Figurino: Além da Escuridão – Star Trek: Brincando com as cores primárias

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Uniforme novo da Frota Estelar, com as camisas nas três cores características. É possível perceber a estampa criando textura no tecido.

Uma das mais legais que a imagem em HD nos proporcionou foi a possibilidade de ver com detalhe as texturas, especialmente dos cenários e figurinos. Subitamente aquele filme do passado que você achava que tinha um cenário fantástico, passou a ter um que parecia feito de isopor. Mas por outro lado, daí pra frente o cuidado com os detalhes aumentou muito. Lembro a primeira vez que uma amiga comprou uma televisão com imagem em HD e me chamou para ver. Ela havia alugado o primeiro filme do Piratas do Caribe e meu queixo caiu: eu conseguia ver as tramas dos tecidos, as linhas, os bordados, os detalhes em metal, tudo! Um mundo novo de delícias para gente como eu, que se importa com esses detalhes.

Uniforme clássico, com camisas em três cores, calças capri e botinas para os homens, e vestido para os mulheres.
Uniforme clássico, com camisas em três cores, calças capri e botinas para os homens, e vestido para os mulheres.

Dito isso, obrigada alta definição e parabéns Michael Kaplan, figurinista de Além da Escuridão, novo filme da franquia Star Trek, bem como de filmes como Blade Runner, Flashdance, Seven, Clube da Luta, entre outros. Graças aos dois foi possível perceber que as camisetas dos uniformes dos personagens agora têm uma estampa com o símbolo da frota estelar, criando uma textura de escama no tecido. O único personagem que reparei que não usa essa estampa é o Almirante Marcus, cuja camiseta possui losangos entrelaçados estampados. Infelizmente não consegui achar nenhuma imagem para ilustrar. Esse é o tipo de detalhe que mostra o cuidado do trabalho do profissional de figurino e que muitas vezes passa despercebido. O uniforme da tripulação, bastante parecido com o da série  original, passou a usar calças compridas ao invés de capri, mas seguem com as camisas tradicionais nas cores vermelho, azul e amarelo,em tons um pouco mais fechados. Anteriormente as cores eram mais abertas, conforme a moda da época. O significado delas mantém-se o  mesmo: camisas vermelhas para quem trabalha na área técnica e engenharia, azuis para ciências e amarelas para comando. Por baixo, como pode-se ver pela gola, todos usam um tipo de camiseta em tom grafite. O fato recorrente de os personagens com camisas vermelhas morrerem continua valendo. Se uma morte é necessária para a trama e há um personagem secundário com uma camisa dessa cor, será ele a morrer.

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Uniformes novos.

O uniforme feminino na série original era composto por um micro-vestido. A inglesa Mary Quant havia inventado a minissaia em 1964 e esta se popularizou rapidamente. Quando a série estreou, em 1966, a peça já estava suficientemente assimilada e os realizadores ousaram ao encurtá-la ainda mais. Em várias cenas é possível ver que as atrizes utilizam shorts por baixo, pois o comprimento era deveras pouco prático à mobilidade. Já agora vemos que Uhura (Zoe Saldana), por exemplo usa uma saia em um comprimento mais confortável, ainda com a silhueta em A, acompanhada de botas, aproximando ao anos 60.

Uniforme feminino da série original: comprimento desconfortável.
Uniforme feminino da série original: comprimento desconfortável.
Uhura com uniforme atual.
Uhura com uniforme atual.

Nesse filme também há muitas cenas que exigem o uso de um conjunto de calça e casaco, ao invés do uniforme tradicional. Percebe-se que para manter a identidade visual dos cargos ocupados, Michael Kaplan optou por fazê-los em um tom de cinza escuro e com um recorte forrado com um material transparente, permitindo ver o tecido da camisa do personagem por baixo, para que possa-se identificar a função do tripulante. Esse é um um cuidado bastante interessante.

Jaqueta com recorte, permitindo identificar cor da camisa e consequentemente função do tripulante.
Jaqueta com recorte, permitindo identificar cor da camisa e consequentemente função do tripulante.

Segundo ele, em entrevista para o site Clothes on Film, a roupa que o vilão John Harrison (Benedict Cumberbatch) usa não é uma homenagem ao clássico vilão Khan, e sim a Deckard, de Blade Runner, com seu sobretudo e visual de filme noir.

