Lincoln (2012)

Assistido em 27/01/2013
É difícil escrever sobre Lincoln, novo filme de Steven Spielberg. É difícil pensar em como a soma de partes muito boas resultem em um filme tão… tão… hmmm, não chega a ser ruim, mas não desperta nada! É o típico “filme de Oscar”: dramalhão de época, grandes heróis, trilha sonora grandiosa, fotografia belíssima e atuações de primeira. Não se trata de uma biografia do presidente americano, mas sim um recorte de um período específico, logo após sua reeleição, em que estava tentando aprovar a 13ª Emenda, que acabava com a escravidão no país. Embora o filme tente humanizar o presidente, mostrando as brigas com sua esposa, a dificuldade em se relacionar com o filho mais velho e mesmo o esquema de propinas e ofertas de cargos que ele precisou usar para conseguir a aprovação da emenda, ainda assim a sua figura aparece por demais mítica, honrada e perfeita. Spielberg tende a se perder no drama apelativo quando resolve fazer um filme mais “sério”. Apesar de muita gente gostar, tenho problemas sérios em relação a isso com A Lista de Schindler, por exemplo. O excesso de idealização e açúcar de lá se repete aqui. A interpretação de Daniel Day-Lewis como personagem-título é ótima, criando uma voz calma e modulada e uma postura cansada para ele. Sally Field, como Molly, sua esposa, está muito bem também, nas poucas cenas que aparece. Joseph Gordon-Levitt, interpretando Robert, o filho mais velho de Lincoln, me pareceu um tanto quanto deslocado na história e talvez desperdiçado. Tommy Lee Jones também se destaca. Como falei, a fotografia é muito boa e opta por planos mais largos e um belo esquema de iluminação de ambientes internos. A trilho sonora às vezes quer ser tão grandiosa que se sobressai demais em certas cenas. Também achei que as poucas tentativas de alívios cômicos foram desnecessárias. Mas apesar de suas 2 horas e meia de duração, o filme transcorre bem. No final foi aquele filme em que, ao sair do cinema, ninguém sabia o que comentar, porque não há muito o que se falar. Sobre o Oscar, está indicado a melhor Filme, Direção, Ator (Daniel Day- Lewis), Atriz Coadjuvante (Sally Field), Ator Coadjuvante (Tommy Lee Jones), Roteiro Adaptado, Fotografia, Figurino, Montagem, Trila Sonora, Design de Produção (antiga Direção de Arte) e Mixagem de Som. Vale a pena ver pelas atuações.

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Xingu (2012)

Assistido em: 06/01/2013


Esse filme nacional retrata o contato dos irmão Villas-Bôas com a região do Rio Xingu e sua posterior luta para garantir esse território aos indígenas. A fotografia é belíssima e a grandiosidade das paisagens da região ajuda. Às vezes o filme dá umas tropeçadas na narrativa e é impressionante que com o grande lapso de tempo que ele cobre, os personagens não envelheçam. Mas mesmo assim é um bom filme e, ao deixar claro como todos os governos tiveram políticas extremamente ineficientes (para não dizer ignorantes) em relação aos povos indígenas, nos faz refletir ainda mais sobre sua situação no Brasil atual, especialmente na região norte, que não foi privilegiada com uma reserva como a do Xingu. A exclusão e o preconceito aqui ainda são a realidade.

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Persépolis (Persepolis/ 2007)

Assistido em: 05/01/2013


Baseado no quadrinho autobiográfico de mesmo nome de Marjane Satrapi, Persepolis é um retrato de sua infância antes da revolução iraniana de 1979 e de sua adolescência e juventude após ela. A convivência familiar, as dúvidas existenciais, as histórias de luta e restrições das liberdades individuais (especialmente das mulheres) permeiam toda a narrativa. O desenho em preto e branco e o traços simples funcionam muito bem na linguagem do filme, que não teria sido melhor se fosse live action. Recomendadíssimo!

