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Figurino: Star Wars Episódios I, II e III

Texto originalmente publicado na coluna Vestindo o Filme.

Dezesseis anos. Esse foi o tempo que os fãs de Star Wars esperaram para ver um novo filme após O Retorno de Jedi. Em 1999 finalmente foi lançado Star Wars: Episódio I- A Ameaça Fantasma. A nova trilogia que se iniciou com ele, e que funciona como um prequel para os outros filmes, é inteiramente dirigida por George Lucas e composta também por Star Wars: Episódio II- Ataque dos Clones (2002) e Star Wars: Episódio III- A Vingança dos Sith (2005). É possível dizer que um dos (poucos?) pontos fortes desses filmes é o figurino, desenhado por Trisha Biggar. A figurinista usou as bases deixadas por John Mollo, cujo trabalho nos Episódios IV, V e VI foi analisado aqui e expandiu-o, para dar vida a uma sociedade que Lucas define como “muito mais sofisticada”.
Uma das características que Mollo estabeleceu foi a paleta de cores baseada em tons terrosos para os mocinhos. Biggar continua com essa lógica e os jedis seguem vestindo as túnicas beges inspiradas em quimonos acompanhadas de capa. Qui-Gon Jinn (Liam Neeson), assim como Luke em Uma Nova Esperança, veste um poncho sobre sua roupa para chamar menos atenção.

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Em A Ameaça Fantasma, Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) é apenas um aprendiz, ou padawan, e por isso utiliza uma trança marcar seu status. A trança só é cortada quando o aprendiz é elevado a cavaleiro, o que pode ser visto em Ataque dos Clones.

002 Não vou comentar a respeito da polêmica em torno da computação gráfica, mas, em se tratando do figurino gerado através dela, é interessante notar o grande salto que a tecnologia teve entre os episódios II e III. Não só as rugas do rosto são mais detalhadas, mas também a textura do tecido da roupa de Yoda, que é praticamente inexistente em 2002, já é bastante visível e ganhou maior realismo em 2005.

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Em Tatooine, tio Ben (Joel Edgerton), já veste o mesmo tipo de túnica com tecidos rústicos que usará no futuro.

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Já os vilões continuam usando roupas escuras, muitas vezes pretas, com capas. Darth Maul (Ray Park) usa o mesmo tipo de robe dos jedis. Conde Dooku (ou Darth Tyranus, interpretado por Christopher Lee) utiliza trajes com aparência militar.

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Por fim Senador Palpatine (ou Darth Sidious, interpretado por Ian McDiarmid), no terceiro filme, usa a gola chinesa que foi vinculada aos militares do exército do Império na trilogia original, bem como tecido com textura rugosa, que lembra couro. São pistas que o figurino dá sobre seu verdadeiro papel político e seu futuro como Imperador.

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Mas é o guarda-roupa de Padmé Amidala que mais chama atenção pela riqueza de detalhes e exuberância. Em A Ameaça Fantasma, ocupando o cargo de rainha de Naboo, seus trajes trazem uma certa rigidez, adequada ao protocolo. A maior parte deles tem aparência pesada e é altamente ornamentado, com bordados, rendas e texturas. Os cabelos são arrumados em pesteados elaborados e com adereços. A inspiração vem de trajes da realeza ou da nobreza de períodos históricos diferentes, mas geograficamente no que costuma se chamar de Oriente. A maquiagem pesada, com o rosto claro e lábios vermelhos, escondem suas feições, o que, aliado ao falar pausado e sem entonação, ajuda nas atividades políticas e no disfarce de sua identidade.

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Esse tipo de roupa está vinculado ao cargo de rainha, o que fica comprovado pelas ocupantes do cargo seguintes, que também se vestem dessa forma.

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Padmé eventualmente utiliza a estratégia de colocar alguma de suas damas de companhia em seu lugar, muitas vezes por motivos de segurança. No primeiro filme é Sabé, interpretada por Keira Knightley, que ocupa esse papel.

009 Enquanto isso, Padmé se veste como as demais damas de companhia, com um traje em degradê do vermelho ao amarelo. Quando sai da corte, disfarça-se de camponesa, com tecidos rústicos, ou com um traje para batalha.

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Em uma de suas aparições, ela usa um vestido vermelho com bordados dourado e os cabelos esculpidos em uma forma simétrica que lembra dois chifres, adornados com pingentes. A roupa é visivelmente inspirada no traje real tradicional da Mongólia.

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Imperatriz Dondogdulam, fotografada em 1908 na Mongólia.

012 Na última cena do filme, na celebração da derrota da Federação de Comércio, Padmé utiliza um vestido leve e claro, coberto com uma capa composta por inúmeras pétalas de tecido delicado em tons rosados, com uma gola que remete ao período elisabetano da Inglaterra, criando um gancho para seu figurino do segundo filme.

Retrato da Rainha Elizabeth I da Inglaterra, no final do século XVI.

