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Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2/ 2013)

Assistido em 30/06/2013

Hora de encarnar a tia ranzinza: Meu Malvado Favorito 2 é ruim, muito ruim. Talvez não seja tão ruim como o primeiro, mas isso não quer dizer muita coisa.

O protagonista, Gru continua não sendo malvado suficiente para receber o título. Suas filhas, Margo, Agnes e Edith, agora estão plenamente integradas à casa. Agnes ainda é utilizada como fonte de altas doses de sacarose. Após o sucesso dos minions no primeiro filme, suas aparições foram ampliadas. Tudo continua formulaico. E o pior é chegar ao século XXI com certos elementos sendo exibidos para crianças sem a menor preocupação com as consequência. Vilões com estereótipos raciais/ étnicos/ culturais, personagem feminina inserida na história apenas para se tornar par romântico, um pai possessivo e ciumento em relação a suas filhas sendo usado como fonte de humor. O mais assustador foi que na dublagem, uma personagem com vestido de oncinha e batom forte foi chamada de piriguete. Não sei como essa cena se passou no áudio original, mas pelo menos para o público brasileiro é um slut shamming claro e problemático.

Para quem gosta, no final há a tradicional cena dos personagens reunidos dançando discoteca.

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Túmulo dos Vagalumes (Hotaru no haka/1988)

Assistido em 13/06/2013

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Dirigido por Isao Takahata, esse filme animado do Studio Ghibli é uma pequena obra de arte. Distribuído para ser visto em uma sessão dupla com Meu Amigo Totoro, ele serve com um duro contraste para aquele. Enquanto Totoro é um filme leve e otimista, Túmulo dos Vagalumes é um drama forte, embora ainda assim delicado. Passa-se no final da II Guerra Mundial, em alguma vila de civis constantemente bombardeada pelos aviões estado-unidenses. O menino Seita e sua irmãzinha Setsuko tem que garantir sua subsistência após a morte da mãe um dos bombardeios. Seu pai é da Marinha e por isso não está em casa. O tempo inteiro vemos a relação de carinho e cuidado entre os irmãos, que passam a viver à margem da sociedade naquele tempo difícil de rações escassas. A beleza das animação são características do estúdio e aqui, novamente, vemos desenhos muito bem feitos, especialmente nos campos. A música é delicada e funciona nos momentos certos. É muito difícil não se emocionar com essa narrativa.

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A Revolução dos Bichos (Animal Farm/1954)

Assistido em 17/05/2013

há tantos quadros na parede
há tantas formas de se ver o mesmo quadro
há palavras que nunca são ditas
há muitas vozes repetindo a mesma frase:
(ninguém = ninguém)
me espanta que tanta gente minta
(descaradamente) a mesma mentira

todos iguais
todos iguais
mas uns mais iguais que os outros
(Engenheiros do Hawaii – Ninguém=Ninguém)

O ótimo livro a Revolução dos Bichos, de George Orwell, foi lançado em 1945. Orwell, mais conhecido pelo romance anti-totalitarismo 1984, era um socialista democrático com influências anarquistas. O livro se trata de uma fábula satírica sobre uma revolução traída, que traça paralelos com a Revolução de 1917 na Rússia. Na história, o fazendeiro Sr. Jones (que seria o Czar ou o governo antigo) é um bêbado inveterado que não cuida bem de seus animais. Certo dia esqueceu-se de alimentá-los e eles se rebelaram, tomando a fazenda para si. Foram estabelecidos sete mandamentos nesse momento. O velho porco Major (um misto de Marx e Lenin) lembra a todos que os animais são todos iguais e devem cuidar para que ninguém volte a ocupar o posto de Jones. Dois porcos se destacam nessa etapa inicial: Bola-de-Neve (Trotsky), que quer expandir a revolução para os animais de outras fazendas e Napoleão (Stalin), que expulsa Bola-de-Neve e centraliza o poder. Depois da ascensão de Napoleão, os animais, especialmente o cavalo Sansão (Boxer, no original), passaram a trabalhar mais e comer menos, pensando no futuro descanso, enquanto os porcos aos poucos foram adquirindo hábitos cada vez mais parecidos com os dos humanos. A sete leis da revolução original foram subvertidas ao ponto de nada mais significarem.

