Listão de Dicas Netflix

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Um amigo me disse que muitas vezes abre a Netflix e fica rodando por um bom tempo sem conseguir encontrar nada de seu interesse e pediu algumas dicas de filmes para assistir. Acho que esse é um problema recorrente entre os usuários do serviço, já que o catálogo é grande e nem tudo aparece para todos os usuários. Por isso resolvi compartilhar aqui no blog a lista que preparei para ele. ela foi feita de maneira rápida, olhando só os filmes que a plataforma recomenda que eu assista novamente e aqueles que eu pesquei pelo meu próprio Letterboxd. Deixei de fora filmes já batidos, como os clássicos dos anos 80 ou O Poderoso Chefão, mas deixei outros que podem parecer básicos para alguns, mas sempre tem alguém que não viu. Vou tentar postar uma seleção de dicas dessa forma de tempos em tempos, para que a lista não fique tão extensa. Todos os filmes estão com links diretos para a Netflix. Bom proveito!

Filmes Clássicos:

Aconteceu Naquela Noite ( It Happened One Night, 1934)

A Mulher Faz o Homem (Mr. Smith Goes to Washington, 1939)

Janela Indiscreta (Rear Window, 1954)

Sindicato de Ladrões (On the Waterfront, 1954)

Mensageiro do Diabo (The Night of the Hunter, 1955)

Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, 1955)

Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, 1955)

Vampiros de Almas (Invasion of the Body Snatchers, 1956)

Testemunha de Acusação (Witness for the Prosecution, 1957)

Glória Feita de Sangue (Paths of Glory, 1957)

A Ponte do Rio Kwai (The Bridge on the River Kwai, 1957)

A Marca da Maldade (Touch of Evil, 1958)

Um Corpo Que Cai (Vertigo, 1958)

Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot, 1959)

Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment, 1960)

Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany’s, 1961)

O Sol é Para Todos (To Kill a Mockinbird, 1962)

Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, 1964)

Três Homens em Conflito (Il buono, il brutto, il cattivo, 1966)

No Calor da Noite (In the Heat of the Night, 1967)

Perdidos na Noite (Midnight Cowboy, 1969)

Butch Cassidy (Butch Cassidy and the Sundance Kid, 1969)

Operação França (French Connection, 1971)

Serpico (1973)

A Conversação (The Conversation, 1974)

Rede de Intrigas (Network, 1976)

Touro Indomável (Raging Bull, 1980)

O Barco: Inferno no Mar (Das Boot, 1981)

Os Bons Companheiros (Goodfellas, 1990)

Thelma & Louise (1991)

 

Diretoras (Separados, facilitando para quem está fazendo o desafio 52 Films by Women):

Tempo de Despertar (Awakenings, 1990)

Minha Vida Sem Mim (My Life Without Me, 2003)

Nascidos nos Bordéis (Born Into Brothels, 2004) (documentário)

Longe Dela (Away From Her, 2006)

Reel Injun (2009) (documentário)

Coco Antes de Chanel (Coco Avant Chanel, 2009)

I Will Follow (2010)

Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin, 2011)

Middle of Nowhere (2012)

Top of the Lake (2013) (minissérie)

The Babadook (2014)

Fed Up (2014) (documenário)

India’s Daughter (2015) (documentário)

The Wolfpack (2015) (documentário)

Making a Murderer (2015) (minissérie documental)

Advantageous (2015)

Hot Girls Wanted (2015) (documentário)

 

Outros Filmes:

Ata-me (Átame!, 1989)

Mistérios e Paixões (Naked Lunch, 1991)

Filadélfia (Philadelphia, 1993)

Assassinos por Natureza (Natural Born Killers, 1994)

Trainspotting- Sem Limites (Trainspotting, 1996)

Fargo (1996)

Los Angeles: Cidade Proibida (L.A. Confidential, 1997)

Velvet Goldmine (1998)

O Grande Lebowski (The Big Lebowski, 1998)

Tudo Sobre Minha Mãe (Todo Sobre Mi Madre, 1999)

Amnésia (Memento, 2000)

Extermínio (28 Days Later, 2002)

Oldboy (Oldeuboi, 2003)

As Invasões Bárbaras (Les invasions barbares, 2003)

Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice, 2005)

Fonte da Vida (The Fountain, 2006)

Piaf: Um Hino ao Amor (La vie en Rose, 2007)

