Tag Archives: Jonah Hill

Uma Aventura Lego (The Lego Movie/ 2014)

Serei breve. Deixa eu ver se entendi: o filme critica quem é comum e segue as regras, mas quem é comum e segue as regras salva o dia no final. Critica a perfeição e falsa alegria de uma sociedade controlada, enquanto mostra a alegria perfeitamente perturbadora de uma terra em que a única regra é não ter regras (enquanto uma personagem admite que isso é incoerente). Mostra que música popular robotiza as pessoas mas no final diz que ela é motivadora e boa. Critica o domínio de uma grande corporação e o entretenimento barato que chega à população, mas é protagonizado por brinquedos de uma marca gigante do setor e produzido pela Warner, sendo que a Time Warner controla uma infinidade de canais de TV, produz programação imbecilizante e detém direitos de diversas franquias milionárias, como Batman, Harry Potter, Senhor dos Anéis, entre outros (que inclusive possuem personagens que fazem aparições em suas versões Lego). O filme tem um protagonista comum: tão comum que não possui nenhuma característica marcante. Sua sidekick segue o tropo de guerreira solitária badass,  mas se resume a uma fachada sem grande desenvolvimento, que regride até se tornar o prêmio do herói ao final. Ideologicamente, trata-se de incoerência do início ao fim.

Para não parecer tão ranzinza, devo dizer que o visual da animação é muito bonito e deve ser o filme do gênero em que eu mais ri dos últimos tempos. Aliás, as crianças quase não riam no cinema, porque muitas das gags são piscadinhas para os adultos. Se você não prestar atenção à trama, é bastante agradável. Sabe como é, como diz a música-tema do filme, “tudo é incrível”.

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É o Fim (This is the End/ 2013)

Assistido em 12/10/2013

Teoricamente esse filme é uma comédia, escrita e dirigida por Seth Rogen. Não gosto dos filmes dele nem do Judd Apatow, que costumo colocar na mesma categoria de comediantes excessivamente elogiados, pouco cientes de seus privilégios de homem-branco-heterossexual, um tanto quanto infantis e que definitivamente não sabem escrever mulheres. Resumindo, são aqueles que escrevem comédias para os caras que moram com a mãe depois dos trinta. É o Fim tem a proposta de ser uma comédia sobre o fim dos tempos, em que os atores interpretam a si mesmos: uma ideia boa que foi desperdiçada. Tudo começa em uma festa na casa de James Franco, em que Seth Rogen e Jay Baruchel vão a contragosto do segundo. Lá estão Jonah Hill, Craig Robinson e outros artistas. Durante a festa ocorre o Arrebatamento do apocalipse, mas ninguém percebe pois nenhum dos presentes é arrebatado. Com o mundo acabando lá fora, o grupo de sobreviventes se refugia na casa de Franco. A parte inicial tem alguma graça devido às piadas com referências às próprias carreiras dos atores. Eles gravam um vídeo-diário usando a câmera de mão que James Franco utilizou em 127 Horas. Michael Cera drogado e tarado é engraçado pelo contraste com a figura dele na vida real. Algumas participações especiais se destacam, como de Emma Watson, além das brevíssimas de Rihanna e Paul Rudd (que deveria ter permanecido mais tempo em cena). Outras são (propositalmente) vergonhosas, como de Channing Tatum. O “vilão”, Danny McBride, consegue, pelo menos, gerar total antipatia ao longo da trama. Daí para frente tudo se desenrola em torno de piadas sem graça. O fato é que a premissa do filme poderia ter rendido um material minimamente engraçado, mas no final das contas o excesso de egos envolvidos parece ter prejudicado o resultado. A infantilidade com que se lida com o humor é ridícula. Alguém com mais de dez anos acha graça em piadas de pênis? O filme todo é repleto delas, em todas as vertentes possíveis. O que me espanta são as boas avaliações que o filme tem ganhado em diversos veículos. Passo.

THIS-IS-THE-END-Poster

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