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Sense8: o final

[Esse texto foi originalmente postado na newsletter quinzenal enviada para madrinhas e padrinhos do Feito por Elas, em 10/06/2018, na sessão de recomendações do que assistir na Netflix].

Nem comecei a escrever e já estou com vergonha (não-alheia, própria mesmo). Acabei de ver o episódio final de Sense8, seriado criado pelas irmãs Wachowski e que será a indicação da Netflix dessa quinzena. E com “acabei” quero dizer acabei mesmo, só saí da frente da TV e peguei o computador. Ainda tem lágrimas correndo no meu rosto. Costumo me apegar demais a seriados quando me envolvo com os personagens. Lembro o tanto que chorei, deitada no sofá, ainda na casa dos meus pais, quando acabou Arquivo X (só para, no filme seguinte, estragarem o final soltando um “brinks”), mas essa é uma outra história.

Esse episódio final da série foi dirigido por Lana Wachowsky e ela está de parabéns (Não que precise dos meus cumprimentos 😛 ). Muitas emoções! Com quase duas horas e meia de duração conseguiu fechar todas as pontas importantes deixadas com o cancelamento do seriado ao fim da segunda temporada.

Bom, para quem não sabe do que se trata, ela aborda a história de oito desconhecidos distribuídos ao redor do globo que subitamente se descobrem conectados uns aos outros, não só compartilhando sensações, como habilidades e mesmo a presença quase física. Esses oito são a coreana Sun (Doona Bae, de outros trabalhos com as irmãs Wachowski), a estadunidense Nomi (Jamie Clayton), a indiana Kala (Tina Desai), a islandesa Riley (Tuppence Middleton), o mexicano Lito (Miguel Angel Silvestre), o estadunidense Will (Brian J. Smith), o alemão Wolfgang (Max Riemelt) e o queniano Capheus (Toby Onwumere à partir da segunda temporada). A diversidade é posta no elenco mas também nas experiências apresentadas. E esse foi um dos motivos do cancelamento: o custo elevado já que cada episódio chega a precisar de um orçamento igual ou maior que o de Game of Thrones. Mas como se nem tem dragões? Pois, pensa em ter locações espalhadas pelo mundo todo e em cada um desses lugares contratar equipes, terceirar toda a estrutura… Enfim. Vai dinheiro.

Claro que com a diversidade também sexual dos personagens e essa possibilidade de conexão profunda entre todos, muito se comentou sobre as cenas de sexo sentidas em coletivo presentes na 1ª temporada. Mas essa nem é parte mais interessante da série. Primeiro vou falar do pior. Como se trata de ficção científica, tem toda uma explicação sobre como os oito “nasceram” de uma mesma mãe e se desenvolve depois para uma trama cheia de intrigas. Sinceramente, essa é a parte menos interessante da história e muitas vezes se torna rocambolesca e rende umas reviradas de olhos. O melhor mesmo é a própria construção dos personagens e suas trajetórias. No começo me incomodava os estereótipos vinculados às suas origens: a indiana é a mocinha virgem com casamento arranjado, a coreana é a durona com cobranças familiares, filha de pai empresário, o queniano é o moço pobre cuja mãe é portadora de HIV, e por aí vai. Em grande parte esses estereótipos foram lidados de forma melhor e mesmo subvertidos na segunda temporada. Além disso, uma das coisas mais bacanas dessa temporada foi como o grupo dos oito, que já era expandido ocasionalmente por algumas pessoas de fora, agregou mais e mais gente, amigos e amores que passaram a entender o que estava acontecendo. E dentre os principais, uma personagem ganha mais destaque: a resiliência de Sun se intensifica, e, talvez por Doona Bae já conhecer as diretoras antes, ela passa a ocupar o posto de conselheira e guia dos seus “irmãos” em muitos momentos, por vezes quase caindo no estereótipo do sábio velhinho asiático que dá conselhos, mas eventualmente superando ele.

