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Magic Mike XXL (2015)

Sequência do filme Magic Mike, de 2012, dirigido por Steven Soderbergh, Magic Mike XXL chegou aos cinemas com direção de Gregory Jacobs e com Soderbergh responsável pela fotografia. O primeiro, parcialmente baseado nas experiências do ator Chaning Tatum como dançarino, atraiu uma multidão aos cinemas e arrecadou mais de 15 vezes o que custou, nos Estados Unidos. A sequência, portanto era certa. Acontece que o público que procurou um filme protagonizado por homens strippers (desculpe, male entertainers”)  encontrou nele uma tentativa de romance convencional, um conto de alerta sobre o mundo das drogas nos bastidores do mercado do sexo e um retrato da exploração da mão de obra no mesmo. Os envolvidos tentaram criar um “filme sério”, apesar da temática. Foi um bom, filme? Foi. Mas talvez não exatamente o que era esperado.

Já essa sequência, liberta dessas amarras, parece ter levado mais em conta as expectativas do público: Mike (Channing Tatum) não está mais namorando e os negócios na indústria moveleira, pela qual ele abandonou os palcos no final do primeiro filme, não vão tão bem como o esperado. Dallas (Matthew McConaughey) foi embora do país. Mike, Big Dick Richie (Joe Manganiello), Tarzan (Kevin Nash), Tito (Adam Rodriguez) e Ken (Matt Bomer) estão de volta para uma última apresentação em uma convenção de strippers e decidem que ela vai refletir suas reais vontades, afinal, nenhum deles nunca quis ser um bombeiro ou um policial. O filme possui uma estrutura de road movie aliado ao de assalto ao banco, em que cada personagem trabalha com seu forte pelo bem do grupo. Dessa vez o moralismo presente no primeiro foi deixado de lado: o bom humor predomina e o ponto central do filme são as cenas de dança. Dança, sim, pois os personagens mais parecem dançarinos em suas performances do que strippers propriamente ditos. Em sua jornada, mais importa a interação entre o grupo e a alegria em se apresentar do que a performance em si. Talvez por isso os números finais, discutidos com tanto carinho ao longo do filme, não sejam os melhores: isso não é mais relevante.

O ponto forte do filme é como ele mostra seus protagonistas não mais soterrados em problemas de trabalho, mas encarando-o com bom humor e como uma possibilidade de proporcionar alegria e auto-estima às mulheres. Em determinado momento, dois personagens conversam jocosamente sobre serem como curandeiros. Não é por acaso que a melhor cena, que já está no trailer, é aquela em que Richie, inseguro quanto às suas próprias capacidade, é desafiado pelos demais a fazer uma mulher sorrir. A escolhida trabalha no caixa de um mercadinho de beira de estrada e a técnica é uma dança ao som de Backstreet Boys, realizada enquanto os demais incentivam e comemoram do lado de fora da vitrine. Em outro momento do filme, os rapazes invadem, sem saber, um encontro de amigas, todas mulheres mais velhas, com idade para ter filhas adolescentes, lideradas por Nancy (Andie MacDowell). Nesse momento o foco da conversa é sobre o pouco cuidado que os homens de suas vidas tem com o prazer e a expressão da sexualidade delas. O tempo inteiro o grupo fala sobre a necessidade de dar às mulheres o que elas querem.

Se por um lado a abordagem nesse sentido é divertida e bastante aberta e o grupo sempre fala que é preciso pensar nas mulheres e nas suas vontades, impressiona o quão pouca voz elas realmente tem. Com exceção da apresentadora Rome (Jada Pinkett Smith), de Zoe (Amber Heard), uma fotógrafa que encontram pelo caminho e a já citada Nancy, poucas das mulheres retratadas se expressam. Isso em uma obra que buscou mostrar diversidade étnica, de idade e de forma física entre elas.

Rome é uma boa substituta para Dallas e tem boa desenvoltura e expressividade. (É preciso ter nome de cidade para ser mestre de cerimônias?). Quando adentramos em seu clube, por exemplo, ela discursa sobre como suas frequentadoras são adoradas como deusas e rainhas: assim mesmo, na voz passiva. A essa massa de mulheres sem nome não é dado o momento de expressar seus desejos reais: são os performers que decidem o que elas querem e, na visão deles, parece que toda mulher quer que um homem a jogue no chão e rebole a pélvis muito próximo de seu rosto. Muitas dessas espectadoras são utilizadas como acessórios ou mesmo móveis (mesas e cadeiras) de apoio nos números dos homens. Em uma cena perto do final, Zoe é chamada por Mike para cima do palco e mesmo tendo negado veementemente, é levada até lá e literalmente jogada ao ar e rodopiada no chão em um número bastante acrobático. Se os strippers  devem fazer o que as mulheres querem, por que não perguntam o que seria isso e não respeitam uma negativa?

