Bolão do Oscar 2019

Esse ano meu ~tradicional~ bolão (feito informalmente desde 2012) demorou pra sair porque fiquei com preguiça. Convenhamos que é um Oscar bem mixuruca, né?

Sempre fazia o bolão no Gold Derby, mas como ano passado muita gente teve dificuldade de acessar, esse ano fiz um formulário do google. Depois eu vejo como conferir quem venceu. O prêmio é a singela alegria manjar mais que os outros. E aí, quem anima? 😉 Pode votar até sábado dia 23, porque aí preciso organizar a planilha com os votos de todo mundo. Anuncio quem venceu nas minhas redes sociais e aqui no blog.

Acesse o link a seguir para votar: https://goo.gl/forms/XhqVKhrTIP8RvSTk1

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10 anos de Estante da Sala

Nem acredito que esse dia chegou! No dia 5 de fevereiro de 2009 eu escrevi a primeira postagem nesse blog: era uma receita de massa de pizza. Eu estava formada há uns quatro meses, desempregada e imensamente frustrada. As coisas não estavam dando certo. Mas o blog veio como a possibilidade de escrever sobre coisas que me interessavam. O nome “Estante da Sala” veio da ideia de que esse móvel pode comportar livros, jogos de videogame e filmes, as coisas com as quais eu mais me envolvia na época. Mas eu também cozinhava (e cozinho) muito, então logo ele foi preenchido por receitas com fotos de passo a passo. Como o perfil foi mudando com o tempo, optei por arquivá-las uns anos depois. Teve, também, a fase em que eu quis fazer tutoriais de costura. Eles acabaram não saindo do papel, mas troquei-os por textos sobre figurinos de filmes (que depois me levaram a ter uma coluna sobre isso em outro site). Ainda tem um texto sobre jogo aqui e não escrevo sobre livros como queria, mas de vez em quando eles aparecem.

O primeiro texto sobre cinema no blog, em clima de Oscar foi sobre foi Milk- A Voz da Igualdade, logo no dia 8 de fevereiro. De certa forma isso foi o prenúncio do que viria a ser meus interesses ao longo dos anos: me tornei pesquisadora sobre gênero e diversidade, as questões queer viraram um ponto de interesse e o corpo se colocou como objeto de estudo que agora trago comigo para a vida.

A crítica, também, foi se tornando, com o passar dos anos, uma atividade profissional e deixando de ser passatempo. Ano passado isso culminou na minha entrada para a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).

Entre idas e vindas, fiquei períodos longos sem escrever e períodos em que escrevia todos os dias. Hoje escrevo menos do que gostaria, e leio menos, e costuro menos, enfim, o nome disso é vida adulta e doutorado, essa carreira que toma conta de todo o tempo possível. Talvez hoje eu possa dizer que o blog se tornou secundário, entre a vida acadêmica e o Feito por Elas, projeto que criei em 2016 e ao qual dedico tempo maior. Mas sempre vou ter aqui como meu espaço para escrever quando der vontade e um depositório de muita coisa que fiz ao longo dessa década. Mas o mais bacana é pensar no tanto de gente que eu já conheci por causa desse espaço. No que essa trajetória de 10 anos implicou na minha vida. Nas amizades, nas mudanças rumo, nos encontros possibilitados.

Como uma forma de comemorar essa data, trago a você que está lendo os 10 textos sobre figurino e as 9 críticas mais acessadas da história do blog (mas nem tanto, porque na verdade no meio ele mudou para .com e zerou as estatísticas) . Obrigada a todo mundo que ainda acessa esse espaço e me faz companhia nessa caminhada

Figurino e direção de arte:

10º Figurino: X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Figurino: Além da Escuridão – Star Trek: Brincando com as cores primárias

