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Mulher Maravilha (Wonder Woman, 2017)

É difícil manter a objetividade quando se escreve uma crítica como essa, porque são inúmeros fatores além do filme exibido que se somam à sua avaliação. A começar pelo próprio fato de ser o primeiro filme de super heroína em doze anos, desde o desastre que foi Elektra (2005). Acontece que quando um filme é protagonizado por mulher, ele precisa valer por todos. Se não for bom o suficiente, ele invalida por anos qualquer projeto que possa ser tematicamente relacionado.

Além disso, mesmo quando faz sucesso, geralmente existe isoladamente, não criando uma tendência de filmes similares. Lembro de ter lido há um tempo que depois do sucesso de Thelma & Louise (1991), Geena Davis sondou o estúdio a possibilidade de fazer outro filme centrado em uma dupla de protagonistas mulheres e responderam a ela que já haviam feito: justamente Thelma & Louise. Ou seja, um filme com duas personagens bem construídas e com profundidade deve bastar, não há necessidade de mais do que isso.

Por fim existe o fator do que está por trás das câmeras: Mulher Maravilha é dirigido por Patty Jenkins, cujo primeiro e último longa, Monster, foi lançado em 2002. Existe uma dificuldade sistêmica de mulheres cineastas conseguirem projetos para dirigir ou financiamento quando já os têm, como comentei em um texto anterior. Em geral, os estúdios não lhes confiam um grande orçamento e quando o fazem, o resultado negativo de um filme implica em prejudicar todos os demais, na mesma lógica dos filmes com mulheres protagonistas. Nessa hora, convenientemente, a parte é tomada pelo todo e o trabalho individual de uma diretora representa o esforço de todos as demais.

Em virtude desses fatores, a qualidade de Mulher Maravilha é essencial para garantir que tenhamos outros filmes de grande orçamento com mulheres protagonizando e /ou dirigindo nos próximos anos. Dito isso, é preciso dizer que é, sim, um ótimo filme.

Parte da qualidade dele está na maneira imersiva com que a personagem é apresentada. Conhecemos Diana (Lilly Aspell), filha da rainha Hipólita (Connie Nielsen), ainda criança, rodeada pelas demais amazonas, todas adultas. A líder do exército é Antíope (Robin Wright), sua tia, que treina guerreiras habilidosas enquanto ela aspira poder receber esses ensinamentos. Com auxílio da tia, cresce para se tornar a mais habilidosa de todas, já interpretada por Gal Gadot. Themyscira, a ilha das amazonas, é criada linda e palpitando de vida e a protagonista pode ser entendida em suas motivações. Ao estabelecer a protagonista e esse cenário, o primeiro ato é o de melhor qualidade.

Depois que Diana encontra com Steve (Chris Pine), a trama se desloca para a Europa, sofrendo com seu quarto ano de Grande Guerra, que envolvia vinte e sete países e já deixava milhões de mortos. Diana é acionada por seu senso de verdade e justiça para acabar com o conflito, que acredita ter sido causado por Ares, o deus da guerra. A eles se juntam Sameer (Saïd Taghmaoui), Charlie (Ewen Bremmer), e o Chefe (Eugene Brave Rock). Não fosse pelas breves mas divertidas aparições de Etta (Lucy Davis), Diana sofreria de síndrome de smurfette. Mas com piadas bem encaixadas o roteiro consegue trabalhar seu papel, mostrando o machismo que permeava aquela sociedade de então. Se por um lado é decepcionante que só hajam homens em sua equipe de campo, certamente seria difícil trazer mulheres no contexto da década de 1910, assim como hoje mesmo continua sendo.

O humor, aliás, é utilizado de maneira eficiente, seja comentando o tamanho do relógio de Steve, as formas de obtenção de prazer de uma amazona ou como disfarçar a beleza de uma mulher colocando um óculos. Existe uma piada gordofóbica, é verdade, mas de uma maneira geral o humor se entrelaça na trama de forma ritmada, se sustentando sem a forçação presente em certos filmes mais formulaicos da Marvel, por exemplo.

Em se tratando de um filme de guerra, as cenas de batalha são muito bem orquestradas, especialmente as do primeiro ato, protagonizadas pelas amazonas, demonstrando seu vigor físico. Mesmo a ação filmada em câmeras lentas, comuns em filmes de Zack Snyder e aqui utilizadas com Diana, não atrapalham porque permitem observar melhor cada movimento seu, confirmando sua destreza. O mesmo vale para sua postura em campo, que transmite força e confiança.