Por outro lado, a trama se preocupa em desvelar o lado romântico dos rapazes. Big Dick Richie quer encontrar uma companheira que aceite a anatomia avantajada que lhe conferiu o apelido; Tarzan afirma que largaria sem pestanejar essa profissão se encontrasse uma mulher que quisesse se casar com ele; Mike lida com a decepção do fim do relacionamento anterior; e Richie, novamente tem como sonho fazer uma apresentação em que simula um casamento no palco. Essa última apresentação seria, como as anteriores, um representativo do que as mulheres que os assistem gostariam de ter. Mas os demais itens existem porque é isso que os responsáveis pelo filme imaginam que o público feminino dele deseja: um lado sensível e romântico para nossos heróis performáticos. Mas será?

Em um ano em que o filme 50 Tons de Cinza gerou tanta discussão e muito se falou sobre consentimento, Magic Mike XXL vem sendo aplaudido por uma abordagem feminista. A variedade mulheres representadas é uma surpresa agradável em um filme protagonizado por um grupo numeroso de homens. A forma como elas são incentivadas a explorarem sua sexualidade e seus desejos de maneira aberta, ao mesmo tempo em que os homens, ainda que em um contexto heteronormativo, são repreendidos por não se preocuparem com o prazer delas, é bastante positiva. Mas em se tratando se “fazer a vontade das mulheres”, talvez faltou a percepção de que “mulheres” é um grupo heterogêneo, que implica nos mais diversos desejos, que podem ou não ser abarcados pelo que foi mostrado no filme. De qualquer forma, as que aparecem em cena não são perguntadas sobre suas vontades e nem dão consentimento explícito, a não ser que se considere que ele seja expresso na compra do ingresso do show, aceitando o que dele vier. O irônico disso tudo é que se “as mulheres”, ao invés de serem adoradas (na voz passiva), se expressassem (na voz ativa), talvez os roteiristas, os produtores, o diretor, os atores principais (todos homens) pudessem ter uma melhor percepção da realidade nesse sentido.

Dito isso, quando se preocupa menos em pregar um discurso que nem sempre é capaz de seguir e mais em divertir sem amarras, Magic Mike XXL é um um filme delicioso. A dinâmica do relacionamento entre os cinco personagens é ótima, ainda que alguns merecessem mais desenvolvimento. O humor é leve e funciona como deve e Chaning Tatum dança muito bem. O controle que ele possui sobre sua própria fisicalidade é impressionante. O tom desse filme está mais de acordo com a temática escolhida. Quem sabe em um verão futuro não seja lançado um Magic Mike 3 que confira mais agência às suas personagens femininas?

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Figurino: Cinderela em Paris

Texto originalmente publicado na coluna Vestindo o Filme em 17/09/2014.

Banish the black, burn the blue, and bury the beige. From now on, girls, think pink!

Cinderela em Paris, de 1957, é um filme que reúne múltiplos talentos em sua execução. O diretor é Stanley Donen, que cinco anos antes havia entregue Cantando na Chuva, um dos melhores musicais de todos os tempos. Os atores principais são Audrey Hepburn, que se estabelecia como estrela após o sucesso de A Princesa e o Plebeu e Sabrina; e Fred Astaire, já veterano. A figurinista é Edith Head, figura mítica da profissão, com nada menos que trinta e cinco indicações ao Oscar no currículo, das quais ganhou oito estatuetas.
Os créditos de abertura apresentam belas fotos de Richard Avedon, fotógrafo de moda que prestou consultoria ao filme e que inspirou o personagem principal.

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A trama deste musical é uma história de “patinho feio”: Audrey Hepburn é Jo Stockton, uma livreira que não se importa com a aparência, mas que é apontada como modelo em potencial pelo fotógrafo Dick Avery (Astaire), que convence a editora da revista Quality, Maggie Prescott a leva-la para Paris. Quem interpreta esta última é Kay Thompson, instrutora de técnica vocal da Paramount, que raramente aparecia diante das câmeras.
Maggie está insatisfeita com a edição da revista que está sendo preparada e se preocupa com a “mulher americana, que está lá, nua, esperando que eu diga o que ela deve vestir”. Todas as trabalhadoras do mundo editorial vestem cores neutras. Para salvar a revista, Maggie decide que a nova cor da moda será o rosa.

