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A Chegada (Arrival, 2016)

Diversas vezes o cinema de ficção científica explorou as possibilidades trazidas pelo encontro entre nós, humanos, e formas de vida extraterrestres. O medo de que com sua tecnologia superior (afinal conseguem atravessar galáxias) possam nos dominar é uma constante. Por isso é comum que sejam retratadas como uma metáfora para o invasor estrangeiro e para o horror de modos de vida que não compartilhamos em nossas comunidades, como uma forma de alteridade radical.  Embora também não seja exatamente única, em A Chegada, o diretor Denis Villeneuve parte da perspectiva oposta: e se o nosso problema é interno, marcado pela nossa incapacidade de confiar e cooperar?

Quando naves aportam em doze cidades diferentes ao redor do globo, cada país tenta ao seu modo entender o que está acontecendo e trabalhar em equipe com os demais com informações. Nos Estados Unidos, a linguista Louise Banks (Amy Adams) é requisitada pelo exército para que decifre a linguagem dos seres que tentam se comunicar.

Nesse momento Villeneuve acerta ao não atender às expectativas de seu público: quando a notícia da chegada de possíveis naves visitantes é transmitida na televisão, ele não mostra o que está acontecendo na tela, apenas a reação de quem a assiste. Assim, nosso interesse é despertado pela criação de atmosfera e não pelo fetichismo visual. A percepção da grandeza do todo é deixada para quando Louise e aqueles que a acompanham chegam ao descampado onde se encontra a nave sobre o solo estadunidense, em um momento facilmente relacionável com Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993), embora talvez não com a mesma grandeza. Da mesma forma, quando Louise entra na nave pela primeira vez, não temos noção quais são suas ações e seus resultados: só voltamos a ver a personagem do lado de fora. As sensações despertadas por cada momento são intensificadas pela trilha sonora composta por Jóhann Jóhannsson.

A criação de atmosfera prossegue com o confinamento da personagem, primeiramente nas barracas do exército e depois em seu traje de proteção, mostrando-a presa à estrutura conflituosa imposta por aquela situação e desconfortável com a rigidez e um complexo de homens ao seu redor esperando resultados concretos, encabeçados por Coronel Weber (Forest Whitaker). Nesse sentido, é fácil traçar um paralelo com Contato (1997), outro filme em que uma protagonista mulher e cientista precisa utilizar seus conhecimentos empíricos para lidar com a hierarquia e com a aproximação de uma nova realidade.

E se em Contato a fé na ciência demonstrada por Ellie é contraposta pela figura de um religioso, aqui Louise tem ao seu lado Ian Donnelly (Jeremy Renner), um físico teórico que não funciona narrativamente como seu oposto, mas como seu apoio. Louise tem espaço para ser uma personagem complexa e bem escrita. Ela não apenas reage, ao contrário de Kate, protagonista de Sicario: Terra de Ninguém (2015), também de Villeneuve. Ela toma decisões que são importantes para si e para os demais, mesmo que elas desafiem as ordens recebidas ou tragam consequências não necessariamente positivas, mas esperadas. Por outro lado está longe de ser uma mulher combativa perfeita: é alguém que tem dúvidas e medos, como mostra sua mão tremendo, enquadrada em close algumas vezes durante a película. A delicadeza com que Amy Adams modela sua atuação, explorando todas essas facetas, fazem a personagem crescer como uma figura humana e palpável. Por fim, a atenção que é dada em determinado momento à sua vida afetiva e amorosa, não desmerece seus feitos profissionais e acadêmicos, mas destaca os aspectos humanos da trama de maneira eficiente, conseguindo fazer o que Interestelar (2014) falhou em alcançar.