Por isso é importante frisar que o que garante o destaque de Diana o tempo todo é o carisma e talento de Gal Gadot. Ela combina a força e a falta de traquejo em nosso mundo da personagem de maneira natural, projetando as características já citadas e tornando-a palpável. Chris Pine também se sai bem, alcançando bons momentos cômicos com poucas expressões faciais, mas não deixa de ser um pouco decepcionante o tratamento heteronormativo que a história adquire no que diz respeito ao seu papel. Claro, em se tratando de um blockbuster com classificação etária 12 anos seria difícil ser diferente, mas, especialmente por se tratar de uma história de amazonas, causa estranhamento.

Outro ponto negativo não é exclusividade desse filme, mas recorrente em filmes de super-heróis: a maneira como as motivações são rapidamente borradas, criando ações duvidosas. Aqui Diana luta pelo fim da guerra e para isso os alemães precisam ser derrotados. Mas em determinado momento um superior daqueles afirma que seus soldados estão passando frio e fome, enquanto em outra hora, um britânico declara que são apenas jovens que não sabem pelo que lutam. Em ambos os lados das trincheiras estavam garotos muitas vezes alistados compulsoriamente, lutando seguindo ordens. Ao ser diretamente responsável pela morte deles, Diana está garantindo a justiça que busca? Seriam eles realmente os verdadeiros vilões? Mais adiante fica claro o quão pouco peso eles tinham diante de todos os acontecimentos, servindo apenas como peões em um tabuleiro divino. No final das contas o verdadeiro vilão é convincente e a batalha final, apesar de recheada de argumentos darthvaderianos, funciona.

É preciso destacar ainda a beleza do figurino do filme. As roupas das amazonas referenciam trajes gregos e dos centuriões romanos, destacando seus corpos atléticos e a permitindo seus movimentos. Quando as primeiras imagens de Gal Gadot caracterizada como mulher Maravilha foram reveladas, critiquei o corpete tomara-que-caia por não ser prático para se movimentar, além de ser confeccionado em material rígido, sendo que a personagem possui superforça e não precisaria de armadura. Mantenho a minha posição quando ao primeiro elemento, mas quanto ao segundo, o filme esclarece o desconhecimento dela a respeito de suas próprias habilidades. De qualquer forma, quando na Europa, Diana se depara com um corpete e pergunta para Etta se aquela era a armadura das mulheres de lá. Não deixa de ser irônico, já que seu traje também é acorpetado. Já as sandálias com salto, nada práticas para corridas ou qualquer atividade física, foram justificadas pela figurinista, Lindy Hemming, que explicou que buscou criar a imagem de pernas alongadas, e que os saltos embutidos ajudaram, além das fendas nas saias.

Mulher Maravilha é um filme que mistura elementos de ação e comédia na medida certa. Patty Jenkins resgatou a inocência de filmes de heróis (não necessariamente super) do passado, ao mesmo tempo em que analisou os erros cometidos nas últimas duas décadas, inundadas por filmes do gênero. Não há exageros, há uma certa sinceridade na forma como a narrativa se desenrola, as cores são bonitas e presentes e não existe uma falsa seriedade que destoa com o produto oferecido. A protagonista é crível e é muito fácil torcer por ela. A força da personagem está em sua crença na possibilidade de salvar os humanos e na forma como age em torno disso, sempre com seu lema de verdade e justiça. Além de ser um respiro em meio a esse gênero que está não só saturado, como desgastado. O filme é leve, divertido e bonito de olhar. Mulher Maravilha sem dúvida é uma mudança de ventos bem vinda e um filme de grandes qualidades.

 

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Star Trek: Sem Fronteiras (Star Trek Beyond, 2016)

“Damn it, Jim, I’m a doctor, not a…”

Em pleno clima de comemorações pelos cinquenta anos da série original, mais um filme da série Star Trek chega aos cinemas, trazendo às telonas os velhos personagens conhecidos do público. Essa nova geração (ops) conta com Star Trek, um reboot de 2009, e Além da Escuridão: Star Trek, uma sequência de 2013, ambas dirigidas por J. J. Abrams. A direção dessa terceiro capítulo fica por conta de Justin Lin, conhecido por dirigir filmes franquia Velozes e Furiosos. E se no trailer havia a sombra do que parecia ser uma ação genérica, o resultado final é bastante agradável.

