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Os 30 Melhores Filmes de 2014 que não são de 2014

Nessa época todos estão preparando suas listas de melhores do ano e como ainda estou descobrindo pérolas e cavocando coisas que ainda não assisti, elaborei a lista das melhores descobertas, ou seja, filmes assistidos pela primeira vez este ano e que não são de 2014. O ano ainda não acabou e até agora foram 284 filmes assistidos, o que tornou a tarefa extremamente difícil. Consegui selecionar trinta dos melhores filmes que vi e muitos incríveis ficaram de fora. No caso de diretores em que mais de um filme entraria na lista ou foi bem avaliado, optei por manter só um e abrir espaço para outros. Os demais filmes desses diretores serão listados junto ao filme escolhido. Não vou colocar eles em um ranking: a ordem é cronológica, pela data de lançamento. Desta vez optei por manter a nota que dei, de zero a cinco estrelas, na data em que assisti. Essa avaliação é subjetiva e segue critérios comparativos pessoais, o que significa que por vezes posso ter gostado mais de um filme com quatro estrelas do que um com cinco, por exemplo. No ano passado eu havia escrito sobre cada um dos filmes assistidos e esse ano fiquei devendo, mas caso haja algum post com comentário ou análise do filme, o link está no título do mesmo. (Para ler a lista de 2013 clique aqui). Para ver a versão dessa lista no Letterboxd, acesse aqui. Segue a lista:

 

Baseball Buster  Bancando o Águia (Sherlock Jr., 1924)

Direção: Buster Keaton

★★★★★

Divertido, bem realizado e com efeitos práticos muito bons.

 

 

 

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Direção: Fritz Lang

★★★★★

Suspense bem construído sobre a natureza pouco bondosa do ser humano.

Outros filmes: Os Corruptos (The Big Heat, 1953) ★★★★

 

 

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A Loja da Esquina (The Shop Around The Corner, 1940)

Direção: Ernst Lubitsch

★★★★

Filme adorável, que se favorece do carisma de seus protagonistas. Teve uma refilmagem com Tom Hanks e Meg Ryan, Mensagem Para Você, mas é muito melhor, claro.

 

 

 

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Amar Foi Minha Ruína (Leave Her to Heaven, 1945)

Direção: John M. Stahl

★★★★

Tenso.

 

 

 

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Desencanto (Brief Encounter, 1945)

Direção: David Lean

★★★★1/2

Uma bela construção do relacionamento efêmero sob o ponto de vista de uma dona de casa descontente com sua vida.

 

 

 

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Nasce uma Estrela (A Star is Born, 1954)

Direção: George Cuckor

★★★★1/2

Faz o estilo do que Hollywood produz de mais escapista, mas Judy Garland brilha.

Outros filmes: A Costela de Adão (Adam’s Rib, 1949) ★★★★

 

 

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A Palavra (Ordet, 1955)

Direção: Carl Theodor Dreyer

★★★★

Intenso e esteticamente impecável.

Outros filmes: A Paixão de Joana d’Arc (La passion de Jeanne d’Arc, 1928) ★★★★

 

 

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A Marca da Maldade (Touch of Evil, 1958)

Direção: Orson Welles

★★★★★

Já seria digno de entrar na lista apenas pelo plano-sequência inicial, mas o restante do filme compensa à altura.

 

 

 

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A Balada de Narayama (The Ballad of Narayama, 1958)

Direção: Keisuke Kinoshita

★★★★

Assistir a esse filme é uma experiência interessante de desprendimento cultural, uma vez que ele parece um kabuki, mas funciona porque tudo é muito bonito e repleto de emoção.

 

 

 

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Charada (Charade, 1963)

Direção: Stanley Donen

★★★★★

O melhor filme do Hitchcock que Hitchcock jamais dirigiu.

 

 

 

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Quem tem medo de Virgínia Woolf (Who’s Afraid of Virginia Woolf?, 1966)

Direção: Mike Nichols

★★★★★

Fica claro que é uma adaptação de peça de teatro, mas os diálogos são intensos e as interpretações fenomenais.