Um ponto a se destacar no filme é seu design de produção, que contribui para o trabalho atmosférico da direção. As naves são criadas com robustez visual e formato pouco convencional, mas flutuando sobre o solo, ao mesmo tempo pesadas e leves e a sensação em seu interior é de clausura, como se o ambiente que nos é mostrado fosse uma caverna. O contraste entre o azul do hospital, o amarelo das barracas militares e o verde do descampado destacam cada momento da vida de Louise. As criaturas, carinhosamente apelidadas de Abbott & Costello, por sua vez possuem um visual interessante e é bonito como se apresenta sua comunicação gestual, traçando paralelos entre seus tentáculos e nossos dedos. A relação entre a linguagem e a forma como compreendemos o mundo é explorada de maneira poética: se nossa língua e nossa escrita são lineares, nosso pensamento e entendimento sobre o tempo e o mundo também o são; mas se fossem circulares e cíclicas, o que aconteceria com a forma como percebemos, sentimos e descrevemos?

A Chegada conta com atuações sólidas e um belo design de produção. Pode parecer que ele trata do destino, mas a verdade é que é sobre escolhas. Conhecendo os percalços e as dores que o passado lhe trouxe, você faria o mesmo novamente, se tivesse escolha? E se não fosse o passado? Dessa forma memória, comunicação, conhecimento, busca e trajetória se entrelaçam poeticamente. As comparações com outros filmes do gênero, como essa crítica demonstra, são levantadas facilmente, mas o filme consegue se destacar como único, com sua própria identidade. A direção competente de Villeneuve garante uma obra contida, climática, extremamente elegante e acima de tudo otimista.

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Figurino: Trapaça – Exagero e Exuberância em um Retrato de Época

Texto originalmente publicado na coluna Vestindo o Filme em 12/02/2014.

Trapaça, novo filme do diretor David O. Russel, saiu na frente em número de indicações na temporada de premiações que estamos atravessando. O figurino de Michael Wilkinson merecidamente foi lembrado nas listas tanto do Oscar quando do Sindicato dos Figurinistas, sendo neste último na categoria Filme de Época. A história de passa em um 1978 de exageros e exuberância, com forte influência da discoteca, e as roupas ajudam a construir os personagens de maneira orgânica, jamais deixando-os caricatos, embora sempre a um passo disso. Aqui todos se vestem com liberdade e os trajes masculinos se apresentam tão interessantes quanto os femininos. O período é recriado através de roupas confeccionadas exclusivamente para o filme, aliadas ao uso de peças de grandes nomes da moda da época.

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Irving Rosenfeld (Christian Bale), conforme é frisado no próprio filme, é um homem confiante, confortável sendo quem é e com um senso de estilo bastante específico. Paletós coloridos, coletes, veludo, listras, xadrez, camisas e lenços ou gravatas com estampas contrastantes: seu guarda-roupa está longe de ser minimalista, mas tudo isso tem a ver com a grande autoestima que o golpista possui.

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Richie DiMaso (Bradley Cooper) não possui o mesmo senso de estilo. Ao começo da trama, quando se apresenta como um agente do FBI, veste-se de maneira simples, usando apenas blazer sem colete, com gravata mal arrumada e botão do colarinho aberto. Ao mergulhar cada vez mais no mundo das artimanhas políticas, passa a vestir-se de forma mais elaborada, acompanhando os que estão ao seu redor e espelhando as roupas de Irving, incorporando estampas cores e peças (colete, especificamente) ao seu vestir, fato ressaltado por este em certa cena do filme. Em determinados momentos, quando ambos estão alinhados para o golpe, a paleta de cores de seus figurinos dialogam, criando afinidade entre os personagens.

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A esquerda, Richie passa a se vestir de modo similar a Irving, nessa cena em tons de marrom, verde e laranja.

O prefeito Carmine Polito (Jeremy Renner) veste-se de maneira vistosa, com uma extravagância contida, adequada ao cargo. Possivelmente é o personagem mais honesto e suas roupas são em tons claros, como cinzas, beges e azuis pálidos, demonstrando sua franqueza e até credulidade. Sua aparência, com lapelas largas e gravatas chamativas, completada pelo cabelo com topete e costeletas, pode parecer exagerada, mas condiz com o período retratado.