De fato, dentro os recentes, esse é o que mais se aproxima da estrutura de um episódio clássico, apresentando a exploração de um planeta desconhecido e o contato com o povo alienígena que nele habita. Após cinco anos navegando pelo espaço, Kirk (Chris Pine) tem dúvidas sobre o que deseja de sua carreira. Em uma tentativa de salvar a tripulação de outra nave, a Enterprise é parcialmente destruída e os personagens vão parar na superfície de um planeta sem comunicação, após uma nebulosa. Lá eles se deparam com Krall (Idris Elba), um vilão com um propósito um tanto quanto genérico: destruir a Frota Estelar.

Com os personagens separados, há espaço para todos os principais se destacarem individualmente e em grupo. Uhura (Zoe Saldana) continua sendo a menos desenvolvida do quarteto principal, mas pelo menos dessa vez seu arco deixou de ser atrelado ao interesse amoroso de Spock (Zachary Quinto). Ele, por sua vez, aparece menos como dupla de Kirk e mais na companhia de McCoy (Karl Urban), que teve seu papel ampliado graças a pedidos do ator.

Entre os personagens novos, o destaque é Jaylah (Sofia Boutella), sobrevivente de uma nave que colapsou e dona de grandes habilidades em mecânica e engenharia, que, assim como Kirk, tem que lidar com questões relacionadas ao seu pai. Já o relacionamento homoafetivo de Sulu (John Cho), inserido na trama como uma homenagem ao ator George Takei, intérprete original do personagem, foi feita de maneira orgânica, com um resultado bastante positivo. Chekov, personagem de Anton Yelchin, tem bastante visibilidade e o filme é dedicado à memória do ator. Scotty, interpretado por Simon Pegg, teve sua participação ampliada, provavelmente graças ao papel dele como roteirista da película. Aliás, afeito às comédias, Pegg injetou uma dose de humor à trama sem tirar o ritmo da ação.

Os uniformes da Frota novamente sofreram pequenas alterações. A mais notável é o acréscimo de mangas longas nos trajes femininos. Tradicionalmente a patente dos personagens é disposta nesse trecho da roupa. Nos dois capítulos anteriores não havia como diferenciar que cargo cada mulher ocupava. É um pequeno detalhe que conta muito. Os figurinos dos personagens à paisana também dizem muito sobre eles: a camiseta carcomida e a jaqueta de couro surrada utilizadas por Kirk, por exemplo, casam com a personalidade construída para o personagem.

As cenas de luta nem sempre são bem executadas e em alguns momentos são enquadradas excessivamente de perto, tornando o que acontece confuso. O vilão, como citado, tem um plano genérico, mas se torna vívido graças à boa interpretação de Idris Elba. Vale dizer, ainda, que há uma sequência muito bem executada próxima ao final que faz uso da música Sabotage dos Beastie Boys.

Star Trek: Sem Fronteiras é um filme gostoso e fácil de assistir. Possui boas referências que vão agradar os fãs antigos e é divertido, com um bom timing nos diálogos e uma dinâmica de equipe que flui de maneira adequada, reservando espaço para todos.

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Figurino: Além da Escuridão – Star Trek: Brincando com as cores primárias

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Uniforme novo da Frota Estelar, com as camisas nas três cores características. É possível perceber a estampa criando textura no tecido.

Uma das mais legais que a imagem em HD nos proporcionou foi a possibilidade de ver com detalhe as texturas, especialmente dos cenários e figurinos. Subitamente aquele filme do passado que você achava que tinha um cenário fantástico, passou a ter um que parecia feito de isopor. Mas por outro lado, daí pra frente o cuidado com os detalhes aumentou muito. Lembro a primeira vez que uma amiga comprou uma televisão com imagem em HD e me chamou para ver. Ela havia alugado o primeiro filme do Piratas do Caribe e meu queixo caiu: eu conseguia ver as tramas dos tecidos, as linhas, os bordados, os detalhes em metal, tudo! Um mundo novo de delícias para gente como eu, que se importa com esses detalhes.

Uniforme clássico, com camisas em três cores, calças capri e botinas para os homens, e vestido para os mulheres.

Uniforme clássico, com camisas em três cores, calças capri e botinas para os homens, e vestido para os mulheres.

