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Figurino: Jodhaa Akbar – Cores, Muitas Cores!

CINEMA INDIANO

Para fechar a semana dedicada ao cinema indiano, farei um breve comentário a respeito do figurino do épico indiano Jodhaa Akbar. Visualmente deslumbrante: essas duas palavras definem o que penso sobre o filme. Com direção de Ashutoh Gowariker, conta com figurino vistoso e rico em detalhes foi feito por Neeta Lulla. Em entrevista, ela relata que mesmo com vinte anos de carreira, esse foi um de seus trabalhos mais desafiadores até então. As roupas utilizadas são fiéis ao período retratado, no século XVI. Por desconhecimento dos trajes tradicionais indianos, analisarei a forma, e não o conteúdo.

A paleta de cores do imperador mughal Akbar (Hrithik Roshan) é constituída de dourado, marrom e bege, com muitos bordados e uso de jóias.

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Já a princesa de Rajput Jodhaa (Aishwarya Rai Bachchan) veste majoritariamente amarelo, vermelho e verde-esmeralda. As peças foram cuidadosamente pesquisadas ao longe de seis meses, e encomendadas em diversas cidades da Índia. Artesãos também auxiliaram no processo: as jóias foram produzidas em uma joalheria tradicionais e todos os sapatos bordados foram comprados de clássicos produtores do item.

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O traje da festa de véspera de casamento de Jodhaa foi inspirado em uma pintura pintura do século XIX.

jodhaa painting É interessante perceber a maneira como os diversos reinos que compunham a Índia possuíam trajes diferentes. Há uma diferenciação religiosa (de maneira geral as mulheres hindus aparecem mais cobertas do que as muçulmanas) mas também uma distinção geográfico-cultural. Em determinada cena em que o imperador é aclamado por emissários de várias partes do país, percebe-se o cuidado em retratá-los de maneira heterogênea, criando uma identidade visual para cada grupo da grande colcha de retalhos que compõe a Índia atual. A cena pode ser vista na íntegra no vídeo abaixo.

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Já disse anteriormente e reitero: embora possa haver controvérsias acerca dos aspectos históricos de Jadhaa Akbar, é um filme que impressiona sobremaneira pela grandiosidade de sua produção. Para quem gosta de épicos é uma ecolha certa. E Neeta Lulla o preencheu com belos trajes que fazem os olhos brilhar de prazer só de poder admirá-los.

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Noiva e Preconceito (Bride & Prejudice/ 2004)

CINEMA INDIANO

Assistido em 24/08/2013

Essa postagem entra como um extra na minha proposta de fazer uma semana voltada para o cinema indiano. Na verdade Noiva e Preconceito é uma produção anglo-americana, mas com elenco parcialmente indiano e direção de Gurinder Chadha, queniana de origem indiana mas criada em Londres, que já havia dirigido o gostoso Driblando o Destino.

Trata-se de uma adaptação para os dias atuais do  clássico  romance inglês Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. A protagonista, Lalita (Aishwarya Rai Bachchan) e suas irmãs vão a uma festa de véspera de casamento e lá conhecem os amigos Balraj (Naveen Andrews), um rico indiano morando em Londres, e William Darcy (Martin Henderson), um americano sisudo e com ideias preconceituosas a respeito da Índia.

Todos os personagens do livro original estão presentes na adaptação e são facilmente reconhecíveis, embora por vezes pareçam um tanto quanto caricatos. A trama toma algumas liberdades em relação a como os acontecimentos transcorrem, mas de uma maneira geral, flui adequadamente. São as músicas que atrapalham bastante: optou-se por inserir números musicais ao longo da história, mas as canções são de estilos ocidentais e não parecem combinar com o contexto. São cenas mais hollywoodianas que bollywoodianas. Entendo que seja uma homenagem, não uma produção literalmente hindi, mas de qualquer forma esse detalhe ajuda a desconstruir o clima obtido pelos demais elementos. Não deixa de ser interessante que em um diálogo entre Lalita e Darcy, quando ele fala que tinha vontade de construir um resort na Índia, ela lhe responde que o que ele quer é criar uma Índia diferente da realidade, para os turistas e sem indianos. Acontece que o filme faz isso: obviamente a Índia retratada pelo olhar da diretora que nunca viveu no país não deve condizer com a realidade.