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É interessante frisar que a década de 1970 trouxe grande liberdade ao vestir dos homens, com possibilidades de estampas e cores, abandonadas desde o fim da Revolução Francesa. Além disso a vaidade expandia-se para acessórios, como relógios, pulseiras, colares e anéis, todos fartamente utilizados pelos três personagens citados.
Rosalyn (Jennifer Lawrence) transita entre dois mundos. Em casa, deprimida e sem motivações, veste-se de forma desleixada, com vestidos largos, moletons ou mesmo permanecendo de robe. Já quando sai com seu marido, arruma-se ao máximo. Suas roupas não chegam a ser sofisticadas e o macacão com estampa de onça que utiliza na primeira noite fora de casa mostrada no filme é uma prova. Mas certamente ela se esforça para emular um certo refinamento, chegando perto com o vestido branco utilizado no cassino, desenhado por Wilkinson, que mesmo assim tem aparência barata.

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Ao centro, Rosalyn em roupa para ficar em casa. À direita vestida para sair.

A personagem mais complexa é Sydney Prosser (Amy Adams) e isso se reflete em seu vestuário. Em um rápido flashback a vemos chegando do interior para a cidade grande, utilizando roupas simples e sem grandes atrativos: uma saia com blusa e cardigã de tricô. Ao começar a trabalhar em uma grande revista, rapidamente ganha confiança e incorpora peças mais elegantes, passando da camiseta colada e cabelo preso em um rabo de cavalo à camisa branca de botão e cabelos soltos, penteados em ondas.

Vestidos de Rosalyn e Sydney que se destacam no filme e seus respectivos croquis.

Vestidos de Rosalyn e Sydney que se destacam no filme e seus respectivos croquis.

Quando conhece Irving, passa a utilizar predominantemente vestidos-envelope (caracterizados por tecido trespassado em diagonal no colo e amarrado na lateral) e decotes bastante fundos. Os primeiros foram inventados em 1974 pela estilista Diane von Furstenberg e são a marca registrada de sua grife. Esta e a marca Halston Heritage, que se popularizou na época com roupas de desenho fluido, cederam peças de seus acervos para a produção do filme. A falta de um sutiã ou alguma peça íntima que dê segurança ou sustentação aos decotes da personagem chama a atenção. Sua liberdade em cena demostra em um primeiro momento sua força e, posteriormente, sua fragilidade.

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A princípio Sydney aparece alinhada com Irving, tanto na vida pessoal quanto na execução dos golpes. Isso se reflete em suas roupas: desde o primeiro momento em que se conhecem, em uma festa na casa de um amigo dele, ambos de branco, suas roupas possuem paletas de cores relacionadas. O primeiro momento em que a roupa de um não chama visualmente a do outro é quando Richie aparece como suposto cliente. Em um traje turquesa de Diane von Furstenberg, ela difere completamente dos tons de cinza e bordô de Irving. Esse alinhamento volta a ocorrer no momento em que Richie já está incorporado aos seus planos e estão fazendo o primeiro contato com o prefeito. Mas dessa vez são os três que parecem combinar, com detalhes em tom de marrom e bege, embora Irving ainda se afaste ao usar o terno bordô.

Sydney se afastando cromaticamente de Irving e posteriormente reaproximando-se, como elo entre este e Richie.

Sydney se afastando cromaticamente de Irving e posteriormente reaproximando-se, como elo entre este e Richie.

Todos os personagens de Trapaça vestem-se para projetar a imagem do que querem ser através da roupa. Embora utilize-se roupas criadas na época retratada, percebe-se que elas foram escolhidas a dedo para realçar o exagero pretendido na visão de David O. Russel sobre o período. Michael Wilkinson amarrou com grande destreza esse mundo de grandiosidade teatral e riqueza.

Ela (Her/ 2013)

Dirigido por Spike Jonze, Ela é uma ficção científica futurista extremamente crível em seus detalhes, se pensarmos em como é  nosso presente e como é a tendência de caminharmos como humanidade.

