Alien, o Oitavo Passageiro (Alien/ 1979)

Assistido em 12/09/2013

Olá, meu nome é Isabel e essa foi a primeira vez na vida que assisti Alien. Eu sei, o filme já tem trinta e quatro anos, passou na TV aberta à exaustão e tudo mais. Mas não, nunca havia visto e fico feliz por isso. Se tivesse visto há dez ou quinze anos provavelmente o veria apenas como um suspense espacial, sem apreciar plenamente o trabalho do diretor, Ridley Scott.

Para começar, devo dizer que assisti a versão do diretor, então não tive a mesma experiência que quem assistiu ao filme em outras épocas. De qualquer forma achei o letreiro inicial, com o título do filme se formando à partir de linhas que vão aparecendo na tela, fantástico.

A trama acredito que todos conheçam. Sete humanos são a tripulação de uma nave espacial comercial cargueira e tem a companhia somente de um gato. Eles interceptam um sinal sonoro vindo de um planeta e tem a obrigação de verificar. Kane (John Hurt), o primeiro em comando, juntamente com a segunda em comando e com um terceiro tripulante realizam a tarefa. Eles encontram uma gigantesca nave alienígena com a tripulação morta e, em seu interior, ovos não identificados. Um ovo eclode o animal que gestava agarra-se ao rosto do humano. À bordo da nave terrestre, Ripley (Sigourney Weaver), a terceira no comando, não quer permitir que eles retornem, seguindo as regras de quarentena. Mas o cientista a bordo, Ash (Ian Holm), descumpre a tal regra e deixa todos entrarem, com a desculpa que o comandante estava no grupo. O animal permanece agarrado ao rosto do homem, até que desaparece. Acreditando que tudo havia se normalizado, voltam a suas atividades cotidianas, quando um alien rompe a barriga dele, matando-o e fugindo para na sequência crescer e perseguir os membros da tripulação, um a um.

Assim como em A Lenda, Ridley Scott orquestrou uma produção extremamente perfeccionista. As pinturas matte são impressionantes, especialmente a parte interna da nave alienígena.  A maneira de filmar, com a câmera na mão em muitas cenas, confere um realismo desesperador para essa situação de sobrevivência. A trilha sonora pontua nos momentos certos, mas também se ausenta com perfeição. O silêncio que domina tudo quando percebem que o primeiro alienígena não estava mais no rosto do homem atacado cumpre o papel de criar a tensão. Dessa forma você sabe que logo você levará um susto. Aliás, o suspense se constrói lenta e efetivamente. O confinamento na imensidão do espaço e o longo prazo previsto para chegar na Terra nos faz ter consciência do perigo eminente. Por isso a tagline “no espaço ninguém pode ouvir você gritar” é realmente apropriada. No meu caso, por ver o filme tanto anos depois do lançamento, já sabia quais membros da tripulação morreriam e quais sobreviveriam, mas ainda assim o medo por eles atingiu-me.

Há um punhado de anos eu tinha preconceito com esse filme: achava que era só um terror qualquer, como tantos outros. Mas um bom diretor pode transformar um filme de qualquer gênero em uma grande obra.

Obs: se o alien, que é um animal não-humano senciente, conta como um passageiro, o gato também deveria contar, tornando o alien, na verdade, o nono passageiro.

ALIEN_poster

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Thelma & Louise (1991)

Assistido em: 17/04/2013

Dirigido por Ridley Scott, esse filme representa muita coisa boa. Já é difícil ter uma protagonista mulher em filmes de Hollywood e aqui nós temos duas! E são duas personagens fortes, cada uma ao seu jeito, e interessantes. Ele passa fácil no Bechdel Test, o que não e de se estranhar, já que a roteirista também é mulher, Callie Khouri. As protagonistas Thelma (Geena Davis) e Louise (Susan Sarandon), mostram o tempo inteiro a amizade e camaradagem entre elas e o próprio crescimento ao logo da jornada (pois trata-se de um road movie). As mudanças de Thelma, em especial, podem ser vistas pelo seu figurino: ela começa a viagem com um vestido branco com babados e termina com calça jeans e camiseta. Muitos acusam o filme de ser misândrico, mas como isso num mundo em uma personagem não pode delatar uma tentativa de estupro porque não acreditariam nela? E ainda assim há homens compreensivos no caminho, como o investigador Hal (Harvey Keitel) e o ex-namorado de Louise, Jimmy (Michael Madsen) (embora esse deixe escapar em seu comportamento a possibilidade de ter um passado de violência em relação a ela). Mesmo o péssimo marido de Thelma, Darryl (Christopher McDonald) é quase caricato, servindo de alívio cômico. E não dá pra reclamar da participação do ladrão J.D. (Brad Pitt). O que elas fazem com o caminhão do motorista que as assediou é quase uma catarse, uma maneira de vingar ficcionalmente o que todas passam no cotidiano (algo meu Bastardos Inglórios, diria). O final pode não ser o final feliz que muitos desejaram, mas é um final feliz que se pode ter. Que outra opção teriam, naquele mundo e contexto? Pelo menos ambas se libertaram de todas suas amarras antes do desfecho.

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