Acostumado já a trabalhar com ficção científica, Michael Kaplan conseguiu equilibrar-se entre a contemporaneidade dos novos uniformes propostos e a familiaridade dos uniformes da série original, produzindo um figurino bastante eficiente e que acredito que será marcante no contexto da franquia.

Figurino utilizado por Bendict Cumberbatch: sobretudo de inspiração noir.
Figurino utilizado por Bendict Cumberbatch: sobretudo de inspiração noir.
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Além da Escuridão – Star Trek (Star Trek Into Darkness/ 2013)

Assistido em 16/06/2013

Antes de falar desse novo filme do reboot, quero fazer um comentário que soará hipster e/ou pedante. Há dez anos (ou mais) quando se falava na tradicional rixa entre Star Trek e Star Wars, a maioria das pessoas, pelo menos da minha faixa etária, ou escolhia o segundo sem pestanejar ou jamais sequer tinha assistido algo do primeiro. Por isso, como eu cresci assistindo Star Trek (a série original) com meu pai (e sempre foi a minha preferência, sem dúvida) é estranho ver esse revisionismo em que agora Star Wars é criticado pela inconsistência e imaturidade (além de uma segunda trilogia descartável) e Star Trek é elogiado, embora essa tenha sido minha posição há tempos.

Dito isso, vamos ao filme. Revi o primeiro Star Trek esses dias ( e esqueci de escrever a respeito) e acho que ele apresenta muito bem os cenários e os personagens. O Kirk (Chris Pine) do filme é mais impulsivo que na série, mas é mais jovem também. Spock (Zachary Quinto) continua sendo a razão, embora seu lado humano transpareça mais e McCoy (Karl Urban), que agora é chamado pelo seu apelido Bones, continua sendo a emoção, ambos gravitando em torno de Kirk. É muito fácil reconhecer cada um dos personagens, passando por Uhura (Zoe Saldana), Sulu (John Cho), Scotty (Simon Pegg) e Chekov (Anton Yelchin). O elenco todo foi muito bem escalado e demonstra funcionar bem no conjunto. No segundo filme, Além da Escuridão, com os personagens já apresentados, temos o enfrentamento de um vilão, John Harrison, interpretado fantasticamente por Benedict Cumberbatch. John esteve congelado criogenicamente por trezentos anos e tem força e inteligência acima do normal. Pena que ele é derrotado de forma tão rápida e fácil, no final das contas.

O filme tem um ótimo ritmo e diálogos perspicazes e bem-humoradas como a série original. A forma como ele começa, em um planeta desconhecido e habitado por alienígenas humanoides e um vulcão prestes a entrar em erupção também remete muito a ela. Parece-me que o novo trio principal passou a ser Kirk, Spock e Uhura. Lamento um pouco que McCoy esteja mais em segundo plano, por ser um personagem que gosto muito, mas gosto da expansão do papel da Tenente. Zachary Quinto prova que de todas as escolhas acertadas no elenco principal, ele é a maior de todas. Conseguir desvincular um personagem tão icônico de seu intérprete original (Leonard Nimoy) é para poucos. O diretor J. J. Abrams não perdeu o seu gosto pelos reflexos de luz na lente (lens flare), mas acho que é algo que temos que aceitar como parte de seu estilo. Ele fez o que Peter Jackson não conseguiu fazer no primeiro O Hobbit: preencher a narrativa com referências suficientes para agradar os fãs antigos, sem enfadar os demais. Impossível não sorrir de orelha a orelha ao ouvir McCoy falando “I’m a doctor, not a torpedo technician!“, as piadinhas com os “camisas vermelhas” ou quando Spock (pequeno spoiler a frente) grita “Khaaaan!”. Além disso a trilha sonora de Michael Giacchino, especialmente quando ele trabalha em cima do tema clássico, é muito eficaz.

Minha maior crítica seria que o 3D, convertido, é absolutamente descenessário. Cheguei a tirar os óculos em algumas momentos e não fez diferença alguma. Mas essa, infelizmente, era a única opção para assistir legendado.

Obviamente o filme tem muito mais ação que os antigos costumavam ter. Também é difícil fazer cenas de ação convincentes em estúdio pequeno e com pouca verba disponível. De qualquer forma, para mim, os diálogos continuam afiados. E com o filme terminando com o começo tradicional da série (“Espaço: a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise. Em sua missão de cinco anos, para explorar novos mundos, para pesquisar novas vidas, novas civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve.”) eu espero que no terceiro capítulo dessa nova série nós voltemos a explorar outros planetas.

Para ler a minha análise do figurino, acesse aqui.

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