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Dicas Netflix Maio

Gente, esqueci completamente de fazer as dicas para o mês de abril! Pior: essa lista era para ter ido ao ar no dia 5, ou seja, estou com a cabeça nas nuvens em relação ao blog. Vou tentar me redimir dando algumas indicações extras.  Os links levam diretamente aos filmes no serviço de streaming.

Drácula de Bram Stocker, uma obra prima de baixo orçamento dirigida por Francis Ford Coppola e com um visual incrível.

Era Uma Vez no Oeste (C’era una volta il West, 1968)

Drácula de Bram Stoker (Dracula, 1992)- Escrevi sobre o filme aqui e aqui.

Os Doze Macacos (12 Monkeys, 1995)- Escrevi sobre o filme aqui.

De Olhos Bem Fechados, o último (e subestimado) filme do Kubrick

Fargo- Uma Comédia de Erros (Fargo, 1996)

Regras da Vida (The Cider House Rules, 1999)

De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut, 1999)- Escrevi sobre o filme aqui.

Dirigido por David Fincher, Zodíaco é tem uma trama interessante e ótimas atuações.

Sobre Meninos e Lobos (Mystic River, 2003)

Meninas Malvadas (Mean Girls, 2004)

Zodíaco (Zodiac, 2007)

Amantes (Two Lovers, 2008)

Tilda Swinton e Tom Hiddleston vivem um amor que ultrapassa as fronteiras do tempo em Amantes Eternos, de Jim Jarmusch

O Lutador (The Wrestler, 2008)

O Duplo (The Double, 2013)- Escrevi sobre o filme aqui.

Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive, 2013)- Escrevi sobre o filme aqui e aqui.

Ela (Her, 2013)- Escrevi sobre o filme aqui.

Alicia Vikander estrela, juntamente com Oscar Isaac e Domhnall Gleeson a ficção científica Ex Machina, vencedora do Oscar de Efeitos Especiais.

O Abutre (Nightcrawler, 2014)

Ex_Machina: Instinto Artificial (Ex Machina, 2014)

Five Came Back (2017)

Bons filmes e até o mês que vem!

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Filmes assistidos em Abril

 

Não me recordo de ter tido um mês com tão poucos filmes vistos, pelo menos desde quando comecei esse espaço no blog. A questão é que o doutorado está me exigindo muito tempo (o que era de se esperar) e ainda há diversas séries pedindo por atenção. Assisti à última temporada inteira de Girls e à maravilhosidade que é Feud: Joan and Betty; comecei The Handmaid’s Tale e Five Came Back e Big Little Lies e retomei Fargo. A televisão roubou o tempo do cinema (e os livros o tempo dos dois). De qualquer maneira, quero muito férias. Emendar o mestrado com o doutorado sem nenhum intervalo, mais a mudança pro outro lado lado do país, já está cobrando seu preço. Vamos ver como chego ao final do ano.

 

Norah Ephron para Feito por Elas:

Julie & Julia (2009) ★★★½

Silkwood- O retrato de uma coragem (Silkwood, 1983) ★★★½

Everything is Copy (2015) ★★★½

 

Juliana Rojas para Feito por Elas: 

Trabalhar Cansa (2011) ★★★★

Sinfonia da Necrópole (2014) ★★★★

 

Lançamentos:

Paterson (2016) ★★★★½

Fragmentado (Split, 2016) ★★★★

Guardiões da Galáxia vol. 2 (Guardians of the Galaxy vol.2, 2017) ★★★½

 

Demais:
Os Desajustados (The Misfits, 1961) ★★★★

O Nome da Rosa (In the Name of the Rose, 1986) ★★★

Eu, Daniel Blake (I, Daniel Blake, 2016) ★★★★

Sete Minutos Depois da Meia-Noite (A Monster Calls, 2016) ★★★★

A Loja da Esquina (The Shop Around the Corner, 1940) ★★★★

O Ornitólogo (2016) ★★★★

Tomates Verdes Fritos (Fried Green Tomatoes, 1991) ★★★½

Rastros de Ódio (The Searchers, 1956) ★★★

Nossa Hospitalidade (Our Hospitality, 1923)

