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Blade Runner 2049 (2017)

Então Deus lembrou-se de Raquel. Deus ouviu o seu clamor e a tornou fértil. (Gênesis 30:22)

Los Angeles, 2049: uma cidade cinza, chuvosa, mas com menos neon do que alguns anos antes. Como o próprio nome indica, Blade Runner 2049 se propõe a ser uma sequência do clássico de 1982, cuja narrativa se passa cerca de três décadas depois. Se aquele era dirigido por Ridley Scott, esse fica nas mãos de Denis Villeneuve. O roteiro, por sua vez, tem autoria dividida entre Hampton Fancher, que também roteirizou o primeiro filme, e Michael Green, responsável pelo argumento de Alien: Covenant. E isso explica muita coisa, conforme discorrerei abaixo.

Em Blade Runner, Deckard (Harrison Ford) precisa caçar e desativar criaturas humanoides, chamadas de replicantes, que se rebelam contra os criadores. Esses androides chegam a nós personalizados nas figuras de Rachael (Sean Young), Pris (Daryl Hannah), Zhora (Joanna Cassidy) e Roy (Rutger Haeur). Embora seus corpos sejam artificiais, o resultado é bastante próximo ao natural: eles têm sentimentos e aspirações, defendem a sua vida, sangram quando feridos e têm total passabilidade humana. A grande questão do filme é justamente a marcação dos limites do que nos torna humanos, questão essa ampliada na versão Final Cut (2007), em que a própria identidade de Deckard é colocada em cheque.

Ryan Gosling, vestindo uma jaqueta verde com lapela larga de pele falsa de carneiro. Atrás dele uma espécie de aquário mostra um corpo feminino nu sendo gerado.

Já em 2049 temos oficialmente um protagonista replicante. KD6-3.7, ou simplesmente K (Ryan Gosling) é um androide que trabalha como policial e assim como Deckard, persegue e desativa modelos antigos de replicantes que fugiram. Gosling encarna com perfeição o tipo silencioso e estoico que tem preenchido sua filmografia, usando a jaqueta de pele falsa de carneiro que o traz com facilidade para a ambientação noir que já caracterizava o outro filme. Ele é composto por tecnologia mais nova e criada especificamente para torna-los mais obedientes. Humanoides que obedecem cegamente e sem questionamento os humanos. É quando conhece Sapper Morton (Dave Bautista) que seu papel nesse mundo é abalado: o replicante, que vivia isolado em uma fazenda, fala para ele sobre um milagre que o faria mudar de posicionamento. Mais para frente na história descobrimos que tal milagre ocorreu no corpo de Rachael: no passado a replicante engravidou e gerou uma criança. Para a chefa de K, Tenente Joshi (Robin Wright), esse fato mudaria toda a estrutura social daquele universo e “quebraria os muros”.

Esse é o fator que une tematicamente aqui Blade Runner Alien: Covenant, por meio das mãos dos roteiristas: se no primeiro filme se questiona os limites da humanidade, aqui isso teria menos importância, já que seres bio-mecânicos perfeitos teriam capacidade de reprodução, o que os posicionaria em superioridade aos humanos. Em Covenant, o que nos torna humanos é a possibilidade de criação e a criatura supera o criador usando suas próprias potências. Acontece que essa temática é abordada de maneira muito mais interessante e clara no outro filme, com destaque para a incrível atuação de Michael Fassbender. Sem deixar claro as consequências reais da reprodução de replicantes, neste filme a questão é colocada, mas encontra um beco sem saída. Mesmo o fraco A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (remake do anime fortemente inspirado pelo próprio Blade Runner) levanta pontos sobre a existência de uma alma vinculada à memória presente nos corpos artificiais daquela diegese, que manteria esses corpos no limite da humanidade. K chega a falar que replicantes, por serem criados, não têm almas. Quem tem alma é quem nasce, e, portanto, essa criança representaria uma grande mudança, uma pessoa replicante provida de alma. Mas o conceito de alma aplicado a replicantes novamente não é desenvolvido. É uma característica que, presente ou não em seus corpos, não havia sido mencionada anteriormente no filme de 1982, nem volta a ser mencionada nesse. Certamente o interesse em dar continuidade aos questionamentos lançados em 1982, e que até hoje ressoam, está dado, mas os pontos apresentados são lançados sem serem levados adiante, deixando de ser plenamente explorados.

