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Figurino: X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Texto originalmente publicado na coluna Vestindo o Filme em 04/06/2014.

 

Quando o primeiro filme da franquia X-Men foi lançado em 2000, tornou-se sucesso imediato e foi um dos principais responsáveis por deixar “heróis de quadrinhos” em voga e, consequentemente, pelas produções de filmes com esta temática subsequentes. A trama focada nos protagonistas mutantes cria empatia facilmente, pois claramente traça paralelos entre estes e outras minorias perseguidas em nossas próprias sociedades, com Xavier e Magneto como lideranças com posturas opostas em relação a como lidar com essa opressão.
O diretor Bryan Singer, responsável pelos dois primeiros filmes, precisava tirar das plateias a visão exagerada e ridícula dos filmes do Batman de Joel Schumacher da década de 90. Para isso, optou pelo uso de um estilo contido.
Partindo dessa proposta de fugir de uma estética cartunesca, a figurinista Louise Mingenbach criou para X-Men: O Filme e X-Men 2 um conjunto que fugia das cores utilizadas pelos mutantes nos quadrinhos: os polêmicos uniformes pretos. Embora tenham sido fortemente criticados, eles devem ser entendidos como um produto de sua época, reação aos já citados filmes do Batman e influenciados pelos sucessos de Blade (também vindo dos quadrinhos) e Matrix.

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No terceiro filme, X-Men: O Confronto Final, o diretor passou a ser Brett Ratner e com isso a equipe também foi alterada. As figurinistas passaram a ser Lisa Tomczeszyn e Judianna Makovsky (de A Princesinha). Apesar disso, trabalharam em cima dos conceitos já utilizados nos outros filmes, alterando pouco os uniformes e mantendo uma identidade visual entre os três longas.

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Apenas em X-Men: Primeira Classe, dirigido por Matthew Vaughn, com figurino de Sammy Sheldon, é que o uniforme passou a referenciar o visual clássico dos mutantes nos quadrinhos, com uso marcado de amarelo. A história acontece em 1962, de forma que esse design pode ser usado como uma versão retrô, adequada ao período, da mesma forma que acontece no flashback no início de Watchmen.

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Por fim chegamos ao quinto filme da franquia, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, que estreou nos cinemas no último dia 22 de maio e novamente conta com direção de Bryan Singer e figurino de Louise Mingenbach. Dessa vez a trama se divide entre um futuro desolado, em que mutantes estão sendo caçados e eliminados; e um passado em 1973, para onde Wolverine retorna em seu próprio corpo de então para tentar impedir que isso futuro se concretize.
Nesse futuro, os uniformes voltam a ser pretos, mas dessa vez menos justos e mais utilitários, com calças largas e botinas, além de apliques no tronco que simulam o efeito de uma armadura, garantindo mobilidade, conforto e proteção na luta pela sobrevivência.

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Mesmo Xavier (Patrick Stewart), sempre impecável paletó, abre mão de seu estilo por esse mais seguro, visto que não faria sentido buscar a elegância com o mundo acabando ao seu redor.

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No passado, com a desativação do Instituto Xavier para Jovens Superdotados, os uniformes deixaram de ser utilizados e cada personagem se veste como indivíduo autônomo. A paleta de cores, bastante fiel ao período, é dominada por tons terrosos.
Mística (Jennifer Lawrence) segue em sua jornada de auto aceitação e busca por autonomia e já se mostra totalmente à vontade em sua própria pele, sem a necessidade de roupas ou disfarces que escondam sua verdadeira natureza, a não ser que seja necessário.

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Wolverine (Hugh Jackman) é quem mais abraça a década, fazendo uso de calças justas, cinto de couro com grande fivela do mesmo material (o que é interessante, visto que Magneto não pode manipulá-la), camisa de estampa chamativa e jaqueta de couro marrom. O estilo lhe cai como uma luva.

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Fera (Nicholas Hoult) encarna o bom menino, com um estilo bastante certinho: camisas de botão ou camisetas listradas e jaqueta de veludo cotelê. Suas roupas são menos ajustadas do que as dos demais homens, com exceção da jaqueta jeans, o que causa maior contraste quando muda sua forma.