O Grande Hotel Budapeste, cores e perspectivas

Figurino: Oz, Mágico e Poderoso

Figurino: … E o Vento Levou

Figurino: Precisamos Falar Sobre o Kevin

Figurino: Cinderela

Personagens Femininas e Seus Figurinos em Filmes de Ação

Figurino: Malévola

Figurino: Frozen- Uma Aventura Congelante

Críticas e cinema:

10º Mulher Maravilha (Wonder Woman, 2017)

Alice Guy: Pioneira do Cinema

Mulheres-Ciborgue, ficção científica e alguns comentários

O Regresso (The Revenant, 2015)

A Bruxa (The Witch: A New-England Folktale, 2015)

O Duque de Burgundy (The Duke of Burgundy, 2015)

Os Oito Odiados (The Hateful Eight, 2015)

Respire (2014)

Ninfomaníaca: Volume 1 e Volume 2 (Nymphomaniac: Vol. I and Vol. II/ 2013)

Mãe! (Mother!, 2017)

Como despedida, deixo um texto que gosto muito: Por que sou levada a escrever?. Espero que volte em 2020 para comemorar.

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Sobre comunicação acessível e linguagem inclusiva

Esse é um texto que já vinha pensando em fazer há algum tempo. Sei que talvez esse blog não seja o espaço ideal para isso, mas como é o que tenho, vou utilizá-lo. Aviso que não é minha intenção de fazer um tratado acadêmico: elaboro essas reflexões a partir de minhas próprias experiências. [Quem acompanha esse blog por causa dos textos sobre cinema pode não saber, mas sou pesquisadora de gênero, diversidade e corpo].

A questão da linguagem inclusiva é um problema que tem sido colocado de forma bastante marcada nos últimos anos. Percebo que a discussão saiu da esfera acadêmica e tem extrapolado para o cotidiano de diversas pessoas que tem interesse sobre o tema. Um dos pontos que mais tem chamado a atenção é o uso cada vez mais difundido o X no lugar do marcador de gênero em textos, como uma forma de torná-lo neutro. Na língua portuguesa (e outras latinas) não temos artigos ou pronomes neutros: eles se dividem em masculinos e femininos e a concordância é feita em torno dessas duas possibilidades.

Em 2013 estava cursando uma disciplina como aluna especial na pós-graduação em Antropologia Social da UFAM (Universidade Federal do Amazonas) e a professora mencionou que estava lendo uma tese que usava o X da maneira citada acima (como “xs alunxs”, por exemplo) e criticou a prática pois considerava inadequado um trabalho acadêmico que não utiliza a norma culta de forma estrita. Na época discordei, mas hoje eu mesma já não uso o X, só que não pelo motivo apresentado por ela. Aproveito esse gancho para falar um pouco da minha experiência.

Lembro da ver a preocupação com a forma de grafar de uma maneira mais inclusiva já aparecer em espaços como fóruns de páginas do Orkut, a “falecida” rede social do Google utilizada pela maioria dos brasileiros na década passada. Lá por 2008 ou 2010 já era possível ler “menin@s” e outras palavras flexionadas dessa forma circulando por esses espaços virtuais. A ideia era que a forma da arroba incorporaria tanto um “a” (em sua parte interna) como um “o” (a curva externa), podendo representar, então os gêneros masculino e feminino.

A prática passou a ser criticada alguns anos depois, por ser excludente: a divisão em dois gêneros está longe de dar conta das experiências vivenciadas quando se trata de identidade de gênero, deixando de fora pessoas não-binárias. Na esteira dessa crítica veio a utilização do X, já mencionado. A letra não indicaria nenhum gênero em específico, permitindo atrelá-la a expressões identitárias diversas. Por isso, quando a minha professora, em 2013, questionou o uso em um trabalho acadêmico, fiquei do lado de quem o escreveu: a ideia seria que um texto que incluísse uma quantidade maior de pessoas deveria importar mais do que as regras gramaticais, principalmente porque a língua, viva, deve se adaptar às nossas necessidades e práticas.

