Os Sapatinhos Vermelhos (The Red Shoes/ 1948)

Assistido em 27/04/2013

Boris Lermontov: Why do you want to dance?

Victoria Page: Why do you want to live?

Boris Lermontov: Well I don’t know exactly why, er, but I must.

Victoria Page: That’s my answer too.

Estou até agora sem palavras após ter visto esse filme e por isso precisarei escrever palavras demais! Os Sapatinhos Vermelhos é O filme de ballet. Fico extremamente grata ao amor de Scorcese por ele, pois isso garantiu uma restauração impecável em que podemos ver a beleza do uso de cores no filme: de tirar o fôlego. O trailer do relançamento fala por si só:

A história é baseada no conto de Hans Christian Andersen, em que uma jovem adquire um par de sapatos vermelhos para ir a um baile e passa a noite toda dançando sem parar. Ao ir para casa, descobre que não consegue parar de dançar e é levada à exaustão por isso. A única forma de livrá-la da maldição é cortando fora seus pés. No filme, a bailarina Victoria Page (Moira Shearer) é vista dançando pelo diretor de ballet Boris Lermontov (Anton Walbrook), que a chama para integrar sua equipe. Quando a sua prima ballerina se casa, ele a demite, pois acredita que nada pode competir com a arte e Victoria é alçada ao estrelato. As motivações de Boris nunca ficam bem claras ao longo do filme. A companhia começa apresentar um ballet composto por um compositor iniciante, Julian Craster (Marius Garing). A peça é justamente The Red Shoes. Acontece que Victoria e Julian se apaixonam e ela tem que lidar com a escolha entre seu amor e carreira brilhante que tem pela frente. Como a personagem do conto de fadas e de sua peça, quando coloca o sapato vermelho, ela simplesmente não pode pensar em parar de dançar.

Todo o filme tem um clima um bocado sombrio (e me pergunto o quanto Aronofsky bebeu dele para compor seu Cisne Negro, pois há muitas semelhanças). A maneira como a trajetória do ballet faz um paralelo com a trajetória da artista é muito bem feita. O próprio filme acaba tendo uma cena de mais de 15 minutos com a apresentação da peça, que foge da realidade de uma peça padrão. As cenas se compõe com imagens sobrepostas, efeitos especiais e práticas, geralmente um todo repleto de surrealismo.

O uso de cores é espetacular! Na primeira cena já temos uma massa de estudantes em tons de cinza invadindo o teatro, ávidos pela peça que vai ser apresentada e os balcões são todos pontuados de vermelho. Pouco depois temos uma cena em que Lermontov toma café da manhã em uma espécie de túnica azul clara é emoldurado por vasos com flores amarelas e em seguida, por um melão de mesma cor. As roupas e cenários apresentam-se em cores predominantemente lavadas, acinzentadas, majoritariamente verdes e azuis. Mas o amarelo e o vermelho estão pontuando cada uma das cenas, chamando a atenção para os detalhes. Não gosto de ver as cores como símbolos, e sim como temas, mas é difícil não pensar em paixão e fortuna, as duas coisas que dividem os protagonistas. Isso parece ser realçado em um momento em que Lermontov recebe notícias sobre o casal Victoria e Julian e desfere um soco no espelho. Seu apartamento é inteiramente decorado em tons de bordô e dourado. Bordô também é seu roupão e após o soco revela-se um forro completamente dourado. Na sequência final, quando vemos a cortina fechada do teatro, lá está ela imponente, vermelha com grandes franjas amarelas. Difícil ignorar. Os figurinos todos, incluindo os masculinos, são muito bonitos.

É um belo filme sobre obsessão e arte, com números de dança belíssimos e cores como não se vê mais hoje em dia. Ah, o Technicolor…

Para ler minha análise do figurino de Os Sapatinhos Vermelhos, acesse aqui.

the red shoes

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