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Xavier (James McAvoy), passa por uma fase em que perdeu tudo e está emocionalmente abalado. A sua trajetória pode ser percebida através de suas roupas. No começo, desesperançoso e dependente de um soro de cura e de álcool, veste-se de acordo com a extravagância do período, como uma versão atenuada de Wolverine. Também faz uso de camisa estampada (embora menos chamativa) e jaqueta de couro, mas em um marrom mais avermelhado. Com o desenrolar da história e a retomada de sua autoconfiança, volta a utilizar o paletó que lhe é característico.

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Já a Magneto (Michael Fassbender) o que não falta é autoconfiança. Acredita na superioridade dos mutantes e por isso utiliza seus poderes da forma que for preciso para acabar com a perseguição e a opressão deles. Seu cuidado com sua imagem fica patente nas roupas muito bem cortadas e sempre com um toque de design diferenciado. Isso é perceptível na assimetria marcada em suas roupas: a falta de lapela em um dos latos de seu sobretudo e a capa com barra cortada na diagonal. Ao mesmo tempo essa assimetria reflete a sua tendência para métodos que podem ser considerados pouco convencionais ou mesmo questionáveis: ele sempre vai agir de acordo com suas próprias ideias, mesmo ao se aliar com os demais.

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Acima, à esquerda, croqui do sobretudo de Magneto, por Louise Mingenbac. À direita ele sendo usado pelo personagem.

Um personagem que merece ser mencionado é o novato Mercúrio (Evan Peters), que teve uma ótima participação. O filho não declarado de Magneto veste-se predominantemente de preto. Como seu poder é a grande velocidade, faz sentido que o corte de suas roupas pareça futurista em relação à época, de maneira que sua jaqueta prateada (além de acessórios como fone de ouvido e boné) remetem muito mais à década de 1980 que à de 1870.

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Não apenas os figurinos como toda a direção de arte exercem muito bem a função de ambientar os expectadores nas diversas linhas temporais do filme (e isso fica particularmente marcado nas duas cenas em que Wolverine acorda, com as diferenças de decoração ao seu redor e foco nas luminárias e cortinas de cada época). X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, assim como o filme anterior, Primeira Classe, consegue não só ser um bom filme de heróis de quadrinhos, como um bom filme de época, com ambientações e construções de vestuários bastante críveis dentro daquilo que é a sua proposta.

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X Men: Dias de um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past/ 2014)

Quando li a série de quadrinhos na qual se baseia X Men: Dias de um Futuro Esquecido, me peguei coçando a cabeça, intrigada. A história era fraca e infantil, tendo pouco conteúdo bom que se salvasse. Pois bem, parabéns aos envolvidos na adaptação do roteiro, pois o que se vê é uma trama coesa, que descarta muito do material de origem, mas se reconstroi de forma a se conectar adequadamente com os três primeiros filmes da franquia. Aliás, combinação dos atores deles com os do último filme, Primeira Classe, são um dos pontos fortes, visto que há muito carisma no elenco e personagens saudosos que não víamos há algum tempo.

No futuro revemos Professor Xavier (Patrick Stewart) e Magneto (Ian McKellen), que se unem para, com ajuda de Tempestade (Halle Berry), Homem de Gelo (Shawn Ashmore), Bishop (Omar Sy), Kitty Pride (Ellen Page), Wolverine ( Hugh Jackman), entre outros, tentar mudar o destino dos mutantes, que foram quase totalmente dizimados. No ano de 1973 Mística (Jennifer Lawrence) matou Bolívar Trask (Peter Dinklage), dono de uma empresa que havia criado grandes robôs, chamados Sentinelas, para caçar mutantes. Acontece que tal ato, ao invés de acabar com a perseguição a eles, levou as lideranças políticas a intensificarem-na. A ideia da equipe no futuro é utilizar os poderes de Kitty Pride de forma a permitir que Wolverine volte ao passado para impedir os acontecimentos fatídicos e apagar essa linha do tempo, com ajuda versões mais novas de Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender). (Nos quadrinhos é a própria Kitty quem viaja no tempo, mas visto que o carcamano é o mais popular dos personagens na franquia cinematográfica, tal papel foi transferido a ele).