Tive um professora de literatura no ensino médio que dizia que o romantismo, enquanto escola literária, nunca acabou, bastava ver as músicas que tocavam nas rádios. Para o bem ou para o mal, porque isso às vezes alimenta noções danosas de amor romântico e de relacionamento. Mas sabe porque todo capítulo final de novela tem casamentos? Porque é isso que as pessoas querem ver, no final das contas. Pra falar a verdade eu não sou uma pessoa que acredita em casamento enquanto instituição, porque não consigo desvincular de uma série de valores impregnados nele ao longo dos séculos, valores esses que estou longe de concordar. Mas pertenço a uma geração criada no revival das comédias românticas (Julia Roberts e Sandra Bullock divas <3) e também, embora não credite em regras e instituições no que diz respeito a relacionamentos, acredito no afeto. Acaba que sou daquelas pessoas que sempre choram em casamentos. Especialmente quando vejo quem está casando se emocionar. “Sempre choro em casamentos” foi o que dois personagens do seriado falaram em uma das últimas cenas do episódio final. Mas por que falar em relacionamentos, não era ficção científica?  Porque teve casamento, mas Sense8 não está em busca de mostrar a tradição. Na série o que é tradicional pode ser resignificado ou mesmo adquirir novas configurações e esse é um dos aspectos mais bonitos dela. Não teve como não emocionar meu coraçãozinho subversivo. 😛

Quem relaciona Matrix e A Viagem (meu filme preferido das irmãs, pode me julgar) sabe da obsessão delas a respeito de uma espécie de espiritualidade quase panteísta. Eu não sou uma pessoa com tais crenças (na verdade sou ateia), mas de novo elas me quebram as pernas em minha própria descrença. E isso só fala muito bem sobre a qualidade da construção de mundo no trabalho delas. Porque no final não importa onde quem assiste se localiza no ponto de partida, mas sim se ele aceita fazer essa jornada, com todas as suas regras. E o convencimento é uma habilidade características das boas contadoras de história. Em Sense8, para além das particularidades de cada personagem, a gente se pega, como expectador, envolto nessa conexão universal. E é quando as famosas cenas de sexo já citadas alcançam um significado muito maior. Por isso “printei” uma delas para ilustrar essa recomendação, o que pode parecer incoerente quando já falei que isso não é tão importante para a série. Mas quando chega a cena final a gente percebe que na verdade o que se vê são corpos (e almas?) conectados, para além do sexo, em uma compreensão mútua que expande os universos individuais. É a máxima expressão das crenças das diretoras.

O seriado está longe de ser perfeito. Como em outros trabalhos das Wachowski, às vezes parece que são ideias demais e não tem mídia que vá dar conta disso tudo. Cenas genéricas de perseguição e tiroteio também me entediam profundamente. Mas no final das contas é um seriado imersivo, político, diverso, que não tem medo de se posicionar e, com isso, nos arrastar para dentro da tela. Uma pena que, como outros trabalhos das irmãs provam, nem sempre o original é entendido ou valorizado. Mas Sense8 é uma experiência televisiva única.

[Tá bom de recomendação? 😛 ]

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Jessica Jones

jessica jones

Já faz algumas semanas que a Netflix lançou sua série original Jessica Jones, baseada na heroína dos quadrinhos de mesmo nome e parte do Universo Marvel. A história, assim como de Demolidor, a série anterior do serviço de vídeo on demand, se passa em Hell’s Kitchen, um bairro fictício na cidade de Nova York. A protagonista, Jessica (Krysten Ritter), é uma mulher com força física acima do comum, mas psicologicamente abalada pelos abusos físicos e mentais perpetrados no passado por Kilgrave (David Tennant), o vilão da história, capaz de ter controle mental sobre suas vítimas. Trata-se de um noir, e a personagem não só é uma detetive particular, como funciona como sua própria femme fatale.

O paralelo entre as ações de Kilgrave e relacionamentos abusivos, estupro e gaslighting na vida real é fácil de se estabelecer. Jessica lida com o trauma a seu modo e por isso nem sempre faz boas escolhas. A maneira como se relaciona com aqueles que gostam dela, especialmente Trish Walker (Rachael Taylor) e Luke Cage (Mike Colter) deixa clara sua intensão de afastar todos, para que não se machuquem. O álcool é sua escolha como solução para lidar com o cotidiano. Dessa forma, ela é construída como uma personagem falha, uma heroína que não é perfeita e nem deve ser tomada como parâmetro de comportamento, mas que é extremamente humana e facilmente gera identificação.

