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Aquarius (2016)

Aquarius é um filme de inegável relevância para as discussões políticas contemporâneas, especialmente no contexto de uma economia de mercado que atropela os indivíduos, favorecendo a especulação financeira. Sua protagonista, Clara (Sônia Braga), é a última moradora de um edifício à beira-mar que foi comprado por uma construtora com o intuito de substituí-lo por um arranha-céu. Ao retratar essa realidade no contexto de Recife, ressoa histórias como a do Edifício Caiçara e o movimento Ocupe Estelita.

O filme é estruturado em três capítulos: O Cabelo de Clara, O Amor de Clara e O Câncer de Clara e cada um desvela os elementos que dão força à personagem. Na sequência inicial somos apresentados a ela no ano de 1980. Com o cabelo curto, recém curada de um câncer, mostra a seus amigos uma fita cassete com a nova música do Queen, Another One Bites the Dustantes de seguirem para uma festa de família. A música, nessa mídia específica, marca a passagem de tempo, mas também nos introduz a uma discussão que perpassa por toda a trama: a relação entre a memória e a materialidade dos registros que a ela se vinculam.

Quando, já no presente, uma jornalista entrevista Clara, que pesquisa e escreve justamente sobre música, se foca na questão do analógico versus o digital. A sala de Clara é repleta de LPs, mas ela também pede ao sobrinho que coloque MP3 em seu celular. O que importa não é a mídia, é a forma como a consumimos, como vinculamos cada música a um momento e criamos significados para elas. Clara sabe disso, mas a repórter não parece perceber, dando atenção demais ao formato da música. Da mesma forma, quando os membros mais jovens da família de Clara tiram fotos das fotos guardadas em grande álbuns, utilizando seus celulares, estão ressignificando suas memórias de infância e encontrando alternativas para armazená-las.

A festa do passado revela que o apartamento hoje ocupado por Clara já havia pertencido à sua tia Lúcia. O figurino ajuda a estabelecer a época em que a ação ocorre. Tudo ainda é carregado de um ar da década de 1970, pois pessoas reais não abandonam suas roupas em uso a cada nova moda. Lúcia sorri ao olhar para uma cômoda que lhe faz recordar aventuras sexuais do passado. A sobrinha, no presente, talvez nem imagine o que viveu a tia, mas vive, ela mesma, suas próprias histórias. É importante como a narrativa trata da sexualidade de mulheres mais velhas, não lhes negando o direito ao desejo. O que traz insegurança à Clara não é a viuvez ou o contato com os homens: é a falta de seu seio direito, removido em uma mastectomia. O seio ausente é desmaterialização de seu corpo sexuado, que ela luta para reclamar de volta.

Durante a festa, os discursos, as conversas, as danças e os parabéns estabelecem um senso de intimidade e trajetória que transmitem o peso que a casa deve ter para Clara: o quanto ela e outros já viveram naquele lugar. Cada ambiente, marcado por uma mescla de móveis de épocas diferentes, da cômoda da tia Lúcia ao pôster de Barry Lyndon na parede, acumula histórias que só fazem sentido ali.

Desse modo percebemos que as quatro paredes que rodeiam Clara tem significados que só dizem respeito a ela. Para os demais, é uma construção velha, um prédio fantasma, um empecilho para o que poderia ser um negócio lucrativo. Do outro lado da luta desigual por aquele espaço está Diego (Humberto Carrão), um jovem ambicioso e arrogante, “formado em business“, que assumiu esse como seu primeiro trabalho na construtora. Seu projeto não leva em conta justamente a trajetória das pessoas envolvidas, talvez por sua própria história ser ainda tão curta.

Em certo momento Clara passa por uma grande construção que parece um galpão e que abriga uma loja de móveis. Afirma, saudosa, que um dia aquilo já foi um grande cinema. Da mesma forma, ao visitar o túmulo de seu falecido marido, se depara com coveiros retirando ossadas antigas para liberar espaço nas covas. Os espaços são constantemente reestruturados para dar lugar a novos sentidos na malha urbana, mesmo que isso signifique abrir mão dos anteriores. Esse é o dilema de Clara: ceder à pressão externa e adotar paredes que nada lhe dizem ou permanecer só em seu apartamento, teimando em frear o que os demais entendem por progresso. E se o edifício é chamado de fantasma, a sensação de ameaça física constante que se cria em torno da personagem é bastante palpável.

