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Hitchcock (2012)

Assistido em 14/06/2013

Em 1959 Hitchcock já era há muito um diretor consagrado e intitulado o mestre do suspense. Com um programa de televisão e muitos filmes de sucesso, aos sessenta anos de idade ele decide que precisa de algo novo: algo que traga frescor a sua obra e seja desafiador. Ao ler o livro Psycho, percebe que esse será seu novo filme. Mas o estúdio não recebe bem a ideia de adaptar a história que conta com nudez e violência do jovem que veste roupas femininas e é obcecado pela mãe. Hitchcock faz um acordo: eles distribuiriam o filme e ele o financiaria, hipotecando sua própria casa. E essa é a história abordada nesse filme: os bastidores da criação do clássico Psicose. Obviamente não é recomendado assisti-lo sem ter visto o outro primeiro, pois partes importantes de sua trama são reveladas.

Hitchcock é interpretado por Anthony Hopkins, sob uma grossa camada de maquiagem para torná-lo mais parecido com o roliço diretor. A maquiagem, inclusive, foi indicada ao Oscar, mas acaba gerando um sensação de algo está errado com o rosto do ator (algo semelhante ao que ocorre em Looper). Helen Mirren está ótima como sua esposa Alma.  A protagonista de Psicose, Janet Leigh, é interpretada por Scarlett Johansson e Anthony Perkins, apesar de aparecer pouco, é interpretado com absoluta precisão por James D’Arcy.

Não sei até que ponto o filme é real aos acontecimentos, mas é interessante saber como Alma se envolvia no processo de seleção das histórias que seriam adaptadas, bem como ajudava na revisão do roteiro e na montagem. Mas a parte da história que se desvia para falar de sua relação com um amigo escritor e o ciúme de seu marido é bastante desnecessária (o mesmo pode-se dizer sobre inserções de Ed Gein, o serial killer da vida real que inspirou a história) . O filme também deixa bem clara a absoluta obsessão de Hitchcock por suas atrizes principais.

Uma cena que mostra que a equipe estava com dificuldades para gravar em certo momento em que a câmera passa por cima da escada despertou meu interesse, mas ao final, não se mostrou como foi feito na gravação original. Deixou-me com vontade de saber mais das partes técnicas das gravações. Esse é o resumo dessa película: as atuações são todas muito boas, mas pouco mostram realmente do processo de produção do maior sucesso de Hitchcock. Ao final ficamos com vontade de ver mais, pois é um filme bastante agradável.

FOX_HITCH_Poster

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Psicose (Psycho/ 1960)

Assistido em: 26/01/2013


Ano passado comecei a ver ou rever todos os filmes de Alfred Hitchcock disponíveis no Netflix, em ordem cronológica. Depois de Janela Indiscreta, Ladrão de Casaca, O Homem Que Sabia Demais e Um Corpo Que Cai, chego à Psicose. E devo dizer que a cada filme me apaixono mais por esse diretor, que sempre consegue me surpreender com suas tomadas de câmera pouco usuais e fotografia maravilhosa. Há também sua forte tendência fetichista e a escolha de protagonistas loiras, frias e controladas.  Em Psicose temos Marion (Janet Leigh), uma secretária que rouba 40 mil dólares em seu emprego e foge da cidade. Para entender o valor disso na época, a quantia foi paga em dinheiro por um fazendeiro rico por uma casa para sua filha que iria se casar. Na sua fuga ela acaba se hospedando no Bates Motel, um isolado motel de beira de estrada cuidados por Norman (Anthony Perkins), um rapaz atencioso e às vezes um tanto quanto infantilizado, que aprece emocionalmente castrado por sua mãe, uma idosa doente. E à partir daí que tudo se desenrola… Há um certo ar de filme B na produção, que se confirmou quando li que Hitchcock estava cansado de trabalhar com os grande nomes do estúdio e quis fazer um filme barato, tendo como equipe a de seu programa de TV da época. A filmagem foi feita em preto-e-branco para diminuir o efeito gore das cenas. Assim como em Janela Indiscreta, há boa pitada de voyeurismo  Talvez como terror possa até não funcionar para as gerações atuais, mas o suspense ainda funciona muito bem e a fotografia é esplêndida.

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