Retrato da Rainha Elizabeth I da Inglaterra, no final do século XVI.

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Em Ataque dos Clones, Padmé não é mais rainha, mas se tornou senadora da Galáxia. A partir de agora seus trajes tem como influência maior a moda europeia de época variadas. Eles se tornam mais leves, menos cerimoniais, mas não menos cheios de detalhes. Os tecidos diáfanos e cores suaves servem para garantir uma imagem romântica à personagem.

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Seu traje de refugiada, utilizado com e sem o capuz, é decorado com arabescos e novamente traz como referência uma nobreza europeia, dessa vez da Rússia.

Grã-Duquesa Xenia Alexandrovna em traje típico do século XVII, fotografada em 1903.

Grã-Duquesa Xenia Alexandrovna em traje típico do século XVII, fotografada em 1903.

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Cada vez mais afastada da política e mais envolvida com a ação, também utiliza um traje bastante funcional inteiramente branco, ajustado ao corpo, acompanhado de uma capa. Quando Nexu, o felino monstruoso a ataca na arena, ele arranca com suas garras uma porção do tecido. A decisão foi de George Lucas, que desejava trajes mais reveladores.

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Já o vestido de casamento, com o longo véu moldando o formato da cabeça é inspirado por aqueles da década de 1920.

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Por fim, no terceiro filme, escondendo seu casamento e sua gravidez, Padmé utiliza cores escuras, especialmente o azul e o roxo, além de tecidos pesados, como o veludo. As formas são amplas e uma capa geralmente esconde sua barriga. Em casa, as camisolas são de tecidos leves.

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Em certo momento, quando reencontra com Anakin, seus cabelos estão presos formando os coques memoráveis que Leia, sua filha, usou em Uma Nova Esperança.

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Já na cerimônia de seu funeral, o vestido azul, com um tecido fluido que lembra água, assim como seus cabelos dispostos em cachos cobertos por flores ao seu redor, a transformam em uma imagem de Ofélia.

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Por fim, temos Anakin Skywalker (Jake Lloyd), o menino que se tornou um dos maiores vilões da história do cinema. Nós o vemos em Tatooine, usando roupas como as dos demais habitantes do local e ao final de A Ameaça Fantasma já é o pequeno padawan de Obi-Wan.

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Já crescido (interpretado por Hayden Christensen), a partir do segundo filme, Anakin passa a usar em seus trajes de jedi elementos em tons escuros de marrom. Depois, sobre sua túnica, utiliza couro preto de aparência pesada, em oposição aos tecidos de fibras vegetais em tons claros dos jedis, que gradativamente deixa de usar, conforme é levado para o lado sombrio da Força. Sua dualidade é marcada em uma cena em que metade de seu rosto está na luz e metade na sombra. As mangas amplas e a capa, embora sejam condizentes com traje de jedi, servem para lhe conferir uma silhueta que, propositalmente, reflete seu traje futuro, como Darth Vader.

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O trabalho de Trisha Biggar, curiosamente, foi pouco lembrando em premiações e hoje em dia ela trabalha principalmente em séries de televisão. Apesar disso, ela manteve coesão com a estética estabelecida na primeira trilogia e expandiu as possibilidades, tendo em vista que agora a sociedade retratada é mais complexa e rica, em um período que antecede as grandes guerras. Com isso tornou-se responsável por alguns dos trajes mais memoráveis da franquia Star Wars.

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Figurino: Star Wars-Trilogia Clássica

Texto originalmente publicado na coluna Vestindo o Filme.