Sônia Braga emana firmeza, altivez e intensidade em sua atuação. A empatia criada pela personagem é grande: sua Clara é uma mulher multifacetada, bem construída, com qualidades, defeitos e nuances. A forma como lida com seus filhos e seu sobrinho mostra que ela não se perdeu em suas memórias e dialoga com os mais jovens. A fisicalidade da atriz impressiona e se no flashback inicial temos a personagem com o cabelo bem curto, no presente os fios longos, soltos ou presos de acordo com a necessidade do momento, parecem representar a força com que lidou com o câncer e com que agora lida com seus novos oponentes. Por sua vez, Maeve Jinkings, que interpreta sua filha Ana Paula, demonstra fragilidade e força na medida certa ao contrapor as decisões da mãe.

Clara, por fim, é uma mulher privilegiada: mora em uma área considerada “nobre” pela especulação imobiliária, tem diversos imóveis e contrata uma empregada doméstica, Ladjane, que vem à sua casa diariamente. Sua rotina, agora que já está aposentada, consiste em banhos de mar e cochilos na rede da sala. Seus privilégios deixam claro como mesmo indivíduos bem posicionados são pequenos perto das corporações (até que não são mais). Ao transitar por outros bairros, como quando vai à festa na lage de Ladjane, ela demonstra a aleatoriedade dos limites geográficos entre ricos e pobres: nesse caso o que separa um bairro do outro é um mero cano de esgoto na praia. E se a empregada é tratada como uma amiga, a protagonista, é assombrada pelo fantasma de uma mulher negra que trabalhou para sua família no passado e que, dizem, roubava jóias. As complexas relações étnico-raciais da classe média são desveladas nesse pequenos detalhes e finalmente vêm a tona quando Diego, em toda sua branquitude, chama atenção para o que chama de “pele morena” de Clara, que seria contrastante com as posses que acumulou. E embora rica em comparação com os demais personagens, não o é em oposição à construtora.

Kleber Mendonça Filho construiu uma trama que perpassa por questões étnico-raciais, de classe e de gênero, mas de forma tal que elas se entrelaçam na trama, nunca chamando mais atenção para esses pontos do que para ela mesma. Ela se desenrola de uma maneira imersiva, gerando ansiedade a respeito de cada ação seguinte. A direção de arte povoa a passagem de tempo de coisas críveis: móveis, músicas, pessoas e suas roupas. Por todos esses detalhes Aquarius é um filme urgente, contemporâneo, necessário e catártico. Catártico, sim, porque às vezes, como espectadores, mas também como cidadãos, precisamos de cinema com um final que não esperaríamos na vida real.

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Os Silêncios do Palácio (Samt el qusur, 1994)

“Minha vida foi uma série de abortos e canções natimortas”.

Início da década de 1950: a Tunísia se vê mergulhada em uma revolução que levou à sua independência da França. O cenário político turbulento serve de pano de fundo para o filme, primeiro longa de Moufida Tlatli, considerada a primeira diretora árabe a dirigir um longa no mundo árabe. Enquanto no mundo exterior há luta armada, o que ela captura são outras lutas nem sempre visíveis a todos, mas travadas diariamente dentro dos muros de um palácio.

A trama é abordada sob o ponto de vista de uma cantora chamada Alia (Ghalia Lacroix), que dez anos antes havia fugido do palácio onde nasceu e foi criada, filha de uma mulher escravizada. Em flashback acompanha sua vida desde o nascimento, na mesma noite em que também veio ao mundo Sarra, a filha do príncipe senhor daquela moradia. As duas meninas cresceram juntas e se tornaram amigas. Por meio da amizade entre as duas e das ações de sua mãe, Khedija (Amel Hedhili), o filme descortina de maneira delicada relações de classe, de gênero e de cunho colonial.

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Khedija é uma mulher bonita, solicitada com frequência para dançar nas festas dos senhores. O olhar dos homens sobre seu corpo é fotografado com intensidade pela diretora, ao mesmo tempo em que mostra o desconforto das esposas desses. Muitas das senhoras, mulheres brancas de origem europeia, não escondem o desdém que nutrem por ela. Mas Khedija está presa a sua condição subalterna pela escravidão e repetidamente algum príncipe da casa lhe pede que vá a seu quarto à noite para servir-lhe chá. Em uma das cenas mais fortes do filme, chora em desespero exclamando que odeia o próprio corpo, esse que atrai atenção indesejada por parte dos homens.