 

17 filmes assistidos

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Filmes assistidos em Março

Chega ao fim o mês de março e já estou preocupada com o ritmo desse ano. Primeiro que um quarto dele já se foi. Depois que meu doutorado começou e devo dizer que já estou exausta. sabia que seria puxado, mas não estava pronta para isso. A novidade boa é que adotei uma cachorrinha, prontamente batizada de Maya, entre outros motivos também em homenagem a Maya Deren. Passada a maratona do Oscar, muitos filmes assistidos foram de pautas do Feito por Elas que estamos adiantando. Seguem abaixo os filmes:

 

52 Filmes por Mulheres: 

Quem Matou Eloá? (2015) ★★★★★

O Mundo Fora do Lugar (Die abhendene Welt, 2015) ★★½

 

Niki Caro para Feito por Elas:

A Encantadora de Baleias (Whale Rider, 2002) ★★★½

Terra Fria (North Country, 2005) ★★★½

McFarland dos EUA (McFarland USA, 2015) ★★★

 

Eliane Caffé para Feito por Elas:

Kenoma (1998) ★★★½

Narradores de Javé (2003) ★★★★

Era o Hotel Cambridge (2017) ★★★★½

 

Maya Deren para Feito por Elas:

Tramas do Entardecer (Meshes of the Afternoon, 1943) ★★★★★

At Land (1944) ★★★★★

Ritual in Transfigured Time (1946) ★★★★

Divine Horsemen: The Living Gods of Haiti (1985) ★★★½

A Study in Choreography for Camera (1945) ★★★★★

Witch’s Cradle (1944) ★★★★

The Very Eye of Night (1958) ★★★★

 

Sarah Polley para Feito por Elas:

Entre o Amor e a Paixão (Take This Waltz, 2011) ★★★★★

Histórias que Contamos (Stories We Tell, 2012) ★★★★★

Longe Dela (Away from Her, 2006) ★★★★

 

Norah Ephron para Feito por Elas: 

Sintonia de Amor (Sleepless in Seattle, 1993) ★★★★

Mens@gem pra Você (You’ve Got Mail, 1998) ★★★★½

 

M. Night Shyamalan:

A Dama na Água (Lady in the Water, 2006) ★★½

Depois da Terra (After Earth, 2013) ★★½

 

Documentários:

Life, Animated (2016) ★★★

Bright Lights: Starring Carrie Fisher and Debbie Reynolds (2016) ★★★½

 

Lançamentos:

A Tartaruga Vermelha (La tortue rouge, 2016) ★★★½

Logan (2017) ★★★½

A Bela e a Fera (Beauty and the Beast, 2017) ★★★★

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (Ghonst in the Shell, 2017) ★★★

 

Demais:

De Volta ao Jogo (John Wick, 2014) ★★★★

Moana: Uma Mar de Aventuras (Moana, 2016) ★★★★

A Bela e a Fera (Beauty and the Beast, 1991) ★★★★

Inimigo Público (The Public Enemy, 1931) ★★★★

Barry (2016) ★★★½

O Pecado Mora ao Lado (The Seven Year Itch, 1955) ★★★★½

O Fantasma do Futuro (Ghost in the Shell, 1995) ★★★★

 

35 filmes assistidos

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Dicas Netflix Março


 

 

 

 

 

 

 

Mês passado não consegui fazer o post porque estou sem internet, mas volto com algumas diquinhas de filmes que entraram nos últimos tempos no catálogo da Netflix. Os links levam diretamente aos filmes no serviço de streaming.

Clássico da sessão da tarde, Um Príncipe em Nova York é estrelado por Eddie Murphy

Um Príncipe em Nova York (Coming to America, 1988)- Escrevi sobre o filme aqui

Paris is Burning (1990)- Escrevi sobre o filme aqui

paris is Burning: incrível documentário sobre a efervescente cena queer novaiorquina do final dos anos 80

A Casa dos Espíritos (The House of the Spirits, 1993)

Psicopata Americano (American Psycho, 2000)- recomendei-o nesse podcast sobre filmes de suspense e terror dirigidos por mulheres

Adaptação (Adaptation, 2002)

Adaptação é um filme maravilhoso escrito por Charlie Kaufman e dirigido por Spike Jonze.

