Estante da Sala

Ave, César!

É fácil comparar Ave, César!, novo filme dos direitores e roteiristas Joel e Ethan Coen, com Barton Fink– Delírios de Hollywood (1991), seu quarto filme, já que ambos se passam na Capital Records, um estúdio fictício da era de ouro de Hollywood. O segundo abarca os anos de produções de segunda linha, na década de 1940, enquanto agora, na década de 1950, o estúdio cresceu e é apresentado como criador de estrelas e de sucessos de gênero, como uma MGM de um universo alternativo. Mas os vinte e cinco anos entre ambos os filmes parecem marcar também uma mudança no posicionamento dos

Magic Mike XXL (2015)

Sequência do filme Magic Mike, de 2012, dirigido por Steven Soderbergh, Magic Mike XXL chegou aos cinemas com direção de Gregory Jacobs e com Soderbergh responsável pela fotografia. O primeiro, parcialmente baseado nas experiências do ator Chaning Tatum como dançarino, atraiu uma multidão aos cinemas e arrecadou mais de 15 vezes o que custou, nos Estados Unidos. A sequência, portanto era certa. Acontece que o público que procurou um filme protagonizado por homens strippers (desculpe, “male entertainers”)  encontrou nele uma tentativa de romance convencional, um conto de alerta sobre o mundo das drogas nos bastidores do mercado do sexo e um

Uma Aventura Lego (The Lego Movie/ 2014)

Serei breve. Deixa eu ver se entendi: o filme critica quem é comum e segue as regras, mas quem é comum e segue as regras salva o dia no final. Critica a perfeição e falsa alegria de uma sociedade controlada, enquanto mostra a alegria perfeitamente perturbadora de uma terra em que a única regra é não ter regras (enquanto uma personagem admite que isso é incoerente). Mostra que música popular robotiza as pessoas mas no final diz que ela é motivadora e boa. Critica o domínio de uma grande corporação e o entretenimento barato que chega à população, mas é

É o Fim (This is the End/ 2013)

Assistido em 12/10/2013 Teoricamente esse filme é uma comédia, escrita e dirigida por Seth Rogen. Não gosto dos filmes dele nem do Judd Apatow, que costumo colocar na mesma categoria de comediantes excessivamente elogiados, pouco cientes de seus privilégios de homem-branco-heterossexual, um tanto quanto infantis e que definitivamente não sabem escrever mulheres. Resumindo, são aqueles que escrevem comédias para os caras que moram com a mãe depois dos trinta. É o Fim tem a proposta de ser uma comédia sobre o fim dos tempos, em que os atores interpretam a si mesmos: uma ideia boa que foi desperdiçada. Tudo começa

Terapia de Risco (Side Effects/ 2013)

Assistido em 31/07/2013 Que dizer? Não, Soderbergh, não! Você já ganhou um Oscar (sem entrar em mérito se foi justo ou não…), como pôde fazer um filme assim? No início a trama parece interessante: Emily (Rooney Mara) apresenta comportamentos depressivos que se intensificam após seu marido Martin (Channing Tatum) sair da prisão. Após uma tentativa de suicídio, ela é tratada no hospital pelo psiquiatra Jonathan Banks (Jude Law), que se preocupa excessivamente com ela. Aí começam os clichês: Banks passa a deixar esposa e filhos em segundo plano por causa de Emily. Ele pede ajuda a outra psiquiatra que a

Magic Mike (2012)

Assistido em 09/02/2013 Como já diria Cyndi Lauper, “girls just wanna have fun“. Então lá fui eu conferir o tão falado filme sobre homens strippers, baseado na experiência de Channing Tatum (que interpreta o Mike do título) antes de virar ator. E que dizer? A história não é das mais elaboradas. Mike é um stripper que junta dinheiro para começar seu negócio de móveis artesanais. Um dia conhece Adam, um rapaz que veio do interior para trabalhar, e o convida para justar-se ao clube. Mas Adam mostra não ter maturidade para lidar com as pressões do serviço. A história ainda