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Alia apenas observa. Escondida atrás de paredes, colunas, cortinas, a menina cresce vendo tudo que a mãe suporta, ao mesmo tempo em que é alertada para ter cuidado quando se trata dos príncipes. O rosto de Hend Sabry, que interpreta a versão adolescente da personagem, é capturado em closes que revelam toda sua expressividade. Com catorze anos, vive sob constante ameaça de cunho sexual. Enquanto Sarra é prometida em casamento, mas ainda é tratada como criança, ela não tem perspectivas a não ser lidar com o tratamento predatório que a rodeia. De certa forma o filme marca a hereditariedade da servidão e da sexualização precoce das meninas pobres.

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A filmagem crua é compensada por uma direção de arte primorosa, que evidencia detalhes da cultura local, contrasta a riqueza dos arabescos e camas com dossel dos grandes salões e quartos com as esteiras e as paredes nuas da cozinha e mesmo os vestidos florais e batas brancas da jovem Alia com seu terno cinza, contido, hitchcockiano quando adulta. Os retratos de domesticidade na área de trabalho das empregadas domésticas são belos e carregados de um senso de sororidade. Na grande cozinha preparam-se as comidas que banquetearão o andar de cima; bordam-se toalhas; costuram-se roupas; ouvem-se notícias do mundo externo pelo rádio; e compartilham-se fofocas, risadas e lágrimas.

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Através dos dramas pessoais de sua protagonista, Moufida Tlatli desvela relações bem mais complexas do que uma primeiro olhar talvez capture. A personalidade musical de Alia é contraposta ao silêncio que atemoriza. É mulher, filha de mulher escravizada, tunisiana em uma terra ocupada por franceses e presa pelos muros de uma construção que traz consigo regras específicas para cada uma dessas categorias. Os Silêncios do Palácio é um filme que lida muito bem com suas próprias camadas e com as ações e emoções que compõe, mostrando-se um trabalho de estreia maduro, forte e imersivo.

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Janelas: Nome de Família

Nome de Família (The Namesake, 2006) é dirigido pela cineasta indiana de diáspora Mira Nair. Focado na migração de um casal de indianos para os Estados Unidos, o filme aborda a diferença entre as gerações, os conflitos entre individualidade e tradição e, claro, o sentimento de pertencimento em um local ou comunidade, tudo isso colorido por cores maravilhosas. É o meu 56º filme assistido para o desafio #52FilmsByWomen.

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Figurino: Carol

Muitas vezes, nesse espaço, coloquei ênfase no uso de cores vinculado às trajetórias dos personagens e em como a mudança delas pode marcar momentos importantes da trama. (Cito como exemplo alguns dos textos que mais gostei de fazer: Precisamos Falar Sobre o Kevin , Segredos de Sangue e Drácula de Bram Stoker). É comum que filmes em cores sejam entendidos como representações realistas, pura e simplesmente, uma vez que o meio ao nosso redor também é colorido. Mas nem sempre isso é verdade, porque as cores dispostas em cena são escolhas deliberadas, para servir à narrativa, criar atmosfera ou destacar elementos específicos. O que vemos na película pode não ter um equivalente no mundo real.

Em Carol, filme dirigido por Todd Haynes, baseado no romance de Patricia Highsmith e roteirizado por Phyllis Nagy, fica clara a decisão de retratar a história como um conto natalino. A personagem-título é uma dona de casa com boa situação financeira que está se divorciando do marido e Therese, por quem ela se apaixona, é vendedora e fotógrafa nas horas vagas. Uma boa parte dos acontecimentos ocorrem pouco antes do Natal no ano de 1952, até pouco depois do Ano Novo. A narrativa se encerra alguns meses depois. A paleta de cores em tons terrosos é contida, suave e pontuada por tons de verde e vermelho aqui e acolá, como a época de festividades pede. A fotografia é granulosa e esverdeada.

O figurino (e a direção de arte como um todo) vão muito além da escolha de cores a serem dispostas quando se trata de compor os personagens. Tomemos a sequência em que Therese (Rooney Mara) e Carol (Cate Blanchet) se vêm pela primeira vez. Rooney trabalha como balconista em uma loja de departamentos. O balcão é a materialização das diferenças entre elas: cada uma de um lado, separadas por marcadores sociais. Therese veste uma camiseta de manga comprida e gola alta sem detalhes e de tecido simples, sob um vestido escuro e o gorro de natal obrigatório para uso das funcionárias, compondo uma aparência comum, ordinária. Nenhum acessório, apenas um pequeno relógio de pulso. Quando ela avista Carol, fica hipnotizada por sua presença, mesmo do outro lado do salão. A figura se veste com um casaco de peles de aparência macia, usa chapéu, echarpe e unhas na mesma cor e brincos, colar e anéis de ouro, além de uma luva de couro. O resultado final do conjunto é uma elegância sóbria, clássica. Esses poucos segundos de oposição entre as duas personagens são o suficiente para informar o espectador a respeito das diferenças de classe social e de idade entre as duas protagonistas, sem a necessidade de maiores explicações.

