42ª Mostra de São Paulo- Malila: A Flor do Adeus

Esta crítica faz parte da cobertura da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 18 e 31 de outubro na cidade. 

Dois amantes separados por anos que voltam a se encontrar. Esse é o ponto de partida de Malila (Malila: The Farwell Flower, 2017), o candidato da Tailândia a uma vaga para o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar. Shane (Sukollawat Kanarot) é um homem quebrado, que foi casado com uma mulher e cuja filha morreu. Passou a beber e há muito estava afastado de Pitch (Anuchit Sapanpong), com quem agora retoma contato pois este está com um câncer terminal que não deseja tratar com medicina tradicional.

Pitch dedica seu tempo à construção de baisri, intrincados artefatos religiosos que consistem em uma estrutura escultural, confeccionada com folhas e flores. A característica do objeto é sua perenidade, que não afeta Pitch: toda aquela beleza definha, mas cumpre sua função, mais ou menos como nós mesmo, humanos.

O filme se passa em dois tempos. No primeiro deles, os amantes se reencontram e deixam o amor florescer novamente. Shane cuida de Pitch, beija suas cicatrizes e cuida de seu corpo. Corporalidade, aliás, é filmada com delicadeza e força pela diretora Anucha Boonyawatana, que despe os corpos e os coloca em contato direto, confeccionando imagens de sexo bonitas e com forte senso de intimidade.

A morte de Pitch marca a passagem para o segundo tempo do filme, em que Shane, cumprindo a promessa que fez a a ele, se inicia como monge. Novamente o corpo é colocado em questão, mas é o corpo morto. Shane encontra na mata um cadáver em decomposição e medita tentando olhar para ele, prestando atenção em cada detalhe ao ponto de nada mais importar. A mutilação genital marcada dá pistas de que aquela pode não ter sido uma morte natural, mas uma motivada pela homossexualidade. Ainda que grotesco em sua putrefação, o corpo poderia ser o de seu amante. A perenidade do corpo que um dia viveu, sentiu, amou é colocada.

Embora nem sempre nossos olhos ocidentais e pouco afeitos às práticas religiosas da Tailândia deem conta de conferir sentido a toda a poética e todo o simbolismo que perpassa o filme, traduzindo suas possíveis metáforas, Malila é inegavelmente um filme contemplativo que aborda o relacionamento entre dois homens com doçura e beleza.

Nota: 3,5 de 5 estrelas

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Nasce uma Estrela (A Star is Born, 2018)

É fácil encontrar na internet um vídeo de Stephanie Germanotta aos dezenove anos tocando piano e cantando uma música de sua autoria: os pés descalços no pedal, o cabelo naturalmente castanho, o vestido sem glamour, a voz intensa e a entrega de um talento cru, mas patente. A jovem mostra domínio sobre a arte que cria, ainda que sem os elementos de polidez que a tornam vendável. Alguns anos depois, rebatizada Lady Gaga, se tornou mais que cantora e compositora: é uma performer, uma artista que cria uma fantasia de si a cada aparição pública, arrebatando fãs nesse processo. Gaga é um combinado de aptidão, figurino, acessórios, danças, aparições marcantes e refrãos que grudam no cérebro por semanas. Mas por trás disso tudo está aquela mesma adolescente que queria expressar sua arte junto ao piano. É difícil não traçar paralelos entre sua própria trajetória e a de sua personagem, Ally, em Nasce uma Estrela.

Essa é a quarta versão da história, quinta se levarmos em consideração What Price Hollywood?, de 1932, que foi supostamente plagiado na primeira. Em 1937 Janet Gayner interpretou a aspirante a atriz que vai a Hollywood e se apaixona por um ator veterano. Em 1954 a protagonista passa a ser uma aspirante a atriz de musicais, vivida por Judy Garland, em uma das atuações mais memoráveis de sua carreira. Por fim, em 1976 o foco volta-se para o mercado fonográfico e Barbra Streisand interpreta uma aspirante a cantora. Agora é a vez de Gaga, no papel da jovem cantora que conhece o decadente astro de country rock Jackson Maine, interpretado por Bradley Cooper, que também assina o roteiro, juntamente com Eric Roth e Will Fetters, bem como estreia na direção.

A primeira metade do filme se concentra no encontro entre ambos os artistas, construindo uma relação verossímil para os dois. Maine assiste Ally cantar em um bar de drag, ela mesma montada à lá Edith Piaf, interpretando La Vie en Rose. A câmera treme enquanto gira em torno deles, registrando a emoção desse encontro e o encantamento dele pela presença de palco dela. A performance é hipnótica. Nesse momento, a participação de Willam e Shangela, duas participantes de RuPaul’s Drag Race, traz à trama para o humor camp, mas não distrai quem assiste da interação entre os protagonistas. Depois, quando os dois conversam no estacionamento, a câmera se afasta e eles são enquadrados de costas. O espectador é colocado no papel de espiar sem acesso total a esses primeiros momentos de intimidade.

