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Ninfomaníaca: Volume 1 e Volume 2 (Nymphomaniac: Vol. I and Vol. II/ 2013)

Ninfomaníaca é o terceiro filme da trilogia que Lars von Trier criou para lidar com sua depressão (precedido por Anticristo e Melancolia) e foi dividido em dois volumes para lançamento no cinema porque a duração ficou muito longa. É impossível analisá-los de maneira separada (pois fica patente que compõem um filme só), mas ao mesmo tempo há uma quebra de ritmo e de clima em relação ao que é exibido em cada um deles.

Sexo e religiosidade são temas recorrentes do autor. Aqui novamente eles aparecem como protagonistas. O professor Peter Schepelern, da Universidade de Copenhagen, em sua aula sobre o cineasta, afirma que as protagonistas de Von Trier são mártires em mundo pronto para julgar sua sexualidade. Isso se aplica a Bess em Ondas do Destino. O seu pecado é crer nas pessoas e ao crer, fazer sexo com desconhecidos para salvar o marido. A comunidade cristã a rejeita, mas seus atos vem do mais puro louvor infantil a divindade de sua crença (que se manifesta nela falando com voz grave, de olhos fechados). Bess é punida e isolada da sociedade pelo sexo que faz, querendo apenas fazer o bem. É interessante que ela fala que todos nascem bons em alguma coisa e que ela é boa nisso, porque jamais demonstra nenhuma forma de prazer com o ato sexual, nem mesmo com seu marido. Embora se considere boa, ela é apenas um receptáculo do desejo alheio.

Mas Grace, em Dogville, é punida pelo e através do desejo dos outros. Em Anticristo, a mulher protagonista (sem nome) lida com a culpa pela morte do filho, como se fosse uma consequência direta de seu desejo sexual. Em uma simplificação, ela entende que a mulher equivale à natureza e esta é a origem de todos os males. Novamente sexo é usado como punição. O espelho de vênus (símbolo do feminino) é o T da palavra anticristo nos créditos. É difícil enxergar nessas obras o martírio da liberdade sexual e não a punição pura e simples.

Em Ninfomaníaca, parece que Von Trier comenta sua carreira e a percepção que as pessoas tem de sua obra. Embora o filme tenha sido divulgado amplamente como um trabalho beirando o pornográfico, isto está longe da realidade. Joe (interpretada na versão mais jovem por Stacy Martin) encara o sexo com naturalidade. Decide livrar-se de sua virgindade sem grandes alardes e aí reside sua primeira decepção: vai descobrir que os homens a viam como receptáculo do desejo, assim como a Bess. (Percebi que chega, mesmo, a usar o short de vinil vermelho com meia de renda que Bess usa, no início do filme). Isso fica claro quando relembra o número de vezes que Jerôme (Shia LaBeouf) a penetrou, sem preocupações com seu prazer. Suas ações, como a “pescaria” de homens no trem teriam causado estranhamento fosse ela um homem? Certamente que não.

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Short vermelho de Bess em Ondas do Destino, usado por Joe

Daí para frente ela agirá quase que por necessidade, parecendo só fazer por prazer realmente após a morte do pai (Christian Slater). Esse momento constitui o único em que parece que von Trier quer chocar e desconecta-se do restante da primeira parte do filme. O pai, aliás, sempre foi compreensivo. Não podava suas brincadeiras na infância (como pretendia fazer a mãe) e lhe mostrava as belezas do mundo, ensinando-a a explorar seus sentidos: veja as árvores, sinta o vento, a vida é prazerosa.

Ainda assim, ela é sua maior crítica: ao ser encontrada ferida e desacordada por Seligman (Stellan Skarsgård), passa a relatar sua vida com culpa e julgando-se errada diversas vezes.