É interessante o contraponto que é feito entre o futuro e o passado. O primeiro é marcado pela desolação e já nos é apresentado com imagens que remetem ao regime nazista, o que ajudaria a justificar as motivações de Magneto em unir-se a Xavier, visto que ele é sobrevivente dos campos de concentração. O visual remete a outras distopias totalitaristas e os mutantes utilizam roupas que estilizam armaduras. Já o passado vem com uma paleta de cores bastante apropriada, contendo marrom, abóbora, vinho e verde-musgo, além de cenários e roupas adequadas ao período. Dessa forma o filme oscila entre o real e a fantasia, incorporando até mesmo elementos como a assassinato do presidente americano John Kennedy. O realismo já é indicado quando Wolverine desperta em 1973 e as duas primeiras coisas que avista são uma cortina em tons laranjas e uma lâmpada de lava; e posteriormente, ao acordar em outro momento, se depara com uma cortina em tons neutros uma lâmpada com holograma, deixando marcada, através da mudança de elementos recorrentes, a passagem de tempo.

O Xavier de McAvoy funciona como um mocinho falho, entregue a álcool e droga, quebrado por suas perdas e sem confiança nas suas capacidades. Magneto, em contraponto, é dominado pela autoconfiança e tem certeza de seus ideais. Assim temos o que considero um dos fatores que tornam os X Men os super-heróis mais interessantes: eles representam uma minoria social e os dois personagem são lideranças que simbolizam duas abordagens no ativismo: a luta legal, integrando-se pacificamente à sociedade ou através de desobediência civil; e por outro lado as táticas de enfrentamento através de guerrilha. A beleza está no fato de que se tratam de personagens tão bem desenvolvidos, que é fácil compreende-los e aceitar suas decisões como coerentes, ainda que nem sempre aprovando-as.

Com Jennifer Lawrence, Mística ganhou uma ambiguidade e uma fragilidade que não demonstrava antes. Trata-se da personagem mais interessante dos últimos dois filmes, pois trafega sob os dois pontos de vista, dividida entre duas ideologias e dois amores.

Magneto é um homem vaidoso e seu apreço por métodos menos ortodoxos fica patente na assimetria presente em diversos de seus trajes, que utiliza como que para demonstrar seus pensamentos não convencionais. Já Xavier e Wolverine entregam-se à moda setentista (o último mais que o primeiro), com camisas estampadas e jaquetas de couro (vinho para o primeiro e marrom para o segundo). Trask simboliza sua busca pelo poder em suas gravatas largas e com estampas marcantes, dignas de um homem de negócios de presença forte. Apenas Fera (Nicholas Hoult) fugiu da moda mainstream. 

As referências presentes no filme são significativas. O X dos mutantes aparece em diversos momentos, como em reflexos de luz, formato de móveis e gravadores de fita, o que confere mais peso ao fato de vermos o que parece esse formato repetido em uma viga que esmaga Xavier em certo momento, como se o próprio peso de suas escolhas estivesse ali representado. Em outro momento Capitão Kirk aparece em uma televisão, quase como uma piscadinha em relação aos recentes encontros entre Spock antigo e novo nos filmes recentes de Star Trek e os acontecimentos semelhantes deste filme.

Com momentos de humor, ação e drama bem balanceados, o filme é eficiente em fazer uso dos mutantes que aparecem e se houvesse algo a reclamar, seria justamente a ausência ou participação pequena de alguns, pois o elenco já era bastante extenso. (Vampira e Noturno, senti falta de vocês). X Men: Dias de um Futuro Esquecido demonstra que aos catorze anos de idade a franquia ainda tem fôlego para mais e o diretor Bryan Singer talentosamente permite, com o desfecho, diversas possibilidades de continuação.

Obs: Foi bastante divertida a participação de Mercúrio, o filho não declarado de Magneto.