Há muito tempo, num país muito, muito distante, a terra era povoada por samurais, mercadores, artesãos e fazendeiros e governada por um Imperador intermediado por governos militares locais. Séculos depois, nesse país chamado Japão, alguns diretores, como Akira Kurosawa, criaram filmes memoráveis com esses personagens como protagonistas, influenciados pelo cinema clássico americano. O gênero desses filmes é o jidaigeki, literalmente “drama de época”. Em plena década de 1970, nos Estados Unidos, um jovem assistiu a esses filmes e pensou em criar o seu universo do passado, com um imperador, o poderio militar e lutas de espadas envolvendo habilidosos espadachins, que não por acaso foram chamados de jedis. Assim o diretor George Lucas concebeu a primeira trilogia de Star Wars. O primeiro filme, originalmente chamado de Guerra nas Estrelas e que posteriormente recebeu o subtítulo Uma Nova Esperança, foi lançado em 1977 e rapidamente se tornou um marco entre os filmes de Fantasia. O segundo filme, O Império Contra-Ataca, foi lançado em 1980 e o terceiro, O Retorno de Jedi (um bom exemplo de título mal traduzido), em 1983.
Uma Nova Esperança tinha recursos escassos em relação à escala da produção. O figurino foi concebido por John Mollo, inspirado pelas artes conceituais de Ralph McQuarrie. Mollo até então havia trabalhado como consultor, especialmente de uniformes militares, em filmes como Nicholas e Alexandra (1971) e Barry Lyndon (1975), cujo figurino foi analisado aqui . Esse foi seu primeiro trabalho como figurinista e lhe abriu as portas para outros projetos como Alien, o Oitavo Passageiro (1979), Gandhi (1982), Chaplin (1992) e O Enigma do Horizonte (1997). Mollo voltou a trabalhar com Lucas em O Império Contra-Ataca, mas foi substituído por Aggie Guerard Rodgers e Nilo Rodis-Jamero em O Retorno de Jedi, cujo figurino se desconecta, em partes, dos dois anteriores.
A paleta de cores desenvolvida por Mollo estabeleceu a dicotomia que permeia os três filmes: não se trata apenas de uma luta do bem contra o mal, da Aliança Rebelde contra o Império, mas também uma luta entre a natureza e a tecnologia. Por este motivo, os mocinhos e os povos que os apoiam utilizam marrons, laranjas, verdes e beges, todos tons terrosos. Por outro lado, os vilões dividem-se entre o uso de cinzas e preto. O branco, que também é ligado à tecnologia é utilizado pelos dois lados, uma vez que ela não necessariamente é boa ou ruim, como afirmou o próprio George Lucas.
Luke Skywalker (Mark Hamill) começa o filme com uma espécie de robe bege, usado com calças, inspirado em quimonos masculinos. Já quando oficialmente se torna um piloto, utiliza o uniforme laranja do Aliança Rebelde.

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Ele foge desse padrão no terceiro filme, onde já um jedi formado, veste uma camisa preta de corte ajustado, com uma gola mandarim, bastante semelhante à dos militares do exército imperial. Tanto a cor quanto a modelagem servem ao fato de estar sendo tentado a juntar-se ao lado sombrio da Força.

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A mesma lógica se aplica à roupa de Obi-Wan “Ben” Kenobi (Alec Guiness), também com um robe bege inspirado em quimono, mas coberto por uma capa marrom, semelhante a túnica de um monge. Os tecidos possuem uma textura áspera, que mostram que o personagem só tem acesso a materiais bastante rústicos para se vestir nesses seus anos como eremita.

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Os povos de diversos planetas aliados aos rebeldes também vestem roupas confeccionadas em tecidos rústicos e terrosos.

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Han Solo (Harrison Ford), além de pirata, é um caubói espacial. O colete sobre a camisa um pouco aberta, as botas de cano longo e o coldre à cintura remetem à figura do imaginário estadunidense. As cores seguem a lógica já mencionada. No segundo filme, como capitão nas forças da Aliança Rebelde, ele incorpora uma jaqueta, mas volta ao colete no terceiro, em que já é general.

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R2D2 (Kenny Baker) é um robozinho arguto e leal, mas é C-3PO (Anthony Daniels) quem é mais próximo da humanidade (bom, ele é mesmo um androide) e por isso optou-se por utilizar nele um tom de dourado desgastado que o aproxima dos tons terrosos dos demais. O mesmo se aplica à pelagem de Chewbacca, vestida pelo ator Peter Mayhew, apesar do personagem andar nu.

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Princesa Leia Organa (Carrie Fisher) é uma senadora e diplomata e sua posição social a coloca nos meios controlados pela tecnologia. Por isso não é contraditório que se vista de branco, com um tecido com aparência lisa e macia. O vestido de corte reto, de mangas longas e com um capuz, acompanhado dos coques da personagem são bastante marcantes. George Lucas, querendo aplicar uma lógica seletiva e machista ao seu universo fantasioso, insistiu que no espaço não existiam sutiãs e em virtude disso, Carrie Fisher teve seus mamilos presos por fitas para não aparecerem no tecido maleável. A sua baixa estatura, contrastando com a dos soldados ao seu redor, bem como o fato de ser uma princesa, poderiam levar o espectador a crer que se trata de uma convencional donzela em perigo. Mas Leia não deixa por menos e resiste a tortura e pega em armas pela causa que defende.

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O branco vai continuar sendo utilizado por Leia em outros momentos, como no vestido com que condecora Luke e Han, nas roupas de frio que vestem em Hoth, o planeta gelado, e no macacão que veste ao fugir da cidade das nuvens, entre outros exemplos.

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Seus cabelos são geralmente presos em penteados que envolvem tranças. A exceção é em Endor, planeta dos Ewoks, onde os deixa soltos, além de usar um vestido rústico, que a alinha com os demais.