Outros filmes: A Primeira Noite de um Homem (The Graduate, 1967) ★★★★1/2

 

 

bonnie_and_clyde_ver5  Bonnie e Clyde- Uma Rajada de Balas (Bonnie and Clyde, 1967)

Direção: Arthur Penn

★★★★1/2

 

Tem um leve humor ao retratar uma história de amor e crime que está fadada ao fracasso.

 

 

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Perdidos na Noite (Midnight Cowboy, 1969)

Direção: John Schlesinger

★★★★1/2

Um otimismo torto em meio à falta de perspectiva.

 

 

 

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Direção: Dennis Hopper

★★★★1/2

A coisa mais linda desse filme é pensar em como ele já retrata a geração da época de forma crítica, mostrando que não há saída para o tipo de mudança de sociedade que eles propunham. Lindo e triste.

 

 

butch cassidy and the sundance kid  Butch Cassidy (Butch Cassidy and the Sundance Kid, 1969)

Direção: George Roy Hill

★★★★1/2

Bromance, western, humor e luta contra o establishment: como não amar?

 

 

 

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Aguirre: a Cólera dos Deuses (The Wrath of God, 1972)

Direção: Werner Herzog

★★★★1/2

Uma experiência visual de megalomania.

Outros filmes: Fitzcarraldo (1982) ★★★★

 

 

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Direção: Francis Ford Coppola

★★★★★

Não sei nem o que falar sobre esse filme, mas Marlon Brando é deus.

Outros filmes: A Conversação (The Conversation, 1974) ★★★★1/2

 

 

Fanny-och-Alexander_6c7e983a  Fanny e Alexander (Fanny och Alexander, 1982)

Direção: Ingmar Bergman

★★★★★

Uma narrativa bonita, cheia de detalhes e com toques auto-biográficos.

Outros filmes: Sorrisos de Uma Noite de Amor (Sommarnattens leende, 1955) ★★★★

 

 

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Amadeus (1984)

Direção: Milos Forman

★★★★★

Produção caprichada, recheada de personagens muito humanos, de egos em luta, da busca pela arte e de figurinos impecáveis.

Outros filmes: Valmont (1989) ★★★★

 

 

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Os Bons Companheiros (Goodfellas, 1990)

Direção: Martin Scorsese

★★★★★

Não sei nem o que escrever. Coisa linda.

Outros filmes: Touro Indomável (Raging Bull, 1980) ★★★★★
Cassino (Casino, 1995) ★★★★★
O Rei da Comédia (The King of Comedy, 1982) ★★★★
O Aviador (The Aviator, 2004) ★★★★

 

barton_fink  Barton Fink – Delírios de Hollywood (Barton Fink, 1991)

Direção: Joel e Ethan Coen

★★★★★

A obsessão e angústia da dificuldade de criar, enquanto artista, em um retrato pungente e meio desesperador.

Outros filmes: Gosto de Sangue (Blood Simple, 1984) ★★★★1/2
O Homem Que Não Estava Lá (The Man Who Wasn’t There, 2001) ★★★★1/2

 

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Orlando

Direção: Sally Potter

★★★★1/2

Baseado no romance de Virginia Woolf, trata com leveza da história de Orlando, o jovem aristocrata que vira mulher ao longo das décadas e séculos, desconstruindo expectativas de gênero.

 

 

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Ed Wood (1994)

Direção: Tim Burton

★★★★

Uma declaração de amor ao cinema, ainda que ao mais tosco possível.

 

 

 

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Direção: Paul Thomas Anderson

★★★★1/2

Produção impecável e grandes atuações em um drama com pitadas de humor que no mínimo é memorável.

 

 

 

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Direção: Lars von Trier

★★★★

Von Trier torturando sua protagonista, como sempre, e criando um musical irônico, nada escapista, cheio de beleza e de uma tristeza imensa.

Outros filmes: Ondas do Destino (Breaking the Waves, 1996) ★★★★

 

 

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Hedwig – Rock, Amor e Traição (Hedwig and the andry inch, 2001)

Direção: John Cameron Mitchell

★★★★★

Hedwig é uma personagem tão humana que é impossível não se apaixonar por ela e sua busca por amor é repleta de músicas que ficam martelando na cabeça muito tempo depois de o filme terminar.

 

 

brodre_xlg  Brothers (Brødre, 2004)

Direção: Susanne Bier

★★★★

Não dá pra negar que Susanne Bier pesa a mão no drama, mas sua direção é feita com a mesma mão firme.

