A Pele Que Habito (La Piel Que Habito/ 2011)

Assistido em: 06/01/2013


Falar quase qualquer coisa sobre esse filme do Almodóvar é spoiler. O que posso dizer sem entregar demais é Antonio Banderas interpreta Robert Ledgard, um cirurgião plástico que desenvolveu uma pele artificial mais resistente que a humana e a está testando em Vera Cruz, uma moça muito parecida com sua esposa que faleceu em virtude de queimaduras. O filme fala de obsessão em um nível “Um corpo que cai”. A casa onde a maior parte da história se passa é fria, quase estéril, com decoração moderna e muita tecnologia. O contraste vem de um quadro de Ticiano que retrata um nu pendurado logo acima da escada. O tempo todo vemos a preocupação estética de Robert aflorando, como quando em determinada cena ele se preocupa mais com a roupa que sua filha está vestindo do que com sua saúde psicológica ou quando ele retorce delicadamente um arame para moldar um bonsai. Questões como gênero, aceitação, construção de imagem, identidade e beleza também são fundamentais na história. Falar mais que isso pode estragar o efeito da história, mas recomendo muito! Pode parecer que não é interessante, por esse curto comentário, mas é e muito! O filme desperta muitas emoções e estranhamentos ao longo de sua duração.
Obs: Contém cenas que podem ser bastante perturbadoras.

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Persépolis (Persepolis/ 2007)

Assistido em: 05/01/2013


Baseado no quadrinho autobiográfico de mesmo nome de Marjane Satrapi, Persepolis é um retrato de sua infância antes da revolução iraniana de 1979 e de sua adolescência e juventude após ela. A convivência familiar, as dúvidas existenciais, as histórias de luta e restrições das liberdades individuais (especialmente das mulheres) permeiam toda a narrativa. O desenho em preto e branco e o traços simples funcionam muito bem na linguagem do filme, que não teria sido melhor se fosse live action. Recomendadíssimo!

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Poder sem Limites (Chronicle/ 2012)

Assistido em: 04/01/2013


Com um orçamento enxuto estimado em 12 milhões, Poder Sem Limites relata a história de 3 adolescentes que que adquirem poderes de telecinese e sua jornada ao lidar com eles. Os efeitos, obviamente, não são de primeira qualidade, mas paramos de prestar atenção nisso porque servem muito bem à história. A narrativa do meio por fim escala rápido demais, mas de uma maneira geral é um filme satisfatório.

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Figurino marcante: …E o vento levou

(Originalmente publicado em Linha e Agulha)

Existem vários motivos que podem levar um filme a ser memorável: efeitos especiais, drama, contexto histórico, atuações marcantes, entre outros. Grandes épicos tendem a agregar qualidades técnicas que ajudam a manter esse destaque atemporal. É o caso de …E o vento levou. O clássico de 1939, com aproximadamente 3 horas e meia de duração, tem locações e cenários fantásticos, usa a cor para efeito dramático como poucos fizeram à época, tem diálogos inesquecíveis e, principalmente, um figurino de encher os olhos, desenhado por Walter Plunkett.


Vivien Leigh interpreta Scarlett O´Hara, uma mimada belle do sul, na época da Guerra civil americana (década de 60 do século XIX). No início do filme as roupas são joviais, com tecidos delicados e babados. Dois trajes marcantes são o vestido branco com cinto vermelho e o branco com estampa verde e faixa na cintura e chapéu combinando, utilizado em um churrasco.

Os dois vestidos vermelhos também se destacam. Um foi utilizado no aniversário de Ashley Wilkes (marido da prima de Scarllet) e o outro é na verdade um roupão. O primeiro foi usado para chocar, já que não é exatamente o que se esperava de uma dama da época trajar. O corpete baixo, a saia quase reta, pouco armada, os bordados com pedrarias, as plumas e transparências transmitem sua mensagem.  Já o roupão ostenta a riqueza da personagem, pois  poucos trajes de toucador são vestidos de veludo com amplas mangas, cinto e rendas.

Mas o vestido mais marcante do filme ( e um dos mais marcantes da história do cinema) é o vestido de cortina. Em dado momento, Scarlett tem que se apresentar bem vestida, apesar da penúria dos tempos de guerra e resolve utilizar uma antiga cortina de veludo com franjas douradas da casa de seus pais para confeccionar o traje. Com criatividade, ela e a empregada Mammie (interpretada por Hattie McDaniel, primeira mulher negra a ser indicada e ganhar um Oscar, por esse papel) confeccionam-no com ampla saia, cinto com os cordões da cortina e até um chapéu com franjas. Além de bonito, a criação do vestido é uma inspiração pela demonstração de uso de criatividade no feitio de uma roupa.