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Logo em seguida as assistentes do escritório passam a vestir-se de maneira monocromática, todas de rosa, aderindo prontamente ao mando da editora. É interessante perceber que ela mesma não faz o mesmo: dita a moda, mas não necessariamente a segue. A sequência musical é viva e memorável.

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Dick Avedon está preparando um ensaio fotográfico com Marion, interpretada por Dovima, grande modelo da época. Para alterar a aparência clássica de Fred Astaire, conferindo-lhe um ar um pouco mais artístico, utiliza-se um lenço vermelho amarrado em sua cintura, ao invés de um cinto. Mas não há engano: ele não é um fotógrafo da boemia, e sim do establishment. Por isso jamais se veste de maneira totalmente informal.

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Com a ideia de utilizar uma antiga livraria como cenário para as fotos, vemos Jo pela primeira vez, trabalhando no local escolhido. Quando a avistamos pela primeira vez, o que vemos é um mocassim desgastado e meias grossas, além de uma saia longa, todos marrons. Sua roupa é completada por uma blusa preta de gola alta e uma espécie de colete longo e cinza. No trabalho se veste apenas de não-cores e com formas simples e antiquadas.

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Por causa de sua figuração nas fotos de Marion, Jo é apontada como a nova face da revista Quality.

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Já em Paris, Jo mostra-se conhecedora das últimas modas entre os intelectuais da época: ao ir para um bar, veste-se como uma autêntica beatnik, com calça cigarrete, blusa de gola alta e mocassim, todos pretos, acompanhados de meia branca. O movimento, tão alheio à moda mainstream, ainda assim possuía uma maneira de vestir fortemente codificada e padronizada. O ambiente é sempre cheio de fumaça de cigarro e as pessoas que o frequentam são apresentadas como sendo estranhas. Dick permanece deslocado com sua roupa excessivamente formal. A cena de dança que se segue é marcante e inspirou muitas obras posteriores.

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Quando voltam para a pousada, ele veste uma capa com forro vermelho, providencial para execução da próxima dança, que emula uma tourada.

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Após a sua transformação em modelo profissional, Jo veste o tom de rosa ditado pela revista, mostrando ainda manipulada por esse novo mundo em que adentra.

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Em seguida Dick e ela preparam o editorial para a revista. Todas as roupas vestidas por Audrey são criações de Hubert de Givenchy, estilista da marca homônima que vestia Audrey Hepburn dentro e fora das telas. A aliança favoreceu ambos e alçou a atriz a ícone da moda, lembrada especialmente com o “pretinho básico” da marca em Bonequinha de Luxo. As roupas exibidas mostram a variedade de criações da alta-costura e refletem a moda de então.

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Jo escapa de sua agenda de atividades para conhecer o professor Emile Flostre (Michel Auclair), filósofo responsável pelo empaticalismo, corrente filosófica que a atrai. Dick e Maggie vão procura-la e para isso também se disfarçam, com direito a golas altas pretas, boina e xadrez. Dick é extremamente controlador em relação a modelo.

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De volta ao desfile, Jo veste mais alguns vestidos Givenchy. Ela não mais exibe o rosa da revista, mas a equipe que trabalha nos bastidores, incluindo Maggie, é que passou a se vestir de preto e branco, influenciados pela estética beatnik, mostrando que Jo se estabeleceu como modelo, dessa vez mantendo seu próprio estilo e influenciando os demais.

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Mas o arco de desenvolvimento da personagem só termina com a confirmação do romance até então delineado, após desfilar trajando um vestido de noiva

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Cinderela em Paris tem bela fotografia, trajes bonitos e cenas de dança bem realizadas. Infelizmente, como Sete Noivas para Sete Irmãos, também dirigido por Stanley Donen, é prejudicado por um roteiro que se mostra datado e machista. Apesar disso, graças a tantos grandes talentos envolvidos, a execução é tecnicamente impecável. A leve crítica ao mesmo tempo ao mundo dos editoriais de moda e suas escolhas aleatórias e ao esnobismo da intelectualidade e do movimento existencialista, quer dizer, empaticalista, é divertida. Nessa lógica, o que é válido é o colorido escapismo provido pelos musicais da década de 50.