Apenas Uma Vez (Once, 2007)

Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007)

Senhores do Crime (Eastern Promises, 2007)

O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married, 2008)

Na Mira do Chefe (In Bruges, 2008)

Coração Louco (Crazy Heart, 2009)

Os Homens que Não Amavam as Mulheres – Millennium I (Män som hatar kvinnor, 2009)

A Menina Que Brincava Com Fogo – Millennium II (Flickan som lekte med elden, 2009)

A Rainha do Castelo de Ar– Millenium III (Luftslottet som sprängdes, 2009)

Lunar (Moon, 2009)

O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de sus Ojos, 2009)

Onde Vivem os Monstros (Where the Wild Things Are, 2009)

Amor Sem Escalas (Up In The Air, 2009)

A Jovem Rainha Victoria (The Young Victoria, 2009)

O Vencedor (The Fighter, 2010)

Tomboy (2011)

Melancolia (Melancholia, 2011)

Deus da Carnificina (Carnage, 2011)

Margin Call- O Dia Antes do Fim (Margin Call, 2011)

A Pele Que Habito (La Piel que Habito, 2011)

O Espião que Sabia Demais (Tinker Taylor Soldier Spy, 2011)

Jovens Adultos (Young Adult, 2011)

Hanna (2011)

O Som ao Redor (2012)

O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013)

O Homem Duplicado (Enemy, 2013)

Half of a Yellow Sun (2013)

Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013)

Os Suspeitos (Prisoners, 2013)

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014)

O Duque de Burgundy (The Duke of Burgundy, 2014)

Enquanto Somos Jovens (While We’re Young, 2014)

 

Documentários:

A Marcha dos Pinguins (La Marche de l’Empereur, 2005)

Jesus Camp (2006)

A Caverna dos Sonhos Esquecidos (Cave of Forgotten Dreams, 2010)

O Sushi dos Sonhos de Jiro (Jiro Dreams of Sushi, 2011)

Doméstica (2012)

O Ato de Matar (The Act of Killing, 2012)

Blackfish: Fúria Animal (Blackfish, 2013)

O Peso do Silêncio (The Look of Silence, 2014)

Virunga (2014)

The True Cost (2015)

Going Clear- Scientology and the prison of belief (2015)

The Hunting Ground (2015)

 

Séries:

The Killing (2011)

Call the Midwife (2012)

The Bletchley Circle (2012)

Miss Fischer’s Murder Mysteries (2012)

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A Very Murray Christmas (2015)

A Netflix continua minerando os dados de seus usuários e, de alguma forma, chegou conclusão que as pessoas que se interessam por filmes da Sofia Coppola e Bill Murray (posssivelmente Encontros e Desencontros?) também gostam de especiais de Natal. É isso mesmo? Bom, de qualquer forma o serviço de streaming produziu A Very Murray Christmas, um musical de temática natalina dirigido por Coppola e estrelado por Murray. O ator interpreta uma versão dele mesmo, rabugento e antissocial, que faria um show especial, mas vê sua platéia vazia graças a uma enorme tempestade de neve em Nova York. Isolado no hotel em que o espetáculo ocorreria juntamente com alguns hóspedes e funcionários, ele resolve reunir todos no salão para que possam banquetear com as comidas de um casamento que foi cancelado.

O que se segue é um constrangedor karaokê de pessoas famosas. O elenco impressiona: Chris Rock, Amy Poehler, Maya Rudolph, Rashida Jones, Michael Cera, George Clooney, Jason Schwartzman, entre outros, intercalam gags sem timing cômico com canções de Natal.

Com o desenrolar do filme a dinâmica entre os convidados parece assentar um pouco melhor, até chegar em uma sequência de sonho em que Murray faz um dueto com Miley Cyrus. As músicas escolhidas são Sleigh Ride, Noite Feliz Let it Snow e o resultado é o melhor número dentre os apresentados. Mas logo em seguida vem a embaroçosa Santa Claus Wants Some Lovin, com George Clooney e tudo volta ao desconforto anterior.

É possível que muitas pessoas apreciem músicas natalinas. Elas costumam carregar uma certa melancolia que casa com o ar nostálgico vinculado ao final de ano. Especiais de Natal recheados de celebridades tentando conferir um ar de carinho e união às Festas são tradicionais. Tentar fazer graça com esse tipo de programa e de canção pode ser bastante difícil e A Very Murray Christmas falha ao tentar satiriza-los sem alcançar a notas certas de humor, tornando-se, por fim, quase tão enfadonho quanto o material original.