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Milk- A Voz da Igualdade (2008)

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Milk é um filme impressionante. Não é um blockbuster, não tem história conhecida a ser contada. Mas ele se sustenta, surpreende e por fim, cativa.
Sean Penn, como protagonista, como sempre foi um show à parte. Atuação realmente impecável.
Um pouco sobre a história (provável zona de spoilers): Harvey Milk (Sean Penn) tinha 40 anos e trabalhava em Wall Street quando conheceu um jovem, Scott e resolve fugir com ele para São Francisco, assumindo sua homossexualidade. Ele abre uma loja de artigos fotográficos e acaba por se tornar referência entre os gays da cidade. O filme retrata sua trajetória ao longo de 6 anos, culminando com sua eleição para o cargo de Supervisor (seria como um prefeito de sub-prefeituras, distritos da cidade) e sua participação ativa em campanhas pelos direitos do homossexuais.
A reconstituição dos acontecimentos da época, o figurino e mesmo inserção de filmagens reais ou envelhecimento de filmagens feitas para o filme, tudo isso compõe um conjunto harmônico. Ele se infiltra em várias questões do panorama político da época, sem com isso, ficar chato. Além disso, mostra como Milk, como ninguém, conseguiu unir interesses (gays, idosos, mulheres…) e colocá-los a seu favor, além de perceber como os homossexuais, organizados, poderiam ter representatividade tanto como consumidores quanto como cidadãos.
Mas no final das contas acho que o que mais me fez gostar do filme, é que se trata de uma mensagem de esperança. Podemos ficar indignados com muita coisa que vemos contecer ali, mas percebemos que nem tudo mudou, ainda mais no interior do interior desse nosso atrasado Brasil. Essa semana ainda eu li, em um fórum, um artigo sobre “gaymers” e jogos com conteúdo homossexual. O artigo era ilustrado com cenas de beijos e nada mais. Mesmo assim na página de comentários havia quem pedisse que o artigo fosse taxado com sendo “conteúdo inapropriado para menores de 16 anos”. (Mas um beijo hétero é classificação livre, não é?). Obviamento o site não alterou a classificação e pipocaram comentários de pessoas falando “eu odeio gays, mas respeito”. Que tipo de “respeito” é esse que se mistura com ódio? No filme, Milk encoraja os gay a “saírem do armário”(sic), afinal naquela época tentavam aprovar leis em que professores gays poderiam ser demitidos de seus cargos e locatários gays, expulsos de suas casas pelos proprietários, além de muitos serem assassinados durante a noite, até mesmo por policiais. Hoje em dia podemos pensar que essas coisas melhoraram, mas se pensarmos bem,não foi tanto assim. Casais homossexuais ainda não podem se casar legalmente na maior parte do mundo, nem adotar filhos. Muitos direitos ainda não estão assegurados, como o de receber a herança de seu companheiro. E a maioria ainda continua tendo problemas para assumir quem realmente é, mesmo para sua família. O preconceito é mais velado, mas ainda existe. E é inconcebível que um cidadão como outro qualquer não tenha os mesmos direitos que os demais assegurados pela constituição.
Acabei me estendendo um pouco e não falando tanto do filme. Mil perdões! Mas é um daqueles filmes que se comentar demais, conta-se a história toda. Enfim, vale a pena assistir. Um filme marcante e inspirador!

Minha nota: 9,5
Nota no IMDB: 8,1
(A nota do IMDB pode estar “baixa” porque muita gente critica o conteúdo homossexual do filme. No fórum há muitas discussões e homofobia explícita)

Indicações ao Oscar 2009: 8

*Melhor filme

*Melhor diretor (Gus Van Sant)

*Melhor ator (Sean Penn)

*Melhor ator coadjuvante (Josh Brolin)

*Melhor roteiro original

*Melhor trilha sonora original (Danny Elfman)

*Melhor figurino

*Melhor montagem

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