Outros filmes: Em um Mundo Melhor (Hævnen, 2010) ★★★★

 

 

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Caché (2005)

Direção: Michael Haneke

★★★★★

Explicações não combinam com esse filme: ele é uma experiência cheia de suspense, mas que não se limita a ele. Posso dizer que são sobre pessoas, sobre vigilância, sobre colonialismo, mas isoladamente nenhum desses itens abarcam o que é ver o conjunto.

 

 

 

synecdoche_new_york  Sinédoque, Nova York (Synecdoche, New York, 2008)

Direção: Charlie Kaufman

★★★★★

Sempre gostei de Kaufman como roteirista e ele está mais Kaufman do que nunca nessa megalomania em forma de criação metalinguisticamente (?) megalomaníaca.

 

 

 

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Anjos da Lei (21 Jump Street, 2012)

Direção: Phil Lord e Christopher Miller

★★★★

A lista é minha e coloco o que eu quiser. 😛 Mas esse filme realmente me surpreendeu e me fez rir muito. Atuações boas e carisma da dupla de protagonistas ajuda.

 

 

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Dançando no Escuro (Dancer in the Dark, 2000)

Lars von Trier é sempre uma figura difícil, com obras interessantes e espinhosas de analisar. Dançando no Escuro é um filme que em certos aspectos se diferencia do restante da filmografia do diretor. Protagonizado pela cantora islandesa Björk, trata-se de um musical. Em 1995 von Trier lançava o manifesto Dogma 95, que escreveu com outros jovens diretores dinamarqueses e que pedia filmes mais naturais, com uso de luz ambiente, som diegéticos, filmados em locação e sem efeitos visuais ou filtros. Essa crueza pretendida não poderia ser mais oposta ao gênero musical, que talvez seja o mais artificial de todos os gêneros cinematográficos. Mas Lars von Trier subverte as expectativas e cria uma película filmada com câmera na mão tremida, cortes secos, iluminação bastante dura e fria, que parece quase zombar dos números musicais, que acontecem como devaneios de sua protagonista. Embora pessoalmente não goste do estilo de canto de Björk, as sequências musicais funcionam muito bem dentro dessa ideia de imaginário.

Selma Jezkova (Björk) é uma reencarnação de Bess, de Ondas do Destino. Comporta-se de forma infantil e jamais reage ao que acontece ao seu redor. A personagem está ficando cega e tem um filho com problemas de visão. Trabalha em longas jornadas em uma fábrica para conseguir dinheiro para pagar por uma cirurgia que reverteria os problemas do filho. Ao contrário de outros filmes do diretor, a questão da sexualidade não é colocada diretamente na trama, mas de forma indireta, já que o filho é consequência de um ato sexual passado. E a respeito dele e de sua doença o que a personagem tem a a dizer é que “esta é minha punição” e “é minha culpa”. Culpa e punição pelo sexo praticado por mulheres perpassa boa parte da filmografia do diretor, sendo um de seus temas mais recorrentes. No caso de Selma, seu filho se chama Gene. Não é por acaso, tendo em vista que seus problemas físicos são genéticos e provém da mãe.

A protagonista é uma migrante tchecoslovaca e escolheu os Estados Unidos por alguns motivos: para conseguir fazer a cirurgia em seu filho e por causa dos filmes musicais que a encantavam no cinema do país de origem. A história se passa na época dos grandes musicais, em torno da década de 1960. A maneira como a trama transcorre desconstrói esse sonho americano e ao mesmo tempo mais uma vez demonstra o erro de ver em um musical um suposto retrato da realidade. Como comenta um personagem em certo momento, as pessoas não começam a cantar e dançar do nada na vida real. Assim, como basear uma ideia de realidade em filmes do gênero?

Selma passa por um calvário de acusações mentirosas e jamais se rebela. Von Trier, como em Ondas do Destino, deixa claro que ela está certa e os demais estão errados, que ela é vítima de um julgamento equivocado. Ainda assim, ele leva a tortura da personagem até o final, tornando-a uma mártir em uma cena que novamente repete a fórmula do outro filme já citado, ao deixar claro que ela está acima de tudo isso e sua existência, enquanto arquétipo, permanecerá. A fascinação do diretor pelo martírio feminino é intrigante. Ele cria mulheres que talvez não possam ser chamadas de fortes, já que não lutam, mas são resistentes, pois aguentam a jornada que lhes é destinada.