A relação entre ela e Trish, sua irmã de criação, são um ponto importante da história. Trish tem os pés no chão. Ela não tem superpoderes, mas possui um instinto de heroísmo no sentido convencional, sempre tentando fazer o bem. Diante do perigo que é a existência de Kilgrave, Jessica já possui sua força para se defender. Trish não: ela precisa aprender a lutar e instalar complicados sistemas de segurança em sua casa. Apesar de todas as diferenças, as personagens apresentam uma dinâmica de sororidade que funciona. Jessica tem em Trish um esteio e essa é a única relação saudável em sua vida.

Kilgrave é um dos melhores vilões introduzidos no Universo Marvel, senão o melhor. Seus métodos e motivações são críveis e assustadores. Ele é um homem incapaz de ter empatia e perceber que uma pessoa não quer fazer algo que ele deseja. Tudo o que clama para si, entende como algo que lhe é de direito.

Jessica Jones funciona como adaptação de quadrinhos, mas também funciona muito bem como uma série dramática.

Para quem se interessar, participei do podcast Fala Série, do site Dimensão Nerd, em uma conversa sobre Jessica Jones, heroínas, quadrinhos, representatividade e outros temas. Além do Vinícius Schiavini e da Kyia Varella, do próprio site, também participou a querida Angélica Hellish, do Masmorra Cine. O programa foi dividido em quatro partes pequenas e devo dizer que foi uma conversa ótima. Ouça! 😉

http://www.dimensaonerd.com/fala-serie-356/

http://www.dimensaonerd.com/fala-serie-357-jessica-jones-parte-2/

http://www.dimensaonerd.com/fala-serie-358-jessica-jones-parte-3/

http://www.dimensaonerd.com/fala-serie-359-jessica-jones-parte-4/

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Indicados ao prêmio do Sindicato dos Figurinistas

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O Sindicato dos Figurinistas dos Estados Unidos (Costume Designers Guild) anunciou a sua lista de indicados ao seu 17º prêmio anual. Os vencedores serão revelados em 17 de fevereiro. Eis a lista completa:

Excelência em Filme Contemporâneo
Birdman – Albert Wolsky
Boyhood – Kari Perkins
Garota Exemplar – Trish Summerville
Interestelar – Mary Zophres
Livre – Melissa Bruning

Excelência em Filme de Época
O Grande Hotel Budapeste – Milena Canonero
O Jogo da Imitação – Sammy Sheldon Differ
Vício Inerente – Mark Bridges
Selma – Ruth E. Carter
A Teoria de Tudo – Steven Noble

Excelência em Filme de Fantasia
Guardiões da Galáxia – Alexandra Byrne
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos – Bob Buck, Lesley Burkes-Harding, Ann Maskrey
Jogos Vorazes: A Esperança — Parte 1 – Kurt and Bart
Caminhos da Floresta – Colleen Atwood
Malévola – Anna B. Sheppard, Jane Clive

Séries de Televisão Contemporâneas Notáveis
House of Cards – Johanna Argan
Ray Donovan – Christopher Lawrence
Saturday Night Live – Tom Broecker, Eric Justian
Scandal – Lyn Paolo
True Detective – Jenny Eagan

Séries de Televisão de Época/ Fantasia Notáveis 
Boardwalk Empire – John Dunn
Game of Thrones – Michele Clapton
The Knick – Ellen Mirojnick
Mad Men – Janie Bryant
Masters of Sex – Ane Crabtree

Filmes  Para Televisão ou Minisséries Notáveis 
American Horror Story: Freak Show – Lou Eyrich
Houdini – Birgit Hutter
The Normal Heart – Daniel Orlandi
Olive Kitteridge – Jenny Eagan
Sherlock – Sarah Arthur

Excelência em Figurino para Comercial 
Army, “Defy Expectations, Villagers” – Christopher Lawrence
DirecTV, “Less Attractive” with Rob Lowe – Mindy Le Brock, Jessica Albertson
Dos Equis, “Most Interesting Man in the World Walks on Fire” – Julie Vogel
Kia Soul, Hamster Commercial Featuring “Animals” – Anette Cseri
Smirnoff, “The Mixologist” – Laura Jean Shannon

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RuPaul’s Drag Race e filmes relacionados

Faz um tempinho que não recomendo nenhum programa de televisão e resolvi falar sobre RuPaul’s Drag Race, um reality show que tem todas as temporadas disponíveis na Netflix.