O Darcy de Henderson é sem dúvida o pior que eu já vi. Pontos para Colin Firth, que o interpretou duas vezes e ambas são lembradas até hoje (na minissérie da BBC Orgulho e Preconceito de 1995 e na outra livre adaptação para os dias atuais O Diário de Bridget Jones, de 2001).

Noiva e Preconceito não um programa ruim para um domingo à noite: é colorido e divertido, especialmente ao se identificar as referências ao material original. Mas ainda vale mais a pena ver Jodhaa Akbar. Ou até mesmo Bridget Jones.

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Jodhaa Akbar (2008)

CINEMA INDIANO

Assistido em 24/08/2013

Esse filme é um épico, grandioso em todos os sentidos. Relata a história (altamente ficcionalizada) do imperador mughal Akbar, o Grande (Hrithik Roshan), que no século XVI casou-se com a bela filha do rei Bhamal de Japur (Rajput), Jodhaa (Aishwarya Rai Bachchan). A Índia, à época Hindustão, era composta por vários pequenos reinos independentes. Akbar, nascido lá, mas de origem persa e muçulmano queria unificar o país. Para isso, enviou cartas a todos os reis solicitando sua rendição e prometendo guerra àqueles que se recusassem. Nas sequências iniciais já temos uma imensa batalha, com incontáveis figurantes compondo os dois exércitos, além de grandes elefantes de guerra.

Aos poucos seu abjetivo de unificação vão se concretizando e para selar a paz, propõe o casamento com a princesa de uma das províncias. A religião de  Jhodaa é  o hinduísmo, então faz duas exigências: que não precise se converter e que possa ter um templo para si dentro do Palácio, mantendo seus ritos religiosos. Akbar consente e uma grande festa é celebrada. Seu reinado é ameaçado por traições e complôs, mas o romance ganha destaque acima da política. Jodhaa está infeliz com a imposição do casamento e após a cerimônia ele lhe fala que se quisesse eles poderiam cancelá-lo, já que mulheres muçulmanas podem fazê-lo se quiserem.  Ela fala que é hinduísta e para eles o casamento é até a morte. (Da mesma forma, as muçulmanas apenas cobrem a cabeça entre estranhos, enquanto as hinduístas cobrem também o rosto). O filme prega a mensagem da tolerância religiosa e muitos o criticam por alterar a história para mostrar um Akbar mais moderado do que na realidade, fato facilmente percebido até para quem ignora a história da índia. Além disso, os casamentos para formar alianças políticas foram diversos, mas suas esposas realmente não eram obrigadas a se converter.

Como não tenho conhecimentos sobre a história indiana, não discutirei esses aspectos políticos do filme. Apenas devo dizer que como obra cinematográfica ele é de encher os olhos e é um dos filmes visualmente mais bonitos que já vi nos últimos tempos. As locações (palácios indianos reais) e paisagens são lindos. As cores super saturadas das roupas são fantásticas. Verdes, vermelhos, amarelos e laranjas pulam na tela de forma encantadora. As cenas musicais encaixam-se no estilo do filme, com destaque para a cena em que Akbar é reverenciado como imperador por comitivas de diversas províncias. O romance às vezes tem uns deslizes machistas (justificados pelo período retratado), mas é extremamente convincente, embora talvez possa parecer piegas ou conservador para alguns. As grandes produções indianas evitam beijo na boca e contatos com conotação sexual em tela, por motivos de classificação indicativa. Ainda assim o filme tem um certo erotismo velado, patente em diversas cenas e uma química muito boa entre os dois atores protagonistas. Há, ainda, lutas de espada bem coreografadas, que me lembraram um pouco o cinema chinês.

Um curiosidade é a presença, entre as damas de companhia de Jodhaa, de uma hijra. As hijras podem ser eunucos, trangênero  ou intersexo e suas presenças são tradicionais nos casamentos indianos para atrair boa sorte e fertilidade.

O filme é longo: pouco mais de três hora e meia, mas possui um intervalo no meio. Confesso que a história me prendeu tanto a atenção que a experiência de assistir a ele não foi nem um pouco cansativa. O diretor, Ashutosh Gowariker conseguiu unir todos os elementos muito bem. É uma obra deveras grandiosa e merecedora de ser assistida.

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