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Beasts of No Nation (2015)

Beasts of No Nation é um filme que gerou muitos comentários, por ter sido lançado em poucas salas de cinema e diretamente na plataforma de streaming de vídeo Netflix. A Netflix já há alguns anos investe em conteúdo próprio, como as séries House of Cards e Orange is the New Black e o documentário Virunga, que cravou uma indicação ao Oscar neste ano. Esse é o primeiro filme de ficção a ser distribuído como conteúdo original na plataforma.

A trama é adaptada do romance de mesmo nome do escritor nigeriano Uzodinma Iweala. O roteiro e a direção ficam por conta de Cary Joji Fukunaga, de Jane Eyre e da primeira temporada de True Detective. O filme narra a história de Agu (Abraham Attah), um menino que vive com sua família em uma localidade africana não identificada. Seus pais e irmãos são mortos por milícias governistas, por serem confundidos com rebeldes e Agu se vê sozinho na mata tentando sobreviver. Ele é, então, encontrado pelos soldados do Comandante (Iris Elba), que jamais é identificado pelo nome. Junto com outras crianças, Agu é treinado para se tornar um soldado e o Comandante lhes aparece ao mesmo tempo como uma figura de autoridade paterna, um abusador e um tirano sanguinário.

A apresentação do protagonista, brincando com outras crianças atrás da carcaça de uma televisão, é eficaz em estabelecer sua infância então recheada de fantasia antes do horror começar. Por outro lado descortina o olhar do expectador, que tudo vê através de seu aparelho de televisão. O filme se desdobra com um gosto amargo de tortura voyeurística. É claro que quem o assiste vai se comover com o que ocorre com Agu: a guerra é cruel e sua realidade é dura. Mas as relações que levam a isso não são explicitadas.

Agu aprende a matar e a primeira morte de sua responsabilidade não vem como um ponto de virada na história. Ela simplesmente acontece. Filmes sobre o horror da guerra e desumanização dos soldados não são raros, mas aqui a trajetória de Agu é externada mais através das cenas chocantes que o expectador vê do que por sua própria subjetividade. O recurso da narração em off  é utilizado para externar os pensamentos do protagonista, que são até mesmo poéticos, mas não complementam nem explicam suas ações e nem suas motivações.

Não há preocupação em explorar os aspectos políticos da guerra. Ao deixar de apresentar o país onde a trama se passa, não é necessário explicar as questões pós-coloniais que envolvem os grupos em conflito. Também não é necessário expôr que países ou pessoas da Europa e outros lugares estão orquestrando a situação. No final das contas parece uma saída simplista e covarde apresentar todos como pessoas africanas lutando barbaramente umas com as outras, como se não houvesse a herança da exploração europeia e dos conflitos étnicos provenientes da colonização. A violência que é mostrada dessensibiliza quem a assiste, pois não parece ter motivo algum. O único momento em que um pessoa branca aparece no filme é em um carro da ONU, que passa enquanto ela tira fotos das crianças armadas. O distanciamento parece ser proposital, para mostrar que o resto do mundo simplesmente não se importa, mas nessa narrativa descontextualizada, lava as mãos de implicações maiores.

Não gosto de pensar em filmes no sentido de “e se tivesse sido diferente”, mas nesse caso, a falta de um contexto histórico-político leva a interpretações perigosas e mesmo racistas. De toda forma, ele poderia ser compensado por uma trajetória pessoal fortemente marcada, o que não acontece.

Idris Elba está ótimo em seu papel, apresentando as diferentes facetas de seu personagem. Mas quem rouba mesmo a cena é o pequeno Abraham Attah que, na medida do possível com o material que lhe é dado, constrói uma interpretação bonita e cheia de sentimento.

A direção e a fotografia de Fukunaga são competentes e seu jogo de câmera tem a elegância já presente em outros de seus trabalhos. Visualmente impactante, Beasts of No Nation poderia ter sido um grande filme de guerra se tivesse um roteiro melhor desenvolvido. É uma pena que não tenha sido assim.

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Dicas de Documentários na Netflix

Esse vai ser uma postagem rápida e atípica, com sugestões de três documentários que estão no catálogo da Netflix.