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Os 30 Melhores Filmes de 2014 que não são de 2014

Nessa época todos estão preparando suas listas de melhores do ano e como ainda estou descobrindo pérolas e cavocando coisas que ainda não assisti, elaborei a lista das melhores descobertas, ou seja, filmes assistidos pela primeira vez este ano e que não são de 2014. O ano ainda não acabou e até agora foram 284 filmes assistidos, o que tornou a tarefa extremamente difícil. Consegui selecionar trinta dos melhores filmes que vi e muitos incríveis ficaram de fora. No caso de diretores em que mais de um filme entraria na lista ou foi bem avaliado, optei por manter só um e abrir espaço para outros. Os demais filmes desses diretores serão listados junto ao filme escolhido. Não vou colocar eles em um ranking: a ordem é cronológica, pela data de lançamento. Desta vez optei por manter a nota que dei, de zero a cinco estrelas, na data em que assisti. Essa avaliação é subjetiva e segue critérios comparativos pessoais, o que significa que por vezes posso ter gostado mais de um filme com quatro estrelas do que um com cinco, por exemplo. No ano passado eu havia escrito sobre cada um dos filmes assistidos e esse ano fiquei devendo, mas caso haja algum post com comentário ou análise do filme, o link está no título do mesmo. (Para ler a lista de 2013 clique aqui). Para ver a versão dessa lista no Letterboxd, acesse aqui. Segue a lista:

 

Baseball Buster  Bancando o Águia (Sherlock Jr., 1924)

Direção: Buster Keaton

★★★★★

Divertido, bem realizado e com efeitos práticos muito bons.

 

 

 

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Direção: Fritz Lang

★★★★★

Suspense bem construído sobre a natureza pouco bondosa do ser humano.

Outros filmes: Os Corruptos (The Big Heat, 1953) ★★★★

 

 

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A Loja da Esquina (The Shop Around The Corner, 1940)

Direção: Ernst Lubitsch

★★★★

Filme adorável, que se favorece do carisma de seus protagonistas. Teve uma refilmagem com Tom Hanks e Meg Ryan, Mensagem Para Você, mas é muito melhor, claro.

 

 

 

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Amar Foi Minha Ruína (Leave Her to Heaven, 1945)

Direção: John M. Stahl

★★★★

Tenso.

 

 

 

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Desencanto (Brief Encounter, 1945)

Direção: David Lean

★★★★1/2

Uma bela construção do relacionamento efêmero sob o ponto de vista de uma dona de casa descontente com sua vida.

 

 

 

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Nasce uma Estrela (A Star is Born, 1954)

Direção: George Cuckor

★★★★1/2

Faz o estilo do que Hollywood produz de mais escapista, mas Judy Garland brilha.

Outros filmes: A Costela de Adão (Adam’s Rib, 1949) ★★★★

 

 

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A Palavra (Ordet, 1955)

Direção: Carl Theodor Dreyer

★★★★

Intenso e esteticamente impecável.

Outros filmes: A Paixão de Joana d’Arc (La passion de Jeanne d’Arc, 1928) ★★★★

 

 

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A Marca da Maldade (Touch of Evil, 1958)

Direção: Orson Welles

★★★★★

Já seria digno de entrar na lista apenas pelo plano-sequência inicial, mas o restante do filme compensa à altura.

 

 

 

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A Balada de Narayama (The Ballad of Narayama, 1958)

Direção: Keisuke Kinoshita

★★★★

Assistir a esse filme é uma experiência interessante de desprendimento cultural, uma vez que ele parece um kabuki, mas funciona porque tudo é muito bonito e repleto de emoção.

 

 

 

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Charada (Charade, 1963)

Direção: Stanley Donen

★★★★★

O melhor filme do Hitchcock que Hitchcock jamais dirigiu.

 

 

 

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Quem tem medo de Virgínia Woolf (Who’s Afraid of Virginia Woolf?, 1966)

Direção: Mike Nichols

★★★★★

Fica claro que é uma adaptação de peça de teatro, mas os diálogos são intensos e as interpretações fenomenais.

