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Guerra Mundial Z (World War Z/ 2013)

Assistido em 14/09/2013

Já faz duas semanas que assisti esse filme e não fiz nenhuma anotação enquanto o vi. Dessa forma, agora, tentando lembrar do que pensei a respeito da trama que se desenrolou diante de meus olhos, percebo o quão volátil ele é. Entenda: é um filme agradável de assistir, a história prende o expectador e o desfecho é satisfatório. Mas nada é realmente novo ou marcante. A verdade é que com tanto problemas e atrasos que marcaram a produção é até impressionante que o material entregue seja bem acabado e coeso.

Na trama, Gerry Lane (Brad Pitt) é um ex-funcionário da ONU que agora fica em casa para cuidar de suas duas filhas. Até que certo dia sua cidade se vê tomada por uma horda de zumbis biológicos. A transmissão se dá via mordida e os infectados se movimentam de maneira veloz e são atraídos por barulho alto. Gerry, suas filas e sua esposa Karin (Mireille Enos) fogem e acham abrigo em um edifício de apartamentos. De lá são resgatados pelo exército, que os leva até um porta aviões e solicita a ele que volte a trabalhar para a ONU e integre uma equipe para tentar entender a praga e achar uma solução.

Nunca li o livro Guerra Mundial Z, mas sei que sua história se passa no mundo todo, em paralelo. A maneira que o filme usou para obter esse efeito foi fazer a equipe viajar de lugar em lugar atrás de pistas do que pode ter originado os zumbis e sempre encontrando novos locais afetados. A passagem por Israel, embora tenha uma computação gráfica que não impressiona muito, é efetiva ao criar o terror provocado na população. Eles estavam bem protegidos, pois haviam construído uma grande muralha. Mas uma vez que os primeiros zumbis ultrapassam essa barreira, fica claro que o que fizeram foi garantir o contágio ainda mais rápido, devido ao confinamento. Gerry sai de lá na companhia da soldada Segen (Daniella Kertesz), que o ajudará dali em diante em sua tarefa.

Brad Pitt aqui encarnou o herói indestrutível. Embora ele devesse dar o ponto de vista da pessoa comum diante de uma catástrofe dessa natureza, não pude deixar de pensar em diversos momentos que se fosse eu, teria morrido em cinco minutos. Os sustos estão presentes. O filme não chega a ser aterrorizador, mas é suficientemente tenso para prender o expectador à cadeira. O desfecho não só parece, como foi, uma ideia de última hora. A montagem mostrando como Gerry se deu conta que os zumbis funcionavam subestima quem está assistindo, pois quem estava prestando atenção à trama já havia percebido as dicas que permearam a ação.

Com tantos comentários negativos pode parecer que eu não gostei do filme. Essa não é a realidade: trata-se de um bom pipocão para ver com os amigos ou para uma tarde de domingo. Mas também não é muito mais que isso.

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Os Doze Macacos (Twelve Monkeys/ 1995)

Assistido em 05/09/2013

Tarefa difícil: apresentei esse filme para alguém que não havia o assistido ainda. Trata-se de uma das ficções científicas mais legais da década de 90. Dirigido por Terry Gilliam, que nunca foge de uma trama pouco convencional, pode-se dizer que é uma grande viagem através da loucura.

James Cole (Bruce Willis) é um presidiário no futuro e aceita a proposta de colaborar com cientista em troca de benefícios. Ele deve voltar ao passado, para 1996 e investigar um grupo chamado Exército dos Doze Macacos, composto por ativistas pelos direitos dos animais e que foi o responsável pela destruição de uma boa parte da humanidade através da liberação de um vírus, naquele ano. Mas, ao invés de ir para 1996, enviam-no para 1990, onde, por falar que veio do futuro para tentar salvar a humanidade, acreditam que ele seja louco e o levam a um sanatório. Lá é tratado pela Dr. Kathryn Railly (Madeleine Stowe) e convive  com o louco Jeffrey Goines (Brad Pitt, em ótima atuação). Todos falam que ele não é um viajante do tempo, isso é uma invenção de sua cabeça. James é levado de volta para seu presente e os cientistas o questionam sobre ter ido para o ano errado. É enviado novamente, dessa vez em 1996. Após algum tempo ele já não sabe mais discernir o que é real e o que é inventado.