Dançando no Escuro é um filme realmente interessante, que se apropria do gênero que explora para escancarar seu escapismo, através de um drama exagerado e impossível. O irônico é que a crueza do produto final, com a estética pretensamente realista ainda com maneirismos do Dogma 95, esconde o fato de que, enquanto obra cinematográfica, também é fantasia e tão desconectado da realidade quanto qualquer filme musical.

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Frozen- Uma Aventura Congelante (Frozen/ 2013)

Assistido em 15/02/2014

Em Frozen, nova animação da Disney, o estúdio aproveita-se do que faz tradicionalmente de melhor, e, quebrando paradigmas, entrega um grande e cativante filme. Ele é livremente inspirado no conto A Rainha da Neve, de Hans Christian Andersen. Na trama, as protagonistas são duas princesas do reino escandinavo de Arrandelle: Elsa, a mais velha; e Anna. Muito amigas na infância, Se distanciaram quando Elsa passou a ficar a maior parte do tempo em seu quarto, isolada. Isso aconteceu pois possui a capacidade de criar gelo e neve e em uma brincadeira com a irmã, feria-a sem querer. Para proteger os demais de seus próprios poderes descontrolados, distanciou-se de todos. Com o falecimento de seus pais, quando atinge a maioridade, o palácio é aberto para uma grande festa de coroação. Em certo momento, assustada, Elsa perde o controle sobre seus poderes, e assusta a população. Foge para as montanhas, criando seu próprio palácio e Anna vai atrás dela convencê-la a voltar.

As duas irmãs funcionam muito bem como protagonistas do filme: Elsa defensiva, retraída e Anna corajosa e aberta a aventuras: e os visuais das duas externam suas diferenças. É ótimo que, como em Enrolados, a agência não seja negada às personagens femininas. Elas são decididas e obstinadas. Além disso, na maior parte da jornada, não há um príncipe presente, pois o Príncipe Hans fica na cidade quando Anna parte. Aliás, uma das mensagens do filme é a de que não devemos acreditar em um príncipe encantado, pois eles não existem. Essa visão é muito positiva para as crianças, especialmente as meninas, a quem geralmente se ensina passividade. O companheiro de jornada de Anna é Kristoff, um simpático (e plebeu) homem das montanhas que trabalha extraindo gelo, na companhia de sua rena Sven. Geralmente em filmes de animação há animaizinhos falantes, mas aqui é Kristoff que faz a voz de Sven, falando consigo mesmo, aludindo de forma divertida a tal fato. De qualquer maneira, sua participação jamais ofusca as duas irmãs.

Por muitos anos animações com números musicais haviam caído em desuso, mas em Frozen eles são trazidos de volta, na melhor tradição Disney e com grande beleza. Uma pena que sessões legendadas são escassas, pois o  elenco da dublagem original é composto majoritariamente por atores da Broadway. De qualquer forma as versões brasileiras das músicas ficaram suficientemente bonitas, embora certos versos não encaixem na métrica de algumas canções. Achei que a participação de Fabio Porchat, como o boneco de neve Olaf, seria incômoda, mas ele não chega a atrapalhar: o personagem é um ótimo alívio cômico e não um sidekick irritante.

A modelagem dos personagens impressiona, pois todas as texturas das roupas, como bordados e apliques, são visíveis, bem como os tecidos, sejam lãs ou veludos, são distinguíveis. O gelo é muito bem feito e o visual todo do filme é muito bonito. Só lamento que um elemento tão impressionante como o castelo de gelo tenha sido tão pouco explorado e mostrado em cena.