Outros filmes: A Primeira Noite de um Homem (The Graduate, 1967) ★★★★1/2

 

 

bonnie_and_clyde_ver5  Bonnie e Clyde- Uma Rajada de Balas (Bonnie and Clyde, 1967)

Direção: Arthur Penn

★★★★1/2

 

Tem um leve humor ao retratar uma história de amor e crime que está fadada ao fracasso.

 

 

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Perdidos na Noite (Midnight Cowboy, 1969)

Direção: John Schlesinger

★★★★1/2

Um otimismo torto em meio à falta de perspectiva.

 

 

 

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Direção: Dennis Hopper

★★★★1/2

A coisa mais linda desse filme é pensar em como ele já retrata a geração da época de forma crítica, mostrando que não há saída para o tipo de mudança de sociedade que eles propunham. Lindo e triste.

 

 

butch cassidy and the sundance kid  Butch Cassidy (Butch Cassidy and the Sundance Kid, 1969)

Direção: George Roy Hill

★★★★1/2

Bromance, western, humor e luta contra o establishment: como não amar?

 

 

 

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Aguirre: a Cólera dos Deuses (The Wrath of God, 1972)

Direção: Werner Herzog

★★★★1/2

Uma experiência visual de megalomania.

Outros filmes: Fitzcarraldo (1982) ★★★★

 

 

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Direção: Francis Ford Coppola

★★★★★

Não sei nem o que falar sobre esse filme, mas Marlon Brando é deus.

Outros filmes: A Conversação (The Conversation, 1974) ★★★★1/2

 

 

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Direção: Ingmar Bergman

★★★★★

Uma narrativa bonita, cheia de detalhes e com toques auto-biográficos.

Outros filmes: Sorrisos de Uma Noite de Amor (Sommarnattens leende, 1955) ★★★★

 

 

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Amadeus (1984)

Direção: Milos Forman

★★★★★

Produção caprichada, recheada de personagens muito humanos, de egos em luta, da busca pela arte e de figurinos impecáveis.

Outros filmes: Valmont (1989) ★★★★

 

 

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Os Bons Companheiros (Goodfellas, 1990)

Direção: Martin Scorsese

★★★★★

Não sei nem o que escrever. Coisa linda.

Outros filmes: Touro Indomável (Raging Bull, 1980) ★★★★★
Cassino (Casino, 1995) ★★★★★
O Rei da Comédia (The King of Comedy, 1982) ★★★★
O Aviador (The Aviator, 2004) ★★★★

 

barton_fink  Barton Fink – Delírios de Hollywood (Barton Fink, 1991)

Direção: Joel e Ethan Coen

★★★★★

A obsessão e angústia da dificuldade de criar, enquanto artista, em um retrato pungente e meio desesperador.

Outros filmes: Gosto de Sangue (Blood Simple, 1984) ★★★★1/2
O Homem Que Não Estava Lá (The Man Who Wasn’t There, 2001) ★★★★1/2

 

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Orlando

Direção: Sally Potter

★★★★1/2

Baseado no romance de Virginia Woolf, trata com leveza da história de Orlando, o jovem aristocrata que vira mulher ao longo das décadas e séculos, desconstruindo expectativas de gênero.

 

 

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Ed Wood (1994)

Direção: Tim Burton

★★★★

Uma declaração de amor ao cinema, ainda que ao mais tosco possível.

 

 

 

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Direção: Paul Thomas Anderson

★★★★1/2

Produção impecável e grandes atuações em um drama com pitadas de humor que no mínimo é memorável.

 

 

 

dancerinthedark  Dançando no Escuro (Dancer in the Dark, 2000)

Direção: Lars von Trier

★★★★

Von Trier torturando sua protagonista, como sempre, e criando um musical irônico, nada escapista, cheio de beleza e de uma tristeza imensa.

Outros filmes: Ondas do Destino (Breaking the Waves, 1996) ★★★★

 

 

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Hedwig – Rock, Amor e Traição (Hedwig and the andry inch, 2001)

Direção: John Cameron Mitchell

★★★★★

Hedwig é uma personagem tão humana que é impossível não se apaixonar por ela e sua busca por amor é repleta de músicas que ficam martelando na cabeça muito tempo depois de o filme terminar.

 

 

brodre_xlg  Brothers (Brødre, 2004)

Direção: Susanne Bier

★★★★

Não dá pra negar que Susanne Bier pesa a mão no drama, mas sua direção é feita com a mesma mão firme.