O convite de Maine para que Ally suba ao palco com ele é decisivo: a aposta no seu talento, o desejo de compartilhá-lo com o restante do mundo, a emoção de um show lotado. A direção de Cooper cola a câmera no rosto de ambos. Ela não deixa respiro, não passeia para o explorar o ambiente. Com isso temos um duplo efeito: ao mesmo tempo somos confinados ao mundo do casal que se apaixona e às suas reações, especialmente as expressões faciais, mas somos excluídos da vibração da plateia que pode ser apenas ouvida. Dessa forma, a consagração de Ally enquanto figura pública perde uma parte de sua potência, mas aprofundamos nas reações da personagem. Cooper opta por essa abordagem em outros momentos do filme, preferindo focar no casal que se forma dali em diante do que nas repercussões que eles provavelmente teriam gerado em tempos de rápido compartilhamento nas redes sociais.

Muito mais consistente em seu resultado que a versão anterior da história, o filme chega, mesmo, a superar todos os anteriores em alguns aspectos. Um deles é a forma como a relação se constrói: é inevitável comprar, em meio ao carinho mútuo e ao respeito profissional, a ideia do relacionamento entre Ally e Maine. Mesmo nos piores momentos entre os dois, é o vício, e não a possível inveja pela ascensão de sua companheira, como nas versões anteriores, que o motiva. Ocorre, também, a demonstração de desconforto por parte de Maine, preocupado com a possibilidade de que ela perca sua autenticidade no processo de tornar-se famosa, uma vez que sua carreira passa a ser moldada por marqueteiros que criam uma roupagem com maior apelo popular para o produto que tinha a oferecer. Não à toa, a música que marca sua consagração, com uma participação no Saturday Night Live, é também a mais ridícula do filme, com seus versos propositalmente caricatos: “Why do you look so good in those jeans? / Why’d you come around me with an ass like that?“. É o papel oposto do ocupado por Shallow, na trama. A canção, composta em dupla, é a combinação de parceria e liberdade criativa, resultando em uma melodia que representa tanto a proximidade entre os dois quanto os talentos colocados em jogo.

As atuações aqui são sólidas: Gaga encarna doçura e naturalidade com uma entrega de uma verdadeira artista e Cooper projeta um parceiro à altura, oscilando entre o companheirismo, a culpa, o medo e a dor causada por seu vício. Sam Elliott, por fim, encarna o irmão mais velho que exerce o papel de figura paterna, preocupado e ríspido ao mesmo tempo. Por isso, seu comentário final sobre Maine é tão pesado, ao ignorar o histórico de problemas do irmão, uma pessoa que precisa de ajuda, culpando-o sem ressalvas pelos ocorridos.

Após a cuidadosa construção de um relacionamento crível, com altos e baixos, com dúvidas e certezas, com companheirismo e solidão, o filme entrega o impacto final flutuando entre luzes vermelhas e desarma totalmente o espectador. Nasce uma Estrela funciona depois de tantas versões talvez justamente por causa da familiaridade dos temas abordados: a fama só é possível com certa concessões e o amor nem sempre é capaz de superar tudo, e se mesmo assim todo artista está disposto a correr esse risco, o que temos de humano é o que faz valer a pena. Mas para além dos temas, se destaca pela soma dos talentos envolvidos, que compõe um resultado memorável.

Nota: 4 de 5 estrelas

 

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As Boas Maneiras (2017)

Publicado originalmente em 3 de novembro como parte da cobertura da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Juliana Rojas e Marco Dutra já há muito mostram que em se tratando de cinema de gênero, eles sabem o que estão fazendo. Os curtas já eram um indício, mas o longa Trabalhar Cansa foi a confirmação, bem como os trabalhos solo em Sinfonia da Metrópole e Quando Eu Era Vivo. Sempre mesclando o terror com outros gêneros, aqui trazem uma fábula sobre trabalho, cidade, relacionamentos e, claro, maternidade: temas que já haviam sido trabalhados em filmes anteriores.

Ana (Marjorie Estiano) é uma mulher que já passou da 20ª semana de gestação e está em busca de uma babá. Com treinamento em enfermagem, Clara (Isabél Zuaa) acaba sendo a candidata escolhida. Ao chegar para a entrevista já é alertada  para utilizar o elevador de serviço. O emprego é um em que acumula funções: precisa cozinhar e limpar enquanto a criança não nasce. Como Ana é mãe solo, também a acompanha nas consultas médicas e assim as duas descobrem que ela está com a pressão alta e deve se abster de carne até o parto.