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Fonte da Vida

Todo mundo falando de Noé e eu, atrasada no bonde, ainda não tinha visto nem Fonte da Vida, dentre os trabalhos da filmografia de Darren Aronofsky. Pode-se dizer que o filme é o pai menos bem executado de A Árvore da Vida, por lidar com temáticas semelhantes relacionadas à vida, morte, amor e luto.

Hugh Jackman é Tom Creo, um cientista que procura uma cura para a doença de sua esposa Izzi, interpretada por Rachel Weisz. Izzi estava escrevendo um livro, mostrado na própria trama, como metáfora desta busca: Tomás, o protagonista, é um desbravador espanhol no século XVI em busca da Árvore da Vida no novo mundo, para presentear a Rainha Isabel com sua seiva, que garantiria a vida eterna. Mas essa história permanece inacabada e Izzi incube Tom de terminá-la. Ao tentar lidar com a dor e o medo, este ainda projeta uma terceira realidade à trama, em que aparece como uma espécie de monge tonsurado, no século XXVI, em uma bolha que flutua no espaço, na companhia de uma árvore. Como uma árvore, o Tom do futuro tem a passagem do tempo marcada em si através de anéis. Estes foram tatuados por ele mesmo, partindo de um no dedo anular, em substituição a aliança perdida.

Os paralelos entre as três jornadas são simples e efetivos. Amor é o que permeia tudo e Tom precisa aprender a conviver com a perda. Hugh Jackman entrega uma interpretação marcante. Já Rachel Weisz não tem muito sobre o que trabalhar, pois sua personagem é pouco desenvolvida e pouco mais é que o tropo do interesse amoroso que morre para o despertar do herói.

Confesso que achei de mau gosto usar o conhecido genocídio perpetrado pelos espanhóis na América como metáfora da luta pela vida da amada. Ainda que se tratando do livro de Izzi, não seria possível outro ato heroico, que não envolvesse a morte de pessoas que não tinham relação com o problema pessoal do casal?

De qualquer forma, Tom é consumido pela tentativa de recuperá-la e ao se entregar, volta e renasce, como em um ciclo de vida místico.

A trilha sonora por vezes chama atenção excessiva para si. Juntamente com certos efeitos especiais já próximos do final, cria cenas inintencionalmente cômicas. Mas de uma forma geral, o visual do filme é muito bonito, especialmente nas sequências que se passam na bolha.

Quando Tom desapega da Izzi ideal que mantem em si, encontra um Amor ultrapassando a eternidade. Bastante comovente, o filme consegue superar seus próprios defeitos.

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A Origem dos Guardiões (Rise of the Guardians/ 2012)

Assistido em 20/04/2013

Jack Frost (Chris Pine) é o responsável por trazer neve e diversão para os invernos das crianças. Nenhuma delas podem vê-lo, porque ninguém mais acredita na sua existência, ele é só uma “expressão” para explicar que vai nevar. Desiludido com isso, ele se vê convidado a integrar o time do Guardiões, o grupo que protege as crianças e suas fantasias, composto por Norte, o Papel Noel (Alec Baldwin), Coelhão, o Coelho da Páscoa (Hugh Jackman), A Fada dos Dentes (Isla Fisher) e Sandy, o Sandman. Breu, o Bicho-Papão (Jude Law) conseguiu adulterar a areia de Sandy e transformar os sonhos das crianças em pesadelos. Após isso ele trabalha para arruinar a Páscoa e assim fazer as crianças duvidarem dos Guardiões e enfraquecê-los definitivamente. Alguns desses seres não fazem parte do panteão de entidades do imaginário popular no Brasil, mas isso não é empecilho para entrar no clima do filme. Jack Frost segue o estilo garotão dos protagonista de animações da Dreamworks, mas ainda assim o filme é divertido e até mágico. Fez-me pensar nos mundos de fantasia em que imergia quando criança, onde tudo era possível, até os sonhos virem da Pedra dos Sonhos. A animação é belíssima e as dublagens são um ponto forte. Destaque para Alec Baldwin, que está incrível interpretando Norte e Hugh Jackman com o sotaque mais australiano que jamais teve.