À distância, vemos Ryan |Gosling pequeno em uma ponte e um holograma de mulher com cabelos roxos gigante a sua frente. Ela aponta para ela e a ponta do seu dedo é do tamanho de sua cabeça.

Explorados são os corpos femininos em cena. Aparentemente nos próximos trinta e dois anos a visão que se tem dos papéis femininos na sociedade não vão melhorar. Talvez até mesmo retrocedam. Os dois corpos femininos mais importantes para a história se chamam Luv (Sylvia Hoeks) e Joi (Ana de Armas), nomes que representam especificamente o que trazem à vida de seus mestres (amor- love; e alegria- joy). Sim, porque ambas não são humanas: são criadas para servir homens. Luv não chega a ser uma vilã: é uma assistente e uma companhia, mas também é uma capanga a mando de Wallace (Jared Leto, cuja atuação caricata é marcadamente um ponto mais fraco do filme), o fabricante da nova geração de replicantes. Em determinado momento, Luv chama K de cachorro mau, mas ela é que se comporta como um cão de guarda raivoso e rancoroso, mas ao mesmo tempo obediente, que ainda assim, de forma completamente sem propósito, lhe rouba um beijo em meio a uma luta.

A situação de Joi é mais complexa: ela é uma tecnologia nova, uma forma holográfica provida de inteligência artificial criada para servir seu amo. Estabelecendo uma hierarquia entre corpos humanoides de forma similar ao já citado Ghost in the Shell, a versão do produto apresentada no filme devota-se a K: uma mulher para servir a um homem, que por sua vez serve aos humanos de verdade. A primeira vez que a vemos ela veste uma roupa de dona de casa dos anos 50 e prepara uma refeição para ele. Ela fala para ele tudo que ele gostaria de ouvir, alimentando o seu sonho de ser alguém especial, como um Pinóquio que quer ser um menino de verdade. Para K, o conforto de ter sua importância no mundo sempre reafirmada é amor. E para que esse amor possa ser concretizado, Joi contrata mais um corpo feminino servil, Mariette (Mackenzie Davis), uma replicante garota de programa, para que se alinhe com sua própria projeção corporal e a represente no momento do sexo. Algo similar ocorre em Ela, quando a conexão emocional de Theodore com a inteligência artificial Samantha é concretizada por meio de um corpo feminino alugado. A diferença é que Samantha não era corporificada e Theodore era humano. Aqui nós temos três corpos sintéticos interagindo no sexo, mas os dois que se apresentam como femininos é que devem satisfazer o masculino. Se há uma hierarquia entre a materialidade dos corpos na sua humanidade ou desumanidade (humanos, replicantes e hologramas), há, também, uma claramente pautada no gênero.

Rya Gosling e Sylvia Hoeks (Luv) caminha em direção a uma escada em um grande salão rodeado por aquários contendo corpos humanos

E se a cidade deixou de ter tantas influências japonesas nas décadas que se passaram, os imensos painéis luminosos também foram parcialmente trocados, substituídos por mais hologramas de corpos femininos oferecendo mercadorias que muitas vezes são eles mesmos, como ocorre com Joi. Infelizmente, apesar da fotografia belíssima de Roger Deakins, o filme também não consegue repetir a estética única e marcante do original. Ao se afastar dos elementos que a definiam para criar um futuro mais avançado, o que apresenta é uma estética genérica, que remeta ao filme de 1982 sem alcançar o seu patamar de referencial. Mas a direção de arte se esmera com uso de elementos amarelos contrapondo o cinza.