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É no terceiro filme que Leia é escravizada pelo mafioso Jabba e, submetida a ele, precisa vestir um biquíni de metal. Pessoas que estiveram nos bastidores da produção relatam que a peça era rígida e por isso não se adaptava aos movimentos da atriz e a deixava constantemente exposta. O tratamento diferenciado para a personagem que até então havia lutado lado a lado com os demais chama atenção. Han Solo, quando capturado e congelado em carbonita, permaneceu completamente vestido, por exemplo. George Lucas insistiu que a atriz não deveria ter dobras na pele quando estivesse estirada em frente a Jabba, e por isso ela precisou perder peso. A decisão desagradou Carrie Fisher que afirma que esse biquíni deve ser o que “as supermodelos usam no sétimo círculo do inferno”. Talvez por repensar no tratamento conferido à personagem, a Disney planeja excluir representações dela vestindo a peça em sua linha de produtos.

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A ambiguidade do personagem Lando Calrissian (Billy Dee Williams), que aparece pela primeira vez em O Império Contra-Ataca, é expressa na sua roupa azul, que não se encaixa nos padrões de nenhum dos dois lados do conflito. Lando é um pirata e como tal faz o possível para sobreviver, sem se envolver em questões políticas maiores. Em O Retorno de Jedi, já um General das tropas rebeldes, usando o uniforme cáqui, ainda veste uma capa azul.

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O vilão Darth Vader (David Prowse com voz de James Earl Jones) encarna o que é de mais avançado na ciência de então, uma vez que só permanece vivo em virtude de sua roupa, complementada pela máscara que utiliza para respirar. Em entrevista, Mollo declara que a imagem de Darth Vader é uma amálgama de diversos elementos: um macacão de motociclista, uma máscara de gás, botas de couro, uma capa de inspiração medieval alugada de uma casa de figurinos e, por fim, o icônico elmo. Segundo Mollo, ele foi inspirado nos capacetes utilizados pelos soldados alemães durante a II Guerra Mundial, mas novamente é difícil negar a semelhança com os elmos utilizados por samurais.

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Capacete do exército alemão na II Guerra Mundial e exemplo de dois modelos de elmos de samurai.

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O uniforme dos militares do Império, conforme mencionado, tem túnicas em tons de cinza com golas mandarim. Junto com os uniformes brilhantes e brancos dos stormtroopers, em suas diversas versões, que passam a impressão de impecabilidade e avanço tecnológico, eles compõem uma imagem de poderio militar e dominância, com uma rigidez que lembra a das tropas nazistas.

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Com uma narrativa simples de jornada do herói, permeada por tropos como o do escolhido, da donzela em perigo, do caubói desapegado e do vilão que condensa todo o mal, além de elementos como o misticismo panteísta que compõe a Força, Star Wars conseguiu criar um universo que diverte gerações. Em uma história em que a guerrilha de floresta dos Ewoks derrota um exército equipado do Império, a relação de oposição entre natureza e tecnologia nesse vasto universo não poderia ser externada ao público de maneira mais simples do que através do figurino. Por isso o trabalho de John Mollo é tão importante e suas criações se tornaram icônicas. O primeiro filme, Uma Nova Esperança, foi premiado com o Oscar de melhor figurino, além de direção de arte, som, montagem, efeitos especiais e trilha sonora, para John William. O figurino de Mollo, aliado a todos esses elementos, ajudou a alçar Star Wars ao panteão das grandes Fantasias da história do cinema.

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Figurino: A Colina Escarlate

Texto originalmente publicado na coluna Vestindo o Filme.

Fantasmas são reais, isso eu sei. Eu os vi toda a minha vida …

Em cartaz nos cinemas, A Colina Escarlate é um romance gótico que se disfarça de história de terror. A protagonista, uma escritora chamada Edith Cushing (Mia Wasikowska), fala sobre suas obras algo que também se estende ao filme: são histórias com fantasmas, não histórias de fantasmas, pois eles representam o passado. O diretor Guillermo del Toro confeccionou a trama entremeada de elementos visualmente marcantes. A figurinista é Kate Hawley, que já havia trabalhado com ele em seu filme anterior, Círculo de Fogo.
Edith, filha única de um homem rico, é cortejada por Thomas Sharpe (Tom Hiddleston), um misterioso baronete vindo da Inglaterra. Quase nada se sabe sobre ele, mas sua situação financeira precária é percebida através de suas roupas. Isso é ressaltado pela própria Edith, que fala para seu pai que elas, embora bem cortadas, são de pelo menos uma década atrás.
A história se passa na segunda metade da década de 1890. Os trajes femininos deixavam de ter anquinhas e faziam a transição para as saias em forma de sino e os bustos volumosos que iriam caracterizar a primeira década de 1900.

Exemplos de vestidos utilizados na época.

 

As cinturas são marcadas e os ombros são destacados, o que pode ser percebido nos vestidos de Edith. Apesar disso, eles não restringem seu corpo: as camisas sempre são folgadas e os tecidos fluídos. Em um flashback, a vemos ainda criança, no enterro de sua mãe, trajada totalmente de preto, com um chapéu com uma textura rugosa na parte inferior, semelhante a um cogumelo visto por baixo. Essas rugosidades ou ranhuras são a textura que predominará nos tecidos usados em seus trajes, que também são por vezes adornados com dobras, como origamis.