Acho engraçado que em filmes geralmente a vilania é colocada nos defensores dos animais e não nas corporações que os exploram em primeiro lugar. É interessante que há alguns anos já, nos Estados Unidos, fazer qualquer tipo de manifestação ou ação  que possa prejudicar a imagem ou o lucro de empresas que utilizam animais, seja para testes laboratoriais, seja no produto final, é considerado ato terrorista. É mesmo um mundo louco…

Bem, vamos ao filme. A trama, bem construída e extremamente bem amarrada, é instigante. Pontos para o roteiro, que lida com diversas camadas e ligações mas consegue fazê-lo de forma eficiente e sem tornar a trama desnecessariamente confusa. As atuações são todas ótimas, com destaque, como já falei, para Brad Pitt. O design de produção é fantástico. A 1996 transmite toda a sensação de uma sociedade decadente, com seus prédios abandonados e seus muitos moradores de rua. O futuro é cheio de engenhocas e transparências e facilmente nos faz lembrar de Brazil- o Filme (também dirigido por Terry Gilliam). A estética dele já pende para o absurdo por si só. As câmeras inclinadas, conotando o estado de alteração mental de James, ajudam a compor o clima. Os labirintos da mente de James e maneira como já não tem certeza de nada são retratados muito bem. A forma como o filme é editado para nos fornecer informações aos poucos sobre as reais conexões entre todos os personagens funciona com primor.

Infelizmente minha companhia achou o filme apenas satisfatório. Continuo achando-o incrível.

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A Árvore da Vida (The Tree of Life/2011)

Assistido em: 11/08/2013

Resolvi assistir esse filme com certo receio, pois de Malick só havia visto Além da Linha Vermelha e não havia gostado muito. De alguma forma a dinâmica dos soldados filosofando na guerra não me fisgou. Ciente de seu estilo próprio e pronta para o que viesse, esse acabou sendo uma grande e agradável surpresa. Com o mesmo estilo poético, lento e recheado de cenas que agradam os olhos, aqui a trama parece funcionar melhor por se tratar de um drama familiar.

Na história temos um casal, sr. O’Brien (Brad Pitt) e Sra. O’Brien (Jessica Chastain), que têm três filhos. Eles recebem um telegrama informando que o filho do meio morreu, aos 19 anos. Desesperada, Sra. O’Brien questiona Deus e o sentido da vida durante esse momento de dor. É então que começa a parte do filme que deve ter gerado mais estranhamento. Malick, para nos colocar como criaturas insignificantes no universo, nos presenteia com o começo de tudo no Big Bang, as primeiras reproduções celulares, os peixes, até os animais de grande porte. Um dinossauro predador, diante de outro ferido, tem o primeiro momento de compaixão, deixando a possível presa para trás. A vida segue. Nossos problemas e sofrimentos podem parecer enormes diante de nós, mas somos apenas um centésimo de segundo na história. Não significamos nada. Voltando à narrativa dos protagonistas, vemos vislumbres da convivência dos cinco em casa pela visão do filho mais velho, Jack. A sra. O’Brien tem uma visão de mundo recheada de religiosidade, carinho e compaixão: o caminho da graça. Já o Sr. O’Brien é rígido, espera o melhor de seus filhos e os quer preparados para a vida: o caminho da natureza. Atrás de sua dureza e falta de jeito que às vezes se torna comportamento abusivo, os ama sem saber demonstrar direito. Os três meninos têm uma infância plena de brincadeiras e uma relação edipiana com os pais. Jack adulto (Sean Penn) se questiona como a mãe conseguiu aguentar a morte de seu irmão. Ao final, encontra um desfecho emocional para suas perguntas.