Acontece que o X, assim como a arroba, carrega em si uma grande exclusão: pessoas cegas, que acessam a internet por meio de dispositivos de leitura de tela, não conseguem entender essas palavras, porque os programas e aplicativos simplesmente não as reconhecem nessas grafias, impossibilitando o entendimento do texto inteiro. [Para saber mais sobre como tornar sua timeline acessível, leia esse texto de Sidney Andrade]. Vale dizer, também, que tanto a @ quanto o X são tentativas de solução que lidam apenas com o aspecto textual da comunicação e tornam-se um problema na fala porque na prática são impronunciáveis.

Mas então seria possível fazer um texto que seja ao mesmo tempo legível por pessoas cegas e inclusivo para mulheres e pessoas não-binárias? Bom, temos que lidar com uma série de limitações do nosso próprio vocabulário e gramática, mas vou dizer aqui algumas estratégias que tenho adotado.

A primeira delas é quando se trata de uma mensagem informal, enviada para pessoas próximas, que não precisa se ater a questões de forma. Nesse caso, uma opção é trocar as desinências de gênero pela letra E, que será lida pelos aplicativos com tranquilidade. Assim, posso saudar “amigues querides e bonites”, por exemplo.

Agora em se tratando de textos formais, como comunicações, artigos ou trabalhos acadêmicos, tomo cuidados específicos, mantendo-os dentro das normas atuais. Um deles, que considero básico, é não utilizar a palavra “Homem” no sentido de “Humanidade” ou “seres humanos”. Essa é uma daquelas heranças machistas que toma o gênero masculino como significante do conjunto de humanos, ou seja, como o todo, e colocando a mulher como uma parte adjetivada desse todo. Em 2016, quando a Netflix anunciou que produziria um seriado original da franquia Star Trek, o fizeram pelo twitter em sua conta brasileira citando o slogan da série original “onde nenhum homem jamais esteve”. Na época eu respondi perguntando simplesmente se alguma mulher já esteve. O questionamento veio do fato de que, como se trata de um futuro com igualdade entre gêneros, raças e mesmo algumas espécies alienígenas, a própria série já tinha alterado seu slogan para “onde ninguém jamais esteve” há décadas, incluindo na frase, portanto, outras identidades de gênero não-masculinas e mesmo não-humanos, que fazem parte do universo retratado. Divago, mas a questão é que a palavra “homem” deveria significar apenas isso: uma pessoa que se identifica com gênero masculino. Para contextos coletivos podemos pensar em outros termos, conforme assinalado.

Outra limitação de nossa língua diz respeito ao plural, que pela norma, a não ser em caso de totalidade feminina, deve ser utilizado no masculino. Em minha pesquisa de mestrado eu tive ajuda de diversas pessoas com quem conversei durante meu trabalho de campo. Desse grupo, apenas duas delas eram homens. Por isso considerei injusto o apagamento de todas as outras que ocorreria caso eu escrevesse “meus interlocutores” e optei por usar “minhas interlocutoras e meus interlocutores”, quando foi necessário. Parece começo de discurso político? Sim, também acho. Não é a solução mais elegante, mas é uma forma de dar conta da presença de mulheres e pessoas não-binárias nesse grupo. Talvez no futuro eu pense em uma forma melhor de lidar com isso, como aconteceu com o X. [Caso tenha interesse, minha dissertação intitulada “Corpo, Gênero e Identidade: Experiências transgênero na cidade de Manaus” está disponível nesse link].