A força maior do filme reside em seu final: deixando de lado os clichês estabelecidos nos demais contos de fadas, ele reafirma a importância da amizade entre as duas irmãs e coloca qualquer outra forma de amor em segundo plano. No caso de Elsa, especificamente, isso sequer passa pela mente da personagem, que tem preocupações maiores para lidar. Não é que o romance não esteja lá: para os que fazem questão, ele está. Mas ele simplesmente não é um objetivo de vida para essas princesas, como costumava acontecer com outras do passado. Novamente, considero isso um belo exemplo para as crianças. Frozen se estabelece como uma visão contemporânea sobre princesas e consegue fazer aquilo que Valente se propôs, mas tropeçou: criar personagens femininas fortes, autônomas e livres, sem concessões, tudo isso em um filme emocionante e esteticamente belíssimo.

Para ler minha análise do figurino de Frozen, acesse aqui.

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Os 25 Melhores Filmes de 2013 Que Não São de 2013

Este foi um ano em que assisti muitos filmes. Propus-me a escrever sobre todos que visse, mas falhei , pois a contagem já passou de duzentos, nem todos foram muito interessantes e em muitos casos faltou tempo ou vontade. Dentre esse grande número de filmes vistos, poucos realmente eram desse ano: são muitos filmes clássicos ou que deixei passar batido na infância para dar conta de cobrir nessa vida cinéfila. A proposta dessa lista é levantar os melhores filmes que vi pela primeira vez e que não são lançamentos desse ano, uma verdadeira tarefa ingrata. Acabei selecionando vinte e cinco, deixando de fora muitos que amei, com dor no coração. Não vou ranquear em nenhuma ordem de preferência: a ordem da lista é simplesmente cronológica, pela data que assisti. Para facilitar, dividirei-os grosseiramente em gêneros. E como toda lista, claro que semana que vem já vou ter mudado de ideia a respeito dela! Para ler meu comentário sobre cada um, basta clicar no link.

DRAMA

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A Pele que Habito (La Piel Que Habito/ 2011)

Direção: Pedro Almodóvar

 

 

 

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Holy Motors (2012)

Direção: Leos Carax

 

 

 

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Melancolia (Melancholia/ 2011)

Direção: Lars von Trier

 

 

 

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A Malvada (All About Eve/ 1950)

Direção: Joseph L. Mankiewicz

 

 

 

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Crepúsculo dos Deuses (Sunset Blvd/ 1950)

Direção: Billy Wilder

 

 

 

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Os Sapatinhos Vermelhos (The Red Shoes/ 1948)

Direção: Michael Powell, Emeric Pressburger

 

 

 

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O Que Aconteceu Com Baby Jane? (Whatever Happened to Baby Jane?/ 1962)

Direção: Robert Aldrich

 

 

 

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Oldboy (Oldeuboi/ 2003)

Direção: Chan-wook Park

 

 

 

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Barry Lyndon (1975)

Direção: Stanley Kubrick

 

 

 

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A Árvore da Vida (The Tree of Life/2011)

Direção: Terrence Malick

 

 

 

COMÉDIA

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Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot/ 1959)

Direção:  Billy Wilder

 

 

 

ROMANCE

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Gilda (1946)

Direção: Charles Vidor

 

 

 

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Anjo das Ruas (Street Angel/ 1928)

Direção: Frank Borzage

 

 

 

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Tudo que o Céu Permite (All That Heaven Allows/ 1955)

Direção: Douglas Sirk

 

 

 

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A Época da Inocência (The Age of Innocence/ 1993)

Direção: Martin Scorsese

 

 

 

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Aurora (Sunrise: a Song of Two Humans/1927)

Direção: F.W. Murnau

 

 

 

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Jodhaa Akbar (2008)

Direção: Ashutosh Gowariker

 

 

 

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Tarde Demais Para Esquecer (An Affair to Remember/ 1957)

Direção: Leo McCarey

 

 

 

MUSICAL

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Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain/ 1952)

Direção: Stanley Donen, Gene Kelly

 

 

 

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The Rocky Horror Picture Show (1975) 

Direção: Jim Sharman

 

 

 

SUSPENSE E TERROR

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Festim Diabólico (Rope/ 1948)

Direção: Alfred Hitchcock

 

 

 

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O Enigma de Outro Mundo (The Thing/1982)

Direção: John Carpenter

 

 

 

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Alien, o Oitavo Passageiro (Alien/ 1979)

Direção: Ridley Scott

 

 

 

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O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby/ 1968)

Direção: Roman Polanski

 

 

 

AÇÃO 

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Robocop – O Policial do Futuro (Robocop/1987)

Direção: Paul Verhoeven

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Figurino: The Rocky Horror Picture Show – Gênero na Berlinda

Texto originalmente publicado na coluna Vestindo o Filme em 09/10/2013.