A conversa com Seligman só demonstra novamente que von Trier encara a dicotomia homem versus mulher como a Natureza e Cultura, a dicotomia amplamente utilizada em estudos antropológicos. O homem em questão pontua a narrativa com conhecimentos sobre religião, música, literatura e mesmo pescaria, enquanto a mulher fala de instintos e vivências e desconhece tudo o que lhe é explicado.

A história, como em seus filmes anteriores, é dividida em capítulos, mas von Trier chama atenção para esse ato ao destacá-lo como artificial: Joe nomeia os capítulos observando objetos de Seligman e relacionando-os a sua história. Este não é o único momento em que o autor explicita que tudo não passa de ficção. Em certo ponto Seligman parece ele mesmo se defendendo das acusações que lhe foram feitas ao falar “Ser antisionista não é ser antisemita”. Em outro momento Seligman destaca a improbabilidade de algo relatado por Joe, ao que ela responde que isso não importa, é só uma história, destacando que no final, por mais que analisemos a obra, tudo não passa de linguagem cinematográfica e invenções.

Com o mote “mea vulva, mea maxima vulva”  do clube de meninas de que Joe faz parte, fica clara a mensagem de subversão da culpa cristã (que ela absolutamente não possui), como um grito de liberdade daquelas jovens em relação ao próprio corpo.

Mas de certa forma Joe é punida por suas ações, e já sabemos disso ao vê-la ferida, largada em uma rua, ao começo do filme. Mas na primeira parte realmente não parece que isso parta de um desejo íntimo do diretor: a narrativa parece absolvê-la dos pecados que ela mesma enxerga, sendo estes marcados pela sociedade ao seu redor. O filme possui uma leveza impressionante e até certo humor (com destaque para a participação de Uma Thurman como Sra. H).

Assim como há uma troca de atriz (para Charlotte Gainsbourg) , parece que Joe muda sua personalidade no segundo filme. Ao assistir o primeiro não vi uma ninfomaníaca e sim uma mulher aberta aos seus desejos em relação a sexo. No segundo parece que na verdade ela era uma viciada funcional, mas passa a ter problemas em controlar a forma de manifestar esses desejos. A necessidade de ser espancada cada vez com frequência maior pelo dominador K (Jamie Bell), negligenciado o filho de forma perigosa, não parece fazer sentido. A personagem apenas quer se punir por algo que até então não era passível de punição. Não demonstra nenhum prazer com os açoites nem parece ter fetiche com a prática. Seu único prazer consiste no breve momento de masturbação contra os livros em que apoia o corpo. A cena em que seu filho acorda sem ninguém em casa, levanta-se e vai até a varanda juntamente com a composição musical que a acompanha, é uma nada sutil referência a Anticristo. Mas enquanto lá a culpa era da mulher, aqui von Trier ri-se falando “o inocente foi poupado” (mas segue a desconfortável culpa).

Nessa metade também von Trier parece querer chamar mais atenção para o ridículo das situações narradas, como na sequência em que Joe, criança, tem uma visão religiosa.

No primeiro filme, felizmente, não se insinuou nenhuma prática incestuosa entre Joe e seu afetuoso pai. Seria clichê e desnecessário. O incesto acaba aparecendo na segunda parte de maneira indireta. Joe passa a tutelar uma adolescente, P (Mia Goth) que ao chegar a maioridade, vai morar com ela. É esta que faz os avanços, para dor e desespero da própria Joe, que não parecia querer a relação inicialmente. Mas ao envolver-se, surge o primitivo sentimento de posse e com ele o ciúme. E foi isso que a levou a estar largada no beco no início do filme.

Muita gente estranhou o final, mas sendo Seligman a representação da Cultura, é fácil entender que nossa cultura normaliza a violência sexual às mulheres, especialmente àquelas que possuem vida sexual ativa notória. Não destoa do personagem a tentativa de estupro. Ele era apenas um curioso, um teórico que manifestou interesse no que Joe relatou já ter feito com tantas pessoas. A reação de Joe (assim como sua fala no grupo de apoio) ecoa o fala de todas as mulheres do mundo: o corpo é meu, a escolha é minha, a sociedade deveria parar de querer me controlar. A opção por ocultar o desfecho em uma tela negra aumentou o impacto do resultado final.