Outros filmes: Em um Mundo Melhor (Hævnen, 2010) ★★★★

 

 

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Caché (2005)

Direção: Michael Haneke

★★★★★

Explicações não combinam com esse filme: ele é uma experiência cheia de suspense, mas que não se limita a ele. Posso dizer que são sobre pessoas, sobre vigilância, sobre colonialismo, mas isoladamente nenhum desses itens abarcam o que é ver o conjunto.

 

 

 

synecdoche_new_york  Sinédoque, Nova York (Synecdoche, New York, 2008)

Direção: Charlie Kaufman

★★★★★

Sempre gostei de Kaufman como roteirista e ele está mais Kaufman do que nunca nessa megalomania em forma de criação metalinguisticamente (?) megalomaníaca.

 

 

 

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Anjos da Lei (21 Jump Street, 2012)

Direção: Phil Lord e Christopher Miller

★★★★

A lista é minha e coloco o que eu quiser. 😛 Mas esse filme realmente me surpreendeu e me fez rir muito. Atuações boas e carisma da dupla de protagonistas ajuda.

 

 

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Dançando no Escuro (Dancer in the Dark, 2000)

Lars von Trier é sempre uma figura difícil, com obras interessantes e espinhosas de analisar. Dançando no Escuro é um filme que em certos aspectos se diferencia do restante da filmografia do diretor. Protagonizado pela cantora islandesa Björk, trata-se de um musical. Em 1995 von Trier lançava o manifesto Dogma 95, que escreveu com outros jovens diretores dinamarqueses e que pedia filmes mais naturais, com uso de luz ambiente, som diegéticos, filmados em locação e sem efeitos visuais ou filtros. Essa crueza pretendida não poderia ser mais oposta ao gênero musical, que talvez seja o mais artificial de todos os gêneros cinematográficos. Mas Lars von Trier subverte as expectativas e cria uma película filmada com câmera na mão tremida, cortes secos, iluminação bastante dura e fria, que parece quase zombar dos números musicais, que acontecem como devaneios de sua protagonista. Embora pessoalmente não goste do estilo de canto de Björk, as sequências musicais funcionam muito bem dentro dessa ideia de imaginário.

Selma Jezkova (Björk) é uma reencarnação de Bess, de Ondas do Destino. Comporta-se de forma infantil e jamais reage ao que acontece ao seu redor. A personagem está ficando cega e tem um filho com problemas de visão. Trabalha em longas jornadas em uma fábrica para conseguir dinheiro para pagar por uma cirurgia que reverteria os problemas do filho. Ao contrário de outros filmes do diretor, a questão da sexualidade não é colocada diretamente na trama, mas de forma indireta, já que o filho é consequência de um ato sexual passado. E a respeito dele e de sua doença o que a personagem tem a a dizer é que “esta é minha punição” e “é minha culpa”. Culpa e punição pelo sexo praticado por mulheres perpassa boa parte da filmografia do diretor, sendo um de seus temas mais recorrentes. No caso de Selma, seu filho se chama Gene. Não é por acaso, tendo em vista que seus problemas físicos são genéticos e provém da mãe.

A protagonista é uma migrante tchecoslovaca e escolheu os Estados Unidos por alguns motivos: para conseguir fazer a cirurgia em seu filho e por causa dos filmes musicais que a encantavam no cinema do país de origem. A história se passa na época dos grandes musicais, em torno da década de 1960. A maneira como a trama transcorre desconstrói esse sonho americano e ao mesmo tempo mais uma vez demonstra o erro de ver em um musical um suposto retrato da realidade. Como comenta um personagem em certo momento, as pessoas não começam a cantar e dançar do nada na vida real. Assim, como basear uma ideia de realidade em filmes do gênero?

Selma passa por um calvário de acusações mentirosas e jamais se rebela. Von Trier, como em Ondas do Destino, deixa claro que ela está certa e os demais estão errados, que ela é vítima de um julgamento equivocado. Ainda assim, ele leva a tortura da personagem até o final, tornando-a uma mártir em uma cena que novamente repete a fórmula do outro filme já citado, ao deixar claro que ela está acima de tudo isso e sua existência, enquanto arquétipo, permanecerá. A fascinação do diretor pelo martírio feminino é intrigante. Ele cria mulheres que talvez não possam ser chamadas de fortes, já que não lutam, mas são resistentes, pois aguentam a jornada que lhes é destinada.