Certos filmes não só marcam época, como estão à frente de seu tempo em determinados aspectos. É o caso de The Rocky Horror Picture Show, musical hoje cult de 1975, adaptado da peça de teatro que estreou em Londres em 1973. A trama é inspirada nos filmes clássicos de ficção científica. A direção fica por conta de Jim Sharman e o figurino é de Sue Blane. A adaptação não se distanciou do formato teatral, com atuações marcantes e poucas trocas de roupas e de cenários. Os atores da versão teatral repetiram seus respectivos papéis, com exceção do casal de protagonistas, que foi interpretado por atores americanos.
Um dos elementos que torna o filme marcante é seu comentário a respeito dos papéis sociais de gênero e da sexualidade, feito através dos personagens. Como papéis sociais de gênero entendemos tudo que é associado aos conceitos de feminino e masculino e que é socialmente construídos.
No começo da história temos os dois protagonistas, Janet Weiss (Susan Sarandon) e Brad Majors (Barry Bostwick), assistindo ao casamento de amigos em comum. Lá, todas as mulheres se vestem em tons pastel, para realçar seus comportamentos dentro de padrões esperados de feminilidade. Janet e Brad atuam como arquétipos dos dois gêneros. Ele mostra-se visivelmente nervoso com a ideia de casar, ainda mais depois de ela ter pego o buquê de flores. Ela quer isso acima de tudo. A sexualidade é generificada, possui conceitos socialmente definidos do que se espera do homem e da mulher. Os desejos são expostos na pintura na lataria do carro do casal que parte para a lua de mel “Espere até hoje à noite. Ela teve o seu agora, ele terá o dele”, explicitando a ideia de que a mulher quer o romantismo e o homem quer o sexo.

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Após a saída dos noivos, Brad acaba por pedir Janet em casamento, em frente ao cemitério, com um grande coração entre os dois. A roupa de Janet, clara como as das demais mulheres, é lilás e combina com o tom do buquê que há pouco havia segurado. Já Brad usa blazer tradicional, com gravata borboleta e faixa xadrez. Ambos se deslocam enquanto cantam, mas entre eles sempre aparece um altar simbólico: primeiramente uma lápide no cemitério e depois um caixão, no interior da igreja, simbolizando o sentido do casamento.

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Nesse momento é interessante reparar no casal que cuida da igreja parado à sua porta tal como na pintura American Gothic, de Grant Wood, que aparecerá posteriormente.

FIG 03

O casal depois viaja, mas ocorre um problema com o carro no meio da noite chuvosa, quando estão perdidos. Dirigem-se a um castelo que fica nas redondezas, chegando lá com suas roupas encharcadas. Novamente Brad veste roupas simples de bom moço, um tanto sem graça na sua combinação de bege, cinza e azul claro, demonstrando que ele, enquanto homem, não se importa com a aparência. Já Janet emana frágil feminilidade e inocência em seu vestido rosa claro com cardigã branco.

FIG 04

No local está acontecendo uma convenção com as pessoas do planeta Transexual da galáxia Transilvânia. A primeira vista que temos do anfitrião, Frank-N-Furter, são seus sapatos com salto altíssimo, utilizados juntamente com uma meia arrastão. A figura alta e imponente, com maquiagem carregada, se esconde atrás de uma capa negra com golas amplas prateadas, um misto de vampiro com alienígena.

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Ao retirar a capa, revela estar vestindo corpete, cinta liga, luvas e um colar de pérolas. Quando canta que é apenas um doce travesti de Transexual, Frank-N-Furter brinca com nossas expectativas: é másculo e efeminado ao mesmo tempo e seduz a todos.

