Nordic Noir: The Killing e Bron/Broen

As últimas aulas do curso Scandinavian Film and Television foram dedicadas à televisão escandinava e ao sucesso de público que as produções do últimos ano vem tendo, tanto nos próprios países quanto no exterior. Nos três países escandinavos (Noruega, Suécia e Dinamarca) televisão é toda financiada publicamente, mas os programas também pode receber parcerias de outros países ou privadas. Em virtude do financiamento público, os Estados solicitam duas coisas: que a produção dramática televisiva atenda a um número variado de gêneros e estilos, para cobrir o gosto da maior parte da população possível e que abordem temas de interesse social, como discussões de gênero, tensão social, migração, problemas familiares, entre outros.

Atualmente o país com a produção televisa de maior destaque é a Dinamarca, que possui um estilo próprio para desenvolvimento dos programas. Há um interesse em manter a autoralidade e, enquanto no cinema ela é marcada pela direção, nas séries de TV ela fica com o roteirista, que, ao contrário dos Estados Unidos (com exceção de True Detective), é um só para todos os episódios, mantendo ritmo, estilo e desenvolvimento dos personagens coesos. Se o gênero mais forte no cinema escandinavo é o drama familiar, nas televisão dos últimos anos tem sido crime e policial. Outra característica é o visual cinzento e frio, muitas vezes chuvoso e nublado, o que fez com os programas que fossem abrigados sob o apelido de Nordic Noir.

A série dinamarquesa Forbrydelsen recebeu uma adaptação americana chamada The Killing, produzida pelo canal AMC e disponível na Netflix.  Nessa versão os protagonistas são os detetives Sarah Linden (Mireille Enos) e Stephen Holder (Joel Kinnaman), que possuem uma dinâmica de interação bastante interessante. Linden é calada, séria, distante, enquanto Holder é é aquele tipo camarada e desastrado. Embora tenham personalidades opostas, eles não são arquetípicos e funcionam com naturalidade em cena. A trama da primeira temporada começa com o desaparecimento de uma adolescente, chamada Rosie Larsen, que depois é encontrada morta. A investigação desse crime não é rápida e eficiente como seria em um programa procedural como CSI: é lenta, envolve diversos fatores humanos e dramas pessoais, se arrastando por vários dias e e sendo passível de falhas. O melhor dessa série é sem dúvida a dupla de protagonistas, que funciona muito bem em conjunto, um em contraponto com o outro. A primeira temporada é ótima, a segunda perde um pouco o ritmo, mas recupera perto do final e a terceira é bastante boa também. Foi cancelada duas vezes pela AMC, a segunda vez definitivamente, mas a Netflix comprou os direitos e produzirá uma quarta temporada, para fechar a trama.

the killing

Outra série muito boa é a produção Suécia-Dinamarca chama Bron/ Broen (na grafia de cada língua), que recebeu versões americana e britânica, ambas chamadas The Bridge. A história parte de um crime que ocorreu na ponte que faz divisa entre os dois países, de maneira que as polícias de ambos os lados precisam ser acionadas para solucionar o caso, suscitando todas as diferenças culturais e de métodos das equipes. Os detetives que encabeçam as investigações são o dinamarquês Martin Rohde (Kim Bodnia) e a sueca Saga Nóren (Sofia Helin). Martin é bonachão, simpático e um homem de família, casado e com uma escadinha de filhos. Já Saga é solteira e mantem uma rotina de trabalho, bastante intensa, vestindo sempre as mesmas roupas (calça de couro e pulôver marrom) e sem nenhum relacionamento pessoal. Ela não tem traquejo social algum e tem dificuldade de lidar com os demais colegas. Em nenhum momento da série isso isso é confirmado, mas ela é considerada por muitos a primeira protagonista de drama televisivo do mundo a estar situada no espectro de autismo (possivelmente Asperger). Felizmente os realizadores não subestimam os expectadores e tudo é muito sutil. Sobre o caso, depois descobre-se fazer parte de uma série de outros crimes a respeito o que o responsável clama ser os piores problemas da sociedade escandinava. Dessa série só assisti a primeira temporada, mas a qualidade é muito boa e Saga é sem dúvida uma pérola de protagonista: uma personagem única e carismática ao seu jeito.

bron

Além dessas séries já citadas, outro sucesso é Wallender, que possui uma regravação britânica, protagonizada por Kenneth Branagh e também disponível na Netflix. Mas esta ainda não tive oportunidade de assistir.

 

 

 

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