Figurino: A Princesa Prometida

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O figurino de A Princesa Prometida (Princess Bride) poderia ser datado, por suas características, entre o século XIV e século XV. Começando pela Princesa Buttercup percebe-se que em todas as situações em que ela está no castelo, ela usa vestidos em tons pálidos. A única mudança é quando resolve sair para cavalgar sozinha e aí utiliza um vestido em vermelho vibrante (o que é uma escolha bastante apropriada, se levarmos em conta o vermelho como sendo a cor do poder). Quando o príncipe Humperdinck anuncia que vai se casar com uma plebeia e revela o nome de Buttercup, ela entra no pátio central do castelo utilizando um vestido em um tom perolado, com cintura tipo império, aplicações e capa. Posteriormente, ainda no castelo ela utiliza um vestido rosa pálido, com cintura marcada, decote canoa e mangas e material contrastante. Ainda há outro vestido de corte bastante semelhante, mas em azul claro, sem a marcação da cintura e com detalhes em outro tecido nas mangas.

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Figurino do dia do anúncio de casamento
Figurino do dia do anúncio de casamento

O vestido vermelho usado por Buttercup para cavalgar gera contraste com as locações.

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Para o príncipe Humperdinck, que usa basicamente gibões, a paleta de cores é exatamente a oposta à de Buttercup: todas as suas roupas são em tons de vermelho com complementos em cores quentes próximas, sempre contrastando com as dela. O único momento em que vemos ele deixando de lado a força do vermelho e pendendo para as cores de Buttercup é na cena da cerimônia de casamento. Nela não só os dois, como todos os presentes e mesmo o cenário e seus detalhes se apresentam em azuis pálidos com detalhes em dourado. Não consegui uma imagem que mostrasse o altar de frente, mas essa abaixo dá uma mostra da homogeneidade das cores no momento.

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Contraste entre as paletas dos personagens
Contraste entre as paletas dos personagens

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A mão-direita do príncipe Humperdinck é o Conde Tyrone Rugen. No seu caso, a paleta de cores do figurino sempre se apresentam em tons de verde esmaecidos e cinza, com um pouco de mostarda ou amarelo queimado como complemento. Quando ambos cavalgam na floresta, não pude deixar de comparar o contraste entre as suas roupas com o que ocorre na cena de As Aventuras de Robin Hood em que o protagonista cavalga ao lado de Will Scarlett. Não acredito que seja coincidência, pois, como já havia escrito, A Princesa Prometida tem muitas referências, especialmente envolvendo cores, ao clássico do período do technicolor.

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Will e Robin Hood em As Aventuras de Robin Hood, de 1938
Príncipe Humperdinck e Conde Tyrone Rugen
Príncipe Humperdinck e Conde Tyrone Rugen

Por fim, temos nosso herói, Westley, ou, como se apresenta ao retornar, Pirata Robert. Sua roupa é visivelmente inspirada na de Zorro, mas não consegui descobrir a origem dessa escolha. A camisa tem mangas amplas e detalhe de amarração no peito, acompanha uma faixa na cintura, uma máscara preta rígida e uma bandana preta. Essa roupa é utilizada praticamente no filme inteiro.

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A Princesa Prometida (The Princess Bride/ 1987)

Assistido em 22/03/2003

A Princesa Prometida, dirigido por Rob Reiner, é um daqueles filmes que passaram dezenas de vezes na Sessão da Tarde e confesso: eu não gostava, achava chato. Eis que veio a ser minha sessão descompromissada de sexta à noite e fiquei verdadeiramente encantada. A história começa com um menino doente jogando videogame em casa, interpretado por Fred Savage (O Kevin do seriado Anos Incríveis). O seu Avô vem lhe visitar e traz um presente: o livro que costumava ler a seu pai quando este estava doente. O Neto a princípio reluta, mas aceita que o leia para ele. Trata-se da história de Buttercup, uma jovem prometida em casamento ao Príncipe Humperdinck. Ela é sequestrada por um trio de bandidos, sendo um deles a cabeça do grupo; outro um espadachim talentoso, Inigo Montoya e o terceiro um gigante grandalhão e forte, Fizzik. Um pirata, chamado Robert (e com figurino do Zorro), aparece para salvá-la. Mas Robert na verdade é seu amor de adolescência, Westley. À partir de certo ponto ele se alia a Inigo e Fizzik para impedir o casamento de Buttercup.

Que fique claro que embora tenha todos os elementos de um filme de fantasia da época e o romance também esteja lá, na verdade trata-se de uma comédia satírica e percebe-se fortemente a influência de As Aventuras de Robin Wood nele. A começar pela escolha do ator que interpreta o protagonista, Cary Elwes, que com seu bigode, é bastante parecido com Errol Flynn. (Não deve ser à toa que alguns anos depois ele interpretou o próprio Robin Wood em outra sátira). As cores fortes dos figurinos também parecem referenciar aquele filme e nas cenas externas, os céus são tingidos com cores fantásticas, remetendo ao technicolor. O vestido de Buttercup quando sequestrada é vermelho e sempre gera um contraste interessante com o céu da cena. 

Aliás, ela parece estar o tempo todo se comportando como uma donzela em perigo, esperando ser salva. Mesmo quando Westley é atacado, ela só assiste o desenrolar da luta. Mas acredito que isso se encaixe no tom satírico da narrativa.

Os efeitos práticos são bem executados e há, por exemplo, uma floresta com ratos gigantes que são visivelmente homens utilizando fantasias. A maquiagem é um pouco precária e não resiste à alta resolução, mas ainda assim (ou talvez por isso) não reconheci Billy Crystal na ponta que ele fez. As cenas de luta de espada são muito boas e uma delas em especial, é icônica e fantástica. Já havia visto ela no documentário Reclaiming the Blade, sobre espadas na cultura ocidental e que também fala sobre a espada no cinema. Ela foi coreografada pelo mítico Bob Anderson, responsável por muitas das lutas de espada memoráveis do cinema, de Star Wars a Senhor dos Anéis.

Acho que eu não gostava desse filme quando pequena por que o ritmo dele é um pouco devagar para uma aventura de fantasia para crianças. Além disso o romance não é dos mais inspirados. Mas da forma como vi ele agora, é difícil não gostar ao perceber tanto pequenos cuidados na produção. Levando-se em conta comédia é feita para rir do ridículo ou do absurdo, ele consegue fazer isso muito bem,  especialmente no último ato, onde o nível de absurdidade é imenso e o humor torna-se mais efetivo.

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Indomável sonhadora (Beasts of the Southern Wild/ 2012)

Assistido em: 11/01/2013
Acho meio difícil falar desse filme. Ele oscila entre a fábula e o realismo e se passa numa região litorânea que seria alagada com o descongelamento das geleiras. A protagonista, uma menina em torno de 6 anos chamada Hushpuppy, é pura doçura e coragem. É interpretada pela adorável Quvenzhané Wallis, que é a mais jovem indicada ao Oscar de melhor atriz, por esse papel. Não sei mais o que falar. Só assistindo, mesmo…

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