A animação inglesa de 1954 foi parcialmente financiada pela CIA como propaganda anti-comunista. Apesar da mídia escolhida, não se trata de um filme para crianças, já que a adaptação é bastante fiel e a violência e opressão estão bem marcados. A qualidade da animação é bastante boa. O que chama a atenção é a mudança no final da história. Considerando que o filme deveria servir como propaganda, o final do livro é muito mais efetivo nesse sentido, com os porcos se tornando tão opressores quanto os humanos, culminando com a parceria entre eles e os próprios humanos. Ou seja, nessa visão, nada diferencia os líderes revolucionários dos piores capitalistas. Já no filme, os demais animais se unem contra os porcos, deixando uma mensagem um tanto quanto… anarquista? Não sei o que a CIA pretendia com isso, ou se foi uma decisão artística do estúdio, mas não só tirou todo o peso do final do livro, como ainda passou uma mensagem ambígua. De qualquer forma vale a pena tanto ler quanto assistir.

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A Origem dos Guardiões (Rise of the Guardians/ 2012)

Assistido em 20/04/2013

Jack Frost (Chris Pine) é o responsável por trazer neve e diversão para os invernos das crianças. Nenhuma delas podem vê-lo, porque ninguém mais acredita na sua existência, ele é só uma “expressão” para explicar que vai nevar. Desiludido com isso, ele se vê convidado a integrar o time do Guardiões, o grupo que protege as crianças e suas fantasias, composto por Norte, o Papel Noel (Alec Baldwin), Coelhão, o Coelho da Páscoa (Hugh Jackman), A Fada dos Dentes (Isla Fisher) e Sandy, o Sandman. Breu, o Bicho-Papão (Jude Law) conseguiu adulterar a areia de Sandy e transformar os sonhos das crianças em pesadelos. Após isso ele trabalha para arruinar a Páscoa e assim fazer as crianças duvidarem dos Guardiões e enfraquecê-los definitivamente. Alguns desses seres não fazem parte do panteão de entidades do imaginário popular no Brasil, mas isso não é empecilho para entrar no clima do filme. Jack Frost segue o estilo garotão dos protagonista de animações da Dreamworks, mas ainda assim o filme é divertido e até mágico. Fez-me pensar nos mundos de fantasia em que imergia quando criança, onde tudo era possível, até os sonhos virem da Pedra dos Sonhos. A animação é belíssima e as dublagens são um ponto forte. Destaque para Alec Baldwin, que está incrível interpretando Norte e Hugh Jackman com o sotaque mais australiano que jamais teve.

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Meu Amigo Totoro (Tonari no Totoro/ 1988)

Assistido em 14/04/2013

Mágico. Simplesmente mágico. Produzido pelo Studio Ghibli e dirigido por pelo grande Hayao Myazaki, Totoro carrega todos os ingredientes certos para encantar. Ele reflete com perfeição a visão infantil e nunca vi crianças de animação tão parecidas nas suas reações e comportamentos com crianças reais, como Mei e Satsuki, as protagonistas. O ano é 1958 e elas se mudam com seu pai para uma casa mais próxima ao hospital em que sua mãe está internada. Um menino da vizinhança avisa elas que a casa é mal-assombrada, mas elas afirmam categoricamente não terem medo. E então aparecem os Totoros, espíritos da floresta. E o Totoro maior, embora seja grande, não é assustador, é uma criatura fofinha, atenciosa, felpuda! O desenho é belíssimo e a qualidade das texturas é impressionante, ainda mais levando-se em conta que o filme se passa em um interior rural, com muita natureza a ser detalhada. A história contém reviravoltas que nos deixam presos à cadeira, mas sempre sorrindo. Que obra-prima!

Obs: quero andar em um gato-ônibus!

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