[43ª Mostra de São Paulo] Sugestões de filmes

Estamos entrando na segunda semana de Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Se você não sabe ainda o que assistir, separei alguns filmes dirigidos, roteirizados ou protagonizados por mulheres como sugestão. Confira a lista:

Babenco- Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer Parou (2019), dirigido por Barbara Paz

Vencedor do prêmio de melhor documentário sobre cinema no Festival de Veneza, trata da vida do cineasta Hector Babenco.

Quando será exibido:

Sexta-feira, 25/10 CINEARTE 1 19:15

Cães do Espaço (Space Dogs, 2018), dirigido por Elsa Kremser e Levin Peter

Documentário que traça um paralelo entre os animais utilizados durante a corrida espacial e os cachorros que vivem hoje nas ruas de Moscou.

Quando será exibido:

Terça-feira, 22/10 SESC BELENZINHO 19:00

Quarta-feira, 30/10 ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 3
19:10

Uma Colônia (Une Colonie, 2018), dirigido por Geneviève Dulude-De Celles

Filme de crescimento em que uma adolescente tímida que começa o ensino médio fica amiga de um jovem indígena em sua classe. Vencedor do Urso de Cristal de melhor filme na seção Generation Kplus no Festival de Berlim.

Quando será exibido:

Segunda-feira, 21/10 INSTITUTO CPFL – SALA UMUARAMA 19:00

Sábado, 26/10 RESERVA CULTURAL – SALA 1 20:20

Deus é Mulher e Seu Nome é Petúnia (Gospod Postoi, Imeto I` E Petrunja, 2019), dirigido por Teona Strugar Mitevska

Uma mulher ousa participar de um ritual religioso do qual apenas homens tomam parte. Vencedor do Prêmio do Júri Ecumênico no Festival de Berlim.

Quando será exibido:

Sexta-feira, 25/10 PETRA BELAS ARTES SL 1 VILLA LOBOS 21:30

Sábado, 26/10 CINESALA 19:40

Domingo, 27/10 ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – AUGUSTA SALA 1 15:40

Segunda-feira, 28/10 CINESESC 15:50

Terça-feira, 29/10 ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 3 17:00

Dente de Leite (Babyteeth, 2019), dirigido por Shannon Murphy

Uma jovem doente resolve viver a vida do seu jeito, para desespero dos seus pais, uma vez que não tem nada a perder.

Quando será exibido:

Segunda-feira, 21/10 CINEARTE 1 16:20

Terça-feira, 22/10 ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 1 19:40

Sexta-feira, 25/10 CINESALA 17:50

Quarta-feira, 30/10 CINESESC 20:15

Honeyland (2018), dirigido por Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov

Documentário sobre Hatidze, uma mulher de mais de cinquenta anos que mora isolada na Macedônia e cria abelhas para produção de mel. Vencedor do Grande Prêmio do Júri da seção World Cinema de documentários no Festival de Sundance. Submissão da Macedônia do Norte para concorrer a uma vaga no prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar.

Quando será exibido:

Segunda-feira, 21/10 CINESALA 17:45

Quarta-feira, 23/10 CINESESC 22:15

Sábado, 26/10 ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 1 20:15

La Mala Noche (2019), dirigido por Gabriela Calvache

Dana é uma mulher que se prostitui para sobreviver, em virtude da doença de sua filha, mas um acontecimento inesperado faz tudo mudar. Submissão do Equador para concorrer a uma vaga no prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar.

Quando será exibido:

Quarta-feira, 23/10 ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 2 22:00

Merata: Como Minha Mãe Descolonizou a Tela (Merata: How Mum Decolonised the Screen, 2019)]

Documentário sobre a cineasta e documentarista Merata Mita, primeira mulher maori a dirigir longas metragens na Nova Zelândia.

Quando será exibido:

Sábado, 26/10 CINESALA 17:50

Quarta-feira, 30/10 ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 2 15:50

Os Olhos de Cabul (Les Hirondelles de Kaboul, 2019), dirigido por Zabou Breitman

Animação baseada no livro de Yasmina Khadra, retrata um casal de enamorados em Cabul em 1998.

