O Renascimento do Parto (2013)

Assistido em 03/10/2013

Eu sei que esse documentário não entrou em cartaz em todas as cidades, mas quem puder ter acesso a ele, assista. O tema “violência obstétrica” tem ganhando cada vez mais espaço nas discussões atuais sobre maternidade e direitos reprodutivos, especialmente em blogs sobre maternidade e em espaços feministas. O documentário aborda não só a violência obstétrica propriamente dita, como o descaso com que as gestantes são tratadas e a falta de respeito com suas decisões. No Brasil, mais da metade dos partos já são feitos por cesárea, podendo passar de 90% na rede particular (enquanto a porcentagem considerável normal pela OMS é em torno de 12%, apenas em partos com risco real para bebê ou gestante). Essas estatísticas alarmantes já fazem com que estudiosos de outros países estudem o caso do Brasil.  É comum obstetras utilizarem argumentos que induzem os pais a concordarem com o procedimento, por falta de conhecimento. Chantagens emocionais como “você vai matar seu bebê” ou “o bebê é grande demais” são recorrentes. Tudo isso porque um parto mais rápido garante menos trabalho e o mesmo pagamento no final, visto que o trabalho de parto natural pode durar até bem mais de doze horas.  O nascimento virou uma esteira de linha de produção em que gestante e bebê são os menos importantes. O documentário também aborda os chamados “partos humanizados”, em que a futura mãe tem o bebê em ambientes não-hospitalares, com acompanhamento de uma doula e com métodos menos agressivos para o corpo e para os envolvidos. Muitos dos depoimentos emocionam. A montagem às vezes peca por não apresentar os interlocutores ou explicar alguns termos técnicos e alguns discursos às vezes recaem numa visão um tando quanto natureba, que parece fugir do objetivo de criar argumentos sólidos à favor de uma reumanização dos partos. Mas em geral as entrevistas são ótimas e o filme é muito bom. E é extremamente necessário em um momento em que o corpo feminino nunca esteve tão patologizado.

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