Os corpos femininos não são os únicos que são explorados. Apenas duas pessoas negras aparecem na história: dois homens que tentam garantir seu sustento usando-se dos restos da sociedade de tecnologia, Mister Cotton (Lennie James) e Doc Badger (Barkhad Abdi). Utilizei o verbo “servir” diversas vezes até agora, pois a servidão dos replicantes é clara: são criados e programados para não terem livre arbítrio e sua única opção é obedecer aos humanos. Robôs e androides em ficção científica são constantemente utilizados como metáforas para a marginalização. Historicamente pessoas brancas desumanizaram pessoas não-brancas com o objetivo de coloca-las em posição de servidão. Joshi garante que a humanização dos replicantes, marcada na possibilidade de gerar vida, quebraria os muros que sustentam aquela sociedade. Esses muros são o confinamento da escravidão dos corpos desumanizados. Jeff Yang, em sua conta de twitter, publicou uma thread em que comenta sobre o filme tratar da servidão e usar como protagonista um homem branco, perdendo a chance de aprofundar uma camada de subtexto que já está lá, mas que poderia ressoar assuntos contemporâneos de racismo e violência policial, especialmente levando-se em conta que K é programado para ser um. Esse fato se encaixa na tendência de filmes de ficção científica e fantasia trabalharem metáforas e alegorias sobre a exclusão de minorias, sejam elas raciais, sexuais ou de gênero, ao mesmo tempo em que as excluem literalmente de seu protagonismo.

A silhueta de Ryan Gosling, em marrom, se distanciando de quem a olha enquanto se embrenha em um deserto com chão, céu e névoa amarelos

Villeneuve tenta esconder o racismo e misoginia do discurso presente no filme desconstruindo a história do escolhido: por mais que Joi afirme e K acredite na sua especialidade, ela é desmentida no final, em uma tentativa de assegurar que o futuro pertencerá às mulheres. Acontece que não só essa reviravolta é bastante previsível, como não altera o fato de que o tempo de tela e a trajetória a ser acompanhada pelo espectador ainda são do homem branco. As trajetórias das mulheres presentes giram em torno dos homens: elas se esforçam para preservar um sistema que a eles pertence e os favorece, basicamente não tendo desejos próprios.

Blade Runner 2049 é de uma qualidade técnica que impressiona. As atuações são muito boas e a fotografia é linda: basicamente cada frame do filme pode ser capturado, impresso e emoldurado. Mas o tratamento conferido ao roteiro não é problemático apenas nos aspectos já levantados: ele cria um distanciamento e uma certa frieza entre espectador e protagonista que torna difícil engajar com a história e criar empatia. Não há um fator humano que nos ligue aos acontecimentos, que se desenrolam sucessivamente sem grandes surpresas nem emoções. Os temas centrais ao filme sem dúvida são interessantes e têm permeado o nosso imaginário coletivo, o que fica patente com a grande quantidade de filmes de ficção científica com que ele dialoga. Porém nesses outros filmes em que são abordados, são discutidos de maneira mais interessante. Sua narrativa não ignora nem desmerece o legado daquela presente em Blade Runner. Consegue amplia-la, mas sem acrescentar muita coisa de substancial, que faça diferença. No filme anterior, manequins e bonecos rodeiam as replicantes destacando, em contraste, a humanidade delas. Não deixa de ser irônico que uma obra que se proponha a discutir esse mesmo tema seja tão bonita mas com tão pouco conteúdo e alma, cumprindo sem querer o papel de destacar a humanidade, ainda que falha, de seu antecessor.

Nota: 3 de 5 estrelas

Poster do filme contendo os personagens K, Deckard, Joi e Wallace, nessa ordem de cima para baixo e também em tamanho (cada vez menores), sobre o nome do filme. O fundo é laranja e ciano.

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La La Land: Cantando Estações (La La Land, 2016)

fico-me perguntando
como teria sido
se tudo fosse diferente
ah, como me inquietam
essas histórias passadas
como teria sido se não fosse como foi
perguntas sem respostas
respostas sem perguntas*
(I.W.)

