Primer (2004)

Assistido em 27/05/2013

Um dos maiores méritos de Primer é contar com qualidade a sua história com um orçamento pra lá de enxuto de sete mil dólares. Os créditos entregam: além do diretor Shane Carruth ter roteirizado, produzido e estrelado, vários outros participantes tiveram créditos por múltiplos papéis nos bastidores. Destaque para os pais de Carruth que forneceram toda a alimentação durante as filmagens. Com essas restrições nem sempre a qualidade da filmagem é boa, mas a força do filme está em sua narrativa.

Prime é um filme de ficção científica que envolve viagem no tempo. Aaron e Abe, dois amigos que nas horas vagas trabalham juntos, conseguem desenvolver um aparelho que à princípio gera energia sem precisar de um combustível para manter-se produzindo-a. Depois, adaptando a invenção, descobrem que há uma distorção no tempo que se passa dentro do aparelho. Abe monta um protótipo em tamanho maior, para caber uma pessoa dentro. Para cada hora que a pessoa quer voltar no tempo, ela tem que ficar outra dentro da caixa e vai retornar sempre ao momento inicial. Aaron e Abe começam, então, um jogo de desconfianças e, literalmente, corridas no tempo. A história é bastante intrigante e confesso que deveria assistir mais uma vez para captar todas as camadas. Esse é porém: não tenho vontade de assistir mais uma vez. Não me levem a mal, é um ótimo filme. Mas os personagens não parecem ter motivações o suficiente em suas ações, ou pelo menos elas e o próprio background deles não ficam explícitos na narrativa. A história parece girar mais em torno da matemática do que dos seus sentimentos. Aliás, há um quê de O Grande Truque no filme, mas esse explora muito melhor seus personagens. Looper parece, também, ter alguma relação com a história e isso fica claro porque Shane Carruth é citado nos agradecimentos dele. Embora tudo seja muito bem elaborado e a complexidade das linhas do tempo seja intrigante, a sensação é que a história, no final, trata apenas de um quebra-cabeça muito bem desenvolvido. Apesar disso, fiquei satisfeita por ter assistido.

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O Enigma de Outro Mundo (The Thing/1982)

Assistido em 24/04/2013

Até hoje eu só havia visto um filme de John Carpenter: Christine, o Carro Assassino, que reprisava sempre no Cinema em Casa e não é exatamente um filme bom. Halloween nunca me atraiu (não costumo gostar desse tipo de filme), Aventureiros do Bairro Proibido é o “clássico da Sessão da Tarde” que passou batido pra mim, Bruma Assassina, Vampiros e todos esses outros filmes simplesmente não me diziam nada. Mas resolvi dar uma chance a ele depois de ouvir o podcast do Cinema em Cena sobre sua obra (já havia feito o mesmo com o podcast de Billy Wilder e não me arrependi!).

Pois bem, embora não costume gostar de filmes de terror, gostei muito de O Enigma de Outro Mundo. Talvez porque passados mais de trinta anos o gore já não seja mais tão pesado em relação ao que temos hoje, então acabou funcionando mais como suspense do que terror propriamente dito. O clima de confinamento do filme funciona bastante bem e às vezes remete a O Iluminado. Aliás, a história tem mesmo um quê de Stephen King, embora seja adaptada de um conto “Who Goes There?“, de John W. Campbell Jr. Na trama um grupo de oficiais e cientistas americanos está em uma base no polo sul para fazer seus estudos ao longo do inverno. Até que um norueguês aparece de helicóptero perseguindo um cachorro e atirando nele, morrendo em seguida. Eles ficam com o cachorro e verificam que na base norueguesa de pesquisa todos estão mortos. Logo descobrem que o cachorro na verdade é uma criatura alienígena que se alimenta de seres vivos assimilando suas formas. E agora qualquer um do grupo pode estar contaminado também. Tenso! As maquiagens e os efeitos especiais, principalmente os práticos, me impressionaram: são muito bem feitos. Até o Kurt Russel convence! É um filme extremamente bem realizado.

Obs: Vi que tem um prequel de 2011. Será que presta? E o original de 1951?

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Oblivion (2013)

Assistido em 13/04/2013

Assisti a esse filme sem saber absolutamente nada sobre ele. Trata-se de uma ficção científica pós-apocalíptica que se passa em 2077, 60 anos após a Terra ter sido invadida e parcialmente destruída por alienígenas. Os sobreviventes vivem em Titã, uma lua de Saturno, mas alguns, como Jack (Tom Cruise) e Victoria (Andrea Riseborough), que são responsáveis por ficar em uma base sobre a Terra e fazer manutenção dos drones, que sugam água para obter energia. Suas memórias foram apagadas cinco anos antes, para que, caso fossem capturados pelos alienígenas que ainda habitam a superfície, não comprometessem a segurança dos demais. Jack tem visões, em sonho, com uma mulher desconhecida (Olga Kurylenko). Um dia, ao descer à superfície, ele encontra um nave com sobreviventes encapsulados e entre eles, essa mulher. Posteriormente esse acontecimento o leva a fazer contato com os inimigos em solo.

