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A Very Murray Christmas (2015)

A Netflix continua minerando os dados de seus usuários e, de alguma forma, chegou conclusão que as pessoas que se interessam por filmes da Sofia Coppola e Bill Murray (posssivelmente Encontros e Desencontros?) também gostam de especiais de Natal. É isso mesmo? Bom, de qualquer forma o serviço de streaming produziu A Very Murray Christmas, um musical de temática natalina dirigido por Coppola e estrelado por Murray. O ator interpreta uma versão dele mesmo, rabugento e antissocial, que faria um show especial, mas vê sua platéia vazia graças a uma enorme tempestade de neve em Nova York. Isolado no hotel em que o espetáculo ocorreria juntamente com alguns hóspedes e funcionários, ele resolve reunir todos no salão para que possam banquetear com as comidas de um casamento que foi cancelado.

O que se segue é um constrangedor karaokê de pessoas famosas. O elenco impressiona: Chris Rock, Amy Poehler, Maya Rudolph, Rashida Jones, Michael Cera, George Clooney, Jason Schwartzman, entre outros, intercalam gags sem timing cômico com canções de Natal.

Com o desenrolar do filme a dinâmica entre os convidados parece assentar um pouco melhor, até chegar em uma sequência de sonho em que Murray faz um dueto com Miley Cyrus. As músicas escolhidas são Sleigh Ride, Noite Feliz Let it Snow e o resultado é o melhor número dentre os apresentados. Mas logo em seguida vem a embaroçosa Santa Claus Wants Some Lovin, com George Clooney e tudo volta ao desconforto anterior.

É possível que muitas pessoas apreciem músicas natalinas. Elas costumam carregar uma certa melancolia que casa com o ar nostálgico vinculado ao final de ano. Especiais de Natal recheados de celebridades tentando conferir um ar de carinho e união às Festas são tradicionais. Tentar fazer graça com esse tipo de programa e de canção pode ser bastante difícil e A Very Murray Christmas falha ao tentar satiriza-los sem alcançar a notas certas de humor, tornando-se, por fim, quase tão enfadonho quanto o material original.

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É o Fim (This is the End/ 2013)

Assistido em 12/10/2013

Teoricamente esse filme é uma comédia, escrita e dirigida por Seth Rogen. Não gosto dos filmes dele nem do Judd Apatow, que costumo colocar na mesma categoria de comediantes excessivamente elogiados, pouco cientes de seus privilégios de homem-branco-heterossexual, um tanto quanto infantis e que definitivamente não sabem escrever mulheres. Resumindo, são aqueles que escrevem comédias para os caras que moram com a mãe depois dos trinta. É o Fim tem a proposta de ser uma comédia sobre o fim dos tempos, em que os atores interpretam a si mesmos: uma ideia boa que foi desperdiçada. Tudo começa em uma festa na casa de James Franco, em que Seth Rogen e Jay Baruchel vão a contragosto do segundo. Lá estão Jonah Hill, Craig Robinson e outros artistas. Durante a festa ocorre o Arrebatamento do apocalipse, mas ninguém percebe pois nenhum dos presentes é arrebatado. Com o mundo acabando lá fora, o grupo de sobreviventes se refugia na casa de Franco. A parte inicial tem alguma graça devido às piadas com referências às próprias carreiras dos atores. Eles gravam um vídeo-diário usando a câmera de mão que James Franco utilizou em 127 Horas. Michael Cera drogado e tarado é engraçado pelo contraste com a figura dele na vida real. Algumas participações especiais se destacam, como de Emma Watson, além das brevíssimas de Rihanna e Paul Rudd (que deveria ter permanecido mais tempo em cena). Outras são (propositalmente) vergonhosas, como de Channing Tatum. O “vilão”, Danny McBride, consegue, pelo menos, gerar total antipatia ao longo da trama. Daí para frente tudo se desenrola em torno de piadas sem graça. O fato é que a premissa do filme poderia ter rendido um material minimamente engraçado, mas no final das contas o excesso de egos envolvidos parece ter prejudicado o resultado. A infantilidade com que se lida com o humor é ridícula. Alguém com mais de dez anos acha graça em piadas de pênis? O filme todo é repleto delas, em todas as vertentes possíveis. O que me espanta são as boas avaliações que o filme tem ganhado em diversos veículos. Passo.

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