Magic Mike (2012)

Assistido em 09/02/2013


Como já diria Cyndi Lauper, “girls just wanna have fun“. Então lá fui eu conferir o tão falado filme sobre homens strippers, baseado na experiência de Channing Tatum (que interpreta o Mike do título) antes de virar ator. E que dizer? A história não é das mais elaboradas. Mike é um stripper que junta dinheiro para começar seu negócio de móveis artesanais. Um dia conhece Adam, um rapaz que veio do interior para trabalhar, e o convida para justar-se ao clube. Mas Adam mostra não ter maturidade para lidar com as pressões do serviço. A história ainda tem um romance sem sal. (Obs: Senhores roteiristas: nem todo filme precisa ter romance. É sério. Tenho assistido cada coisa jogada na história de maneira sem sentido e sem profundidade, que fica difícil). Como entretenimento, não chega a ser um filme ruim. É até divertido.
Vou comentar algo que me incomodou bastante. Mulheres constantemente tiram roupas em filmes. Em comédias, em dramas, em romances, em filmes que passam na Sessão da Tarde (ou especialmente nos que passavam no Cinema em Casa), sempre é possível ver peitos e bundas desfilando na tela. Nenhum problema com a nudez, desde que ela tenha um contexto na narrativa. Mas muitas (a maior parte?) das mulheres que aparecem nuas não possuem desenvolvimento de personagem nenhum. Em comédias, especialmente, às vezes sequer possuem nome. Agora quando um filme se propõe escancaradamente a objetificar homens, isso chama a atenção e gera comentários. Mas os tais homens têm nomes, histórias, personalidades, interesses e desejos. E as próprias cenas de striptease têm sempre um quê de rídiculo. As únicas cenas de nudez não justificadas e de personagens sem nome no filme são de mulheres.

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As Docas de Nova York (The Docks of New York/ 1928)

Assistido em 05/02/2013 


(Obs: para o curso The Language of Hollywood: Storytelling, Sound, and Color; da Wesleyan University, disponível em coursera.org)
Praticamente um contraponto a Anjo das Ruas, Docas de Nova York é um filme cínico e cru, embora tenha a sua redenção. Já começa com os sujos trabalhadores de uma caldeira em navio que está aportando na cidade. Com a trilha sonora composta de forma sincronizada à imagem, praticamente podemos ouvir o barulho do navio aportando. Bill Roberts, um dos trabalhadores, salva uma moça que havia se lançado à água em uma tentativa de suicídio. Ele leva ela ao bar frequentado pelo pessoal do porto, que tem um hotel anexo. Com ajuda das mulheres dos bar, a moça é reanimada. Uma das mulheres era a esposa de outro homem do navio, que não o via há três anos. Os frequentadores são sujos, barulhentos (embora não possamos ouvi-los), briguentos, vulgares e beberrões. Bill e a mocinha resolvem se casar naquela mesma noite, mas com motivos diferentes. Ela quer se tornar uma boa esposa e aparenta não aguentar mais essa vida das docas e ele quer aproveitar a única noite em terra firme antes de retornar ao navio. O quarto da lua-de-mel tem paredes que não são paralelas e uma janela caindo para um lado, que abre para o mar cheio de gaivotas. Tudo é torto e ainda assim bonito, até os personagens, seres humanos falhos. Não é uma experiência de poesia transcendental como Anjo das Ruas, nem o uso do som integrado é tão perceptível, mas ainda assim, não deixa de ser um bom filme.

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Anjo das Ruas (Street Angel/ 1928)

Assistido em 05/02/2013


(Obs: para o curso The Language of Hollywood: Storytelling, Sound, and Color; da Wesleyan University, disponível em coursera.org)
A tarefa de assistir esse filme foi muito proveitosa. Anjo das Ruas é um filme de transição do cinema mudo para o cinema falado. Embora o filme ainda não tenha as falas propriamente ditas, ele já foi distribuído com o som, incluindo trilha sonora composta de forma sincronizada com as cenas, alguns ruídos e assobios (que possuem papel importante na história).
Trata-se de um melodrama em que uma jovem, Angela, com sua mãe doente, precisa ir às ruas se prostituir para conseguir pagar o remédio. Apesar disso sua mãe falece e ela se une a uma trupe de circo, tornando-se desiludida com o amor. Até conhecer Gino, um pintor de rua que pretende casar-se com ela. A trama se passa na Itália.
Visualmente o filme é muito bonito: apela para luzes e sombras quase expressionistas. A atriz encarna bem a beleza das mocinhas da década de 1920, com rostos delicados e boca pintada em forma de coração. A história, que tem uma pitada de simbolismo religioso, pode parecer piegas, água com açúcar ou exagerada se não desligarmos nosso cinismo do século XXI ao assistir. Eu fiz isso e mergulhei no que vi e me emocionei.
Mas o mais impressionante mesmo é o uso do som. Tudo parece perfeitamente sincronizado, mostrando emoções e ilustrando ambientes. Em nenhum momento os diálogos fazem falta. Nunca havia visto um filme dessa forma: os filmes mudos que eu assisti não possuíam som projetado para eles, apenas aquela trilha sonora genérica que deveria acompanhá-los. Foi uma experiência muito interessante e o filme vale a pena.

