus cargos e locatários gays, expulsos de suas casas pelos proprietários, além de muitos serem assassinados durante a noite, até mesmo por policiais. Hoje em dia podemos pensar que essas coisas melhoraram, mas se pensarmos bem,não foi tanto assim. Casais homossexuais ainda não podem se casar legalmente na maior parte do mundo, nem adotar filhos. Muitos direitos ainda não estão assegurados, como o de receber a herança de seu companheiro. E a maioria ainda continua tendo problemas para assumir quem realmente é, mesmo para sua família. O preconceito é mais velado, mas ainda existe. E é inconcebível que um cidadão como outro qualquer não tenha os mesmos direitos que os demais assegurados pela constituição.
Acabei me estendendo um pouco e não falando tanto do filme. Mil perdões! Mas é um daqueles filmes que se comentar demais, conta-se a história toda. Enfim, vale a pena assistir. Um filme marcante e inspirador!

Minha nota: 9,5
Nota no IMDB: 8,1
(A nota do IMDB pode estar “baixa” porque muita gente critica o conteúdo homossexual do filme. No fórum há muitas discussões e homofobia explícita)

Indicações ao Oscar 2009: 8

*Melhor filme

*Melhor diretor (Gus Van Sant)

*Melhor ator (Sean Penn)

*Melhor ator coadjuvante (Josh Brolin)

*Melhor roteiro original

*Melhor trilha sonora original (Danny Elfman)

*Melhor figurino

*Melhor montagem

Share