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Círculo de Fogo (Pacific Rim/2013)

Assistido em 01/09/2013

Nunca duvide de Guillermo del Toro: é isso que se aprende com esse filme. O diretor, conhecido por filmes com design de produção de qualidade e maquiagens e bonecos perfeitos, aqui encontra seu caminho na criação de monstros completamente feitos em CGI e não decepciona. A trama do filme é tão banal que praticamente nem importa: de uma fenda no Oceano Pacífico saem monstros gigantes (Kaiju) que atacam cidades no mundo todo. Para defender-se, a humanidade construiu grandes robôs (chamados de Jaeger), controlados por dois pilotos em seu interior. Os robôs já não dão mais conta dos bichos, pois estes estão cada vez mais fortes, e a operação é cancelada. Começa-se a construir muralhas ao redor das cidades, mas um militar, Stacker (Idris Elba) reforma os robôs e reorganiza os pilotos em segredo. Um deles é Raleigh (Charlie Hunnam), que perdeu seu irmão e co-piloto em combate e precisa de um novo parceiro.

Pois bem, fato é que nenhum personagem do filme é suficientemente desenvolvido para que nos envolvamos com sua trama de verdade. Ainda assim, a ação nos compele a torcer pelo seu sucesso. Mako (Rinko Kikuchi), a nova parceira de Raleigh, é uma personagem ousada  e a atriz que a interpreta na infância, nos flashbacks, Mana Ashida (estrela de TV japonesa mirim), é muito boa. Já Ron Perlman, que aparece como o traficante de órgão de Kaiju, está ótimo em cena, como sempre.

Os cientistas excêntricos que estudam os Kaijus, Dr. Newton Geiszler (Charlie Day) e Gottlieb (Burn Gorman) e que são essenciais para o desfecho do filme, são extremamente carismáticos. Só incomoda um pouco o clichê ou estereótipo do alemão cientista maluco.

Talvez o ponto fraco do filme seja justamente seu protagonista, Raleigh, que apresenta-se como um herói de ação genérico e embora haja a tentativa de conferir emoções e motivações ao personagem, são pouco efetivas.  Além disso, algumas cenas de luta poderiam ser mais lentas, pois em certas situações é difícil acompanhar o que acontece na tela.

A respeito dos Jeager, cheguei a me perguntar em que partes do filme del Toro utilizou uma pessoa dentro de uma roupa, pois a forma de andar e se movimentar e o peso das criaturas é impressionantemente crível. Tudo isso para descobrir que tudo foi feito com computação gráfica. Especialmente no aspecto peso, del Toro conseguiu resultados difíceis de se ver no cinema atual, em que monstros de outras películas se movimentam de forma leve e parecem hologramas.

O cuidado com a produção segue para o figurino, em que percebemos as armaduras dos pilotos nas sequências iniciais já desgastadas e arranhadas pelo tempo de uso e não brilhantes e novinhas como se costuma fazer. Posteriormente também percebe-se que Raleigh utiliza casaco com visíveis bolinhas e golas desfiadas, indicando o tempo de uso e desgaste.

A inspiração e homenagem do filme é claramente aos grandes monstros do cinema japonês. Quem assistia Godzilla, Mothra e King Guidorah no Cinema em Casa deve ter, como eu, dado pulinhos de alegria na poltrona, motivados pelo saudosismo. Animes como Evangelion e Shingeki no Kyojin também inevitavelmente vêm em mente.

Pacific Rim funciona para assistir com seus olhos de criança e reviver emoções despertadas naquela época. O que não quer dizer que seja um filme ruim. Não espere desenvolvimento do lado humano dos problemas que aparecem em tela, mas espere diversão muito bem realizada.

pacific rim

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