Estante da Sala

[43ª Mostra de São Paulo] Dois Papas (The Two Popes, 2019)

Esta crítica faz parte da cobertura da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 17 e 30 de outubro na cidade. Extremamente divertido. Esse não é a descrição que esperaria utilizar para descrever um filme sobre duas figuras eclesiásticas, mas é um resumo perfeito para Dois Papas, escrito por Anthony McCarten e dirigido por Fernando Meirelles. O filme mostra as eleições do cardeal Ratzinger (Anthony Hopkins, com lentes de contato castanhas) e do cardeal Bergoglio (Jonathan Pryce), que assumiram os nomes de papa Bento XVI e Papa Francisco, respectivamente, no mais alto cargo da hierarquia da

Figurino: O Silêncio dos Inocentes e Hannibal

Texto originalmente publicado na coluna Vestindo o Filme em 17/07/2014. We begin by coveting what we see every day. Don’t you feel eyes moving over your body, Clarice?   Criado pelo escritor Thomas Harris, Hannibal Lecter apareceu em quatro livros, cinco filmes e uma série de televisão e é sem dúvida um personagem marcante na cultura popular. O filme O Silêncio dos Inocentes, de 1991, dirigido por Jonathan Demmes, marca a consagração do personagem, que protagoniza a trama ao lado da agente do FBI Clarice Starling. As interpretações marcantes de Anthony Hopkins e Jodie Foster são realçadas pela atmosfera soturna e pelos

O Silêncio dos Inocentes em Closes

Impressiona a maneira como o diretor Jonatham Demmes, juntamente com o diretor de fotografia Tak Fujimoto, inseriu close ups ao longo de toda a narrativa de O Silêncio dos Inocentes (1991), ao mesmo tempo explorando as emoções dos personagens e aumentando a sensação de tensão, pela exclusão do entorno. Quase sempre os personagens olham diretamente para a câmera (e consequentemente para o espectador), de maneira a intensificar a transmição das emoções sentidas em cena.  Fiz uma compilação de alguns momentos em que a técnica é utilizada, mas esses não foram os únicos. Muitos personagens secundários também aparecem em close. Além disso

Figurino: Noé

Texto originalmente publicado na coluna Vestindo o Filme em 23/04/2014.   Mantendo fidelidade à temática de sua obra, Darren Aronofsky (Cisne Negro) mais uma vez dirigiu um filme sobre obsessão: Noé. Polêmico, talvez o maior problema do filme tenha sido a falta de compreensão da sua natureza: muitos esperavam uma adaptação literal da história bíblica, quando na verdade trata-se de uma baseada em uma graphic novel desenvolvida pelo próprio Aronofsky, reimaginando o mito. Se levarmos em conta a interpretação literal da Bíblia, teríamos que considerar que a criação ocorreu entre 6 mil e 10 mil anos atrás. Levando-se em conta a idade

Noé (Noah, 2014)

O antropólogo alemão Franz Boas afirmou que o mito tem origem histórica e se baseia no cotidiano do próprio povo que o criou. Por outro lado, defendeu que ele pode se espalhar através de difusão para outros povos que tenham proximidade geográfica. Ainda assim, seria possível encontrar relatos similares entre povos sem contatos anteriores, mesmo que sem uma causa primária semelhante ou uma significação semelhante. Grande parte dos povos da antiguidade buscavam se fixar nas proximidades de rios, porque facilitava a obtenção de água e alimento. Assim, eventualmente, uma cheia periódica poderia ser maior do que as normais, levando a busca

Hitchcock (2012)

Assistido em 14/06/2013 Em 1959 Hitchcock já era há muito um diretor consagrado e intitulado o mestre do suspense. Com um programa de televisão e muitos filmes de sucesso, aos sessenta anos de idade ele decide que precisa de algo novo: algo que traga frescor a sua obra e seja desafiador. Ao ler o livro Psycho, percebe que esse será seu novo filme. Mas o estúdio não recebe bem a ideia de adaptar a história que conta com nudez e violência do jovem que veste roupas femininas e é obcecado pela mãe. Hitchcock faz um acordo: eles distribuiriam o filme