O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger/2013)

Assistido em 30/07/2013

Sei que devemos manter a mente aberta às possibilidades e livre de ideias pre-concebidas ao assistir um filme, mas com esse não consegui: fui assistir esperando o pior. E isso foi bom para mim.

Gore Verbinski, o diretor, já havia deixado claro seu interesse pelo gênero western nos seus Piratas do Caribe e especialmente em Rango. Essa era para ser a história de origem do herói Cavaleiro Solitário, contada dentro do gênero. A figura mascarada é John Reid (Armie Hammer), um ranger do Texas recém chegado da cidade grande, que sobrevive a uma emboscada onde seu irmão morre e descobre um esquema para avançar as estradas de ferro e incriminar a população indígena. Ele recebe a improvável ajuda de Tonto (Johnny Depp), um índio da etnia Comanche que passa a ser seu sidekick. Acontece que como o ajudante tem um cachê maior que o herói, sua presença em cena acaba sendo mais explorada. Acredito que boa parte dos cinéfilos já está farta da mesmice dos trabalhos feitos por Johnny Depp, fortemente apoiados em maquiagem exagerada e trejeitos. Aqui eles continuam e adiciona-se a lista o problemático red face  (quando um ator não-indígena interpreta um personagem que o é. Para ler um pouco mais sobre isso clique aqui).  O Tonto de Depp tem todos os estereótipos racistas possíveis, acrescidos de excentricidades bizarras: fala errado e pomposo, tenta se comunicar com a natureza de formas estranhas, leva um corvo morto em sua cabeça, que “alimenta” esporadicamente com farelo. Por outro lado, ele é o verdadeiro cérebro da dupla, já que Reid é um ingênuo incorrigível. Além disso, os demais indígenas do filme parecem ser interpretados por pessoas pertencentes aos primeiros povos e não são mostrados como excêntricos. Na verdade um Chefe explica que Tonto sofreu um grande trauma na infância, que deixou sua mente quebrada, o que explicaria seu comportamento.

Uma distração desnecessária em meio a trama é a cafetina Red, interpretada por Helena Bonham Carter. Seu papel é pequeno (e mesmo assim nos materiais de divulgação é dado a entender que é uma das protagonistas) e sua presença é distrativa. A atriz, assim como Depp, parece estar presa sempre ao mesmo tipo de papel.

Polêmicas à parte, o filme flui bem, embora pudesse facilmente perder uma meia hora de sua duração. Talvez por ter esperado pouco ou quase nada dele, me peguei imersa e me divertindo com a história. Ela peca em não saber se quer ser drama ou comédia (o que novamente o torna desconfortável na forma como aborda o genocídio de índios para o avanço da ferrovia), mas os protagonistas têm suficiente carisma para transformá-lo em uma boa sessão da tarde. A abertura, com um menino vestido de Cavaleiro Solitário em um parque de diversões, décadas após os acontecimentos, garante a aura de magia e de legado que o herói transmite. A mensagem, “nunca tire a máscara”, é interessante por lembrar que para fazer coisas justas às vezes é necessário agir fora da lei. E fora isso, os elementos dos “bangue-bangues” juvenis, com suas cavalgadas, perseguições, corridas no tetos de trens e “hi-yo, Silver” estão todos lá.

O Cavaleiro Solitário não é um ótimo filme, mas mesmo cheio de problemas entretém, diverte e deixa patente o empenho da equipe que o produziu.  Pena que com o fracasso de bilheteria dificilmente terá uma continuação.

Lone-Ranger

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