Os Quatro Batutas (Monkey Business/ 1931)

Assistido em 13/02/2013


(Obs: para o curso The Language of Hollywood: Storytelling, Sound, and Color; da Wesleyan University, disponível em coursera.org)
Antes de tudo devo dizer que não sou uma pessoa muito fácil com filmes de comédia. Geralmente acho os filmes bobos e só vou rir se estiver com a guarda abaixada. Dito isso, achei Os Quatro Batutas muito ruim. A roteiro na verdade é composto sequencias de esquetes que os irmãos Marx já realizavam no Vaudeville, usando um navio e posteriormente uma festa como pano de fundo para amarrá-las. Não sei é um humor datado ou algo muito regional, específico para americanos, mas o nível das piadas, especialmente do Groucho (que é o responsável pelo humor com texto) é estilo “tio do pavê”. Diálogos como “Um dos clandestinos anda por aí com um bigode preto” “Bem, você não esperava que o bigode andasse sozinho, não é?”. Nem posso falar do final porque dormi nos últimos dez minutos.

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Aplauso (Applause/ 1929)

Assistido em 11/02/2013


(Obs: para o curso The Language of Hollywood: Storytelling, Sound, and Color; da Wesleyan University, disponível em coursera.org)
Apenas um ano após Anjo das Ruas e Docas de Nova York, Aplauso já é um filme totalmente falado. A história, muito simples, fala de Kitty Darling, uma artista de burlesco que se torna mãe solteira. Quando sua filha está chegando à idade escolar, envia-a para um internato católico. Aos 17 anos, April deixa a escola e após todo esse tempo sem ver a mãe, envergonha-se de sua profissão mas aprende o quão custosa foi sua educação. A carreira de Kitty está decadente e seu marido quer aproveitar a beleza e juventude de April para que ela vá aos palcos também. Basicamente é um melodrama, mas não é uma história ruim. O problema são as limitações técnicas da época. Ainda não existia edição nem mixagem de som, de maneira que as cenas tinham que ser filmadas inteiras, sem cortes, com a câmera seguindo os atores. É visível que o diretor se esforça para fazer o possível, afastando e aproximando a câmera do foco em certos momentos e brincando com as músicas ambientes, mas o resultado final é bastante precário, engessado e visualmente sem atrativos. Toda a beleza plástica de composição de cena do cinema mudo fica pra trás. É muito fácil entender, por resultados como esse, porque os atores de cinema mudo desgastaram tanto dessa passagem para o cinema falado.

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As Docas de Nova York (The Docks of New York/ 1928)

Assistido em 05/02/2013 


(Obs: para o curso The Language of Hollywood: Storytelling, Sound, and Color; da Wesleyan University, disponível em coursera.org)
Praticamente um contraponto a Anjo das Ruas, Docas de Nova York é um filme cínico e cru, embora tenha a sua redenção. Já começa com os sujos trabalhadores de uma caldeira em navio que está aportando na cidade. Com a trilha sonora composta de forma sincronizada à imagem, praticamente podemos ouvir o barulho do navio aportando. Bill Roberts, um dos trabalhadores, salva uma moça que havia se lançado à água em uma tentativa de suicídio. Ele leva ela ao bar frequentado pelo pessoal do porto, que tem um hotel anexo. Com ajuda das mulheres dos bar, a moça é reanimada. Uma das mulheres era a esposa de outro homem do navio, que não o via há três anos. Os frequentadores são sujos, barulhentos (embora não possamos ouvi-los), briguentos, vulgares e beberrões. Bill e a mocinha resolvem se casar naquela mesma noite, mas com motivos diferentes. Ela quer se tornar uma boa esposa e aparenta não aguentar mais essa vida das docas e ele quer aproveitar a única noite em terra firme antes de retornar ao navio. O quarto da lua-de-mel tem paredes que não são paralelas e uma janela caindo para um lado, que abre para o mar cheio de gaivotas. Tudo é torto e ainda assim bonito, até os personagens, seres humanos falhos. Não é uma experiência de poesia transcendental como Anjo das Ruas, nem o uso do som integrado é tão perceptível, mas ainda assim, não deixa de ser um bom filme.

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Anjo das Ruas (Street Angel/ 1928)

Assistido em 05/02/2013


(Obs: para o curso The Language of Hollywood: Storytelling, Sound, and Color; da Wesleyan University, disponível em coursera.org)
A tarefa de assistir esse filme foi muito proveitosa. Anjo das Ruas é um filme de transição do cinema mudo para o cinema falado. Embora o filme ainda não tenha as falas propriamente ditas, ele já foi distribuído com o som, incluindo trilha sonora composta de forma sincronizada com as cenas, alguns ruídos e assobios (que possuem papel importante na história).
Trata-se de um melodrama em que uma jovem, Angela, com sua mãe doente, precisa ir às ruas se prostituir para conseguir pagar o remédio. Apesar disso sua mãe falece e ela se une a uma trupe de circo, tornando-se desiludida com o amor. Até conhecer Gino, um pintor de rua que pretende casar-se com ela. A trama se passa na Itália.
Visualmente o filme é muito bonito: apela para luzes e sombras quase expressionistas. A atriz encarna bem a beleza das mocinhas da década de 1920, com rostos delicados e boca pintada em forma de coração. A história, que tem uma pitada de simbolismo religioso, pode parecer piegas, água com açúcar ou exagerada se não desligarmos nosso cinismo do século XXI ao assistir. Eu fiz isso e mergulhei no que vi e me emocionei.
Mas o mais impressionante mesmo é o uso do som. Tudo parece perfeitamente sincronizado, mostrando emoções e ilustrando ambientes. Em nenhum momento os diálogos fazem falta. Nunca havia visto um filme dessa forma: os filmes mudos que eu assisti não possuíam som projetado para eles, apenas aquela trilha sonora genérica que deveria acompanhá-los. Foi uma experiência muito interessante e o filme vale a pena.

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