Em um futuro não tão distante, Theodore (Joaquin Phoenix) está atravessando um processo de luto pelo término de seu casamento com Catherine (Rooney Mara). Isola-se de seus amigos e dedica-se ao seu trabalho, como escritor-fantasma de cartas. Esse fato é extremamente importante para a história: as pessoas tem tanta dificuldade em lidar de forma honesta com suas emoções, que enviam fotos e alguns dados para um empresa, que possui escritores para redigir cartas e cartões por elas, sendo esses impressos em suas próprias caligrafias. É a total terceirização da emoção. Theodore, uma contradição ambulante, não consegue lidar com seus próprios sentimentos de maneira madura, mas elabora textos lindos a respeito de pessoas que jamais conheceu.

As pessoas organizam sua vida através de Sistemas Operacionais que atuam de maneira integrada no celular e nos computadores por onde passam, com interação via voz através de um fone de ouvido intra-auricular. Isolam-se e andam pelo mundo falando consigo mesmas. Tudo isso é perfeitamente crível com o nível de tecnologia que temos hoje. Então é lançado um sistema operacional com inteligência artificial, que aprende com suas próprias experiências e se molda às necessidades de quem o possuir. Theodore compra um e ao instalá-lo opta por utilizar voz feminina: e assim Samantha (Scarlett Johansson) entra em sua vida.

Logo na primeira noite de seu funcionamento, Theodore fala a ela “você me conhece tão bem!”. Nada mais fácil, afinal, por mais realista que possa parecer a interação, ainda é o cálculo de uma inteligência artificial. É mais fácil gostar de uma voz afetuosa e tecnicamente infalível do que de pessoas reais, com as quais você tem que conviver com os erros e suas consequências. Aceitar os erros alheio demanda maturidade que essas pessoas do futuro não estão dispostas a ter. Querem o afago, o apoio, a companhia perfeita, sem ressalvas. Seria apenas no futuro? É piegas, mas é bom lembrar que precisamos do calor e do contato humano.

O design de produção é inteligentíssimo: nada no futuro é muito diferente de agora. As roupas, ao invés de serem espalhafatosas e exóticas, remetem a um passado recente (a década de 1930, com suas cinturas altas), apelando para a ideia de que a moda é sempre cíclica. Acessórios são escassos, golas nas camisas são inexistentes ou muito pequenas, todos os excessos são retirados. Os cenários seguem a mesma visão de minimalismo e ao mesmo tempo familiaridade. Visualmente tudo funciona muito bem e é muito bonito.

Joaquin Phoenix entrega uma atuação memorável, cheia de camadas e de fragilidade. Scarlett Johansson se sai melhor que sua média. Amy Adams, que interpreta uma amiga de Theodore, chamada Amy, está absolutamente adorável.

Confesso que esperava mais emocionalmente do filme. Um lado ruim das expectativas criadas. Mas em uma temporada de premiações com tantos filmes medianos, sem dúvidas este será um dos poucos lembrados daqui há uns anos. As questões por ele levantadas chegam a ser contemporâneas e não as vejo perdendo força nos próximos anos. É uma obra de delicada beleza e sensibilidade.

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Trapaça (American Hustle/ 2013)

Assistido em: 10/02/2014.