Quando será exibido:

Domingo, 27/10 ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 2 22:10

Segunda-feira, 28/10 CINEARTE 1 14:30

Terça-feira, 29/10 PETRA BELAS ARTES SL 1 VILLA LOBOS 17:30

Quarta-feira, 30/10 CINESESC 16:00

Papicha (2018), dirigido por Mounia Maddour

Nedjema e suas amigas tentam a todo custo ter uma vida normal em meio a ascensão do conservadorismo e das imposições religiosas na guerra civil no final dos anos 1990. Submissão da Argélia para concorrer a uma vaga no prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar.

Quando será exibido:

Terça-feira, 22/10 ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 2 17:30

Sábado, 26/10 ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – AUGUSTA SALA 1 14:00

Segunda-feira, 28/10 CINESALA 19:45

System Crasher (2019), dirigido por Nora Fingscheidt

Benni é uma menina raivosa e violenta, com a qual nenhum profissional consegue lidar. Vencedor do Prêmio Alfred Bauer no Festival de Berlim. Submissão da Alemanha para concorrer a uma vaga no prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar.

Quando será exibido:

Quinta-feira, 24/10 ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – AUGUSTA SALA 1 19:40

Sábado, 26/10 RESERVA CULTURAL – SALA 1 15:50

Teerã Cidade do Amor (Tehran: City of Love, 2018), escrito por Maryam Najafi e Ali Jaberansari

Três estranhos que vivem sua solidão na cidade de Teerã, em uma mistura de drama com elementos de comédia romântica.

Quando será exibido:

Sexta-feira, 25/10 ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – AUGUSTA ANEXO 4 19:45

Segunda-feira, 28/10 ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – AUGUSTA SALA 1 14:00

Quarta-feira, 30/10 CINESALA 21:40

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[43ª Mostra de São Paulo] Merata: Como Minha Mãe Descolonizou a Tela (Merata: How Mum Decolonised the Screen, 2019)

Esta crítica faz parte da cobertura da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 17 e 30 de outubro na cidade.

Merata Mita foi uma mulher fascinante. Além de ativista, vocálica quando se tratava, principalmente, das questões de gênero e dos direitos indígenas, foi a primeira mulher maori a dirigir um longa metragem na Nova Zelândia, década de 1970, isso enquanto criou seus seis filhos. Seu trabalho rompeu as barreiras nacionais e a tornou conhecida em todo o mundo. O documentário que carrega seu nome, Merata: Como Minha Mãe Descolonizou a Tela, foi dirigido por seu filho mais novo, Hepi Mita.

A narração em off do diretor estreante já avisa: todas as imagens dos filmes dela, para ele, são como memórias, porque estava lá quando elas foram registradas. Esse filme, por sua vez, se beneficia da enorme quantidade dessas imagens, sejam caseiras, sejam dos filmes realizados pela cineasta, a que o jovem teve acesso, tanto por trabalhar como arquivista como pela proximidade familiar.

Merata, em imagens de arquivo, fala do desejo por indigenizar as imagens e de não fugir de temas espinhosos do país. Para ela era necessário abordar assuntos que dividiam a Nova Zelândia, especialmente o racismo contra os maori e a brutalidade policial, uma vez que esses assuntos também dizem respeito não só a eles, mas a todo lugar que foi colonizado e tudo lugar colonizador, como um legado com o qual ainda é preciso lidar.

Justamente pelo enorme interesse que o trabalho da diretora desperta é que o documentário frustra, em certa medida, quem o assiste. Talvez por não ter o distanciamento que precisaria para lidar com o seu objeto, o diretor não deixa claro aspectos cronológicos e parte da carreira dela, especialmente em Hollywood, em que pouco contexto foi dado para o que ela estava realizando.

Por outro lado, naturaliza seu trabalho como se não fosse fruto de um esforço intelectual da parte dela e nascesse da forma como foi apresentado ao mundo. A maternidade, por sua vez, é enaltecida constantemente por ele e seus irmãos, que reforçam o fato de que ela gostava de ser uma mãe. Tal fato deve ser verdade, mas é colocado quase como contraponto a sua carreira, o que faz com que a proposta do filme por vezes pareça a auto-sabotagem.

Por sorte, Merata: Como Minha Mãe Descolonizou a Tela se vale de uma protagonista que desperta interesse o suficiente para se sobrepôr aos pequenos problemas de execução dele mesmo. É impossível não sair do filme querendo ver cada um dos filmes de Merata.

Nota: 3,5 de 5 estrelas
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