A relação entre ambas as mulheres, encaixadas em um sistema de hierarquias étnico-racial e de classe, é complexa e complexificada ainda mais pela posição de patroa e empregada que paira entre a convivência, que obrigatoriamente traz o afeto e a intimidade e, por fim, o romance. Dado o pôster do filme, acredito não ser spoiler dizer que Ana gesta um lobisomem, embora nem ela o saiba. Clara logo percebe que algo está errado, entre o sonambulismo e o desejo por carne manifestado por Ana, e tenta minimizar os problemas acarretados por isso.

Trata-se de um filme que abarca dois filmes diferentes em si. O primeiro inclui tudo o que foi comentado até aqui e é simplesmente primoroso. A segunda metade foca em maternidade, infância, folclore e na artificialidade da vida na cidade, marcada por suas fronteiras. Aqui a realização menos regular, especialmente prejudicada pela limitação no que tange aos efeitos visuais e ao ator mirim, mas ainda assim com uma qualidade que impressiona.

Além das atuações, outros elementos que se destacam são o uso das músicas que subitamente levam a película para o campo do gênero musical (obrigada, Rojas!) e o bebezinho animatrônico, que nos conquista logo a um primeiro olhar.

Ousado, sem medo de misturar gêneros, interessante, divertido e emocionante, As Boas Maneiras é um passo à frente no amadurecimento do cinema de gênero produzido no país.

Selo "Approved Bechdel Wallace Test"

4,5 de 5 estrelas

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Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me by Your Name, 2017)

 

Como você vive sua vida só interessa a você, apenas lembre que nossos corações e nossos corpos só nos são dados uma vez. E antes que você perceba, seu coração está desgastado e quanto ao seu corpo, chega um ponto em que ninguém olha para ele, muito menos quer chegar perto dele. Agora mesmo, há tristeza, dor. Não a mate e com ela a alegria que você sentiu.

Crescer pode ser confuso e dolorido. Amar também. Talvez por isso os amores que temos em determinadas fases da vida sejam tão marcantes. Narrativas LGBT tendem a abordar as dores e as perdas, potencializando o sofrimento dos personagens sob o perigo de criar uma história única. Mas não é nela que Luca Guadagnino está interessado aqui. Com roteiro de James Ivory baseado no livro de André Aciman, ele busca as primeiras experiências de um adolescente em um mundo em que as coisas são mais fáceis.

O ano é 1983 e Elio (Timotheé Chalamet), um rapaz de dezessete anos, passa o verão na Itália, onde seu pai, Sr. Perlman (Michael Stuhlbarg) trabalha como pesquisador e arqueólogo. A família franco-judeu-americana tem uma vida privilegiada, com uma bela casa e acesso a bens culturais. Nesse contexto acontece a chegada de Oliver (Armie Hammer), o bolsista de seu pai para aquele verão.

Desde em Um Sonho de Amor, mas especialmente em Um Mergulho no Passado e aqui, Guadagnino demonstra gostar de exibir corpos. Ele os desnuda e os filma belos e sexuais. Ele trabalha com imagens as ideias de calor: frutas suculentas, água, a mosca insistente que teima em se aproximar e a pele desnuda, implicando um romance que se desenvolve com o mesmo apelo estético que as esculturas pesquisadas pelo pai de Elio: corpos masculinos perfeitos.

Se Oliver tem a experiência e o conhecimento, Elio exibe suas habilidades como menino levemente faceiro sobre suas capacidades, como quando o desafia a perceber a diferença entre uma mesma música tocada no estilo de artistas diferentes. Até então ele passava os verões transcrevendo partituras e estudando compositores clássicos, mas agora outros interesses aparecem. O primeiro deles é Marzia (Esther Garrel), com quem tem sua primeira experiência sexual. Ele tem apreço pela garota e externa o gosto que teve pela relação sexual com ela, mas não há espaço para os desejos dela: as mulheres no filme são construídas como se fossem sexualmente passivas, seus corpos não são embelezados da mesma forma nem as suas vontades externadas de maneira veemente.

Em oposição a ela, o que sente por Oliver, o segundo interesse, é diferente em intensidade. É com Oliver que acontecem as negociações: tudo é sondado e perguntado, não existe imposição de nenhuma parte. O peso das decisões é maior. Elio entende o que se passa, mas não sabe o que realmente importa e, por isso, cobra respostas. Usando a profundidade de campo para destacar os dois jovens, Guadagnino emoldura dúvidas e escolhas com paisagens de beleza inenarrável. É claro que nem sempre um amor descoberto aos dezessete anos vai durar até a chega do inverno e justamente a mudança de estação marca o fim de um ciclo.

