A Vida em Preto e Branco (Pleasantville/ 1998)

Assistido em 02/12/2013.

Dirigido por Gary Ross, A Vida em Preto e Branco é um filme esteticamente interessante. Os protagonistas são os jovens então em ascensão Tobey Maguire e Reese Witerspoon, que interpretam os irmãos David e Jennifer. David parece deslocado no universo dos demais adolescentes. As primeiras cenas mostram que os todos os professores de sua escola possuem uma visão alarmista a respeito do futuro. Ele não consegue se comunicar com seu interesse amoroso e numa espécie de escapismo, tem como seu principal interesse uma comédia de situação da década de 1950, cuja trama gira em torno de uma família de classe média, em uma cidade perfeita, chamada Pleasantville.

Após um incidente envolvendo o controle remoto de sua TV, ele e sua irmã vão parar dentro da trama do seriado, no papel dos dois filhos da tal família. À partir daí, pequenas ações suas começam a alterar a própria estrutura daquele universo. Mas o que mais chama a atenção é que, como o seriado passava em preto e branco, todas as pessoas e objetos naquele contexto também o eram. Mas quando sentimentos fortes começaram a emergir, pontos de cor aparecerem. Após Jennifer apresentar sexo para Skip (Paul Walker), uma flor vermelha aflora em um arbusto. Mas não é apenas sexo que causa esse efeito: paixão, tristeza, arte: tudo que desperta emoções multifacetadas alimentam as cores da vida.

A cidade passa a se dividir entre aqueles que experimentaram tal efeito e os que não o fizeram. Pessoas, como a própria mãe de David e Jennifer, Betty (Joan Allen) adquirem cor. Por isso, estabelecimentos comerciais colocam placas de “proibida a entrada de pessoas de cor”, em uma clara referência à segregação racial que existia na época. O sorriso servil dos pacatos personagens foi substituído pelo ódio aos diferentes. Com um comportamento de turba, mostraram não saber lidar com as mudanças do tempo. Apenas a repressão poderia manter aquela sociedade da maneira falsamente perfeita como eles a idealizavam. É interessante o papel que a arte, manifestada através de Bill (Jeff Daniels) tem na história.

A estética do filme, mesclando imagens em preto e branco com elementos com cor saturada (remetendo ao technicolor) é muito bonita. O aspecto negativo que citaria é o fato de, mesmo depois de tudo que aconteceu na cidade, a vida sexual de Jennifer ainda é julgada no desfecho. Opta-se por um certo conservadorismo em termos de narrativa e mesmo julgamento, que é justamente aquilo que se critica na trama. Mas como produção, o filme impressiona sobremaneira.

Para ler uma análise mais detalhada do figurino desse filme, juntamente com A Datilógrafa e Hairsprayacesse aqui.

Pleasantville-movie-poster

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