As Hipermulheres (2011) é dirigido pelo antropólogo Carlos Fausto e pelos cineastas Leonardo Sette e Takuma Kuikuro. Kuikuro é um cineasta indígena formado pelo projeto vídeo nas aldeias, de Vincent Carelli. O filme aborda o ritual Jamurikumalu, tradicionalmente performado pelas mulheres do povo Kuikuro, no Alto Xingu, no Brasil. A tradição dita que no período em que ele acontece, ocorre uma inversão de papéis na aldeia, como uma espécie de ritual de rebelião. Assim, as mulheres utilizam adornos e armas masculinos, praticam suas lutas e fazem abordagens de cunho sexual, ao mesmo tempo que zombam do desempenho de seus amantes e outros homens. Tudo isso ocorre com o consentimento de todos. Mas a mulher mais velha, responsável pelas canções, já não as recorda direito e precisa lembrar delas para ensinar às mais jovens. A obra se beneficiaria de uma montagem mais ágil e uma abordagem mais contextualizada para quem não está acostumado com filmes etnográficos, mas o tema é bastante interessante. Tradição e gênero são os temas que puxam o documentário.

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Doméstica (2012), dirigido e roteirizado por Gabriel Mascaro, é outro documentário. Dessa vez o foco é a relação entre as empregadas domésticas brasileiras e a família com quem moram. Macaro entrega câmeras para que os adolescentes de cada uma das casas registrem o cotidiano daqueles que trabalham para eles, a moradia, os sonhos e as contradições que vêm de um contato tão íntimo e tão hierarquizado. Um filme interessantíssimo, que comprova que as relações de casa grande e senzala estão longe de terminar no Brasil.

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Por fim, India’s Daughter (2015) aborda o recente estupro coletivo de Jyoti Singh, estudante de medicina na Índia, e suas consequências. O roteiro e a direção ficam por conta de Leslee Udwin. O filme se preocupa em não particularizar o ocorrido, mas sim contextualizar a cultura de estupro que permite e justifica ações como essas. Entrevistas com um dos estupradores e com um dos advogados são especialmente impactantes, assim como a fala da esposa de um dos condenados. O contexto social da favela em que cresceram é trazido à tona e mais do que indivíduos cruéis, o que vemos é uma sociedade que valida seus atos (o que em maior ou menor grau acontece em outros lugares, como no próprio Brasil).

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The True Cost (2015)

Disponível no catálogo da Netflix, The True Cost, dirigido por Andrew Morgan, é um bom documentário para refletir sobre o peso do nosso consumo. Há algumas décadas, a moda previa quatro coleções por ano: primavera, verão, outono e inverno. Agora, com a ascensão do fast fashion, com grandes redes de varejo, especialmente da Europa e Estados Unidos (C&A, H&M, Forever 21, Zara, Topshop, etc), as lojas recebem coleções novas todas as semanas, com preços baixos, material de qualidade duvidosa e acabamentos questionáveis. Mas o chamariz são os preços.

Por que pagamos o mesmo preço por uma calça ou uma regata que pagávamos há 10 anos? Porque os custos de produção foram cortados na outra ponta: mulheres e crianças de países de “terceiro mundo” são submetidas a jornadas de trabalho exaustivas, com pagamentos irrisórios e sem direitos trabalhistas. A poluição do processo de produção e as doenças causadas por ela ficam nesses países, mas não só isso: os consumidores do “primeiro mundo” exportam para outros países o lixo gerado pelo descarte dessas peças sem durabilidade. Tudo isso é mostrado no contexto europeu, mas não é difícil fazer a relação com os trabalhadores de outros países da América Latina que estão no Brasil em condições análogas à de escravidão. 

Há um tempo atrás eu li o livro chamado Fashion and Its Social Agendas: Class, Gender and Identity in Clothing, de Diana Crane, em que consta uma pesquisa que afirma que uma pessoa da classe trabalhadora britânica no final do século XIX raramente possuía mais que algo em torno de cinco peças de roupa e estas eram deixadas de herança. Por que hoje em dia as pessoas tem tantas e por que não duram uma vida? Mas mais importante, por que tantas vidas prejudicadas para isso?

Como material cinematográfico The True Cost é bastante simplista, fazendo uso quase que exclusivo de entrevistas e não respondendo questões que se propõe responder. Mesmo assim, vale a pena assisti-lo pela reflexão que proporciona.

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