Filmes musicais são mágicos por excelência. Embora alguns espectadores enxerguem a música como uma quebra de realidade, ela serve justamente para intensifica-la e expandi-la, externando o que é interno aos personagens. Basta pensar em Gene Kelly literalmente cantando na chuva, no filme de mesmo nome, em virtude da alegria de um amor correspondido. La La Land, novo trabalho do diretor Damien Chazelle, embarca nessa proposta trazendo ao público o romance entre a atriz Mia (Emma Stone) e o pianista de jazz Sebastian (Ryan Gosling), ambos aspirantes ao sucesso em uma Los Angeles idílica. Mia trabalha como garçonete no café dentro dos estúdios da Warner e é rodeada pelas estrelas de sucesso e pela aura que o cinema emana. Deseja também voltar a escrever, como fazia quando mais nova, ao mesmo tempo em que participa de audições rodeadas por moças iguais a ela, com suas camisas brancas de garçonete, sonhando em atuar. Já Sebastian toca piano em restaurantes, com um repertório que não é de seu agrado e almejando um dia ter seu próprio bar de jazz.

As músicas que o personagem compõe servem de gancho para alguns dos momentos musicais apresentados, mas outros não são compostos por música diegética e nem sempre funcionam. A sequência de abertura, em que as pessoas presas no trânsito da cidade saem de seus carros para cantar e dançar, por exemplo, deixa no ar a impressão de que a qualquer momento alguém iria gritar “corta” e se revelaria a gravação de um videoclipe. Claro que a estética dos musicais clássicos da era de ouro da MGM, com seus figurinos vistosos e cenografia de estúdio favoreciam um entendimento escapista do gênero, que por vezes se reflete aqui.

Mas após a Nova Hollywood, quando os filmes passaram a dialogar mais com a juventude e com as questões políticas da contracultura, o público ficou mais cínico com tramas em que a música estava lá sem um motivo expresso na cena e, por isso, musicais sobre o fazer música se tornaram mais comuns. Cabaret, com Lisa Minelli se tornou um marco nesse sentido. Aqui, na primeira metade do filme, foge-se dessa lógica, mas o estilo clássico é utilizado muitas vezes sem que se consiga fazer uma boa tradução dele para o contemporâneo. Por isso, às vezes a percepção é que se trata de uma paródia, e não uma homenagem. Nós já vimos essas cenas em outros filmes, mas de uma forma que correspondia ao seu contexto histórico. Existe algo de insincero na beleza plástica desses momentos. Mas essa sensação se dissolve na segunda metade do filme.

Outro aspecto que o filme não atualiza adequadamente é a forma como aborda questões étnico-raciais. E se o jazz é uma música historicamente ligada a figuras negras, não deixa de causar desconforto ver Sebastian, pleno de branquitude, iluminado por um spot de luz enquanto o restante da banda, composta por homens negros, permanece nas sombras. Além disso o personagem é apresentado como um bastião da tradição e o salvador do bom gosto, que se posiciona contrário à modernização da música, representada no filme pelo personagem de John Legend. É um exercício de reflexão interessante pensar o quanto o filme ganharia em nuance e profundidade se Sebastian fosse interpretado pelo próprio Legend, por exemplo.

Dado conta dos aspectos questionáveis, vamos ao que o filme tem a oferecer de bom. Os aspectos técnicos são de grande qualidade, com destaque para a fotografia e a trilha sonora, incluindo as músicas originais, que permanecem na mente muito depois de os créditos subirem. A direção de arte impecável, por sua vez, nos coloca em um ambiente que, embora, atual, poderia ser na década de 1950. O figurino, especialmente, traz um colorido de sonhos através dos vestidos rodados de Mia, da jaqueta vermelha que referencia Juventude Transviada, além do charme elegante de Sebastian, com seus paletós e sapato bicolor, inusitados nos tempos de hoje. Além disso, as atuações são consistentes e carregam bem a trama que não é exatamente profunda. Stone demonstra mais uma vez ser uma atriz carismática e o casal tem bom timing cômico, demonstrando química que funciona em tela.