No caso específico de quem se identifica como uma pessoa não-binária, a própria palavra “pessoa” é uma saída. Utilizando ela, posso até estar fazendo a concordância no feminino, mas isso não indica o gênero feminino de quem conversou comigo na pesquisa, e sim da própria palavra “pessoa”: nem masculina nem feminina. De novo, pode não ser a solução mais elegante e por vezes o texto pode soar repetitivo, mas é uma forma de garantir a “não-binariedade”, respeitando a identidade de gênero das pessoas a quem nos referimos. Os pronomes pessoais também são um problema, nesse caso, e aí as frases precisam ser construídas com cuidado maior. Em inglês há o uso do plural (they/them), mas não temos ainda um equivalente em português. Mesmo nesse texto, repare que por não me recordar de quem era a tese do causo de 2013, eu mesma escrevi acima sobre “quem o escreveu”, não me comprometendo em afirmar um gênero e fugindo da armadilha de usar o masculino como neutro. No final das contas o que faço é fazer uso dos recursos de linguagem que já temos, com o vocabulário e as normas que são de conhecimento geral.

Esse breve texto não se propõe a ser uma instrução fechada: estamos todos tateando novas formas de expressão de gênero e de representá-las textualmente. O seu compartilhamento é no intuito de mostrar essas estratégias que tenho utilizado e na esperança de que o debate possibilite sempre novas e melhores soluções.

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Resultado Bolão Oscar 2018

Eis a divulgação do resultado oficial do Bolão Estante da Sala 2018, que esse ano contou com 67 pessoas interessadas em participar. Já utilizo o site Gold Derby para fazer os votos há uns seis anos, mas esse ano, não sei por qual motivo, ele computou meus próprios votos deixando-os de fora do bolão específico, colocando-o apenas no geral, aberto ao publico (onde me posicionei em 1508/6993 participantes. Usei meus dados que apareceram no geral para me posicionar no ranking do bolão fechado. Peço desculpas pela estranheza do método. A porcentagem de acertos e a pontuação leva em conta que os palpites foram ranqueados, então se a pessoa errou quem ganhou mas colocou na segunda posição, teve um acerto maior que alguém que colocou como palpite a terceira posição, por exemplo.

O terceiro colocado, com 19/24 categorias corretas e taxa de acerto de 79,17% (3616 pontos) foi Pedro Tobias.

A segunda colocada, com 19/24 categorias e taxa de acerto de 79,17% (3951 pontos) fui eu (Isabel Wittmann)

O primeiro colocado, que cravo 21/24  categorias e teve uma taxa de acertos de 87,50% (3989 pontos) foi Delson Darque.

Completando o top 10 temos ainda: 4º Richardson Eduardo, 5º Emily Monteiro, 6º Tassiana Chagas, 7º Luís Henrique Ribeiro de Morais, 8º Alex Schmitt, 9º Ivan Filho e 10º Gabriella Tomasi.

Abixo seguem os prints do ranking da forma como aparece na página do bolão e da minha pontuação que ficou de fora.

Obrigada a todos que participaram dessa brincadeira. Esperam que tenham gostado! 🙂

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Bolão do Oscar 2018

Esse ano quase desisti de fazer o meu “tradicional” bolão do Oscar, mas aí uma amiga perguntou se eu não iria organizá-lo e me rendi à ideia. Como nos anos anteriores, optei por usar o site Gold Derby, que já calcula o resultado automagicamente e onde dá pra colocar os candidatos de cada categoria de forma ranqueada, então mesmo se você errar, ainda ganha pontos proporcionais pela sua aposta. O bolão é fechado ao público: só os participantes vêm o resultado. Por isso o único meio de fazer parte é sendo convidado por e-mail, o que está longe do ideal, mas tem a facilidade de ninguém precisar ficar computando o resultado. Quem quiser participar é só deixar o e-mail abaixo nos comentários, ou me enviar pela rede social de sua preferência, que eu adiciono ao Bolão. O comentário será apagado para que o e-mail não fique público. O prêmio é a singela alegria manjar mais que os outros. E aí, quem anima? 😉

UPDATE 04/03 10h: INSCRIÇÕES ENCERRADAS. PESSOAS QUE SOLICITARAM CONVITE ESTÃO LISTADAS ABAIXO, NOS COMENTÁRIOS.

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