Cisne Negro (Black Swan/2010)

Assistido em 19/10/2013

Darren Aronofsky é um diretor obcecado por obsessão. Todos os seus filmes lidam com essa temática, em maior ou menor grau. Em Cisne Negro, Nina (Natalie Portman), uma bailarina do corpo de balé, tem na dança sua paixão. Aos vinte e poucos anos, controlada pela mãe Erica (Barbara Hershey), que largou o balé quando engravidou, ela vive apenas para dançar, deixando de lado sua vida pessoal e sexual. A dominação materna se manifesta na falta de privacidade dentro de casa, no modo infantil como é tratada e, consequentemente, como age, e numa relação abusiva como um todo, embora o amor mútuo transpareça.

Nina é escolhida para ser a estrela da temporada, como dupla-protagonista na peça O Lago dos Cisnes, peça essa que traça paralelos com a própria história da personagem. O diretor, Thomas (Vincent Cassel) não tem dúvidas de que consegue interpretar Odette, a ingênua princesa enfeitiçada que é transformada em um cisne branco. Mas conseguiria interpretar Odile, o cisne negro que seduz o príncipe para que ele não quebre o encanto de Odette? Nina se vê obcecada com uma novata que chegou a companhia, Lily (Mila Kunis). Lily é a personificação do Cisne Negro: livre, desenvolta, sedutora, e, embora não tenha uma técnica tão boa quanto Nina, dança com paixão e vive intensamente.

Sem auto- confiança, Nina lida com o medo de ser substituída da forma que Beth (Winona Ryder), a ex-estrela da companhia, foi por ela. Mas ao entrar em um ciclo de paranoia e ao mesmo tempo de descoberta de si mesma, encontra forças para expressar com paixão o que sente pela dança e se redime ao alcançar a almejada perfeição como Cisne Negro.

O filme conta com direção de arte primorosa e um figurino belíssimo que conta a evolução da personagem principal em uma paleta de cores restrita a rosa, cinza e preto, em contraste aos demais, que apenas vestem cinza e preto. Os efeitos especiais são impressionantes, uma vez que você vê algum making of. São usados da maneira que sempre deveriam ser, servindo à história: não estão estão somente na transformação de Nina, mas em cada detalhe da iluminação e do palco, por exemplo.

O elenco todo está ótimo em cena. Após essa revisão, a único detalhe que enfraqueceu para mim foi a atuação de Natalie Portman, um tanto quanto monotônica (“cara de Frodo”), embora tenha justificativa na personalidade da personagem. Quando está entregue às danças finais percebe-se uma nítida mudança na postura, no movimentar-se e mesmo no olhar da atriz, alimentados pela confiança recém-adquirida de Nina.

Acredito que o filme sobreviverá bem ao alvoroço que criou na época do seu lançamento, pois passados quase três anos, a pátina desse curto tempo já fez bem a ele.

Para ler minha análise do figurino de Cisne Negro, acesse aqui.

Black Swan

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