RuPaul

RuPaul é uma drag queen americana, que começou a carreira como cantora. Agora, já estabelecida profissionalmente, busca lançar outros talentos para o mercado. O seu programa de TV, com seis temporadas até agora, estreou em 2009. Como minha pesquisa de mestrado envolve a relação entre moda e gênero, a temática drag queen me chamou a atenção.  A proposta é similar a de outros reality shows: uma série de concorrentes passam por desafios semanais que levam a escolha de uma vencedora e a uma eliminação. Há sempre uma prova intermediária, que pode ter como prêmio alguma vantagem para a grande tarefa da semana. Habilidades como maquiagem, costura, interpretação, dança, imitação, canto, comédia e dublagem são muito bem vindas. E esta é justamente uma das grandes qualidades do show: como RuPaul quer divulgar a arte underground das drag queens, nenhuma é diminuída, mas as habilidades são sempre postas sob os holofotes e há um clima de valorização do trabalho de todas. Mas o processo não se leva a sério: o clima camp  predomina e tudo funciona como uma clara paródia a programas similares. Como em America’s Next Top Model as provas semanas começam com uma mensagem grava pela apresentadora. Depois, quando as participantes vão para o ateliê trabalhar no que foi solicitado, RuPaul aparece em sua “versão homem”, um senhor de meia idade, vestido com ternos elegantes, dando sábias palavras de incentivo, no melhor estilo Tim Gunn de Project Runway. Quando as candidatas vão encarar os jurados, aparece novamente, dessa vez montada como apresentadora loira estatuesca, a lá Heidi Klum, também de Project Runway.  Com o passar do tempo você vai se acostumar com os diferentes tipos de drag: as de concurso de beleza, as comediantes, as cantoras de clube e por aí vai. A experiência de assistir ao programa é leve, divertida e até instrutiva para quem tem interesse no processo de montagem das artistas.

rupaul drags race

Um documentário que funciona como complemento é Pageant (2009), também disponível na Netflix. Ele aborda os bastidores do maior concurso de beleza de drag queens  dos Estados Unidos, o Miss Gay America. Uma das protagonistas é Victoria “Pork Chop” Parker, que posteriormente participou do reality show.  Além dela, vemos com menor destaque Alyssa Edwards, também ex-participante. O documentário mostra como funciona o processo de escolha da Miss Gay , além do treino e da pressão envolvidos no proparo, bem como algumas partes da montagem, como uso de meias calças e espumas, que nem sempre ficam claras no programa de RuPaul.

pageant

Outro filme complementar é Para Wong Foo, Obrigada Por Tudo! Julie Newmar (To Wong Foo Thanks for Everything, Julie Newmar, 1995), uma comédia leve que veio na esteira do sucesso de Priscilla, a Rainho do Deserto, e que recordo-me de ter visto na época na sessão da tarde, que mostra três drag queens participantes  de concurso de concurso de beleza viajando de carro pelo interior dos Estados Unidos.  Vida Boheme (Patrick Swayze) é uma dama refinada e classuda, usando vestidos sérios e chapéus. Noxeema (Wesley Snipes) tem posicionamentos fortes, usa roupas coloridas com misturas de estampas e é a melhor de todas. E, por fim, Chi-Chi (John Leguizamo) é uma iniciante imatura, que ainda tem o que aprender tanto sobre a arte de ser drag  quanto sobre a vida. RuPaul tem um papel pequeno no começo da história. O trio de atores principais está ótimo e a trama leve aborda questões como amizade entre mulheres e compreensão mútua para além das aparências.

to wong foo

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Nordic Noir: The Killing e Bron/Broen

As últimas aulas do curso Scandinavian Film and Television foram dedicadas à televisão escandinava e ao sucesso de público que as produções do últimos ano vem tendo, tanto nos próprios países quanto no exterior. Nos três países escandinavos (Noruega, Suécia e Dinamarca) televisão é toda financiada publicamente, mas os programas também pode receber parcerias de outros países ou privadas. Em virtude do financiamento público, os Estados solicitam duas coisas: que a produção dramática televisiva atenda a um número variado de gêneros e estilos, para cobrir o gosto da maior parte da população possível e que abordem temas de interesse social, como discussões de gênero, tensão social, migração, problemas familiares, entre outros.