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É possível ligar a personagem ao amarelo e outros tons claros. Na mesma cena de infância já mencionada, os botões frontais de seu vestidinho são de pérolas. Elas aparecem posteriormente em botões e outros detalhes, como nas mangas do vestido que utiliza para ir a um baile com Thomas. Mas não é apenas isso: o tom perolado, como do vestido citado, bem como o branco, vai dominar sua paleta de cores, garantindo sua imagem de inocência. A parte da trama que transcorre nos Estados Unidos é fotografada com uma cálida iluminação amarela. Essa é outra cor que vai marcar a personagem, nesse momento em elementos como saias e acessórios, ligando-a a sua terra.

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Para destacar o amarelo, as paredes da casa de seu pai são predominantemente vermelhas. Já as figurantes na cena do baile formam uma massa em tons acobreados e de verde e amarelo pastel, compondo um degradê que emoldura a valsa dos dois enamorados.

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A leveza dos trajes de Edith contrasta com a restrição dos trajes de Lucille Sharpe (Jessica Chastain), irmã de Thomas. Seus vestidos são justos, com corpetes marcados, gola alta e mangas longas, confeccionados em veludo ou cetim. Não há um só movimento em Lucille que seja espontâneo. Tudo precisa ser calculado e sua roupa conota isso. Ainda nos Estados Unidos, vermelho vivo e preto são as cores que utiliza. Elas transmitem um senso de morbidez e perigo adequado à personagem.

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Edith e Thomas se casam rapidamente e se mudam para a mansão dos dois irmãos, na Inglaterra. A construção é um personagem por si só, responsável por criar a atmosfera adequada para o encaminhamento da trama. A falta do telhado no saguão principal traz para dentro da casa o clima de fora, seja as folhas secas ou a neve caindo. As paredes, manchadas e predominantemente verdes destacam o vermelho que aparecerá recorrentemente. A casa foi construída sobre uma mina de argila vermelha, que no inverno vem à tona manchando a neve e conferindo o nome ao cenário: a colina escarlate.

Lucille, em casa, prioriza o uso de cores escuras. Se nos Estados Unidos vestiu preto e seu irmão também, aqui ela usa frios tons fechados de azul e novamente é acompanhada por ele. Essa estratégia trata de ligar os dois. 007

No dia de sua chegada, Edith veste um casaco longo cinza, adornado com violetas e segura uma espécie de buquê da mesma flor. Tradicionalmente a violeta e sua cor são usados como símbolo de luto. Mas por baixo do casaco, ela usa um vestido de cor amarela.

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Desse momento em diante, os trajes de Edith seguem esse padrão: o amarelo cada vez mais intenso, beirando a cor de mostarda, ligando-a a sua casa, e elementos em tons escuros de luto, que a trazem para a casa nova.

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Quando está despida, utiliza uma longa camisola branca, com mangas bufantes, de tecido vaporoso e novamente com textura enrugada. A peça destaca a fragilidade da personagem, que se torna pequena em contraste com detalhes da cenografia, como os longos corredores, os grandes cômodos e a enorme poltrona da sala. A casa por si só parece ameaçadora, pois os adornos e esculturas projetam-se como estacas das paredes ou estalactites dos tetos.

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Comparar A Colina Escarlate com outros filmes, em virtude de sua temática ou estética, não é difícil. Thomas, com seus óculos escuros, remete facilmente ao personagem título de Drácula de Bram Stocker, de Francis Ford Coppola, especialmente por também se tratar de um romance gótico.
Edith, que não deseja ser uma Jane Austen, mas sim uma Mary Shelley, nada fala sobre as irmãs Brontë, responsáveis por clássicos da literatura gótica. Mas sua própria história guarda grande semelhança com Jane Eyre, livro escrito por Charlotte Brontë. Talvez Edith não seja tão decidida quanto Jane para manter distância daquele que ama, mas o clima fantasmagórico e sobrenatural, o romance trágico e mesmo a temática da mulher louca no sótão podem, em maior ou menor grau, ter paralelos em sua história. Coincidentemente Mia Wasikowska também encarnou a última versão de Jane Eyre, de 2011, dirigida por Cary Fukunaga. Ela e Tom Hiddleston também interpretaram cunhados em outro romance com clima trágico, Amantes Eternos, de Jim Jamursch, com figurino também analisado aqui.
Por fim, é fácil ver semelhanças entre Lucille e a Sra. Denvers, governanta do filme Rebecca de Alfred Hitchcock, bem como entre as casas de ambos os filmes. E se Lucille é contida pelos seus trajes, é a partir de quando tira seu corpete e liberta o próprio corpo que deixa de restringir suas ações e dá início ao ato final.