Dito isso, obrigada alta definição e parabéns Michael Kaplan, figurinista de Além da Escuridão, novo filme da franquia Star Trek, bem como de filmes como Blade Runner, Flashdance, Seven, Clube da Luta, entre outros. Graças aos dois foi possível perceber que as camisetas dos uniformes dos personagens agora têm uma estampa com o símbolo da frota estelar, criando uma textura de escama no tecido. O único personagem que reparei que não usa essa estampa é o Almirante Marcus, cuja camiseta possui losangos entrelaçados estampados. Infelizmente não consegui achar nenhuma imagem para ilustrar. Esse é o tipo de detalhe que mostra o cuidado do trabalho do profissional de figurino e que muitas vezes passa despercebido. O uniforme da tripulação, bastante parecido com o da série  original, passou a usar calças compridas ao invés de capri, mas seguem com as camisas tradicionais nas cores vermelho, azul e amarelo,em tons um pouco mais fechados. Anteriormente as cores eram mais abertas, conforme a moda da época. O significado delas mantém-se o  mesmo: camisas vermelhas para quem trabalha na área técnica e engenharia, azuis para ciências e amarelas para comando. Por baixo, como pode-se ver pela gola, todos usam um tipo de camiseta em tom grafite. O fato recorrente de os personagens com camisas vermelhas morrerem continua valendo. Se uma morte é necessária para a trama e há um personagem secundário com uma camisa dessa cor, será ele a morrer.

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Uniformes novos.

O uniforme feminino na série original era composto por um micro-vestido. A inglesa Mary Quant havia inventado a minissaia em 1964 e esta se popularizou rapidamente. Quando a série estreou, em 1966, a peça já estava suficientemente assimilada e os realizadores ousaram ao encurtá-la ainda mais. Em várias cenas é possível ver que as atrizes utilizam shorts por baixo, pois o comprimento era deveras pouco prático à mobilidade. Já agora vemos que Uhura (Zoe Saldana), por exemplo usa uma saia em um comprimento mais confortável, ainda com a silhueta em A, acompanhada de botas, aproximando ao anos 60.

Uniforme feminino da série original: comprimento desconfortável.

Uniforme feminino da série original: comprimento desconfortável.

Uhura com uniforme atual.

Uhura com uniforme atual.

Nesse filme também há muitas cenas que exigem o uso de um conjunto de calça e casaco, ao invés do uniforme tradicional. Percebe-se que para manter a identidade visual dos cargos ocupados, Michael Kaplan optou por fazê-los em um tom de cinza escuro e com um recorte forrado com um material transparente, permitindo ver o tecido da camisa do personagem por baixo, para que possa-se identificar a função do tripulante. Esse é um um cuidado bastante interessante.

Jaqueta com recorte, permitindo identificar cor da camisa e consequentemente função do tripulante.

Jaqueta com recorte, permitindo identificar cor da camisa e consequentemente função do tripulante.

Segundo ele, em entrevista para o site Clothes on Film, a roupa que o vilão John Harrison (Benedict Cumberbatch) usa não é uma homenagem ao clássico vilão Khan, e sim a Deckard, de Blade Runner, com seu sobretudo e visual de filme noir.

Acostumado já a trabalhar com ficção científica, Michael Kaplan conseguiu equilibrar-se entre a contemporaneidade dos novos uniformes propostos e a familiaridade dos uniformes da série original, produzindo um figurino bastante eficiente e que acredito que será marcante no contexto da franquia.

Figurino utilizado por Bendict Cumberbatch: sobretudo de inspiração noir.

Figurino utilizado por Bendict Cumberbatch: sobretudo de inspiração noir.

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Além da Escuridão – Star Trek (Star Trek Into Darkness/ 2013)

Assistido em 16/06/2013

Antes de falar desse novo filme do reboot, quero fazer um comentário que soará hipster e/ou pedante. Há dez anos (ou mais) quando se falava na tradicional rixa entre Star Trek e Star Wars, a maioria das pessoas, pelo menos da minha faixa etária, ou escolhia o segundo sem pestanejar ou jamais sequer tinha assistido algo do primeiro. Por isso, como eu cresci assistindo Star Trek (a série original) com meu pai (e sempre foi a minha preferência, sem dúvida) é estranho ver esse revisionismo em que agora Star Wars é criticado pela inconsistência e imaturidade (além de uma segunda trilogia descartável) e Star Trek é elogiado, embora essa tenha sido minha posição há tempos.

