Hairspray -Em Busca da Fama (Hairspray/2007)

Assistido em 01/07/2013

Subestimei esse musical à época do seu lançamento por puro preconceito: Zac Efron como um dos protagonistas (e chamariz de bilheteria) me cheirou a High School Musical. O que me provou duas coisas: o estúdio errou na forma de divulgar o filme e jamais devemos avaliar o livro pela capa. Algo, inclusive, que já deveria ter aprendido. Pois bem, o filme é muito divertido e até mesmo tocante. A história se passa em 1962 e Tracy Turnblad (Nikki Blonski) é uma mocinha que adora ver o programa local para adolescentes (que toca rock e tem números de dança) junto com sua melhor amiga, Penny Pingleton (Amanda Bynes). Ela tem uma paixao secreta por um dos garotos que fazem parte do grupo de dançarinos do programa, Link (Zec Efron). Quando uma das garotas deixa o grupo, Tracy resolve participar da seleção e enfrentar o preconceito por ser gordinha. Mas o filme é muito mais do que um romance de adolescentes: ele trata da segregação racial, já que nessa época negros não podiam frequentar as mesmas piscinas, os bailes das escolas eram racialmente separados e o programa de TV que Tracy assiste não permite participantes negros, a não ser no chamado “Negro Day”.

O elenco de peso faz toda diferença: Christopher Walken é Wilbur, pai de Tracy e John Travolta é Edna, sua mãe. Sim, Com roupas de enchimento e próteses faciais, está ótimo no papel e suas interações com Christopher Walken são muito engraçadas. Michelle Pfeiffer é a gerente da emissora de TV, ex-miss e mãe da atual dançarina principal do programa. Queen Latifah, interpretando a VJ Motormouth Maybelle, embora não seja uma ótima atriz, mostra que tem carisma e só precisaria optar por filmes melhores. A sequência em que canta na passeata pela inserção de pessoas não-brancas na programação de TV é emocionante. Elijah Kelley, interpretando Seaweed, rapaz que ensina Tracy vários passos novos de dança, é muito bom.

O filme é colorido, tem figurino lindíssimo, atuações boas e um clima geral de otimismo difícil de não cativar. Uma pena que realmente não tenha chamado tanta atenção quando passou. E mais pena ainda que garotas gordinhas como Tracy continuam sendo discriminadas até hoje, mais de meio século depois; e pessoas negras continuam não tendo seu espaço no entretenimento, não sendo protagonistas nem nos filmes que tratam desse tema. Apesar disso, ainda assim acho o resultado final muito positivo. Sei que nem todos gostam de musicais, mas recomendo mesmo para quem não gosta.

Para ler uma análise mais detalhada do figurino desse filme, juntamente com A Datilógrafa e Uma Vida em Preto e Branco, acesse aqui.

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