As imagens combinadas com narração em off aqui funcionam, criando a ambientação da família que demonstra suas rachaduras internas. Todos humanos, demasiado humanos. Com seu ritmo peculiar, o filme toca nas feridas e suscita emoções. Sei que não é uma película que vai agradar a todos, mas não façam como eu: não adiem essa experiência por receio do que pode vir dela.

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Thelma & Louise (1991)

Assistido em: 17/04/2013

Dirigido por Ridley Scott, esse filme representa muita coisa boa. Já é difícil ter uma protagonista mulher em filmes de Hollywood e aqui nós temos duas! E são duas personagens fortes, cada uma ao seu jeito, e interessantes. Ele passa fácil no Bechdel Test, o que não e de se estranhar, já que a roteirista também é mulher, Callie Khouri. As protagonistas Thelma (Geena Davis) e Louise (Susan Sarandon), mostram o tempo inteiro a amizade e camaradagem entre elas e o próprio crescimento ao logo da jornada (pois trata-se de um road movie). As mudanças de Thelma, em especial, podem ser vistas pelo seu figurino: ela começa a viagem com um vestido branco com babados e termina com calça jeans e camiseta. Muitos acusam o filme de ser misândrico, mas como isso num mundo em uma personagem não pode delatar uma tentativa de estupro porque não acreditariam nela? E ainda assim há homens compreensivos no caminho, como o investigador Hal (Harvey Keitel) e o ex-namorado de Louise, Jimmy (Michael Madsen) (embora esse deixe escapar em seu comportamento a possibilidade de ter um passado de violência em relação a ela). Mesmo o péssimo marido de Thelma, Darryl (Christopher McDonald) é quase caricato, servindo de alívio cômico. E não dá pra reclamar da participação do ladrão J.D. (Brad Pitt). O que elas fazem com o caminhão do motorista que as assediou é quase uma catarse, uma maneira de vingar ficcionalmente o que todas passam no cotidiano (algo meu Bastardos Inglórios, diria). O final pode não ser o final feliz que muitos desejaram, mas é um final feliz que se pode ter. Que outra opção teriam, naquele mundo e contexto? Pelo menos ambas se libertaram de todas suas amarras antes do desfecho.

O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford/ 2007)

Assistido em 14/03/2013

Pra começar, acho o título desse filme muito bom! Afinal, trata-se de um acontecimento histórico, geralmente as pessoas já sabem o desfecho. Então porque não falar disso no título? A pomposidade é ótima!

Jesse James (aqui interpretado por Brad Pitt) era um famoso e temido pistoleiro chefe de quadrilha que foi morto por um rapaz que se juntou ao seu grupo, Robert Ford (Casey Afleck). Robert Ford (confesso que sempre penso Redford :P) era obcecado por Jesse James, sabendo dados de sua vida pessoal e colecionando quadrinhos e histórias que circulavam sobre ele. Era como se Jesse fosse um modelo para ele. Ambos os protagonistas estão bem em seus papéis. Interessante, porque não conheço muito o trabalho de Casey Affleck, mas achei ele monotônico e sem expressão em Medo da Verdade, dirigido pelo irmão Ben. Aqui ele está totalmente à vontade representando o inseguro Robert (talvez por isso).

Sobre o filme, é um bom western, mas pode não ser o que as pessoas esperam do gênero. Aparentemente o diretor passou algum tempo assistindo Além da Linha Vermelha. Está tudo lá: as tomadas lentas, a paisagem, os monólogos filosóficos. Não dá para assistir esperando ação desenfreada e tiroteios constantes. Só o que se faz presente é a tensão de aguardar o momento mencionado no título. Não é um filme fantástico, mas sem dúvida é bom.

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