Atualmente o país com a produção televisa de maior destaque é a Dinamarca, que possui um estilo próprio para desenvolvimento dos programas. Há um interesse em manter a autoralidade e, enquanto no cinema ela é marcada pela direção, nas séries de TV ela fica com o roteirista, que, ao contrário dos Estados Unidos (com exceção de True Detective), é um só para todos os episódios, mantendo ritmo, estilo e desenvolvimento dos personagens coesos. Se o gênero mais forte no cinema escandinavo é o drama familiar, nas televisão dos últimos anos tem sido crime e policial. Outra característica é o visual cinzento e frio, muitas vezes chuvoso e nublado, o que fez com os programas que fossem abrigados sob o apelido de Nordic Noir.

A série dinamarquesa Forbrydelsen recebeu uma adaptação americana chamada The Killing, produzida pelo canal AMC e disponível na Netflix.  Nessa versão os protagonistas são os detetives Sarah Linden (Mireille Enos) e Stephen Holder (Joel Kinnaman), que possuem uma dinâmica de interação bastante interessante. Linden é calada, séria, distante, enquanto Holder é é aquele tipo camarada e desastrado. Embora tenham personalidades opostas, eles não são arquetípicos e funcionam com naturalidade em cena. A trama da primeira temporada começa com o desaparecimento de uma adolescente, chamada Rosie Larsen, que depois é encontrada morta. A investigação desse crime não é rápida e eficiente como seria em um programa procedural como CSI: é lenta, envolve diversos fatores humanos e dramas pessoais, se arrastando por vários dias e e sendo passível de falhas. O melhor dessa série é sem dúvida a dupla de protagonistas, que funciona muito bem em conjunto, um em contraponto com o outro. A primeira temporada é ótima, a segunda perde um pouco o ritmo, mas recupera perto do final e a terceira é bastante boa também. Foi cancelada duas vezes pela AMC, a segunda vez definitivamente, mas a Netflix comprou os direitos e produzirá uma quarta temporada, para fechar a trama.

the killing

Outra série muito boa é a produção Suécia-Dinamarca chama Bron/ Broen (na grafia de cada língua), que recebeu versões americana e britânica, ambas chamadas The Bridge. A história parte de um crime que ocorreu na ponte que faz divisa entre os dois países, de maneira que as polícias de ambos os lados precisam ser acionadas para solucionar o caso, suscitando todas as diferenças culturais e de métodos das equipes. Os detetives que encabeçam as investigações são o dinamarquês Martin Rohde (Kim Bodnia) e a sueca Saga Nóren (Sofia Helin). Martin é bonachão, simpático e um homem de família, casado e com uma escadinha de filhos. Já Saga é solteira e mantem uma rotina de trabalho, bastante intensa, vestindo sempre as mesmas roupas (calça de couro e pulôver marrom) e sem nenhum relacionamento pessoal. Ela não tem traquejo social algum e tem dificuldade de lidar com os demais colegas. Em nenhum momento da série isso isso é confirmado, mas ela é considerada por muitos a primeira protagonista de drama televisivo do mundo a estar situada no espectro de autismo (possivelmente Asperger). Felizmente os realizadores não subestimam os expectadores e tudo é muito sutil. Sobre o caso, depois descobre-se fazer parte de uma série de outros crimes a respeito o que o responsável clama ser os piores problemas da sociedade escandinava. Dessa série só assisti a primeira temporada, mas a qualidade é muito boa e Saga é sem dúvida uma pérola de protagonista: uma personagem única e carismática ao seu jeito.

bron

Além dessas séries já citadas, outro sucesso é Wallender, que possui uma regravação britânica, protagonizada por Kenneth Branagh e também disponível na Netflix. Mas esta ainda não tive oportunidade de assistir.

 

 

 

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