O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby/ 1968)

Assistido em 19/10/2013

Um clássico do gênero “terror”, O Bebê de Rosemary é (extremamente bem) dirigido por Roman Polanski. A trama gira em torno da dona de casa Rosemary (Mia Farrow), que acabou de se mudar com o marido, Guy (John Cassavetes) para um enorme apartamento que pertencia a uma velhinha, onde pretendem ter um filho. Logo eles ficam amigos dos excessivamente simpáticos vizinhos do lado, o casal Minnie (Ruth Gordon) e Roman (Sidney Blackmer). Eles passam a frequentar a casa uns dos outros e estreitar relações, mas Rosemary não gosta do seu modo invasivo.

Certa noite, após um jantar romântico em que bebeu demais, Rosemary tem sonhos estranhos que envolvem um grande grupo de pessoas ao redor dela e sexo com uma criatura assustadora que seria o próprio diabo. Ao acordar e perceber suas costas arranhadas, comenta com o marido o ocorrido. Ele ri e disse que não queria perder a oportunidade só porque ela havia dormido. Sim, no filme ninguém vê problema algum no estupro marital.

Na verdade a forma como Rosemary é tratada ajuda a aumentar a sensação de horror e de urgência diante de sua situação: ninguém se importa com ela, ninguém acredita no que fala. Guy trata-a com condescendência e fala como se o interlocutor fosse uma criança. Sua agência é podada o tempo inteiro. A não ser em breves momentos, ela não é vista como adulta dona de si.

Após aquela noite, Rosemary engravida e conforme a gestação passa, vai ficando mais magra e abatida, além de ter dores.

O filme não nos mostra nada de gore nem de violento: o suspense se constrói na temor pela segurança da personagem principal, dado a sua fragilidade, e falta de apoio. Além disso há um grande ranço misógino, mas acredito que seja proposital, para acentuar o isolamento de Rosemary. Mia Farrow, tão pequena e magrinha dentro do apartamento antigo com cômodos enormes aumenta ainda mais essa sensação. A moda desse final dos anos sessenta, com roupas infantilizadas, como seu vestidinho amarelo e branco, também ajuda nesse sentido.

Ao final Rosemary se depara com o absurdo de sua situação, em que só ela vê o grotesco e todos ao seu redor se comportam como se tudo transcorresse dentro da normalidade, quase como uma caricatura bizarra de realidade. Polanski nos desperta o desejo de ver o bebê, jamais o saciando, pois sabe que fosse qual fosse a imagem que criasse, não chegaria aos pés do que nossa mente alcança.

Fantástica construção da jornada da protagonista em uma situação fora do comum (e do real), com uma ótima direção, O Bebê de Rosemary realmente merece o status que tem entre os filmes do gênero.

Para ler minha análise do figurino de O Bebê de Rosemary, acesse aqui.

rosemarys_baby_1968

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