 

A Árvore da Vida (Tree of Life, 2011)

O Artista (The Artist, 2011)

O Espião que Sabia Demais (Tinker Taylor Soldier Spy, 2011- escrevi sobre o filme aqui

O Contemplativo A Árvore da Vida é possivelmente a obra-prima de seu diretor, Terrence Malick

Nebraska (2013)- Crítica aqui

Trapaça (American Hustle, 2013)- escrevi dois textos sobre o filme, aqui e aqui

Philomena (2013)

Locke (2013)

Em Nebraska, além das atuações se destaca a bela fotografia em preto e branco

Bons filmes e até o mês que vem!

 

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Análise dos Indicados ao Prêmio do Sindicato dos Figurinistas 2017

Embora menos celebrados e prestigiados pelo público, os prêmios de sindicatos, que antecedem a cerimônia do Oscar, são uma boa forma de ter a percepção de como os profissionais de cada área enxergam a produção contemporânea. Em sua 19ª edição, o Costume Designer Guild Awards, ou seja, o prêmio do Sindicato dos Figurinistas, é decidido por figurinistas, bem como assistentes de figurino e ilustradores que sejam afiliados ao sindicato e, por isso, tendem a valorizar menos o glamour das roupas criadas para o filme e mais o seu papel na construção dos personagens para a narrativa. Esse ano o prêmio foi entregue no dia 21 de fevereiro e, como sempre, contou com três categorias: filmes contemporâneos, de época e de fantasia. A seguir farei um breve comentário sobre os indicados e vencedores de cada categoria. Os vencedores estão destacados em negrito e filmes sobre quais eu escrevi tem o o texto linkado. Clique nos links se quiser ler a respeito da premiação de 2014, 2015 e 2016.

Excelência em Filme Contemporâneo:


Absolutely Fabulous: O Filme: Rebecca Hale

Lion: Uma Jornada Para Casa: Cappi Ireland

Capitão Fantástico: Courtney Hoffman

Animais Noturnos: Arianne Phillips

La La Land: Cantando Estações: Mary Zophres

Muitas vezes subestimado pelo público, o figurino de filmes que se passam em contexto contemporâneo contribui e muito para com suas narrativas. Dentre os indicados desse ano, não consegui assistir a Absolutely Fabulous: O Filme.

Em Lion o trabalho de figurino parece, a um primeiro olhar, minimalista, mas com flashbacks que acrescentam um período de tempo a mais na história, além de dois países diferentes, foi necessário garantir a diferenciação de cada época e lugar. O presente do filme na verdade ocorre em um passado recente, há certa de uma década e por isso as roupas foram pesquisadas de maneira a de adequarem ao momento, que pode parecer igual ao de hoje, mas já tem suas sutis diferenças. No caso dos trajes indianos, as mulheres os usam coloridos, enquanto os homens, monocromáticos, respeitando o que se observou nos costumes locais.

Já os trajes utilizados em Capitão Fantástico são lúdicos como os seus personagens. Com uma paleta de cores baseada em tons terrosos, verdes e bordôs, as roupas foram selecionadas de fontes diversas, especialmente brechós, e adaptadas para o filme. A impressão que elas passam é de terem décadas de idade, sendo reaproveitadas e customizadas com bordados, apliques e com desenhos das crianças. As peças circulam entre eles e são vistas de maneira repetida. Os atores-mirins foram incentivados a escolher o que gostariam de vestir, tendo em vista que, ao contrário de adolescentes comuns, não sofrem pressão de amigos e outros grupos para adotarem determinados estilo. O resultado final é colorido, livre, divertido e casa com o clima do filme e com a personalidade dos personagens que estão sendo construídos.

