Mary Poppins (1964)

Assistido em 01/12/2013

Xodó de Walt Disney, esse era um dos filmes que eu considerava mais visualmente bonitos quando criança. Preparando-me para ver Saving Mr. Banks (Walt nos Bastidores de Mary Poppins, em português), resolvi reassisti-lo, para ver como ele fica sob meu olhar atual. A história todos conhecem: Mary Poppins (Julie Andrews) é uma babá que chega voando com uma sombrinha na mudança do vento, para cuidar das duas crianças pestinhas (Karen Dotrice e Matthew Garber) do ocupadíssimo banqueiro Sr. Banks (David Tomlinson) e sua avoada esposa Sra. Banks (Glynis Johns). Acontece que as crianças na verdade são boazinhas: só não ganham atenção suficiente. Mary Poppins, juntamente com seu amigo Bert (Dick Van Dyke) as leva para um mundo de imaginação e faz de conta, repleto de elementos mágicos.

Alguns elementos da história em si não envelheceram tão bem. É claro que fiquei incomodada com o fato de que a Sra. Banks é retratada como relapsa por ser sufragista. Ainda mais uma sufragista meio cabeça-de-vento e pouco politizada de verdade.

Mary não é retratada como a babá sempre doce e prestativa: ela é firme, segura as rédeas das crianças, mas deixa elas explorarem os aspectos criativos da infância.

Com quase duas horas e vinte minutos de duração, talvez as crianças de hoje em dia tenham dificuldade de manter  a atenção à trama.

Artisticamente o filme é um primor: as cores em technicolor são belíssimas, as interações com animação tradicional são muito bem feitas, os números musicais são lindos e memoráveis,  os efeitos práticos são os melhores do período e mesmo um pássaro animatrônico ainda convence, dentro do contexto. Toda a execução é bem feita e tudo impressiona. Mas sem dúvida a melhor sequência (e que já era minha preferida quando criança) é aquela em que os personagens entram em uma pintura de giz.

O desfecho é bastante previsível: os pais tem que aprender a valorizar os filhos, mas quando achamos que abrirão mão de certas atividades, tudo é restaurado ao final, garantindo estabilidade e ao mesmo tempo o laço de afeto. Muito apropriadamente Disney.

Poster - Mary Poppins_01

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Isabel Wittmann

Catarinense, 33 anos, louca por bichos, feminista. Hoje mora em São Paulo, mas já passou uns anos no Amazonas. Crítica de cinema, doutoranda em Antropologia Social, podcaster e pesquisadora de gênero.