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Os 25 Melhores Filmes de 2013 Que Não São de 2013

Este foi um ano em que assisti muitos filmes. Propus-me a escrever sobre todos que visse, mas falhei , pois a contagem já passou de duzentos, nem todos foram muito interessantes e em muitos casos faltou tempo ou vontade. Dentre esse grande número de filmes vistos, poucos realmente eram desse ano: são muitos filmes clássicos ou que deixei passar batido na infância para dar conta de cobrir nessa vida cinéfila. A proposta dessa lista é levantar os melhores filmes que vi pela primeira vez e que não são lançamentos desse ano, uma verdadeira tarefa ingrata. Acabei selecionando vinte e cinco, deixando de fora muitos que amei, com dor no coração. Não vou ranquear em nenhuma ordem de preferência: a ordem da lista é simplesmente cronológica, pela data que assisti. Para facilitar, dividirei-os grosseiramente em gêneros. E como toda lista, claro que semana que vem já vou ter mudado de ideia a respeito dela! Para ler meu comentário sobre cada um, basta clicar no link.

DRAMA

La piel que habito

A Pele que Habito (La Piel Que Habito/ 2011)

Direção: Pedro Almodóvar

 

 

 

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Holy Motors (2012)

Direção: Leos Carax

 

 

 

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Melancolia (Melancholia/ 2011)

Direção: Lars von Trier

 

 

 

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A Malvada (All About Eve/ 1950)

Direção: Joseph L. Mankiewicz

 

 

 

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Crepúsculo dos Deuses (Sunset Blvd/ 1950)

Direção: Billy Wilder

 

 

 

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Os Sapatinhos Vermelhos (The Red Shoes/ 1948)

Direção: Michael Powell, Emeric Pressburger

 

 

 

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O Que Aconteceu Com Baby Jane? (Whatever Happened to Baby Jane?/ 1962)

Direção: Robert Aldrich

 

 

 

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Oldboy (Oldeuboi/ 2003)

Direção: Chan-wook Park

 

 

 

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Barry Lyndon (1975)

Direção: Stanley Kubrick

 

 

 

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A Árvore da Vida (The Tree of Life/2011)

Direção: Terrence Malick

 

 

 

COMÉDIA

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Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot/ 1959)

Direção:  Billy Wilder

 

 

 

ROMANCE

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Gilda (1946)

Direção: Charles Vidor

 

 

 

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Anjo das Ruas (Street Angel/ 1928)

Direção: Frank Borzage

 

 

 

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Tudo que o Céu Permite (All That Heaven Allows/ 1955)

Direção: Douglas Sirk

 

 

 

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A Época da Inocência (The Age of Innocence/ 1993)

Direção: Martin Scorsese

 

 

 

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Aurora (Sunrise: a Song of Two Humans/1927)

Direção: F.W. Murnau

 

 

 

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Jodhaa Akbar (2008)

Direção: Ashutosh Gowariker

 

 

 

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Tarde Demais Para Esquecer (An Affair to Remember/ 1957)

Direção: Leo McCarey

 

 

 

MUSICAL

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Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain/ 1952)

Direção: Stanley Donen, Gene Kelly

 

 

 

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The Rocky Horror Picture Show (1975) 

Direção: Jim Sharman

 

 

 

SUSPENSE E TERROR

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Festim Diabólico (Rope/ 1948)

Direção: Alfred Hitchcock

 

 

 

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O Enigma de Outro Mundo (The Thing/1982)

Direção: John Carpenter

 

 

 

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Alien, o Oitavo Passageiro (Alien/ 1979)

Direção: Ridley Scott

 

 

 

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O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby/ 1968)

Direção: Roman Polanski

 

 

 

AÇÃO 

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Robocop – O Policial do Futuro (Robocop/1987)

Direção: Paul Verhoeven

A Turba (The Crowd/ 1928)

Assistido 20/08/2013

A Turba, dirigido por King Vidor, pode não ser ter tantas inovações técnicas como Aurora, mas sua história melodramática funciona muito bem.