Susan (Amy Adams), a protagonista de Animais Noturnos é uma mulher dividida entre sua fachada exterior de frieza e força e seu interior de dor e solidão. O figurino do filme trabalha externando as ambiguidades da personagem. Para seu trabalho, formas retas, ajustadas, decotes, tecidos sofisticados e cores sólidas, aliados a acessórios marcantes e maquiagem escura e pesada. Em casa, despida dessa armadura que a protege, retira a maquiagem e usa tricôs macios e despojados. O seu contraponto na história, Edward Sheffield (Jake Gyllenhaal), o personagem dentro do livro que é personificado na imagem de seu ex-marido, é apresentado como um homem de poucas palavras, colocado em uma situação extrema e com a qual o público precisa se identificar. Para isso, foram utilizadas peças básicas: camisa xadrez e calça cáqui, expressando o quanto ele é comum, distante da artificialidade do mundo de Susan. A figurinista teve total liberdade de criação e nenhum dos trajes utilizados é da marca Tom Ford, o diretor do filme, justamente para que não se transformasse em uma peça publicitária.

Por fim, em La La Land: Cantando Estações, vencedor do prêmio, a oposição entre o casal de protagonistas também é essencial para a narrativa. Sebastian (Ryan Gosling) precisa ser entendido como um homem apegado às raízes do jazz, conectado ao passado como um ideal romântico. Por isso seus sapatos bicolores, calça social de corte reto e camisas de botão. Já Mia (Emma Stone) é uma mulher otimista, que começa o filme com poucos recursos financeiros e, portanto, roupas menos sofisticadas, mas muito coloridas. Quando o relacionamento dos dois começa a enfrentar problemas, as cores são drenadas de seu figurino, que culmina em um elegante vestido azul escuro, para marcar sua ascensão financeira. Para além de ambos os protagonistas, o conjunto do filme é repleto de cores vibrantes que remetem a um passado tecnicolor.

Excelência em Filme de Época:

Florence: Quem é Essa Mulher?: Consolata Boyle

Ave, César!: Mary Zophres

Jackie: Madeline Fontaine

A Vingança Está na Moda: Marion Boyce, Margot Wilson

Estrelas Além do Tempo: Renee Ehrlich Kalfus

Um figurino de época precisa não só estabelecer para o espectador quem são os personagens apresentados como também deixar claro qual é o contexto que os rodeiam. Nesse sentido, todos os candidatos desse ano apresentaram um conjunto forte e criativo. Florence talvez seja o menos interessante, mas temos a percepção da riqueza da personagem-título, interpretada por Meryl Streep, com seus vestidos em tons de dourado, acessórios carregados e forte inspiração art nouveau da década de 20, em que a história se passa, além de seus trajes para apresentações que reforçam o ridículo da cantora.

Da mesma forma, em Ave, César! somos transportados para a Hollywood da década de 50. Eddie Mannix, interpretado por Josh Brolin desfila paletós com ombros largos e pernas amplas, criando uma figura imponente e bastante sólida na narrativa. As colunistas Thora e Tessaly Thacker (Tilda Swinton), inspiradas por Hedda Hopper, exibem chapéus vistosos como aquela o fazia. Temos a roupa de caubói do Hobbie Doyle (Alden Ehrenreich) que contextualiza suas origens. Por fim temos o incrível trabalho de figurino dos filmes dentro do filme (seria um meta-figurino?): dos maiôs de DeeAnna Moran (Scarlett Johansson), personagem baseada em Esther Williams, passando pelo marcante vestido verde da sósia de Moira Shearer que contracena com Hobbie, até os trajes romanos do sandália e espadas protagonizado por Baird Whitlock (George Clooney). As formas não são realistas, nem necessariamente condizem com a época, mas suas extravagâncias servem para ressaltar a fábrica de sonhos que era então Hollywood. As cores marcantes casam com o tom amarelado da fotografia e o resultado final é eficiente em termos narrativos, recriando o esplendor tecnicolor dos tempos áureos dos grandes estúdios.

Em Jackie a figurinista trabalha reconstruir uma imagem icônica. A ex-primeira-dama estadunidense foi um ícone da moda e sua aparência marcante, lembrada até hoje, influenciou a época, como fica registrado em uma cena em que, de dentro de seu carro, vê vestidos similares aos seus sendo postos em manequins em uma vitrine. Para o filme foram recriados vários trajes marcantes, com destaque para o conjunto vermelho da Dior com que concede uma entrevista na Casa Branca, o preto de marca desconhecida utilizado no cortejo fúnebre e o memorável conjunto Chanel rosa com chapéu da mesma cor que vestia quando seu marido foi assassinado. Natalia Portman não guarda grandes semelhanças físicas com a Jackie, mas a sua atuação, aliada a essa recriação precisa, ajuda a transportar o espectador para o recorte temporal retratado.