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Apesar de todas essas possíveis comparações, a estética de A Colina Escarlate é bastante única. Del Toro demonstra todo o cuidado com a criação de ambientação que case com a atmosfera fantasmagórica que deve emanar da história. O figurino de Kate Hawley não só é adequado para a época retratada, como, através de suas formas e paleta de cores, acrescenta camadas de interpretação aos personagens principais. O perigo, o trágico, o calor do pertencimento, a fragilidade, a sintonia: todos esses elementos são externados através das roupas dos personagens, tornando A Colina Escarlate uma narrativa ainda mais interessante visualmente.

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Figurino: A Lenda

Publicado originalmente na coluna Vestindo o Filme em 06/11/2015.

O que é Luz sem Escuridão?

Ridley Scott é sempre lembrado pelos seus dois grandes filmes: Alien, o Oitavo Passageiro (1979) e Blade Runner, o Caçador de Androides (1982). Mas na esteira desses veio um filme muito menos lembrado: A Lenda (1985). Trata-se de um filme de fantasia feito em uma época em que o gênero reapareceu com força e, como outros filmes do diretor, possui diversas versões, incluindo a sua própria. A história se constrói através de arquétipos ligeiramente distorcidos, com metáforas míticas e em um mundo em que nada é preto e branco, embora possa parecer na aparência. Há um grande cuidado com a direção de arte e o figurino de  , bem como a maquiagem, indicada ao Oscar, se destacam.
A princesa Lili (Mia Sara) encarna a inocência, mas uma inocência constantemente pronta a desafiar. Seu vestido nunca chega a ser completamente branco, ressaltando isso: off-white e creme compõem suas cores no começo da história. As mangas longas e partidas, a saia reta e a amarração frontal são detalhes que o levam para uma versão fantasiosa do que seria a nossa Idade Média. Seus cetins contrastam com os trajes de algodão utilizados pelos aldeões que visita. Na casa de uma delas, tem uma visão do relógio cuco congelando com a Dona Morte para fora, numa previsão dos acontecimentos que se seguiriam.

Seu amigo Jack (Tom Cruise) é um ser da floresta, vestido com trapos verdes e rasgados. Embora a inocência de Lili é sempre reafirmada, ela instiga os sentimentos dele, desafiando-o a beijá-la, como numa brincadeira de provocação. Essa mesma brincadeira é utilizada para que Jack faça algo que sabe ser errado e mesmo proibido: levá-la para ver as criaturas mais sagradas, um casal de unicórnios que habita a floresta.

Lili desafia Jack a encontrar seu anel, adornado com um sol e uma lua, para que possa casar-se com ela. Os dois elementos são a oposição entre o dia e a noite, mas se completam, como a princesa e o garoto da floresta, mas também como a Luz e a Escuridão, como o próprio Senhor da Escuridão (Tim Curry) afirma.

Em paralelo, o Senhor da Escuridão envia seus goblins para matar os unicórnios. Lili e Jack mal sabiam que o seu contato com os animais míticos facilitou o trabalho daqueles, que conseguem acertar um dardo envenenado no unicórnio macho. Um goblin fala a respeito do unicórnio sobrevivente que este é “apenas uma fêmea, sem poder”. Mas o Senhor da Escuridão responde que ela possui o poder da criação. A partir daí o mundo cai em um grande inverno de tristeza. Nesse momento o filme funciona como uma parábola da perda da inocência. Isso já fica patente na relação entre Lili e Jack. Quando se aproxima dos unicórnios, Jack, encantado pela beleza de Lili, arranca dois lírios (lily, em inglês) que estão em sua frente, flor constantemente utilizada para simbolizar pureza e castidade. Paralelos podem ser traçado entre Adão e Eva e a expulsão do paraíso, após Eva incentivar Adão a comer do fruto da Árvore do Conhecimento; e Lili incentivando Jack a levá-la aos unicórnios e a posterior desolação desse mundo.

Lili vaga pela neve cheia de culpa e acaba por chegar ao palácio do Senhor da Escuridão, com seu vestido em frangalhos, como se muito tempo tivesse se passado.

Lili não agiu guiada pela maldade: foi a curiosidade que a levou a fazer o que fez. Sua predominante inocência atrai o vilão. Mas para conquistá-la efetivamente, precisa que ela se aproxime dele em intensões e por isso a seduz através do desejo. “Tente-a, ganhe-a, faça-a um de nós”, diz uma voz. O desejo é manifestado na Cobiça pelos objetos de seu salão, cheios de riqueza, mas culmina na Luxúria, através dança sedutora com a mulher de sombras, que a atrai e acaba por transformá-la em uma rainha vestida em ricos tecidos negros, com uma gola de dimensões exageradas, para efeito dramático e com um profundo decote até a cintura e meias arrastão. A maquiagem é escura e pesada. A maior exposição do corpo da personagem, como que manifestando a sua sexualidade, marca sua passagem para a Escuridão. O próprio Senhor da Escuridão apresenta-se com peito nu e uma longa capa.


