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Aurora (Sunrise: a Song of Two Humans/1927)

Assistido em 16/08/2013

Dirigido por F. W. Murnau, esse filme é uma obra de arte prodigiosa e cheia de técnicas impressionantes em sua execução. Realizado nos Estados Unidos, com atores do país, por causa de seu diretor parece encaixar-se na escola do Expressionismo Alemão.

Sunrise

Na história um Homem (George O’Brien), fazendeiro simples, pensa em matar sua Esposa (Janet Gaynor), pois está traindo com a Garota da Cidade (Margaret Livingston), que quer que ele venda sua fazenda e vá morar com ela. Ele decide convidar a Esposa para um passeio de barco. Cada vez mais sinistro e atormentado por suas decisões, levanta-se no barco para atacá-la, mas não consegue concretizar seu intento. A Esposa , magoada, foge dele na cidade, enquanto ele pede perdão. Juntos passam por um dia de maravilhas, até seu retorno de noite no barco, quando são atingidos por uma tempestade. Trata-se de um conto de alerta contra os vícios da cidade, enaltecendo a vida simples, ao mesmo tempo em que ironicamente mostra os prazeres de uma visita a ela.

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Gaynor é uma ótima atriz (e demonstra isso também em Anjo das Ruas, no ano seguinte) e com seu olhar claro e sua expressão facial doce nos encanta com a bondade da Esposa. É difícil aceitar que ela perdoaria o Homem tão rápido, até porque ele já demonstrou ser violento também em ralação à Garota da Cidade.

A história em si é um melodrama escrito com mãos pesadas, um relato de casamento salvo e amor recuperado, mas a direção é impecável. A iluminação nas cenas é linda. Os efeitos especiais, como cenas em que há dupla exposição do filme, são muito bem feitos. Em outra cena o casal caminha entre carros que passam ao redor dele e percebe-se claramente a montagem, mas a técnica é bem executada. Além disso esse foi o primeiro filme da Fox a ter trilha sincronizada, ou seja, é mudo, mas possui barulhos como sino da igreja, aplausos, grunhidos de um porco, assovios e vento soprando, tudo sincronizado de forma impressionante. Não há com assistir essa película sem se encantar pelo menos pela técnica apresentada.

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Anjo das Ruas (Street Angel/ 1928)

Assistido em 05/02/2013


(Obs: para o curso The Language of Hollywood: Storytelling, Sound, and Color; da Wesleyan University, disponível em coursera.org)
A tarefa de assistir esse filme foi muito proveitosa. Anjo das Ruas é um filme de transição do cinema mudo para o cinema falado. Embora o filme ainda não tenha as falas propriamente ditas, ele já foi distribuído com o som, incluindo trilha sonora composta de forma sincronizada com as cenas, alguns ruídos e assobios (que possuem papel importante na história).
Trata-se de um melodrama em que uma jovem, Angela, com sua mãe doente, precisa ir às ruas se prostituir para conseguir pagar o remédio. Apesar disso sua mãe falece e ela se une a uma trupe de circo, tornando-se desiludida com o amor. Até conhecer Gino, um pintor de rua que pretende casar-se com ela. A trama se passa na Itália.
Visualmente o filme é muito bonito: apela para luzes e sombras quase expressionistas. A atriz encarna bem a beleza das mocinhas da década de 1920, com rostos delicados e boca pintada em forma de coração. A história, que tem uma pitada de simbolismo religioso, pode parecer piegas, água com açúcar ou exagerada se não desligarmos nosso cinismo do século XXI ao assistir. Eu fiz isso e mergulhei no que vi e me emocionei.
Mas o mais impressionante mesmo é o uso do som. Tudo parece perfeitamente sincronizado, mostrando emoções e ilustrando ambientes. Em nenhum momento os diálogos fazem falta. Nunca havia visto um filme dessa forma: os filmes mudos que eu assisti não possuíam som projetado para eles, apenas aquela trilha sonora genérica que deveria acompanhá-los. Foi uma experiência muito interessante e o filme vale a pena.

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