Em 4 de julho de 1900 nasce John (James Murray) e seu pai previu que a ele seria destinado coisas grandes. Aos 21 anos migrou para Nova York, para, conforme a narração, se juntar aos sete milhões que achavam que a cidade precisava deles. Esperançoso, arrumou um emprego em um escritório e continuou estudando de noite, falando o tempo todo sobre quando as coisas darão certo para ele. Tornou-se mais um número em uma multidão de trabalhadores anônimos. Um dia, Bert, seu colega de trabalho, o convidou para um encontro com duas garotas que havia conhecido. Sua acompanhante era Mary e nesse dia ambos riram de um homem vestido de palhaço fazendo propaganda na rua. John casou-se com Mary e tinha grandes ambições e planos. As promoções e aumentos nunca vieram, mas os filhos sim. Como uma espécie de “Foi Apenas um Sonho” mudo, ambos vêm todas as suas expectativas se frustrarem ao longo dos anos.

A película é cheia de momentos chaves emocionantes e a atuação dramática do casal de protagonistas os potencializa. Talvez o que menos combine com o tom do filme seja seu final, mas que em nada desmerece o conjunto.

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Aurora (Sunrise: a Song of Two Humans/1927)

Assistido em 16/08/2013

Dirigido por F. W. Murnau, esse filme é uma obra de arte prodigiosa e cheia de técnicas impressionantes em sua execução. Realizado nos Estados Unidos, com atores do país, por causa de seu diretor parece encaixar-se na escola do Expressionismo Alemão.

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Na história um Homem (George O’Brien), fazendeiro simples, pensa em matar sua Esposa (Janet Gaynor), pois está traindo com a Garota da Cidade (Margaret Livingston), que quer que ele venda sua fazenda e vá morar com ela. Ele decide convidar a Esposa para um passeio de barco. Cada vez mais sinistro e atormentado por suas decisões, levanta-se no barco para atacá-la, mas não consegue concretizar seu intento. A Esposa , magoada, foge dele na cidade, enquanto ele pede perdão. Juntos passam por um dia de maravilhas, até seu retorno de noite no barco, quando são atingidos por uma tempestade. Trata-se de um conto de alerta contra os vícios da cidade, enaltecendo a vida simples, ao mesmo tempo em que ironicamente mostra os prazeres de uma visita a ela.

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Gaynor é uma ótima atriz (e demonstra isso também em Anjo das Ruas, no ano seguinte) e com seu olhar claro e sua expressão facial doce nos encanta com a bondade da Esposa. É difícil aceitar que ela perdoaria o Homem tão rápido, até porque ele já demonstrou ser violento também em ralação à Garota da Cidade.

A história em si é um melodrama escrito com mãos pesadas, um relato de casamento salvo e amor recuperado, mas a direção é impecável. A iluminação nas cenas é linda. Os efeitos especiais, como cenas em que há dupla exposição do filme, são muito bem feitos. Em outra cena o casal caminha entre carros que passam ao redor dele e percebe-se claramente a montagem, mas a técnica é bem executada. Além disso esse foi o primeiro filme da Fox a ter trilha sincronizada, ou seja, é mudo, mas possui barulhos como sino da igreja, aplausos, grunhidos de um porco, assovios e vento soprando, tudo sincronizado de forma impressionante. Não há com assistir essa película sem se encantar pelo menos pela técnica apresentada.

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Lírio Partido (Broken Blossoms/ 1919)

Assistido em 06/08/2013

Depois de tantas pirotecnias de filmes contemporâneos (ruins) achei interessante assistir um filme mudo para descansar. O escolhido foi Lírio Partido, um drama de D. W. Griffith. Confesso que foi o seu primeiro filme que assisti inteiro, pois depois de algumas tentativas, nunca passei da metade de O Nascimento de uma Nação, considerado o seu maior.