A Vingança Está na Moda tinha poucas chances reais de levar, por se tratar de um filme estrangeiro (australiano) e menos comentado. Mas o trabalho realizado aqui é marcante e merecedor da indicação. A protagonista Tilly Dunnage (Kate Winslet) retorna triunfante para sua cidadela de origem, de onde fugiu, depois de anos morando em Paris. Sua nova profissão é justamente a de criadora de roupas de alta costura e seus vestidos vistosos, com linhas elegantes e cores marcantes, contrastam com o provincialismo do local, uma vez que as demais pessoas são apresentadas em tecidos simples e cores apagadas em tons de bege. Seu glamour é uma forma de expressar sua vingança, como na cena em que trajando um espetacular vestido de seda, para à beira do campo para assistir a uma partida de rugby, para perplexidade dos demais. Nesse caso, o figurino conta os desejos da personagem e é utilizado para ajudá-la a mudar a realidade ao seu redor.

Por fim, em Estrelas Além do Tempo, vencedor do prêmio, é feito um trabalho belíssimo ao contrastar as protagonistas com o ambiente masculino e branco que as rodeia, ao mesmo tempo que em que as diferencia de forma geracional. Quando você vê uma cena em que Katherine (Taraji P. Henson) com seu vestido verde, está rodeada por homens trajados com camisas brancas e gravatas sóbrias, destacando-a no mar de funcionários da NASA, percebe como o figurino está trabalhando para mostrar que essas mulheres representavam uma exceção naquele ambiente. É claro que, mesmo com regras de vestimenta, os homens não se vestiriam de forma tão homogênea na vida real. Mas esse é um instrumento eficaz para realça-la. Tanto ela, quanto Dorothy (Octavia Spencer) e Mary (Janelle Monáe) usam cores de joias, além de estampas discretas, destacando suas presenças no ambiente monocromático, realçado até mesmo pelos marrons das demais funcionárias. Mas se as duas primeiras optam por vestido e conjuntos estruturados, a juventude de Mary é expressada através de cardigãs e calças. O trabalho realizado aqui pode não ser vistoso, afinal as roupas de trabalho das protagonistas também precisavam se encaixar nas regras rígidas de vestimenta no ambiente de trabalho. Mas o modo como cores e formas são manipuladas para passar sua mensagem e informar quem é quem naquele contexto é primoroso.

Excelência em Filme de Fantasia:

Rogue One: Uma História Star Wars: David Crossman, Glyn Dillon

Kubo e as Cordas Mágicas: Deborah Cook

O Lar das Crianças Peculiares: Colleen Atwood

Animais Fantásticos e Onde Habitam: Colleen Atwood

Doutor Estranho: Alexandra Byrne

Nessa categoria figurinistas podem trabalhar com maior liberdade e expressividade, criando universos fantásticos e ficcionais que não precisam responder a contextos históricos ou sociais já estabelecidos. Levando isso em conta, o figurino de Rogue One: Uma História Star Wars é um dos menos ousados dessa leva, já que está limitado a respeitar as diretrizes já estabelecidas em outros filmes. Trabalhando com esses elementos já conhecidos do público da franquia, aqui se cria novas versões para as armaduras de Stormtroopers e para os novos Death Troopers e além de trajes funcionais para os rebeldes, com parcas, calças folgadas e botinas. O conjunto é coerente com a cronologia proposta e encaixa-se no contexto dos figurinos propostos para as trilogias anteriores, sobre os quais você pode ler aqui e aqui.