Dito isso, vamos ao filme. Revi o primeiro Star Trek esses dias ( e esqueci de escrever a respeito) e acho que ele apresenta muito bem os cenários e os personagens. O Kirk (Chris Pine) do filme é mais impulsivo que na série, mas é mais jovem também. Spock (Zachary Quinto) continua sendo a razão, embora seu lado humano transpareça mais e McCoy (Karl Urban), que agora é chamado pelo seu apelido Bones, continua sendo a emoção, ambos gravitando em torno de Kirk. É muito fácil reconhecer cada um dos personagens, passando por Uhura (Zoe Saldana), Sulu (John Cho), Scotty (Simon Pegg) e Chekov (Anton Yelchin). O elenco todo foi muito bem escalado e demonstra funcionar bem no conjunto. No segundo filme, Além da Escuridão, com os personagens já apresentados, temos o enfrentamento de um vilão, John Harrison, interpretado fantasticamente por Benedict Cumberbatch. John esteve congelado criogenicamente por trezentos anos e tem força e inteligência acima do normal. Pena que ele é derrotado de forma tão rápida e fácil, no final das contas.

O filme tem um ótimo ritmo e diálogos perspicazes e bem-humoradas como a série original. A forma como ele começa, em um planeta desconhecido e habitado por alienígenas humanoides e um vulcão prestes a entrar em erupção também remete muito a ela. Parece-me que o novo trio principal passou a ser Kirk, Spock e Uhura. Lamento um pouco que McCoy esteja mais em segundo plano, por ser um personagem que gosto muito, mas gosto da expansão do papel da Tenente. Zachary Quinto prova que de todas as escolhas acertadas no elenco principal, ele é a maior de todas. Conseguir desvincular um personagem tão icônico de seu intérprete original (Leonard Nimoy) é para poucos. O diretor J. J. Abrams não perdeu o seu gosto pelos reflexos de luz na lente (lens flare), mas acho que é algo que temos que aceitar como parte de seu estilo. Ele fez o que Peter Jackson não conseguiu fazer no primeiro O Hobbit: preencher a narrativa com referências suficientes para agradar os fãs antigos, sem enfadar os demais. Impossível não sorrir de orelha a orelha ao ouvir McCoy falando “I’m a doctor, not a torpedo technician!“, as piadinhas com os “camisas vermelhas” ou quando Spock (pequeno spoiler a frente) grita “Khaaaan!”. Além disso a trilha sonora de Michael Giacchino, especialmente quando ele trabalha em cima do tema clássico, é muito eficaz.

Minha maior crítica seria que o 3D, convertido, é absolutamente descenessário. Cheguei a tirar os óculos em algumas momentos e não fez diferença alguma. Mas essa, infelizmente, era a única opção para assistir legendado.

Obviamente o filme tem muito mais ação que os antigos costumavam ter. Também é difícil fazer cenas de ação convincentes em estúdio pequeno e com pouca verba disponível. De qualquer forma, para mim, os diálogos continuam afiados. E com o filme terminando com o começo tradicional da série (“Espaço: a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise. Em sua missão de cinco anos, para explorar novos mundos, para pesquisar novas vidas, novas civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve.”) eu espero que no terceiro capítulo dessa nova série nós voltemos a explorar outros planetas.

Para ler a minha análise do figurino, acesse aqui.

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A Origem dos Guardiões (Rise of the Guardians/ 2012)

Assistido em 20/04/2013

Jack Frost (Chris Pine) é o responsável por trazer neve e diversão para os invernos das crianças. Nenhuma delas podem vê-lo, porque ninguém mais acredita na sua existência, ele é só uma “expressão” para explicar que vai nevar. Desiludido com isso, ele se vê convidado a integrar o time do Guardiões, o grupo que protege as crianças e suas fantasias, composto por Norte, o Papel Noel (Alec Baldwin), Coelhão, o Coelho da Páscoa (Hugh Jackman), A Fada dos Dentes (Isla Fisher) e Sandy, o Sandman. Breu, o Bicho-Papão (Jude Law) conseguiu adulterar a areia de Sandy e transformar os sonhos das crianças em pesadelos. Após isso ele trabalha para arruinar a Páscoa e assim fazer as crianças duvidarem dos Guardiões e enfraquecê-los definitivamente. Alguns desses seres não fazem parte do panteão de entidades do imaginário popular no Brasil, mas isso não é empecilho para entrar no clima do filme. Jack Frost segue o estilo garotão dos protagonista de animações da Dreamworks, mas ainda assim o filme é divertido e até mágico. Fez-me pensar nos mundos de fantasia em que imergia quando criança, onde tudo era possível, até os sonhos virem da Pedra dos Sonhos. A animação é belíssima e as dublagens são um ponto forte. Destaque para Alec Baldwin, que está incrível interpretando Norte e Hugh Jackman com o sotaque mais australiano que jamais teve.

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