O segundo filme é menos sobre prazer e mais sobre dor. Ainda assim graças ao desfecho, o que fica é uma mensagem poderosa. Se a personagem principal fosse mais psicológica e mentalmente sã, provavelmente ela seria mais assimilada e aceita mais facilmente. Senti falta da filmagem impecavelmente bonita de Anticristo e Melancolia. Aqui a composição aproxima-se da crueza de Dogma 95. Mas nada que prejudique a obra como um todo. Trata-se de um filme de difícil digestão e que suscita conversas e debates interessantes, o que já é mais que grande parte da produção cinematográfica contemporânea.

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nymphomaniac 2

 

 

Eurocentrismo e questões morais na obra de Susanne Bier

Assistidos para o curso Scandinavian Film and Television, disponível em Coursera.org.

Após ver três dos filmes escandinavos de Susanne Bier, não posso deixar de considerá-los uma trilogia e analisá-los como tal. Todos tem história criada por ela e roteirizada por Anders Thomas Jensen. Todos possuem protagonistas que são homens brancos europeus que em algum momento estão deslocados de seu local de origem, lidando com os horrores do desconhecido. Em Brothers (Brødre/2004), é um soldado no Afeganistão; em Depois do Casamento (Efter brylluppet/ 2008) é um professor de crianças órfâs na Índia; e Em um Mundo Melhor (Hævnen/ 2010), um médico na África. O outro é sempre visto como algo desesperador: são soldados muçulmanos implacáveis, criancinhas famintas e desamparadas ou pessoas pobres e sem grandes perspectivas, dizimadas pelos warlords locais. Tudo é muito eurocêntrico, até que esses personagens são trazidos de volta para casa, com resultados e conflitos diferentes entre si.

Outro aspecto em comum entre os filmes é a presença de muitas questões morais, trabalhadas com tintas fortes, que em certos momentos flertam com o novelesco. Em Brothers o protagonista tem que decidir entre matar ou não um colega prisioneiro para poder voltar para casa e rever sua família. Ao fazer a escolha, precisa aceitar as consequências. Há também uma certa ironia sobre considerar que um soldado seja um herói e um ex-presidiário seja um párea. Esse é o filme em que uma personagem feminina tem mais destaque: os desejos e pensamentos da esposa do soldado estão sempre presentes. Em um Mundo Melhor traz uma questão de vida ou morte similar, mas com mais camadas: um médico, ao atender um warlord responsável por centenas de mortes, com ferimento grave mas não fatal, deve tratá-lo, deixá-lo por conta própria, matá-lo direta ou indiretamente? Essa parte do filme provavelmente é, dos três, a que mais mexeu comigo. Mas Bier ainda segue ligando a violência perpetrada pelos senhores de guerra a  todas as pequenas violências cotidianas. Assim, uma criança com tendências perigosas seria psicopata ou um fruto da sociedade e mesmo da família que a rodeia? Fugindo um pouco da temática da violência, Depois do Casamento é mais novelão que os outros e também tem um senso maior de “problemas de primeiro mundo” (também conhecidos como “classe média sofre”). O protagonista, ao voltar para a Europa, reencontra questões pendentes do passado e precisa colocar em perspectiva a importância que as crianças indianas têm em relação aos seus próprios problemas pessoais. Pode ser egoísta, mas nos colocar em primeiro plano em relação a quem nos rodeia não é o que fazemos quase o tempo todo? Colocar isso em uma escala de mundo apenas torna mais visível esse egoísmo. Ao mesmo tempo ele precisa ver espelhado no presente reflexos de ações que havia cometido no passado, para perceber como feriu outras pessoas.