O ato final, de uma nostalgia rasgada, é uma grande homenagem a momentos icônicos dos grandes filmes de outrora e elementos que remetem a Cantando na Chuva, Sinfonia de Paris, O Picolino e Cinderela em Paris. É aqui que o filme ganha peso, pois a música, agora utilizada de forma diegética, abre espaço para a rendição de sonhos, para o confronto entre o desejo e a realidade, entre o que se aspira e o que se alcança, para tudo que poderia ter sido e não foi. A paixão que nasce na primavera, dentre as estações citadas no subtítulo, está fadada a esvanecer no inverno, mas sobrevive na mágica da imaginação. A arte retrata a melancolia, as aspirações e o que ficou pelo caminho, em uma poesia visual que mescla os elementos do passado com a história de amor que nunca vai deixar de ser contemporânea. E nesse momento em que agarra o expectador pelo coração é que o filme tem seu clímax, mostrando que funciona melhor como romance do que como musical, com o último trabalhando para o primeiro.

La La Land tem qualidades técnicas claras, mas nem sempre eficientes em engajar. Mesmo que não tenha uma trama profunda ou que possa parecer familiar em diversos aspectos, ganha força quando foca na emoção dos protagonistas e naquela que pode causar em quem assiste, mostrando-se uma e linda homenagem ao gênero musical e à Hollywood do passado.

*Trecho do poema Perguntas, escrito em 21/01/2000.

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Diário de Uma Paixão (The Notebook, 2004)

Assisti esse filme há muitos anos e lembro-me de não ter ficado nada impressionada. Com o passar do tempo, percebi que muitas pessoas gostam genuinamente dele e resolvi, então, revê-lo. Acho que dessa vez gostei menos ainda.

É fácil tentar simpatizar com a trama: história de amor proibido, “Romeu e Julieta”, capaz de superar todos os obstáculos? Como não gostar? Dois bonitinhos, Ryan Gosling e Rachel McAdams nos papeis principais, como Noah e Allie e teríamos a fórmula perfeita, certo? Acontece que tudo parece dar errado nessa combinação.

A história, baseada em uma romance de Nicholas Sparks, é puro açúcar. Certos diálogos me fizeram ter esgares de horror ao assistir. “Você acha que nosso amor pode fazer milagres?”.”‘Diga que eu sou um pássaro’,’Você é um pássaro’, ‘Agora diga que você é um pássaro’, ‘Se você é um pássaro, eu sou um pássaro'”. Gaaah, como alguém pode escrever algo assim e sair ileso?

Além disso Noah não é romântico: antes mesmo de começarem a relação suas atitudes são abusivas e beirando o stalking, o que muitas vezes é confundido com obstinação e paixão em filmes desse tipo. A mocinha disse “não”, então é “não”. Não seja abusado, rapaz. Allie por sua vez é retratada como uma figura inepta e completamente incapaz de tomar decisões por si própria. Deve ser por isso que ela só namora com homens que a constrangem até conseguirem fazer ela aceitar um encontro.

O figurino da década de 1940 é bastante bonito e usa as cores de maneira escancarada. A jovem Allie se veste de vermelho, com um colar de pérolas, quando está com Noah, passando a usar lilás (mistura de azul e vermelho) e depois que noiva, começa a usar azul. Já Noah usa roupas de jovem trabalhador, com camisas brancas encardidas. Mas quando se arruma, veste preto total, mesmo em um almoço no jardim em pleno verão, na casa dos pais dela, onde todos os demais vestem-se adequadamente de branco. Para o expectador menos atento, as versões mais velhas dos dois continuam vestindo-se de vermelho com pérolas e de preto, respectivamente, mostrando quem são os personagens antes de revelar-lhes o nome. As roupas são bonitas e cumprem seu papel, estabelecendo momentos e diferenciando classe social e estados emocionais.

Os atores principais entregam-se aos papéis, mas ainda assim não há química entre eles. A cena mais crível é aquela em que terminam o namoro para que ela vá para a faculdade. Ali parece que uma genuína emoção perpassa o momento. O restante do conjunto é composto por cenas feitas para parecer bonitinhas, os diálogos já citados e a exposição de sua beleza (sem reclamações aqui).

O final do filme é tão piegas que não há palavras para expressar o que senti. Eu não li o livro, mas acredito que o diretor Nick Cassavetes já de partida não recebeu o melhor material para trabalhar. Não sei se poderia ter feito algo muito melhor que isso. Pelos menos tentou transformar em algo visualmente agradável.

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