E esse é um aspecto extra-filme mas que precisa ser lembrado: é injusto a forma como a narrativa apresentada vem sendo sequestrada com o discurso de que não importa o que vai acontecer com Elio no futuro ou com quem ele vai se relacionar: o que importa seria somente o relacionamento entre essas duas pessoas abordado no filme. É conveniente que quando o livro deixa claro e o filme subentende que se trata de um personagem bissexual, a definição de sua sexualidade deixe de ser importante, especialmente levando-se em conta quantas lindas histórias com personagens gays existem e quão poucos personagens bissexuais bem construídos aparecem no cinema.

Por isso também o último ato é tão importante ao mostrar que a mãe de Elio (Amira Casar) estava ciente do que ocorria em sua casa e desejava apenas o bem de seu filho e seu pai, em um monólogo emocionante, o lembra de que o que importa é jamais deixar de sentir. O apoio e compreensão dos pais e a forma como ocorre o desfecho garante a ele a possibilidade de esperança e de felicidade futura, algo que poderia ser mais presente em narrativas LGBT.

O filme trata de forma doce e respeitosa as descobertas e o romance de Elio. De certa forma trata-se de uma obra utópica e idílica, gentil com seus personagens, mas precisamos de outras que abordem o tema dessa forma. Pode-se dizer que sou romântica, mas gosto de cinema assim: gosto desse tipo de escapismo, de cor, de beleza. De uma direção de arte e fotografia que criam imagens extraordinárias ou de histórias que me afetam porque afeto é o que precisamos. Cinema que enleva e que envolve: esse é Me Chame Pelo Seu Nome. 

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Pendular (2017)

When the routine bites hard
And ambitions are low
And the resentment rides high
But emotions wont grow
And were changing our ways,
Taking different roads
Then love, love will tear us apart again

(Love will tear us apart- Joy Division)

Em seu novo filme, a cineasta Júlia Murat se debruça sobre um ambiente de proximidade, retratando um casal de artistas. A protagonista sem nome (Raquel Karro), bailarina, se muda com seu companheiro (Rodrigo Bolzan), escultor, para um enorme galpão de indústria. O espaço é logo transformado em lar, com os objetos pessoais do casal dispostos em prateleiras cuidadosamente etiquetadas por ele. O roteiro assinado por Murat e Matias Mariani (talvez não por acaso seu marido) descortina a intimidade de ambos os personagens, das conversas mais banais às particularidades que só se tornam claras com uma convivência intensa.

É dessa intimidade que surgem as rusgas. Morar e trabalhar juntos é a primeira delas: com uma fita adesiva vermelha é marcado no chão o espaço que cada um vai ocupar. A construção é ampla, mas escura e a sensação é de confinamento, intensificada pelas portas que são grades. A necessidade de espaço pessoal se manifesta no desejo por mais espaço físico para si. Quando dividem o espaço com a fita, são as territorialidades do afeto que se delineiam. Essa é uma das muitas metáforas visuais usadas na narrativa para pontuar momentos do relacionamento. Murat trabalha os espaços com poesia, manipulando a forma como percebemos o amplo e o diminuto, sempre iluminados por luzes diversas que contribuem para com essa percepção.

Entre o casal nem tudo é compartilhado e se por um lado certos questionamentos ficam sem respostas, por outros decisões são tomadas sem diálogo. O filme deixa claro que a intimidade pode extrair o melhor e o pior de todos. Se por uma lado adivinhamos reações, antecipamos brincadeiras e completamos pensamentos, por outro conhecemos o que o outro tem de pior, suas reações mais animalescas e isso pode doer. Certa hora alguém diz: “Não é porque sabe que entende”.

Em determinado momento o casal discute qual seria a ex libris que poderia usar em seus livros. Ela sugere a imagem de uma bailarina se equilibrando em um cabo de aço. O aço presente na obra dele, a dança está presente na dela, mas o mais interessante é pensar no equilíbrio. O equilíbrio aparece nas esculturas dele, inicialmente pesadas e estáveis mas cada vez mais leves e em busca de movimento. Mas também marca a rotina dela, que brinca e experimenta o mundo ao seu redor com o corpo. A corporalidade de ambos é importante, como quando seus corpos brilhando nus são fotografados. Mas nela se intensifica: músculos, ossos, curvaturas e respirações são explorados. Pés descalços, barriga estirada, pernas jogadas para longe em busca novamente do equilíbrio. O trabalho de Korra impressiona. A protagonista está sempre nessa busca, tentando equilibrar-se nas cadeiras, nas superfícies em que dança, nas coreografias que cria, ao mesmo tempo em que equilibra o afeto. O equilíbrio é movimento, na dança e na relacionamento. A dança e a escultura se entrelaçam como expressão dele.

Não há preocupação em trazer respostas a todas as perguntas que o filme levanta. A direção de Murat mostra sua segurança ao construir vazios imensos de solidão e cheios preenchidos com corpos inquietos que constroem a intimidade. Pendular é um filme que pulsa.

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