Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo (Seeking a Friend for the End of the World, 2012)

Corte de cabelo moderninho, vestido lilás, all star sem meia (meus dedinhos doem só de olhar) e casacão. Penny, a personagem de Keira Knightley se apresenta de forma a deixar claro que é uma pessoa peculiar. O fato de às vésperas do fim do mundo se agarrar aos seus vinis como se disso dependesse sua sobrevivência deveria ajudar a enfatizar essa característica, embora nenhum sentido jamais seja dado a eles. A personagem se resume a isso: mais uma protagonista de comédia romântica diferentona e sem profundidade.

Eu escrevi comédia? É engraçado (sem trocadilhos), porque o filme jamais acerta o tom no humor, embora se apegue a ele em diversos momentos. Algumas sequências chegam mesmo a ser constrangedoras, como uma que se passa em uma lanchonete.

Dodge, interpretado por Steve Carell, em contraponto à outra personagem, é um cara tão comum que nunca chegamos a vislumbrar qualquer característica nele a que se apegar. Alguns dramas pessoais são utilizados para tentar engrossar a trama, mas são desconectados demais do contexto geral. A participação de Martin Sheen, que aparentemente deveria ter grande carga dramática, acabou sendo curta, mal aproveitada e ineficaz.

Não é que tudo no filme seja ruim. É interessante ver como as pessoas lidam com a proximidade do fim dos tempos (mas isso já foi feito outras tantas vezes e melhor). A interação entre os dois personagens principais às vezes funciona e gera emoção na medida certa, sem ficar piegas. Em alguns momentos a história mostra potencial para ser mais. Mas a expectativa se frustra e fica por aí mesmo.

Dirigido por Lorene Scafaria, Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo é um filme com potencial desperdiçado. Se o mundo estiver acabando, esse definitivamente não é um a ser assistido nos últimos dias.

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