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Mas o que é se travestir? Travestir-se nada mais é que incorporar em suas roupas peças de vestuário que são consideradas do sexo oposto, independente da sua identidade de gênero. O que entendemos como travestismos muda de acordo com o local e a época, por se tratar de algo vinculado ao gênero. Quando vestia calças pretas com camisas, Coco Chanel estava se travestindo no contexto da Europa da década de 1920. Homens utilizaram roupas que podem ser consideradas saias ou vestidos durante milênios e tais vestes ainda hoje fazem parte de trajes típicos de certos locais, como Escócia e Grécia, por exemplo.
Calças, por limitações das técnicas de costura e dos tecidos, tornaram-se comuns apenas ao longo da Idade Média. Embora movimentos feministas tentassem popularizar o uso delas por mulheres ao longo do século 19, foi apenas a partir da década de 30 do século 20 que tal uso deixou de ser estigmatizado (com a ajuda de estrelas de cinema, como Marlene Dietrich e Katharine Hepbun, diga-se de passagem).
É fácil perceber que a incorporação de elementos ditos masculinos no guarda-roupa feminino é muito mais facilmente aceito. Atualmente mulheres podem usar calças, blazers, camisas, coletes e gravatas sem maiores problemas. Mas o contrário, homens utilizando saias, sapatos com salto e maquiagem, ainda gera muita polêmica, já que em uma visão machista feminilizar-se significa abrir mão de seu papel de dominância. O que não deixa de ser interessante, visto que alguns desses elementos fizeram parte do vestuário masculino até bem pouco tempo atrás, no final do século 18. Os limites do que se considera apropriado são arbitrados.
Despidos de suas roupas molhadas, Brad e Janet passam a noite no castelo. Primeiro vão ao laboratório, local repleto de elementos vermelhos, representando a paixão de Frank-N-Furter. Lá assistem ao nascimento de Rocky Horror (Peter Hinwood), o homem forte, loiro, bronzeado e de sunga dourada criado pelo cientista.

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O doutor também usa um vestido verde musgo com um triângulo vermelho-rosado. O triângulo é símbolo do orgulho LGBT, reapropriado do triângulo rosa de cabeça para baixo com que homossexuais tinham as roupas marcadas durante o regime nazista na Alemanha. É emblemático o uso dele no filme em um período em que o movimento LGBT crescia em organização política.

FIG 08

A influência da estética punk, movimento que também estava em ascensão nesse período, pode ser percebida tanto na roupa de Eddie (Meat Loaf) quanto na jaqueta que Frank-N-Furter utiliza sobre o corpete.

FIG 09

Em seguida o casal vai dormir em quartos separados. A iluminação novamente frisa a oposição entre os gêneros, tornando o quarto de Janet vermelho e o de Brad branco azulado.

FIG 10

Nessa noite cada um vai descobrir sua própria sexualidade. Por isso em uma das sequências musicais finais, Rocky Horror, Janet, Brad e Columbia (Nell Campbell) aparecem todos em um palco devidamente trajados com suas cintas-ligas e corpetes, na companhia do doutor Frank-N-Furter. É como um convite para a libertação das amarras que possam ter em função dos papéis de gênero que lhe foram ensinados. Anteriormente o doutor havia zombado de Brad, falando “Um perfeito espécime de masculinidade. Tão dominante!”. E cá temos ele cantando sobre se sentir sexy, enquanto Janet canta sobre estar livre.

FIG 11

Ao final, Riff Raff (Richard O’Brian) e sua irmã Magenta (Patricia Quinn) aparecem em sua versão alienígena, com uma túnica dourada com detalhes em preto e mangas exageradas remetendo às ficções científicas da década de 1950, usada igualmente por ambos. O cabelo dela também faz referência ao filme A Noiva de Frankenstein, clássico da Universal de 1935.

FIG 12

The Rocky Horror Picture Show completou trinta e oito anos de lançamento recentemente e continua sendo um filme ousado. Temos dois protagonistas que começam sua jornada como modelos tradicionais de sexualidade e de vestimenta e que se desconstroem em relação a esses aspectos ao longo das experiências passadas no castelo. Ao mesmo tempo uma nova corporalidade é construída, através do rompimento das regras preestabelecidas de gênero. O filme possui uma estética fortemente ligada à transgressão, sendo essa o fim de qualquer tipo de repressão contra identidades de gênero e a livre expressão da sexualidade. Valores e significações são revistos. Considerando o retrocesso que vemos atualmente em várias áreas ligadas justamente à gênero e sexualidade é de se perguntar se alguém teria coragem de fazer uma obra como essa nos dias de hoje.

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