Dançando no Escuro é um filme realmente interessante, que se apropria do gênero que explora para escancarar seu escapismo, através de um drama exagerado e impossível. O irônico é que a crueza do produto final, com a estética pretensamente realista ainda com maneirismos do Dogma 95, esconde o fato de que, enquanto obra cinematográfica, também é fantasia e tão desconectado da realidade quanto qualquer filme musical.

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Frozen- Uma Aventura Congelante (Frozen/ 2013)

Assistido em 15/02/2014

Em Frozen, nova animação da Disney, o estúdio aproveita-se do que faz tradicionalmente de melhor, e, quebrando paradigmas, entrega um grande e cativante filme. Ele é livremente inspirado no conto A Rainha da Neve, de Hans Christian Andersen. Na trama, as protagonistas são duas princesas do reino escandinavo de Arrandelle: Elsa, a mais velha; e Anna. Muito amigas na infância, Se distanciaram quando Elsa passou a ficar a maior parte do tempo em seu quarto, isolada. Isso aconteceu pois possui a capacidade de criar gelo e neve e em uma brincadeira com a irmã, feria-a sem querer. Para proteger os demais de seus próprios poderes descontrolados, distanciou-se de todos. Com o falecimento de seus pais, quando atinge a maioridade, o palácio é aberto para uma grande festa de coroação. Em certo momento, assustada, Elsa perde o controle sobre seus poderes, e assusta a população. Foge para as montanhas, criando seu próprio palácio e Anna vai atrás dela convencê-la a voltar.

As duas irmãs funcionam muito bem como protagonistas do filme: Elsa defensiva, retraída e Anna corajosa e aberta a aventuras: e os visuais das duas externam suas diferenças. É ótimo que, como em Enrolados, a agência não seja negada às personagens femininas. Elas são decididas e obstinadas. Além disso, na maior parte da jornada, não há um príncipe presente, pois o Príncipe Hans fica na cidade quando Anna parte. Aliás, uma das mensagens do filme é a de que não devemos acreditar em um príncipe encantado, pois eles não existem. Essa visão é muito positiva para as crianças, especialmente as meninas, a quem geralmente se ensina passividade. O companheiro de jornada de Anna é Kristoff, um simpático (e plebeu) homem das montanhas que trabalha extraindo gelo, na companhia de sua rena Sven. Geralmente em filmes de animação há animaizinhos falantes, mas aqui é Kristoff que faz a voz de Sven, falando consigo mesmo, aludindo de forma divertida a tal fato. De qualquer maneira, sua participação jamais ofusca as duas irmãs.

Por muitos anos animações com números musicais haviam caído em desuso, mas em Frozen eles são trazidos de volta, na melhor tradição Disney e com grande beleza. Uma pena que sessões legendadas são escassas, pois o  elenco da dublagem original é composto majoritariamente por atores da Broadway. De qualquer forma as versões brasileiras das músicas ficaram suficientemente bonitas, embora certos versos não encaixem na métrica de algumas canções. Achei que a participação de Fabio Porchat, como o boneco de neve Olaf, seria incômoda, mas ele não chega a atrapalhar: o personagem é um ótimo alívio cômico e não um sidekick irritante.

A modelagem dos personagens impressiona, pois todas as texturas das roupas, como bordados e apliques, são visíveis, bem como os tecidos, sejam lãs ou veludos, são distinguíveis. O gelo é muito bem feito e o visual todo do filme é muito bonito. Só lamento que um elemento tão impressionante como o castelo de gelo tenha sido tão pouco explorado e mostrado em cena.

A força maior do filme reside em seu final: deixando de lado os clichês estabelecidos nos demais contos de fadas, ele reafirma a importância da amizade entre as duas irmãs e coloca qualquer outra forma de amor em segundo plano. No caso de Elsa, especificamente, isso sequer passa pela mente da personagem, que tem preocupações maiores para lidar. Não é que o romance não esteja lá: para os que fazem questão, ele está. Mas ele simplesmente não é um objetivo de vida para essas princesas, como costumava acontecer com outras do passado. Novamente, considero isso um belo exemplo para as crianças. Frozen se estabelece como uma visão contemporânea sobre princesas e consegue fazer aquilo que Valente se propôs, mas tropeçou: criar personagens femininas fortes, autônomas e livres, sem concessões, tudo isso em um filme emocionante e esteticamente belíssimo.

Para ler minha análise do figurino de Frozen, acesse aqui.

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