Lírio partido conta a história de rapaz identificado apenas como O Homem Amarelo (Richard Barthelmess), chinês que vê marinheiros ocidentais brigando e resolve pregar a paz de Buda na Inglaterra. Mas lá só encontra pobreza, falta de perspetiva e vícios e acaba deixando sua própria fé de lado. Passado algum tempo, sendo proprietário de uma pequena loja em um bairro a beira de um cais, ele se encanta com a beleza da mocinha Lucy (Lilian Gish). Ela tem 15 anos e é filha de um boxeador beberão e violento, Battling Burrows (Donald Crisp) que a espanca e chicoteia rotineiramente. Certo dia, após um sessão de chicotadas, sai caminhando trôpega pelas ruas e cai desmaiada dentro da loja do Homem Amarelo. Ele passa a cuidar dela como nunca fez na vida e assim eles se apaixonam.

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Lilian Gish é uma atriz absolutamente fantástica. Expressa intensamente a doçura, a tristeza e o terror de sua personagem. O gesto em que empurra o canto dos lábios para cima com os dedos, obrigando-se a sorrir, é muito bonito, embora tenha sido usado demasiadamente ao longo do filme. A cena em que se tranca dentro de um armário para fugir da violência de seu pai é intensa e impressiona (e faz lembrar O Iluminado…). Donald Crisp já não segue esse mesmo realismo: sua atuação é mais exagerada e teatral. Mas considerando o período em que o filme foi feito e o tipo de violência retratada, acho justificável e não atrapalha o desenrolar da história. O que atrapalha um pouco para meus olhos contemporâneos é Richard Barthelmess, com maquiagem amarelada, olhos esticados, atuando com eles semicerrados e postura corcunda, para dar vida ao seu chinês. É um caso de “yellow face” que, como todos, pode ser explicado pelo racismo de Hollywood, já que diversos atores chineses são vistos fazendo figuração ao longo do filme. De qualquer forma não deixa de ser irônico pensar no escândalo que seria um casal inter-racial protagonizando um filme que trata justamente do preconceito racista e xenofóbico contra os chineses.

bbliliangish As cores do filme são muito interessantes. Cores, sim, pois apesar de ser filmado em preto e branco, as cenas são tingidas eventualmente, amarelo ou vermelho, criando um efeito interessante em relação aos cenários. Em outros momentos tudo permanece no preto e branco padrão.

Belíssimo o último ato, quando O Homem Amarelo redescobre sua fé e reorganiza seu altar para Buda, enquanto na China, um monge toca os sinos em um mosteiro. O final, trágico, como era de se esperar, casa com a história.

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As Docas de Nova York (The Docks of New York/ 1928)

Assistido em 05/02/2013 


(Obs: para o curso The Language of Hollywood: Storytelling, Sound, and Color; da Wesleyan University, disponível em coursera.org)
Praticamente um contraponto a Anjo das Ruas, Docas de Nova York é um filme cínico e cru, embora tenha a sua redenção. Já começa com os sujos trabalhadores de uma caldeira em navio que está aportando na cidade. Com a trilha sonora composta de forma sincronizada à imagem, praticamente podemos ouvir o barulho do navio aportando. Bill Roberts, um dos trabalhadores, salva uma moça que havia se lançado à água em uma tentativa de suicídio. Ele leva ela ao bar frequentado pelo pessoal do porto, que tem um hotel anexo. Com ajuda das mulheres dos bar, a moça é reanimada. Uma das mulheres era a esposa de outro homem do navio, que não o via há três anos. Os frequentadores são sujos, barulhentos (embora não possamos ouvi-los), briguentos, vulgares e beberrões. Bill e a mocinha resolvem se casar naquela mesma noite, mas com motivos diferentes. Ela quer se tornar uma boa esposa e aparenta não aguentar mais essa vida das docas e ele quer aproveitar a única noite em terra firme antes de retornar ao navio. O quarto da lua-de-mel tem paredes que não são paralelas e uma janela caindo para um lado, que abre para o mar cheio de gaivotas. Tudo é torto e ainda assim bonito, até os personagens, seres humanos falhos. Não é uma experiência de poesia transcendental como Anjo das Ruas, nem o uso do som integrado é tão perceptível, mas ainda assim, não deixa de ser um bom filme.

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