A direção dos filmes foi feita com mãos firmes e a fotografia, em especial de Em um Mundo Melhor, é belíssima. Susanne Bier não parece gostar de filmes sutis. Mas na intensidade em que coloca nas suas obras há muita qualidade. Só senti falta de um filme com uma mulher protagonizando. Ficarei no aguardo, porque essa é uma diretora a se observar.

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Minha Vida de Cachorro (Mitt liv som hund/ 1985)

Assistido para o curso Scandinavian Film and Television, disponível em Coursera.org.

Minha Vida de Cachorro retrata a chegada da adolescência de Ingemar, um menino cujo pai sempre está ausente em países distantes e cuja mãe está extremamente doente, na Suécia da década de 1950. Sem ter como tomar conta dele e de seu irmão mais velho, os dois são entregues aos cuidados de parentes. O menino tem uma bonita relação com seu cachorrinho e, por isso, divaga sobre Laika, que havia sido enviada ao espaço, ligando tal fato com sua própria vida e a relação com a mãe. Os primeiros contatos com a sexualidade são mostrados de forma inocente (mas que ainda assim gera clamor horrorizado de alguns americanos, pelo que vi na internet…). O título do filme é uma referência a própria vida do garoto, sendo jogado de casa em casa, sem ter um lugar seu. E embora isso possa parecer triste, é perceptível que ele tira o melhor de cada situação e tudo é retratado com extrema delicadeza e sensibilidade.

My Life as a Dog

O Ato de Matar (The Act of Killing/ 2012)

Assistido para o curso Scandinavian Film and Television, disponível em Coursera.org.

O Ato de Matar é um documentário sobre o golpe militar perpetrado em 1965 na Indonésia. Na ocasião, cerca de um milhão de pessoas foram mortas por milícias e mafiosos sob a acusação de serem comunistas. Mas ao invés de relatar o que aconteceu naquele período em retrospecto, os realizadores solicitaram aos responsáveis pelas mortes que reencenassem suas práticas, utilizando os meios que achassem mais apropriados. Com ajuda de figurantes, maquiagem e alguma dedicação, inspirados por filmes de gangster e musicais, eles rememoraram o passado. A sensação ao assistir é de terrível estranhamento e dúvida. Seriam essas pessoas assim tão cínicas? Contam a respeito de seus métodos de tortura sorrindo, juram que os boatos de que os comunistas eram cruéis é mentira, pois garantem que eles sempre foram mais cruéis e por fim, arrumam maneiras engenhosas de mostrar como assassinavam seus prisioneiros. Relatam que depois de derrotados, foi fácil convencer o povo que os comunistas eram inimigos, com auxílio dos jornais que controlam. Até hoje milicianos são protegidos pelo governo. Obviamente a sensação de irrealidade aparece diante de tanto absurdo. Claro que revisitar tantos acontecimentos não deixa todos imunes ao questionamento de suas ações passadas e ver lapsos de auto-crítica traz certo alívio. Não é fácil assistir e o que você assiste é perturbador e mesmerizante, o que, obviamente era o intento dos diretores. Muitíssimo bem feito, o documentário consegue captar a atenção do expectador com o bizarro da situação que ele mesmo cria. 

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A Palavra (Ordet /1955)

Assistido em 12/02/2014, para o curso Scandinavian Film and Television, disponível em Coursera.org. Texto foi parcialmente adaptado e traduzido de um ensaio escrito para a revista Cinema Scandinavia.

“No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus.”
João 1:1

Em A Palavra o diretor dinamarquês Carl Th. Dreyer lida com temas a respeito de fé e religião. A família Borgen vive em uma fazenda e tem uma religião insitucionalizada diferente daquela de seus vizinhos e isso cria conflitos entre eles, especialmente quando Anders revela o desejo de se casar com Anne, filha do alfaiate. Dentro da família também há diferentes crenças e aproximações sobre o conceito de deidade: Inger (Birgitte Federspiel) é bastante religiosa; seu marido Mikkel (Emil Hass Christensen) é ateu (“não tem fé nem na fé”); o pai dele, Morten (Henrik Malberg), tem uma fé bastante reservada e Johannes (Preben Lerdorff Rye), enlouquecido, acredita que é Jesus. Inger e Mikkel são casados há oito anos e ela está grávida. Muito da trama gira em torno do desejo de eles finalmente terem um menino e a cobrança de seu sogro a esse respeito.