Nunca uma animação havia sido indicada para o prêmio do Sindicato dos Figurinistas e Kubo as Cordas Mágicas recebeu esse merecido reconhecimento, tornando-se a primeira. O filme foi realizado pelo estúdio Laika, já consagrado por suas produções em quadro a quadro utilizando bonecos de grande escala. As roupas do personagem-título, largas e fluídas, inspiradas por trajes tradicionais de diversos períodos da história do Japão, receberam estruturas internas que pudessem sustenta-las nas posições em que deveriam permanecer a cada movimento do personagem, permitindo a captura precisa do frame. Ou seja, além da beleza e variedade de peças criadas, a figurinista precisou trabalhar para torna-las adequadas à técnica utilizada na animação, usando desde linha de pesca até cabos de pirulito para o funcionamento interno das roupas. Às sedas cuidadosamente estampadas dos quimonos se juntam aos trajes das vilãs gêmeas, incluindo uma capa confeccionada com cerca de quinhentas penas. O resultado final, aliado à computação gráfica impressionante, transforma a animação em um verdadeiro espetáculo visual.

O Lar das Crianças Peculiares é um de fantasia, mas que se passa na década de 1940. A roupa da Sra. Peregrine (Eva Green) é inspirada no falcão peregrino que lhe dá o nome, com ombros pontiagudos, saia reta com barra levemente aberta e uma pena bordada nas mangas em fios metálicos. Os detalhes são sutis, não referenciando uma ave diretamente. Além disso, todas as crianças são trajadas de maneira a acentuar suas peculiaridades específicas. Esse é um trabalho que não se destaca tanto perto de outros indicados.

Já os trajes de Animais Fantásticos e Onde Habitam, da mesma figurinista, a veterana Colleen Atwood, mostra-se um trabalho muito mais esmerado, recriando a uma década de 20 ao mesmo tempo coerente com o período histórico e com um toque de excentricidade adequado à fantasia. Assim, o azul intenso combinado com ocre utilizado pelo protagonista Newt Scamander (Eddie Redmayne) o destacam do cinza da cidade de Nova York. As irmãs Tina (Katherine Waterston) e Queenie (Alison Sudol) são rapidamente diferenciadas. A primeira, trabalhadora com modos práticos e diretos, usa calças largas e blusas de algodão amarfanhadas, enquanto a segunda, romântica e aluada, recebe vestidos fluidos de cetim e renda em tons pálidos de rosa, que remetem a camisolas ou lingerie. Por fim, impressiona a atenção dedicado aos demais personagens e mesmo aos extras, com uso de bordados, estampas e adornos em profusão. É um trabalho cuidadoso e um resultado bastante bonito.

A obra que levou o prêmio, Doutor Estranho, envolve múltiplas influências de diferentes partes da Ásia. O protagonista (Benedict Cumberbatch) veste um cinto com detalhes em metal, um colar icônico em formato de olho e a sua capa vermelha, que chega a ser um personagem na história. Para auxiliar na composição do visual do personagem, a gola é exagerada, mas mantida ainda dentro de um tamanho que não atrapalhe as movimentações nem esconda o rosto do ator. O tecido, devidamente envelhecido, foi tingido em tons diversos de vermelho, brincando com texturas e sombras e criando a aparência de algo ancestral. Para que ela se movimentasse da forma adequada, um dos ombros foi sustentado por uma espécie de ombreira e o drapeado foi testado em inúmeros protótipos. Por fim, seu traje, bem como dos do Ancião (Tilda Swinton) e Mordo (Chiwetel Ejiofor) e Kaecilius (Mads Mikkelsen) são confeccionados com dobras elaboradas e camadas sobrepostas de tecidos, que remetem a origami, amarrando visual e conceitualmente os personagens.

Esse ano os figurinos indicados ao Oscar foram os já citados Florence: Quem é Essa Mulher?, Jackie, Animais Fantásticos e Onde Habitam e La La Land aos quais se soma Aliados, com figurino de Joanna Johnston. Fica claro que a Academia não quis ousar, já que os figurinos de Doutor Estranho, Animais Noturnos e Ave, César!, para citar apenas três, são mais interessantes que os dois primeiros. De toda forma o prêmio foi para Colleen Atwood, por Animais Fantásticos. Esse foi seu quarto troféu: já havia sido premiada por Chicago em 2003, Memórias de uma Gueixa em 2006 e Alice no País das Maravilhas em 2011.