Talvez por Lili encarnar essa inocência dual, o foco do filme tantas vezes se volte para seus olhos.

Além de Lili, o filme não poupa a outra personagem feminina que tem papel ativo na trama. Blix, a fada que auxilia Jack juntamente com os elfos, é retratada de forma a acentuar o mundo de cinzas que compõe o filme. Envolta em gazes da cor da sua pele finas como o tecido de suas asas, com seus cabelos finos eriçados, sua aparência evoca uma fragilidade que é oposta ao seu verdadeiro caráter. Ela não é estritamente boa e por causa de seu egoísmo tenta enganar o herói, iludindo-o com visões de seus desejos, para satisfazer os dela. A maneira como sua explosão de raiva é retratada com labaredas de fogo ao fundo é no mínimo sugestiva. De toda forma, por mais que a personagem demonstre suas vontades e seu egoísmo, ela é capaz de pensar em um contexto maior e abrir mão de tudo pelo bem de terceiros.

Ao final do filme, Jack literalmente aparece com uma armadura dourada, uma cota em escamas, pronto para salvar Lili, mas com as pernas desnudas como a criatura da floresta que sempre será. Mas Lili demostra ter controle sobre seus desejos e ser capaz de se posicionar contra o Senhor da Escuridão. Ela é quem salva o unicórnio, o que restaura a ordem do mundo.

É possível que a temática aparentemente infantil tenha prejudicado a recepção desse filme na época em que foi lançado. Mas de qualquer forma pode-se dizer que tecnicamente sua execução é muito boa: as maquiagens, bem como os efeitos práticos e os cenários são muito bonitos. Charles Knode, que já havia trabalhado com Ridley Scott em Blade Runner (que já foi comentado aqui), criou um figurino conciso, com poucas trocas de roupa, mas que se encaixa perfeitamente com o clima necessário para a história. A Lenda pode não ser um dos filmes consagrados de Ridley Scott, mas ainda assim é capaz de encantar.

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Figurino: Juventude Transviada

Texto originalmente publicado na coluna Vestindo o Filme.

Vocês estão acabando comigo!

James Dean é um dos rostos mais icônicos da história do cinema. Mesmo quem nunca assistiu a um filme seu, facilmente reconhecerá sua imagem. Símbolo da juventude de uma época, faleceu jovem, aos vinte e quatro anos. Em Juventude Transviada encarna justamente o sentimento de impotência, de dúvida e de falta de sentido dessa mesma juventude. O filme foi dirigido por Nicholas Ray e o figurino é de Moss Mabry, em um de seus primeiros trabalhos.
Os três personagens principais são Jim (interpretado pelo próprio James Dean), Judy (Natalie Wood) e John, apelidado de Platão (Sal Mineo). A história toda se passa em apenas um dia e os três se vêm pela primeira vez uma mesma delegacia durante a madrugada. Jim foi detido por estar bêbado causando desordem na rua. Judy foi encontrada vagando sozinha e Platão havia atirado em cachorrinhos. Apesar da prosperidade financeira da sociedade estadunidense de então, os adolescentes do filme tinham suas dúvidas e seus medos, em grande parte causados pelos próprios pais.

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No caso de Platão, eles jamais estão em casa e quem toma conta dele é uma empregada doméstica (interpretada por Marietta Canty). A personagem é escrita de acordo com o estereótipo de uma Mammy, e não possui sequer um nome.

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O problema de Judy é relacionado ao seu pai. Ele ao mesmo tempo se recusa a aceitar o crescimento de sua filha e se nega a manter uma relação afetuosa em virtude dele. Judy relata que ao vê-la maquiada para sair, ele esfregou os lábios dela, espalhando batom vermelho em seu rosto e chamando-a de vagabunda. Foi por isso que ela estava andando sozinha de noite. Mas quando, mais tarde, ela o beija, ele a esbofeteia, afirmando que não tem mais idade para esse tipo de demonstração. A maturidade sexual da garota, que perturba o pai, é expressa em sua roupa completamente vermelha, destacando-a das demais pessoas da delegacia.

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Jim, por sua vez, tem problemas em aceitar seu pai, a quem vê como um homem fraco, que se esforça para ser seu amigo e não assume o papel de uma figura de autoridade. Para ele, a postura condescendente da mãe e da avó é disfarçada por afeto superficial, respingado por mentiras. Quando os pais o buscam, vieram de um baile e o smoking, as peles e as joias externam sua condição financeira privilegiada. A dominação por parte da mãe é expressa através do próprio jogo de câmera, em um plano que a enquadra de baixo para cima, destacando seu lugar de poder.