Sobre filmes com temática religiosa, Cardullo (in Tybjerg) diz: “The fundamental requirement of an authentic spiritual style, or a religiously significant one, is that it be grounded in naturalistic simplicity, even abstraction” (O requerimento fundamental de um autentico estilo espiritual ou um de significância religiosa é que seja baseado em simplicidade naturalista e mesmo abstração, tradução minha). Dreyer segue essa interpretação e o filme é bastante minimalista e até mesmo austero (e é fácil imaginar que esse minimalismo influenciou outros diretores posteriormente, como Haneke, por exemplo). Os personagens permanecem juntos dentro de um mesmo cômodo (câmara) e são apresentados um a um e criados com profundidade. A história se constrói em torno de diálogos. Não há pressa. As cenas são produzidas com planos longos e tem um senso de realidade e ritmo lento. O filme é “Lean, quiet, deeply serious” (sem excessos, quieto e profundamente sério, tradução minha), conforme Ebert.

 Como muitos filmes escandinavos, a paisagem rural é uma alegoria, mas aqui é pouco utilizada, sendo trocada pelas cenas confinadas. Ainda assim aparece para frisar a loucura de Johannes, como um lembrete de seu estado mental selvagem.

É interessante notar como o barulho do relógio permeia todas as conversas que se passam na sala de estar, bem como o silêncio que se estabelece depois que Mikkel o para e o contexto de seu retorno ao funcionamento.

A cena final coloca o espectador em um lugar de atmosfera sobrenatural. A simetria do caixão em frente as janelas, no meio do cômodo, é artificial e esteticamente agradável. A ladainha dos religiosos que se aglomeram do lado de fora ajuda a construir uma noção de tristeza. A luz etérea que chega filtrada através das cortinas ajuda a estabelecer essa atmosfera. De acordo com Bondebjerb: “This is the scene, where all narrative conflicts are solved, and, where a more dramatic use of both editing between shots and cinematographic elements inside the shot are used in a very precise way” (Essa é a cena em que todas as narrativas são resolvidas e onde o uso de montagem entre planos e elementos cinematográficos dentro destes são usado de modo muito preciso, tradução minha). A ausência de insanidade em Johannes é contrabalançada com a inocência da menina. O beijo final não é um ato espiritual: é um beijo cheio de paixão e desejo, de urgência de viver. Todos esses detalhes influenciam a percepção do milagre, tornando-o crível e criando grande emoção.

Embora o filme demore a se mostrar plenamente, quando o faz revela-se uma obra belíssima.

“Meus filhinhos, vou estar com vocês apenas mais um pouco. Vocês procurarão por mim e, como eu disse aos judeus, agora lhes digo: Para onde eu vou, vocês não podem ir.”
João 13:33

BONDEBJERG, Ib. A Cinema of Passion: Carl Th. Dreyer – The international auteur in classic danish cinema.  Disponível em: https://www.academia.edu/5152075/A_Cinema_of_Passion._Carl_Th._Dreyer_-_an_international_auteur_in_Danish_cinema
TYBJERG, Casper. Forms of the Intangible: Carl Th. Dreyer and the concept of ‘transcendentalstyle’, in Northern Lights. V.6, 2008. Disponível em: https://www.academia.edu/265918/Forms_of_the_Intangible_Carl_Th._Dreyer_and_the_Concept_ofTranscendental_Style
Ordet. Review by Roger Ebert. Disponível em: http://www.rogerebert.com/reviews/great-movie-ordet-1955

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