Quase todo ano é aquela polêmica: David O. Russel dirige um filme, este recebe trocentas indicações ao Oscar e o mundo se divide entre os que concordam e os que não concordam. A bola da vez é Trapaça, filme sobre golpistas profissionais que se passa em 1978. Com narrações em off em que cada personagem explica como foi parar onde está, a trama começa com Christian Bale (que ganhou cerca de 20 quilos para o papel) interpretando Irving Rosenfeld, um homem que ganha dinheiro de comissão por empréstimos prometidos e nunca entregues. Em uma festa na casa de um amigo, conhece Sydney Prosser (Amy Adams), que torna-se sua parceira dentro e fora dos mundos dos golpes. O que nos é revelado pouco depois é que ele é casado com Rosalyn (Jennifer Lawrence), uma mãe solteira cujo filho adotou e que permanece a maior parte do tempo deprimida em casa. Certo dia Irving e Sydney são procurados por um potencial cliente, que revela-se um agente do FBI, Richie DiMaso (Bradley Cooper). Richie oferece a eles a chance de permanecerem livres se o ajudarem a aplicar um golpe em pelo menos cinco políticos corruptos ou mafiosos visando prendê-los em flagrante, entre eles o prefeito Carmine Polito (Jeremy Renner), que supostamente aceitaria propinas. Acontece que o sistema também é falho: composta por pessoas gananciosas e ambiciosas, a Lei pode ser pior que o político corrupto. E a boa intenção e até ingenuidade de Carmine é comovente.

design de produção da película é impecável: aqui temos um mundo altamente estilizado remetendo ao período, recheado de papéis de parede espalhafatosos, decorações de gosto duvidoso e, claro, figurinos (criados por Michael Wilkinson) exagerados, que , aliados aos penteados, colocam os personagens sempre a um passo do caricatural, mas jamais chegando lá. A trilha sonora também é bastante boa e contribui com o clima das cenas.

A primeira metade do filme é bastante divertida, nos posicionando diante desse leque tão variado de personalidades. Na segunda metade a história passa a ficar truncada. O excesso de detalhes e explicações, bem como a maneira como a ação se desenrola, aos tropeços, prejudicam o ritmo e tornam-no cansativo.

As atuações são um forte do filme. O destaque, sem dúvida, fica por conta de Amy Adams, que transita entre a auto-confiança e a fragilidade de sua personagem de forma linda. Muitos comentaram sobre a pouca idade de Lawrence para o seu papel, mas não concordo com isso: faz todo sentido que uma mulher jovem aceite um casamento praticamente sem amor, visando proteger seu filho. Bale e Renner também estão ótimos.

Trapaça está longe de ser um filme fantástico: trata-se de um mediano, com algumas interpretações competentes e um design de produção em que os envolvidos visivelmente se divertiram trabalhando (com ótimos resultados). Mas para melhor filme de 2013, passa longe.

Para ler uma análise mais detalhada do figurino desse filme, acesse aqui.

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O Mestre (The Master/ 2012)

Assistido em 16/02/2013
Não sou nenhuma entendida de Paul Thomas Anderson: pelo contrário, antes de ver O Mestre, só havia visto dois filmes dele, Magnólia e Sangue Negro (e sei que preciso ver outros). Por esse panorama eu sei que ele é um diretor muito bom, muito acima da média. Até hoje não sei como Onde os Fracos Não Tem Vez levou o Oscar de Melhor Filme em 2008 contra Sangue Negro, que considero um filme maravilhoso. Mas mesmo ciente de suas qualidades não consigo não achar por essa pequena amostragem de trabalho que ele às vezes é meio inconsistente. O Mestre, por exemplo, me pareceu muito inferior a Sangue Negro. Sei que o filme tem zilhões de subtextos e sei que provavelmente não captei nenhum, mas essa é a sensação que eu tive. A história fala de um homem problemático e alcoólatra, chamado Freddie Quell (interpretado fantasticamente por Joaquim Phoenix) que entra sem ser convidado em um barco onde ocorre uma festa e lá conhece um mestre de uma nova religião, Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman, ótimo como sempre) e sua esposa Peggy (Amy Adams). Ao mesmo tempo em que aborda os absurdos dessa religião, o filme nunca vilaniza seus criadores, sempre os mostrando como pessoas de boa-fé e que querem ajudar. Apenas alguns membros da família ou da sociedade aparecem no papel de descrentes, fazendo um contraponto. Essa religião foi livremente inspirada na cientologia. Os personagens principais, embora tenham uma interação bastante interessante, parecem não evoluir ao longo do filme. E apesar de todas as cenas bonitas e das interpretações muito boas, passados três dias parece que ele em nada me marcou…