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Gilda (1946)

Assistido em 30/01/2013


Nunca houve uma mulher como Gilda. Esse é o slogan do filme noir homônimo e é totalmente compreensível. Apesar de ter uma trama que envolve cassinos e cartéis na Argentina (embora os protagonistas sejam americanos), o que realmente importa na história é ela. Interpretada com intenso magnetismo por Rita Hayworth, a sensualidade da personagem é impressionante.
A história começa com o dono de cassino Ballin Mundson, que conhece o trapaceiro profissional Johnny Farrell e o convida para trabalhar com ele. Johnny se torna gerente do cassino e homem de confiança de Ballin. Há uma certa carga de homoerotismo entre os dois homens, fato que já gerou muitos debates e levou os responsáveis a falarem que na época eles não perceberam que essa imagem estava sendo criada. Nesse momento do filme eles fazem um brinde “aos três” (Ballin, Johnny e a bengala de Ballin que esconde uma arma) e falam sobre como mulheres não são confiáveis.
Mas eis que Ballin viaja e ao retornar está casado com Gilda, que, coincidentemente, já havia sido um amor no passado de Johnny. À partir daí se configura um triângulo amoroso cheio de tensão entre todas as partes. Gilda é uma mulher livre, que já se apaixonou e se machucou e resolveu viver a vida sem amarras. Ela dança com quem quer, sai com quer, faz o que quer, desde que lhe dê prazer. Johnny tenta lidar com isso, escondendo tudo de Baillin para que ele não se magoe. Em determinada cena ela pede ajuda ao marido para fechar seu vestido e fala “Nunca consigo fechar um zíper  Talvez isso signifique alguma coisa, o que você acha?”. Aliás, todos os diálogos são afiadíssimos e cheios de subtextos necessários devido à censura da época.
O filme ainda conta com a icônica cena em que Gilda canta a música Put the Blame on Mame (que se tornou enorme sucesso nos EUA) enquanto insinua um striptease, tirando… uma luva! Só Gilda/ Rita mesmo… Apesar disso tudo o final da história tenta atenuar todos os acontecimentos, de maneira a “consertar” a personagem para o que seria o padrão da época. Uma pena, mas não anula o efeito geral do filme.
Sobre o figurino , percebe-se que quase todos os trajes utilizados por Rita em tela possuem algum tipo de drapeado ou laço na região da barriga. Em algumas cenas de corpo inteiro ela está se ocultando, ora segurando um casaco contra o corpo, ora um violão. Ao procurar o motivo, as fontes divergem: alguns dizem que Rita estava grávida à época da filmagem e outros que ela havia recém dado à luz à sua primeira filha e ainda não tinha voltado à forma anterior. De qualquer forma, todas as roupas são belíssimas.
Rita Hayworth se estabeleceu como uma das mais importantes pin ups na época da segunda guerra. Um cartão postal com uma foto sua, ajoalhada na cama, de camisola, foi o segundo mais vendido naquele período, com 5 milhões de cópias. Mas para chegar ao sucesso, ela precisou se dobrar às decisões dos estúdios. Rita, nascida Margarita Carmen Cansino, tinha pai espanhol e dançarino. Desde pequena ela apendeu a dançar e se apresentava nos palcos. Aos 15 anos foi descoberta pela Fox e contratada, Mas o sucesso nunca vinha, pois era sempre colocada em papéis estereotipados. A Fox deixou o contrato expirar e ela foi para a Columbia Pictures. Eles mudaram seu nome, fizeram procedimentos que envolviam queimar o folículos capilares para mudar a linha do cabelo e aumentar sua testa, e por fim, tingiram seus cabelos negros de ruivo, deixando-a menos “latina”. Ou seja, não é de hoje que as atrizes precisam se dobrar a padrões estéticos, especialmente racistas, para sobreviver ao mercado. Após essa dolorosa transformação, amplamente divulgada na época, nasceu Rita Hayworth.

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Cinderela em Paris (Funny Face/ 1957)

Assistido em 22/01/2013


Vou chamar de Funny Face mesmo, porque não acho que ninguém use o nome em português. Funny Face, estrelado por Audrey Hepburn e Fred Astaire não é um bom filme, na maneira como as pessoas entendem bons filmes. Para começar, é um musical. Quase todo mundo odeia musicais! Eu não, mas nesse caso, não é um bom musical. As músicas não empolgam, Audrey cantando é apenas OK e Fred Astaire é totalmente desperdiçado, pouco dançando. A história não é lá das mais inspiradas: uma revista de moda (inspirada na Harper’s Bazaar) está à procura de uma modelo que represente suas leitoras e quando estão fazendo um ensaio em uma livraria, o fotógrafo Dick (Astaire) se convence que a livreira Jo (Hepburn) é perfeita para isso, com um rosto desconhecido e bonito. Aí vem a parte patinho feio, em que ela é tirada de seus trajes marrons e largos e vai para Paris ser fotografada. O romance da história consegue ser mais sem química que o do personagem de Audrey em Sabrina. Astaire é 30 anos mais velho, e seu personagem é controlador e ciumento. Fica difícil engolir.
Agora, o filme não deve ser descartado completamente, pois ele se tornou referência visual para muita coisa posterior. Paris fica linda na fotografia bem executada. A cena de dança que Audrey executa em um café é marcante, com aquela atmosfera beatnik e a calça cigarrete preta com mocassim igualmente preto com meias brancas (alô Michael Jackson!). Essa cena já serviu de inspiração para clipes de Whitney Houston e Beyoncé. E sei que é clichê elogiá-la, mas o figurino de Edith Head é perfeito e muito bem complementado pelas roupas de Givenchy que Jo veste em Paris. O estilista nãop oderia ter melhor garota propaganda e melhor veículo de mídia que esse. Há também que se prestar atenção nos créditos de abertura, com belas fotos de Richard Avedon, fotógrafo em quem o personagem Dick foi inspirado.

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