…E o vento levou ganhou 8 Oscars, em um ano considerado entre os melhores da história, com filmes como Nos tempos da diligência, O mágico de Oz e Morro dos ventos uivantes. Infelizmente a categoria de Melhor Figurino só passou a existir em 1948 e, portanto, o figurino fantástico de Walter Plunkett não foi premiado.

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Milk- A Voz da Igualdade (2008)

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Milk é um filme impressionante. Não é um blockbuster, não tem história conhecida a ser contada. Mas ele se sustenta, surpreende e por fim, cativa.
Sean Penn, como protagonista, como sempre foi um show à parte. Atuação realmente impecável.
Um pouco sobre a história (provável zona de spoilers): Harvey Milk (Sean Penn) tinha 40 anos e trabalhava em Wall Street quando conheceu um jovem, Scott e resolve fugir com ele para São Francisco, assumindo sua homossexualidade. Ele abre uma loja de artigos fotográficos e acaba por se tornar referência entre os gays da cidade. O filme retrata sua trajetória ao longo de 6 anos, culminando com sua eleição para o cargo de Supervisor (seria como um prefeito de sub-prefeituras, distritos da cidade) e sua participação ativa em campanhas pelos direitos do homossexuais.
A reconstituição dos acontecimentos da época, o figurino e mesmo inserção de filmagens reais ou envelhecimento de filmagens feitas para o filme, tudo isso compõe um conjunto harmônico. Ele se infiltra em várias questões do panorama político da época, sem com isso, ficar chato. Além disso, mostra como Milk, como ninguém, conseguiu unir interesses (gays, idosos, mulheres…) e colocá-los a seu favor, além de perceber como os homossexuais, organizados, poderiam ter representatividade tanto como consumidores quanto como cidadãos.
Mas no final das contas acho que o que mais me fez gostar do filme, é que se trata de uma mensagem de esperança. Podemos ficar indignados com muita coisa que vemos contecer ali, mas percebemos que nem tudo mudou, ainda mais no interior do interior desse nosso atrasado Brasil. Essa semana ainda eu li, em um fórum, um artigo sobre “gaymers” e jogos com conteúdo homossexual. O artigo era ilustrado com cenas de beijos e nada mais. Mesmo assim na página de comentários havia quem pedisse que o artigo fosse taxado com sendo “conteúdo inapropriado para menores de 16 anos”. (Mas um beijo hétero é classificação livre, não é?). Obviamento o site não alterou a classificação e pipocaram comentários de pessoas falando “eu odeio gays, mas respeito”. Que tipo de “respeito” é esse que se mistura com ódio? No filme, Milk encoraja os gay a “saírem do armário”(sic), afinal naquela época tentavam aprovar leis em que professores gays poderiam ser demitidos de seus cargos e locatários gays, expulsos de suas casas pelos proprietários, além de muitos serem assassinados durante a noite, até mesmo por policiais. Hoje em dia podemos pensar que essas coisas melhoraram, mas se pensarmos bem,não foi tanto assim. Casais homossexuais ainda não podem se casar legalmente na maior parte do mundo, nem adotar filhos. Muitos direitos ainda não estão assegurados, como o de receber a herança de seu companheiro. E a maioria ainda continua tendo problemas para assumir quem realmente é, mesmo para sua família. O preconceito é mais velado, mas ainda existe. E é inconcebível que um cidadão como outro qualquer não tenha os mesmos direitos que os demais assegurados pela constituição.
Acabei me estendendo um pouco e não falando tanto do filme. Mil perdões! Mas é um daqueles filmes que se comentar demais, conta-se a história toda. Enfim, vale a pena assistir. Um filme marcante e inspirador!

Minha nota: 9,5
Nota no IMDB: 8,1
(A nota do IMDB pode estar “baixa” porque muita gente critica o conteúdo homossexual do filme. No fórum há muitas discussões e homofobia explícita)

Indicações ao Oscar 2009: 8

*Melhor filme

*Melhor diretor (Gus Van Sant)

*Melhor ator (Sean Penn)

*Melhor ator coadjuvante (Josh Brolin)

*Melhor roteiro original

*Melhor trilha sonora original (Danny Elfman)

*Melhor figurino

*Melhor montagem

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