Muito Além do Peso (2012)

Assistido em 28/01/2013
Quando eu era criança a gente comia muita fruta do pé e pão feito em casa. Brincava no jardim ou passava a tarde vendo desenho, mas não passivamente sentado. Pegava os brinquedos e espalhava na sala enquanto a TV estava ligada. Lanchinho da tarde era tomate, cenoura, maçã, banana espinafre e, eventualmente, alguma bolacha. Laranja, era pelo menos umas duas por dia. Iogurte era raro, chocolate era só na Páscoa, Natal e aniversário e refrigerante só no almoço de domingo. Fast food mal tinha chegado no interior longe demais das capitais. Por isso esse documentário, que fala sobre a epidemia de obesidade infantil, choca tanto. Realizado pelos mesmos produtores do ótimo Criança, a Alma do Negócio, ele volta a fazer a relação entre a publicidade voltada para crianças e os seus hábitos de consumo. A maneira covarde com que a publicidade apela para a falta de entendimento de realidade das crianças e o apelo dos brinquedinhos e personagens que acompanham os alimentos industrializados é notável. As crianças comem marcas. E isso em todas as regiões do país e todas as classes sociais. O documentário chega a entrevistar pessoas em Manaus e mostrar famílias no interior do Amazonas, onde frutas são muito raras e caras e salgadinhos chegam a preços baixíssimos. Os pais dizem que os filhos pedem, choram, esperneiam e eles acabam dando. As propagandas martelam incessantemente e de maneira desonesta. Refrigerante virou bebida diária, fritura é o lanchinho da tarde, salgadinho ou miojo é almoço, fast food se come toda semana. Imitando um método que o chef Jaime Oliver, ativista pela melhoria da alimentação das crianças tanto na Inglaterra, como nos Estados Unidos, usa em seu programa de TV, os entrevistadores usam a tática de mostrar frutas e verduras para as crianças e perguntar o que era. Um pimentão é chamado de abacate. Um chuchu também. Elas dizem adorar batatinha chips de pacotinho, mas ao ver uma batata in natura perguntam se é uma cebola. Assustador. E os resultados logo aparecem: diabetes, pressão alta, dificuldade para respirar, dor nas articulações e diagnósticos dignos de pessoas idosas. Enfim, está mais do que na hora de regular a publicidade voltada para o público infantil.

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A Guerra Invisível (The Invisible War/ 2012)

Assistido em 28/01/2013


Esse documentário, indicado ao Oscar nesse ano, nos apresenta as assustadoras estatísticas de violência sexual no exército americano e todo o sistema que acoberta os crimes e pune quem denuncia. Dados impressionante nos são apresentados, como mais de 20% das veteranas já sofreram algum tipo de violência sexual e em torno de 15% dos soldados já entram no exército com histórico de estupro ou agressão. Isso significa que é mais provável uma militar ser estuprada por um colega do que ser morta em combate. Os crimes não podem ser apresentados em corte civil, e sim devem ser denunciados para o comandante direto das vítimas. Dos casos não denunciados 33% não o são porque o comandante é amigo do responsável e 25% porque ele é o responsável. Grande parte das mulheres que denunciam passam por investigações, represálias ou punições. Os depoimentos de de vítimas e familiares são difíceis e o pior é saber que não haverá nenhum tipo de justiça.

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Objectified (2009)

Assistido em 27/01/2013
Um ótimo documentário sobre o design dos objetos ao nosso redor e nossa relação com eles, a importância do design, o uso dele como argumento para agregar valor, a importância de pensar no usuário e a atual preocupação com a sustentabilidade. Muito bom para quem se interessa pelo assunto.

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Livrai-nos do Mal (Deliver Us from Evil/ 2006)

Assistido em 26/01/2013


Embora com problemas de ritmo, esse é um documentário necessário e revoltante. Abordando através de depoimentos de padres, vítimas e pais, fala sobre os abusos sexuais cometidos pelos primeiros e sistematicamente acobertados nos EUA. (E aí também é possível pensar no que possivelmente ocorre no Brasil também). Alguns depoimentos são devastadores. Apesar de não ser o melhor cinema, achei extremamente válido como denúncia.

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Bombadeira (2007)

Assistido em: 25/01/2013


Assisti esse documentário em um evento realizado pelo PPGAS-UFAM, que contou com a presença do diretor, Luis Carlos de Alencar, para debate. A “bombadeira” do título é pessoa que aplica silicone (industrial) em travestis para depois moldar seus corpos. Às vezes é chamada também de fada-madrinha.Os depoimentos emocionam e algumas cenas incomodam visualmente (é mostrado, por exemplo, um procedimento completo de aplicação de silicone  no quadril). As personagens entrevistadas possuem as histórias de vida mais diversas, o que garante que não haja uma estereotipagem em relação ao fato de serem travestis. O que fica conosco após assisti-lo é a empatia e questionamentos. Será que esse tipo de prática não deveria ser feita de forma segura em ambientes hospitalares?

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