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O responsável por cuidar dos jovens na delegacia apresenta-se, à princípio, como mais um dos adultos, com seu insosso paletó marrom. Ele retira a jaqueta quando chama Jim para falar a sós e este tenta agredi-lo. Nesse momento ele também ainda é enquadrado como uma figura de poder, visto de baixo para cima, mas logo fica claro que é ele quem mais se conecta com os jovens. Lado a lado, sem o paletó, ele e Jim são iguais, ainda que o rapaz exiba a gola da camisa levantada, como marcador de diferença de geração. Para manter a postura diante dos pais, ele volta a vestir o paletó antes de reencontrar com eles.

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Jim guarda o espalho de bolsa de Judy, que encontrou na delegacia. Esse momento vai se refletir posteriormente quando ele o devolver a ela, conectando os dois.

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Em seu primeiro dia de aula na nova vizinhança, novamente é possível ver a boa situação financeira de Jim: ele veste uma camisa branca sobre uma camiseta e um blazer de lã, como um rapaz comportado de classe média. Suas roupas são muito mais formais e convencionais que as dos demais rapazes à porta da escola, com suas jaquetas de camurça e couro e seus suéteres. As garotas usam saias rodadas, rabos de cavalo, sapatilhas e sapatos Oxford com meia. Em determinado momento o foco é dado aos pés dos membros da gangue de Buzz, namorado de Judy. O grupo faz uso de calças jeans, alguns com a barra dobrada para fora, além de botinas, de acordo com a imagem de rebeldia pretendida por eles.

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Em mais uma briga com os pais, Jim, que mais cedo não havia se incomodado em ver sua mãe com um avental amarelo adornado com babados servindo o café da manhã, agora observa o pai com a mesma peça e irrita-se com isso. O fato de pai não se encaixar no padrão hegemônico de masculinidade faz com o interprete como um covarde, e essa covardia é expressa no uso do avental materno. O pai é visto como subalterno e preso à casa. Isso é literalmente expresso pela câmera subjetiva representando seu olhar sobre a figura paterna. Jim pede ao pai que se erga do chão, como se limpar não fosse serviço adequado a ele.

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Em outro momento, quando discute com os pais e confronta, especificamente, seu pai, o ângulo holandês externa que para Jim algo não está certo. A escada garante visualmente o posicionamento da hierarquia doméstica, com a mãe acima dos dois e o filho desafiando o pai.

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Quando sai de casa, Jim finalmente externa seu descontentamento através das roupas. Ao invés da camisa anterior, veste apenas uma camiseta. A peça de vestuário até pouco tempo era considerada apenas uma roupa íntima, mas se tornou popular entre os jovens usada dessa maneira, à mostra, especialmente por conta do personagem de Marlon Brando em Uma Rua Chamada Pecado, cujo figurino já foi analisado aqui. Ao invés de blazer ou paletó, agora também veste uma jaqueta como os demais rapazes. O vermelho dela é uma maneira, também, de externar sua angústia.

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Platão, por sua vez, continua usando camisa e gravata, mas dessa vez com uma jaqueta de veludo cotelê que parece muito grande para ele. Os ombros são mais largos que os seus próprios. É como se ela fosse emprestada de algum adulto, esses que quase totalmente se ausentam de sua vida. Ele parece mais jovem que os outros garotos, mas não por isso menos melancólico. Os pais estão distantes, não tem amigos e sua homossexualidade, sugerida na narrativa, é literalmente escondida dentro do armário.

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Jim, Judy e Platão fogem juntos para uma mansão abandonada. Este é o momento em que os três compõem uma família ao seu jeito, ainda que com interesses amorosos cruzados que se delineiam; e riem, sem o peso do mundo exterior sobre os ombros. Platão havia recusado o casaco que Jim lhe ofereceu na delegacia, mas agora aceitou a jaqueta vermelha que lhe foi ofertada. Esse é outro momento que espelha o contato inicial dos personagens.

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Tudo acontece muito rápido no final. Platão possui um revolver e a polícia, a autoridade máxima dos adultos sobre os adolescentes, age primeiro para depois perguntar. O mundo de Jim novamente se desloca para um ângulo holandês, pois as coisas novamente deixam de fazer sentido, com ele e Judy desfocados em segundo plano enquanto Platão cai baleado. John, que viveu só, morreu entre aqueles que gostavam dele e Jim fecha a jaqueta vermelha para que possa continuar com ela, como um elemento que os uniu.

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Todos os três personagens principais do filme tem boa situação financeira, mas não é dinheiro ou conforto que desejam. Querem compreensão e afeto. Querem externar sua raiva e sua angústia. Querem não ter medo do futuro e não ter que esperar por ele para que as coisas fiquem bem, afinal, dez anos é muito tempo, como salienta Jim. James Dean com sua jaqueta vermelha se tornou uma imagem marcante, símbolo de uma geração que realmente era rebelde sem causa, como indica o título original. Eles não lutavam por direitos civis ou pelo fim de uma guerra. Eles queriam expressar sua individualidade e não serem como seus pais. Sessenta anos após a morte do ator, Juventude Transviada segue sendo um filme memorável.

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