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Os Miseráveis (Les Misérables/ 2012)

Assistido em 06/02/2013


Nunca li Os Miseráveis. Tentei em algum momento, lá pelos meus 12 anos mas desisti. O único nome gravei na época foi de Jean Valjean, um homem que roubou um pão porque o filho de sua irmã tinha fome naquela miserável Paris do início do século XIX. O que conheci da história posteriormente veio do filme de 1998, dirigido por Bille August e estrelado por Liam Neeson, Geoffrey Rush e Uma Thurman. No caso desse filme de 2012, dirigido por Tom Hooper, a adaptação não é feita diretamente do livro, e sim do musical homônimo. E eu achei que o fato de o filme ser musical fosse amplamente divulgado, mas na sessão em que o assisti, ouvi murmúrios de desconforto quando a primeira cena começou com Valjean (Hugh Jackman) cantando. Algumas pessoas saíram antes da metade.
Valjean cumpre a sua pena e é libertado, sendo alertado pelo rigoroso inspetor Javert (Russel Crowe) para viver na lei daí em diante. Mas Valjean decide fugir da condicional e obter um outro nome, começando, assim, uma nova vida. Após essa introdução, temos uma passagem de tempo e Valjean é agora um homem respeitado que se tornou prefeito. Esse arco da história diz respeito a Fantine (Anne Hathaway), a jovem que ao ficar sem emprego precisa vender seus cabelos e se prostituir para conseguir dinheiro e mandá-lo ao casal Thénardier, que cuida de sua filha. A atuação de Anne Hathaway está absolutamente pungente, numa entrega absurda. Impossível não se emocionar quando canta I Dreamed a Dream, mesmo depois de a música já ter sido exaustivamente utilizada nos trailers. Valjean salva Fantine das ruas e promete buscar sua filha, Cosette e cuidar dela daí em diante.
Em mais um passagem de tempo, temos Valjean já mais velho e Cosette (Amanda Seyfried) como uma jovem que se apaixona pelo estudante revolucionário Marius (Eddie Redmayne), enquanto Javert ainda está obstinado em prender novamente o fugitivo.
Muito se falou sobre o fato de Russel Crowe não ter se saído bem cantando em cena. Pelos comentários, pensei que iria ouvir interpretações sofríveis, mas o que vi foi ele fazendo o possível com a voz que tem. Quem estava muito fraca em cena, quase constrangedora, era Amanda Seyfried. Hugh Jackman, que tem uma bagagem em musicais desde a Austrália, se saiu muito bem. Uma personagem que gostei muito foi Eponine (Samantha Barks), que não conhecia direito por ter sido praticamente cortada da adaptação de 1998. Já havia lido muitas reclamações sobre isso e entendo porque: ela é uma das mais multifacetadas do último arco e a atuação de Samantha Barks (que já a interpretou nos palcos) estava fantástica e garantiu uma das melhores canções do filme.
Sobre o fato de as músicas serem gravadas no momento da filmagem, e não em estúdio, tive sentimentos mistos. Em várias cenas isso funcionou, especialmente quando havia algo de grandiosidade, mas muitas vezes os atores quase nem cantaram as letras, apenas falando-as de forma compassada. O resultado, nesses casos, não foi dos melhores.
Se eu fosse da equipe de design de produção do filme eu ficaria extremamente desapontada com o resultado final. A obsessão de Tom Hooper por closes me deixou incomodada. Na maior pate das cenas a câmera se grudou aos rostos dos atores (possivelmente para captar a emoção ao cantar) e mal se consegue ver os cenários e mesmo os figurinos. Em cenas como na pousada dos Thénardier, seria muito bom ter visto um plano mais geral, de tudo que está acontecendo. Mas não só nessa, em muitos momentos tentei perceber os cenários e o que obtive foi uma mancha borrada ao lado da cabeça da pessoa cantando. Fora isso, há alguma câmera na mão, tremida e muitas cenas filmadas com os personagens inclinados, na diagonal. Parece-me uma mistura de preguiça com vícios visuais. Mas é como foi dito em vários veículo: Les Mis é um bom filme APESAR do diretor, já que os pontos fortes estão na forte história de Vitor Hugo, nas músicas e nos atores, que estão fantásticos.

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