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A figurinista do filme é Sandy Powell, cujos trabalhos em Velvet Goldmine (também dirigido por Haynes) e Cinderela já foram abordados aqui no blog. Seu figurino ajuda a construir Carol como uma mulher madura, decidida e sem floreios. Embora a trama se passe na década de 50, ela não usa saias rodadas, optando por cortes retos e junto ao corpo. Além de cores neutras, como bege e cinza, tons de vermelho pontuam o figurino, quase sempre composto de tecidos lisos.

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Em determinado momento do filme, em uma festa de amigos, a simplicidade da linha dos trajes de Carol contrasta com os de sua amiga, extremamente adornados.

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Já o figurino de Therese destaca sua trajetória de crescimento. A estampa xadrez, a boina listrada, o seu casaco volumoso com capuz: todos os trajes do começo da história remetem a roupas de colegial, ressaltando a juventude da personagem, mas também sua situação profissional, uma vez que, após a escola, não se estabeleceu em um emprego que lhe exigisse um vestuário mais maduro. Quando Therese vai à casa de Carol pela primeira vez, sua roupa tem os mesmos padrões e cores do que as usadas pela filha desta, novamente realçando sua juventude, em contraste com a elegância de Carol.

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O uso de verde nas roupas de Therese torna-se ainda mais interessante quando percebemos ser a mesma cor utilizada por Abby (Sarah Paulson) amiga de Carol com quem esta teve um relacionamento no passado. Abby cuida de Carol e de certa forma também cuida de Therese, uma vez que ela ocupa agora o lugar de afeto na vida de Carol. A cor aproxima ambas, conectando-as a ela.

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A conexão se estabelece também pelo fato de verde e vermelho serem cores complementares, ou seja, cores que visualmente se harmonizam em sua oposição. Quando Carol conhece o apartamento de Therese fica clara essa relação, não só nas cores, mas no posicionamento das atrizes.

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Essa combinação de cores vai se inverter no primeiro momento em que as duas saem em viagem juntas, Therese em vermelho e Carol em verde.

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Além disso, o verde aparece marcadamente pelos lugares onde passam. Não é à toa que quando Therese retorna para seu apartamento, a cor é reforçada em suas paredes.

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Na cena de abertura, que cronologicamente é uma das últimas, ambas têm um breve encontro como em Desencanto (1945), de David Lean. Desde a última vez que se viram, Therese se estabeleceu como fotógrafa de um jornal e sua mudança profissional já transparece em suas roupas. Agora ela já usa brincos, ainda que discretos e suas roupas estão mais elegantes. Rooney Mara emula a sofisticação sem esforços de Audrey Hepburn com precisão.

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Mais uma vez trabalhando juntos, Todd Haynes e Sandy Powell constroem um mundo que exibe o período retratado, realçando os elementos narrativos e a trajetória das personagens. O resultado é um filme elegante e esteticamente prazeroso, que encanta pela delicadeza com que aborda o romance entre as duas mulheres, digna do new queer cinema de Haynes.

Novo podcast: Feito por Elas

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Quem acompanha o blog sabe que há alguns meses eu venho fazendo o desafio #52FilmsByWomen, que consiste em assistir a um filme dirigido por uma mulher por semana durante um ano. Esse desafio tem movimentado blogs e redes sociais e as conversas em torno das obras se ampliaram. Assim, Angélica Hellish do Masmorra Cine, e eu resolvemos começar um podcast onde pudéssemos ampliar o debate em torno dos filmes e suas autoras e divulgar esses trabalhos. A nós se juntou Stephania Amaral, do Cinema em Cena e assim produzimos esse episódio piloto sobre a premiada diretora polonesa Agniezka Holland. A ideia é que cada episódio seja sobre uma diretora e nele abordaremos três de seus principais filmes. Curta nossa página no Facebook, siga-nos no twitter, assine nosso feed, ouça, comente, compartilhe e nos ajude a crescer!

Acesse aqui o nosso blog para ouvir o primeiro episódio.

 

Category: Cinema, Recados | Tags: ,