Dirigido e roteirizado por Joseph Kosinski (do mediano Tron- O Legado), Oblivion nos oferece um visual muito bonito e com locações belíssimas. Os cenários são futuristas branco-minimalistas à lá Apple e trazem uma sensação de frieza e de que algo falta para a estação ser um verdadeiro lar. O filme parece feito para Tom Cruise, que para bem ou mal, segura as mais de duas horas da película praticamente sozinho. A trilha sonora, ao invés de parecer fluida e fazer parte das cenas, pode vezes se destaca demais, chegando a incomodar. Ela parece tentar fazer referência às trilhas dos anos 80, recheadas de baterias eletrônicas. Melissa Leo, que interpreta Sally, está ótima como sempre fazendo um personagem secundário.

O problema do filme é que parece que nunca estamos vendo algo novo. O homem isolado trabalhando na obtenção de energia em uma estação, nós vemos em Lunar. As visões da mulher desconhecida após a memória apagada são de Vanilla Sky/ Abra os Olhos. Algo da forma como encontram os alienígenas lembra A Máquina do Tempo, com uma boa dose de Mad Max nas roupas. Os olhos-lentes vermelhos dos drones saíram diretamente, de forma pouco sutil,  de 2001- Uma Odisseia no Espaço, de onde também saiu uma referência ao feto da cena final. Existe uma área proibida, como em Planeta dos Macacos, mas diz-se que por excesso de radiação. Há um pouco de Matrix, Solaris, Minority Report e até Independence Day. A colagem é bem feita no sentido de que nunca nos leva a revirar os olhos como algo previsível, mas ao mesmo tempo, nunca nos satisfaz com algo realmente inovador. Kosinski bebeu de muitas fontes, mas deixa isso claro o tempo inteiro. Mas aí o filme acaba sendo aquela coisa: entretém, não é ruim, mas provavelmente nunca vou rever, porque não é interessante o suficiente. Além disso, ficção científica que não se presta a fazer algum tipo de crítica, pelo menos pra mim, não se sustenta muito. O fato é: apesar de tudo isso que eu falei, é um filme bom de assistir e não faz você ter a a sensação que perdeu seu tempo. Mas se quiser algo similar (que custou mais de vinte vezes menos) e verdadeiramente instigante, assista Lunar.

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Presságio (Knowing / 2009)

Assistido em 04/03/2013

Presságio teve a honra de ser o quinquagésimo filme do ano. Urra!

E aí acaba a comemoração. 😛

Como me falaram sobre esse filme, Nicholas Cage é um rapaz honesto, que paga suas contas direitinho e é trabalhador. 😛 Nem usa o sobrenome da família para conseguir trabalhos. No ano de 2009 ele atuou num total de três filmes.  Lembrando que ele já venceu um Oscar de atuação!  Bom, que dizer sobre presságio? Ele tem verba, tem efeitos especiais decentes e tem uma trama de suspense e ficção científica (?) que envolve profecias sobre um fim do mundo. Agora checklist te clichês do gênero:

☑ criança estranha ou se comportando de forma estranha

☑ números misteriosos

☑ profecia

☑ cientista cético

☑ filhos em perigo

☑ citações bíblicas

☑ mudanças climáticas

☑ pessoas misteriosas que aparecem do nada e somem

☑ sinais

Não precisa de mais nada, é um filme completo, com todos os elementos do gênero dentro dele. 😛

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16- Cloverfield (2008)

Assistido em: 20/01/2013


Esse foi um filme que deixei passar na época e já tinha ouvido todo tipo de opinião à respeito. Nele um grupo de amigos está reunido em uma festa quando o apartamento começa a tremer. À princípio imagina-se que é um terremoto, mas depois descobrem que um monstro invadiu Manhattan. A história é contada através do ponto de vista da câmera que um deles portava na festa e levou consigo ao longo de todos os acontecimentos. Por isso há muitas comparações com Bruxa de Blair, REC, Poder Sem Limites, mesmo com as diferenças de história. Sobre o filme, posso dizer que me senti acompanhando todos os momentos que os personagens passaram. O found footage serve bem e se insere dentro da história, ao contrário de em Poder Sem Limites. Muita gente reclamou na época sobre o fato de o monstro ser mostrado, alegando que isso tirou parte do suspense e da graça. Não tive problemas com isso e achei bem executado. Enfim, é um bom entretenimento.

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